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Depois de Coçando o Saccro

A nova esquete do Olaria Grandes Bosta foi apresentada na Palhaçada Geral dos Parlapatões.
Altamente recomendável.

Yan Michalski não era bom velhinho

Faz semanas que estou pra postar esse link aqui. Eis que uma amiga do antigo grupo de teatro envia o link por e-mail e penso “é hora de tomar vergonha na cara”.
Imagino que todo mundo que acompanhe a Bacante, deva conhecer a Questão de Crítica.

Nesse mês, eles se deram ao trabalho de pedir à viúva do Yan Michalski autorização pra publicar um texto supimpa, redigido na década de 80, intitulado O declínio da crítica na imprensa brasileira, em que o crítico, aposentado na época, aponta algumas razões da mediocrização da crítica de jornal.

O cara foi certeiro: 10 anos depois chega a internet comercial, 23 anos depois foi criada a Bacante.
Brincadeiras à parte, recomendo com veemência a leitura do texto de Michalski publicado na Questão de Crítica.

O surdo e os gestos universais

Direto da 14ª MOSTRA ESTADUAL DE TEATRO E DANÇA DA PARAÍBA

O monólogo, quase performance Dona Dora foi depois do Bar do Teatro . Bom, começou, até que as piadas estavam legais, no tempo certo. Mas mesmo nas coisas mais sem graça tipo, “gente eu estou na idade do condor… com dor aqui, com dor ali”, tinha um cabinha que só faltava se virar na cadeira de tanto rir. Era cada gaitada.

Aquilo não era normal. “Meu filho tem o quê, hein?”. O cara era surdo. Mas ele tava sacando tudo – como é que eu não sei. Teve uma hora que a dona Dora começou a dizer: “aí eu sou muito caridosa. Os menino da minha rua tudo fazia fila lá em casa, de 14, até 16 anos”. O surdo começou a dar a gaitada dele e a fazer o mesmo gesto que o Jair Rodrigues faz quando canta “que diga que pense que fale, deixa isso pra lá…”.

Mambembão muito louco

Direto da 14ª MOSTRA ESTADUAL DE TEATRO E DANÇA DA PARAÍBA

“Pô, muito maneiro isso. Mambembão muito do louco”.

Era um tiozinho. Tava melado, melaaaaado. (Bacantes, entenderam né? Melado, alto, queimado, cheio de Bardal, pau d’água, sem poder dirigir o carro…).

Ele se colocou do meu lado. Estava com outro tio, melado igualmente.

Víamos “Quem Casa Quer Lona”, da Cia Lua Crescente, direção de Duílio Cunha, na chamada Praça da Gala (alô, Clowns de Shakespeare) em frente ao teatro Santa Rosa, em João Pessoa.

Segundo o Guia da Folha Online…

Segundo o Guia da Folha Online, ainda é possível ver Toc Toc e O Bem Amado… Atualização é tudo na vida da gente, num é mesmo? Maurício.

Numa escola de inglês para ve…

Numa escola de inglês para ver uma peça. Espero que não comece com The Book is on the Table. Maurício.

O Texto no Teatro Contemporâneo III

Nada como um dia após o outro pra ver a extrema variação de público presente em cada encontro sobre O Texto no Teatro Contemporâneo, promovido pelas Dramáticas em Cena, às quartas-feiras, 21h, no Satyros Um.

Dia 20 de agosto: na porta do teatro, muito mais gente que nas semanas anteriores. Adentramos a sala e na mesa central está uma Dramática e Antônio Araújo, diretor do Teatro da Vertigem. Todos se acomodam como podem. Muitos nas escadas, outros no chão e até atrás do palestrante. O calor chega nos primeiros 20 minutos de conversa. O ar-condiciodado dos Satyros parece não dar conta do recado. Diferente dos outros dias, vemos na platéia dezenas de cadernos e pessoas que anotam desesperadamente como se estivessem numa aula. Não por acaso.

