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Bate-Papos

Reikrauss Benemond

por Juliene Codognotto

1 Comentário 19 April 2009

Sim, o Festival de Curitiba já passou faz tempo, mas calma, a gente não tá publicando agora porque demoramos pra decupar de novo. Este é outro caso. No Festival de Curitiba de 2008, conheci o grupo do Reikrauss Benemond quando assisti a peça Êxodo. Este ano, marcamos uma conversa, mas infelizmente não pude ir ao Festival, que foi coberto, aqui na Bacante, pela Leca. Então, a idéia desta entrevista foi a de fazer um bate-papo por email, com direito a réplicas, se necessário. Como Rei foi bastante direto e esclarecedor nsa respostas, houve apenas duas perguntas extras, com pitacos do Fabrício. O objetivo dessa entrevista é deixar falar do Fringe e da cena teatral de Curitiba quem vive ambos olhando de dentro do teatro. Você tira suas próprias conclusões…

1. Quando foi fundado o grupo? Com que objetivos? Qual é a metodologia ou quais são as características do processo de criação de vocês hoje?

A formação do grupo está ligada diretamente ao Festival de Curitiba, sou do RJ e participei em 2005 com dois espetáculos no fringe, fiquei encantado com a cidade e com o festival, em 2006 voltei novamente e fui assistir aos espetáculos das Cias. de Curitiba, e senti que aqui eu poderia aprofundar mais o trabalho que eu vinha desenvolvendo, no mesmo ano cheguei com intuito de formar uma Cia. , acredito que o trabalho de companhia é mais completo, pleno. Antes de montarmos qualquer espetáculo nos reunimos para decidir o que iremos montar, o que o grupo quer falar e mostrar, a partir disso fazemos um trabalho de “neutralidade” partindo do príncipio que não podemos ter pré-conceitos, depois trabalhamos improvisos sobre temas da futura montagem. A característica do grupo é mostrar um trabalho simples, valorizando ao máximo o trabalho do ator de uma forma não cotidiana e ludica, explorando ao máximo seu trabalho corporal e vocal, utilizando também sonoplastia ao vivo, o grupo está sempre aberto a experiência de outros profissionais.

2. Em que medida você considera que a produção teatral em Curitiba está vinculada aos 10 dias de Festival?

Grande parte dos espetáculos de Curitiba, são montados apenas para o festival e durante o restante do ano esse trabalho não é desenvolvido nem aprofundado, talvez por falta de espaço proprio, incentivo e público.

3. Como é a recepção do público aos espetáculos locais fora do período do Festival?

Fraco, infelizmente a maioria do público vai ao teatro apenas no período do festival, por isso o Festival torna-se vital para vários grupos, é o momento de mostrar seus trabalhos e formar platéia para o restante do ano.

3.1. E com tantos grupos com o mesmo objetivo, é possível realmente fazer o trabalho ser visto e formar público?

É possível sim, mas para isso é necessário um bom investimento em divulgação, não apenas no festival mas durante o ano inteiro, e ainda há o grande fator “boca-a-boca”, funciona demais no fesitval.

4. Como você vê o fato de as produções locais estarem, em geral, no Fringe e não na Mostra Oficial?

Um dos fatos é que a curadoria assisti peças fora de Curitba, acredito que a organização do Festival vê como uma oportunidade do público curitibano assistir montagens que de outras formas talvez não assistisse, o outro fato é que teria que ser estréia em Curitiba, e a maioria estreia antes do festival, e sinceramente são poucas Cias. que tem um trabalho a altura para estar na mostra oficial.

5. Há união/ mobilização entre os grupos curitibanos? Os grupos têm pretensão de influir na organização do Festival?

União/mobilização se existe nunca fui chamado.

5.1. Você já pensou em dar início você mesmo a um movimento nesse sentido? Ou, ainda, há chances de um movimento nesse sentido ter efetividade na lógica da cidade de Curitiba?

Na verdade, como não sou de Curitiba conheço poucas pessoas aqui e devido a CIA, adminstração do teatro e aulas ministradas, o meu tempo fica muito limitado. Eu realizei em dois anos seguidos um Festival de Esquetes, que premiava as melhores esquetes em dinheiro (por mim patrocinado), o intuito era dar possibilidades aos grupos se mostrarem e poder com esse prêmio dar continuidade ao trabalho, e não tive êxito nesse “intercâmbio” entre grupos e produção do evento.

6. Para o bem ou para o mau, muitos definem o Fringe como uma vitrine – caracteristica que a própria organização assume. Seguindo esta metáfora, na sua visão, por quem os grupos que se inscrevem no Fringe querem ser vistos e, em última instância, comprados?

Diversos motivos, divulgar o trabalho para o publico, o intercâmbio entre grupos de outros estados, críticas especializadas, fazer contatos para viajar ou convites para participar de festivais de outros estados. E ainda tem os produtores de elenco que vem ao festival para descobrir novos talentos.

7. Você se lembra de alguns exemplos objetivos de benefício trazido pelo Festival para o trabalho do seu grupo?

Vários, a bilheteria do festival faz o grupo “respirar” durante o ano. Aqui no teatro a Cia. ministra oficinas Teatrais e após o festival há uma procura muito grande pelo curso. As críticas que tem saído durante o festival, sobre nosso trabalho, abriram portas para viagens.

O que a galera acha

1 comentário

  1. Ruth Mezeck says:

    Eu participei do Fringe com Dizinbolsa, um work i n process de Dias Felizes de Samuel Beckett e achei o publico de Curtiba bastante receptivo. E o boca-a-boca funciona. Foi ótimo.
    Deu para ver alguns espetáculos de grupos locais com umas propostas cenicas muito interessantes e antenadas com a contemporaneidade, Destaco “as sete caras da verdade” uma opera comica com ótimos atores num espetáculo muito comunicativo; “Como carne” que eu vi no Teatro do Memorial e me impressionou pelo texto e ótimo trabalho de atores destacando o trabalho de uma jovem e talentosa atriz, a Fernanda Magnani, e um monologo com a ótima Mercedes Pilati uma atriz famosa em Curitiba.
    Gostei muito de Curitiba e voltarei em 2010.


E você, o que acha?

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