É comigo?
“Ah! Isso você pode falar com ele, ele é o coordenador daqui!”. Foi assim que o sorridente Eduardo Fábio Torrezani, segurança e “cartão de visitas” do Teatro Cacilda Becker (na Lapa) nos recebeu, enquanto tentávamos explicar para ele o que era essa tal Revista Bacante. Depois, nos contou que estranhou a abordagem. “É comigo?”
Passamos, então, pelo coordenador, que nos garantiu que ali não haveria censura e fez questão de deixar o funcionário à vontade. “Ele tem 31 anos, é vacinado. Sabe até onde pode ir”, brincou e saiu.
Eduardo é funcionário terceirizado do teatro e faz parte de uma empresa paga pela Secretaria de Cultura. Nunca tinha sido entrevistado antes. E disse que adorou a experiência. A gente também adorou falar com ele. Muito espontâneo, ele chamou nossa atenção quando explicava para uma moradora das proximidades cada uma das peças em cartaz, indicando quais ela não poderia perder.
Ele entende pouco de teatro, é verdade (em geral, vai mais pelo que houve no entra e sai das peças), mas não há dúvida de que se dá muito bem nas relações interpessoais e é delas que tira uma boa parte do seu conhecimento, nada científico, mas bastante sincero.
Há quanto tempo trabalha no teatro?
Faz seis meses. Esse aqui é o primeiro teatro em que eu trabalho.
E qual foi seu emprego anterior?
Eu trabalhava como gerente de loja. Loja de roupa, né? Não como segurança, dentro da loja.
O que te fez vir pra cá?
A gente trabalha com uma empresa, né? A aí eles determinaram de eu estar aqui, trabalhando aqui. E eu até gostei, porque achei uma coisa, assim diferente, porque eu nunca trabalhei com as pessoas de teatro. Então, eu achei legal, o pessoal aqui é legal.
Como é o nome da empresa em que você trabalha?
Atlântico Sul.
E para entrar lá, como segurança, você precisou fazer um curso específico?
Sim, tive que fazer um curso de vigilante. Aí me mandaram pra trabalhar aqui no teatro. A empresa trabalha com eles aqui.
A empresa é contratada pelo teatro?
Isso. Na verdade, é contratada pela Secretaria da Cultura.
Então dá pra dizer que você deu sorte de vir parar aqui?
Dei sorte de vir pra cá, até porque é uma novidade, né, pra gente. Eu geralmente gosto de coisas diferentes e conhecer pessoas diferentes.
Você já assistiu a peças aqui?
Não, não cheguei a assistir, mas eu pretendo, ainda, nas minhas folgas vir assistir, porque eu gosto de teatro também, acho muito bom.
Durante o trabalho você tem que ficar aqui fora?
É, não dá pra assistir, mas nas folgas eu posso estar vindo assistir.
E você ouve os comentários do pessoal na saída?
Ah, claro. O pessoal que sai da peça, eu pergunto se gostou, como foi. E eles dizem: “ô, gostei, achei muito bom”. Aí eu sei se eles gostaram.
Então você já tem uma boa noção de qual peça é mais bacana?
As peças que apresentam aqui geralmente sempre são boas. Algumas pessoas até falam: “ah, não gostei, não achei muito bom”, outras dizem que acharam, quer dizer, eu tenho o palpite de várias pessoas, porque eu sou o cartão de visitas aqui. As pessoas vão embora e sempre passam por mim. Sempre é bom que a gente fica sabendo as peças que são boas, né, até pra mim quando eu vier, entendeu? Acho bem legal.
Então você já tem propriedade pra indicar peças?
Ah, sim. Se eu conhecer, se for se apresentar em outro lugar, eu posso falar “essa peça é boa”, porque eu já trabalhei, eu já sei.
Tem alguma peça que você lembre que fez bastante sucesso?
As peças que eu conheço daqui são só as que estão em cartaz agora.
E destas qual você acha melhor? Se eu viesse assistir, qual você me indicaria?
Tá no final, né? Mas, se você tivesse vindo antes, eu indicaria essa peça Quase Nada. É uma peça muito boa de assistir. De todos que assistiram, nunca ouvi ninguém falar que a peça foi ruim. Peça muito boa e eu até fiquei interessado em assistir, mas como é a última semana, não vai dar. Mas eu vou tentar ver se ela for pra outro lugar também.
Você tem contato muito próximo com o público, né?
A gente sempre conversa com as pessoas. Eu mesmo procuro conversar: “e aí, gostou da peça, está gostando?” Eu costumo perguntar porque serve tanto pra mim quanto pras pessoas que vêm perguntar pra mim qual peça que é boa.
Como é o pessoal que freqüenta? Tem um padrão? São parecidos?
Então, são diversas, diversas pessoas.
Já teve alguém que te tratou mal?
Não, nunca teve. Eu sempre trato as pessoas bem pras pessoas me tratarem bem, não tem por que ninguém me tratar mal.
Você acha que teatro é caro?
Depende da peça, né? Tem peças que se apresentam em vários teatros por aí que são caríssimas. Também depende da organização do teatro e da peça. Aqui como é da prefeitura, geralmente as peças são baratas. Eu acredito que seja barato. Pra quem gosta, é barato.
É acessível ou é só pra quem tem mais dinheiro?
Não, eu acho que dá pra pessoa assistir, sim. Acho que dá pra qualquer pessoa assistir.
Você acha que as peças aqui do Cacilda Becker são alternativas? É teatro alternativo que é feito aqui?
É, porque são várias peças diferentes, comédia, drama, tem várias diferentes. É variado.
E o espaço do teatro, é legal?
Ah, sim. O teatro é muito bom, conservado. Tem um monte de teatro por aí caindo aos pedaços. Esse não.
E quanto aos atores? Eles são muito loucos?
Eles são sempre muito legais, educados. Não são tão loucos, não.
Rapidinha:
Atriz bonita: pula essa!
(Oi, posso interromper? Onde é o banheiro?)
Um teatro: Teatro Municipal
Uma rua de São Paulo: 25 de março
Mcdonalds ou Habib’s: prefiro Habib’s
Uma pessoa que seja um exemplo: meu pai e minha mãe.
Alguém que você barraria: Meu inimigo, alguém que eu não goste. Ou só se for um vândalo.
Uma coisa que te deixa feliz: minha família
Uma coisa que te deixa triste: doença
Uma peça: Trair e Coçar [é só começar].
Suco, cerveja ou uma pinguinha: Prefiro suco, não sou de beber
Adendo: parece que todos os entrevistados da Bacante só bebem suco! Juramos que não foi propositadamente uma seleção politicamente correta. Ai, essa gente de teatro é tão comportada…


Entrei neste site para ver de
Entrei neste site para ver de coisa se tratasse, e conclui que nao vi nenhum fundamento con relaçao as perguntas que foram eleboradas e muito menos com o elemento entrevistado, gostaria de saber qual e o fundamento deste questionario ? e qual importancia do entrevistado? e o quanto este serviço pode ser util aos utentes? espero uma respostas coerente.
enzo torrezani
Oi Enzo,
Como uma revista que se propõe falar de teatro sem cair na mesmice de ouvir as mesmas palavras das mesmas personalidades, julgamos interessante falar com várias pessoas que estão indiretamente relacionadas ao teatro mas que a maioria das pessoas sequer nota. Inclusive, é sempre muito revelador saber o que as pessoas pensam de teatro (e do que não é teatro também). Mas eu devolvo as perguntas a você: por que exatamente esse seu comentário? e por que você acha o entrevistado tão desinteressante assim?
Abraço!