Na última vez que vi Antônio Araújo falar, o barco de BR-3 acabara de sair do Rio Tietê por problemas de produção. Era um encontro em que estavam, além dele, o diretor do grupo XIX e a jornalista Beth Néspoli para discutir, no Ágora, novas arquiteturas de espaços cênicos. Muito pouco foi efetivamente discutido, já que o Tó estava extremamente abatido.

Ontem parecia outra pessoa. O tema, que poderia dar margem a uma discussão mais ampla, acabou, no entanto, centrando a conversa nos processos de criação do Teatro da Vertigem: A Construção da Dramaturgia nos Processos Colaborativos. De modo que o Tó falou muito mais de passado do que de novas pesquisas.

Reza a lenda que recentemente Peter Brook veio para o Brasil e fez questão de fazer um encontro com o povo do Teatro Vocacional. No início da conversa, pediu que falassem de qualquer tema do teatro, mas que não falassem sobre seu processo de criação. Peter Brook não gosta de falar dos seus processos, pois sabe que em cada novo trabalho é necessário criar um novo processo. Dizem também que ele teve a paciência de abandonar o encontro somente na terceira vez que perguntaram sobre o seu processo.

Tó, ao contrário, praticamente só falou dos processos de que participou. Mas se deu ao trabalho de complexificar todas as questões e em momento algum colocou juízos de valor que explicassem o que seria um processo ideal. Ou seja, a mim se apresenta como um partidário da idéia de Brook de que é necessário sempre criar novos métodos. E como é absurdamente rica a experiência de ouvir as mesmas histórias do Teatro da Vertigem recontadas com a lucidez do raciocínio de Antônio Araújo.

Ele relatou que o Vertigem, na trilogia bíblica, contou com o trabalho de três dramaturgos e em cada relação se estabeleceu uma sintonia e um ritmo de trabalho diferentes. O primeiro, Sérgio de Carvalho, acompanhou todos os ensaios e, além de dramaturgo, foi dramaturgista do grupo. O segundo, Abreu, via esporadicamente os ensaios e produziu uma dramaturgia que estaria mais ligada ao gabinete (nome brega que estão usando nos encontros) do que às salas de ensaio. O terceiro, Bonassi, foi uma espécie de meio-termo, encontrando os atores primeiro em todos os ensaios e depois, semanalmente.

Tó contou também como foi quando o Vertigem chamou Plinio Marcos para participar de um de seus primeiros processos colaborativos e a negativa veemente recebida pelo grupo.

Marici Salomão perguntou qual foi a força motriz para a instituição de processos colaborativos no Teatro da Vertigem, ao que Antônio Araújo respondeu que na época de sua criação, o grupo não encontrou um único texto que desse conta das angústias de cada um dos integrantes do Vertigem.

Questões sobre autoria e sobre a participação dos atores no processo também foram levantadas. Tó repetia de maneiras distintas em todas as respostas que havia um dramaturgo em todos os processos, mas que havia uma co-autoria dos atores, dele próprio e do público, que participou dos processos por meio de ensaios abertos.

Mas o que realmente fica na memória desse encontro são as palavras de conexão de Antônio Araújo, que surgiram numa pausa: “Eu vou falando e pensando na negativa do que eu digo”. Movimento de negação que levou à uma reflexão mais ampla, complexa e estruturada do que em qualquer outra discussão que já presenciei sobre a dramaturgia.

Ps: Novamente, comentários dos presentes são mais que bem-vindos.

O Texto no Teatro Contemporâneo II

Luiz Fernando Ramos veio, no dia 13 de agosto, ocupar o espaço em que Reinaldo Montero estava na semana anterior, nos encontros sobre O Texto no Teatro Contemporâneo, promovidos pelas Dramáticas em Cena.

A fala de Luiz Fernando foi muito menos anárquica que a de Reinaldo. Centrado num pensamento e num desenvolvimento que serviu de eixo do início ao fim de sua explanação, ele relativizou a data de início do que se chamaria de Teatro Pós-Dramático. Diferente do que o Hans-Thies Lehmann, autor de Teatro Pós Dramático, propôs, como algo que começa a se desenvolver nas vanguardas do final do século XIX e que efetivamente só se dá na obra teatral de alguns encenadores das décadas de 70, 80 e 90 do século passado, Luiz Fernando propõe um movimento (poderíamos dizer dialético?) entre texto e imagem, que se dá desde a antiguidade clássica.

O polêmico de sua fala está no fato dele encarar os movimentos do teatro contemporâneo como parte de um ciclo, de modo que, agora, falamos e fazemos mais por meio de imagens, mas voltaremos a ter em algum momento o texto como foco. Ele chegou a citar que é da natureza humana contar histórias, portanto mesmo que lutemos contra isso, será impossível tirar dos receptores a potência criadora de histórias.

Para Luiz Fernando Ramos, aquilo que Lehmann aponta como o grande expoente do teatro pós-dramático, ou seja, a obra de Bob Wilson, seria também o marco de uma chegada. Como se a partir daí tivéssemos que buscar uma outra opção. Concluiu-se posteriormente, nas discussões, que a cena paulistana é profundamente dramática. Comercial ou não, profissional ou amadora.

No entanto, tenho que dizer, por minha conta e risco, que nem sequer começamos a colocar em prática idéias que realmente desestabilizem o estatuto do drama. São pouquíssimas a montagens num histórico recente da cena paulistana que efetivamente experimentam ausência de personagens, enredo, narrativa e que investem em imagens e sensações pré-significantes. Não acho que esse é o nosso único caminho, tampouco que será o caminho preponderante. Mas sinto que nunca vi um grupo brasileiro que tentasse radicalizar esse tipo de proposta ao mesmo tempo dialogando com questões brasileiras (sem qualquer intenção minha de querer discutir uma nação, mas sim problemas e temáticas locais).

Portanto, acho impossível falar neste momento da falência do pós-dramático e ainda está por vir alguém que consiga falar sobre o papel do dramaturgo nesse tipo de teatro. O próprio Lehmann cita autores/encenadores que vêm de outros campos artísticos.

A ver o que o Antônio Araújo falou na semana seguinte. No caso, ontem.

Ps: quem estava lá, por favor complemente nos comentários, como já aconteceu na postagem sobre o Reinaldo Montero.

Faça o seu blog e assista uma peça!

Leio no blog do Inagaki que os Barbixas estão fazendo uma ação de guerrilha co povo da tão amada e odiada blogosfera. Imagine tu, digníssimo leitor e autor de blog, que se publicares um dos dois vídeos dos rapazes no teu veículo pessoal, ganharás um par de ingressos pela promoção Blogresso.

Os Barbixas nunca tiveram uma crítica de suas peças publicada na Bacante, mas faz bastante tempo que a Leca comenta do trabalho hilário dos rapazes. Gostaria de saber o que o povo que “quer valorizar a arte teatral” (sobretudo por meio do valor do ingresso) acha dessa alternativa de divulgação.

Minipolêmica, grandes questões

Parece que tudo começou quando um Daniel Gaggini publicou no seu blog a carta encaminhada ao CCSP, na qual seu grupo pede explicação sobre a razão de desconsiderarem o critério de ineditismo do último edital de seleção de peças teatrais. Eu aqui vibrando que vai ter peça argentina por aqui e nem fui lá ler a bagaça, no caso o edital.
Aí o Marcelo Médici postou que seus amigos (não identificados) também tiveram o mesmo problema. O Centro Cultural se justificou alegando que seria necessário somente anexar aos documentos para inscrição textos que fossem “inéditos” ou “desconhecidos”, pois contam com uma experiente banca de avaliação. Disseram também que havia um e-mail disponível para sanar dúvidas desse tipo e que outros grupos não tiveram a mesma dúvida.
No entanto, a pergunta lançada pela tréplica do grupo de Gaggini vai além da fragilidade do texto de um edital específico. Por que o Centro Cultural vem colocando na sua programação peças de grupos com sede em São Paulo e que poderiam se apresentar nas suas próprias sedes? Grupos que por vezes, além de terem sede, ainda dispõem de verba como o Fomento ou a Lei Rouanet. A pergunta vai pra eles, mas também aponta na nossa direção: qual é o recorte da cena paulistana que queremos ver em cartaz no CCSP?

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