June 25, 2009 at 12:03 pm · Filed under Festivais · Por Juliene Codognotto
Acabou o FILO - Festival Internacional de Londrina. As atividades (segundo a assessoria de imprensa: 112 apresentações de 54 espetáculos e 14 shows de 51 companhias de 8 países) aconteceram de 5 a 21 de junho e não foi possível fazer a cobertura para a Bacante - culpa minha, desorganizada que eu sou.
No entanto, vale comentar aqui o trabalho da assessoria de imprensa do FILO, especialmente da Jack, que sempre nos deu muita atenção e facilitou o trabalho e o contato.
A Jack nos enviou uma espécie de balanço do Festival, uma idéia muito interessante, mas que poderia ser ainda mais aprofundada com a participação dos próprios grupos e artistas participantes.
Do conteúdo disponibilizado pela assessoria, muito ficou focado nos números e na auto-avaliação do diretor Luiz Bertipaglia. O texto menciona com sutileza o tema que não pode faltar: a crise! E celebra o fato de o Festival ter acontecido apesar dela - digno mesmo de comemoração, uma vez que os Festivais acabam dependendo sempre de investimento privado. No entanto, para além desta questão, Luiz esclarece sua concepção da função e importância dos Festivais. Leia você:
Qual a importância dos festivais neste momento da Cultura no Brasil? Ainda é uma fórmula eficiente para a circulação de espetáculos?
A cada ano tenho mais certeza de que os festivais são fundamentais para a difusão da cultura e, em especial, do teatro. Sem eles, os artistas e grupos de teatro, dança, circo e música perderiam um espaço privilegiado para mostrar suas criações. O momento de um festival é principalmente o momento do encontro onde os trabalhos são colocados à prova do público e da crítica especializada. Um termômetro importantíssimo para que esses artistas avaliem o trabalho que vêm fazendo.
Se, em Curitiba, a função declarada da maior parte da programação do Festival está baseada na idéia da “vitrine“, aqui, de maneira um pouco confusa, Luiz retoma essa idéia, mas define outras funções possíveis: encontro, provação, auto-avaliação, termômetro. Dá assunto pra semanas de debate. Mas penso que o debate vale a pena e mal começou. E vale sobretudo para saber se tais funções são apenas parte inerente ao discurso festivaleiro (devo essa expressão ao Jorge Vermelho, fo FIT São José do Rio Preto) ou se foram efetivadas nesta porção de números. Eu, desta vez, não posso opinar, só levantar a questão mesmo.
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Por outro lado…
Não fui pra Londrina, mas vim pra BH. Aqui, desde 19 de junho tá rolando o 5º Festival Mundial de Circo, que em 2009 compõe a progamação do ano da França no Brasil. Segundo o Festival, o foco na produção francesa não se deve unicamente à data comemorativa, mas ao fato de que a França tem sido referência no ensino e no desenvolvimento da nova linguagem circense. Vou tentar averigüar isso. Mas só depois de comprar cachaça mineira e doce de leite. Por enquanto, já descobri duas coisas muito importantes: “nem tudo que é pertinho é pertinho” e “sempre haverá uma subida”.
Hoje tem discussão sobre políticas públicas. E lá vamos nós…
June 19, 2009 at 12:20 pm · Filed under Essa gente de teatro... · Por Astier Basílio

No twitter do Wagner Moura duas “tuitadas”, hoje, me chamaram atenção.
A primeira delas era a seguinte: “Acreditar ou não na veracidade do meu “eu twitter” é como uma escolha artística. É preferir o surrealismo ao realismo”.
Eu acredito que é ele sim.
Principalmente pelo que eu tenho lido que ele escreve.
É muito Wagner pra não ser ele mesmo.
Mas, pra não cair numa digressão, a segunda tuitada foi a seguinte: “Acompanho com enfado o fim do diploma de jornalista. Prefiro concentrar energia para polêmicas no endurecimento das regras de meia-entrada”.
Pra quem não sabe, Wagner Moura tem o diploma de jornalista. Tá com enfado por que não usa, nem precisa dele. Mas não queria nem falar disso. O ponto é outro.
Wagner Moura, o próximo Tony Ramos (valeu Muirak), ou quem sabe?, futuro-primeiro-ator-do-teatro-brasileiro – o cara que “fez o Hamlet da geração dele”, segundo a Folha – me fez lembrar de outro grande medalhão do teatro nacional. Esse, mais sincero, mais direto. Procópio Ferreira.
Hoje faz exatos 30 anos de morte de Procópio, o pai da Bibi. Fui na biblioteca daqui da minha casa, peguei o meu “Peças, pessoas personagens – o teatro brasileiro de Procópio Ferreira a Cacilda Becker”, do Decio de Almeida Prado. Olha só o que o velhinho, o Procopão, dizia ainda aos 78 anos de idade, numa entrevista ao Hamilton de Almeida Filho, reproduzida no livro:
“Pois veja: toda arte, meu amigo, é comercial, toda ela. O fato é que a arte é comercial. Você não pode oferecer ao público aquilo que o público não quer. Porque eu sempre ofereci ao meu público peças para fazer rir – porque o público quer rir, o público precisa rir”
Décio segue, ensaio afora, comentando, criticando, vida e obra do Procópio. E quem critica dá a cara a tapa também. Um trecho do Décio me chamou a atenção. Quando Décio comenta a peça “O Chá do Sabugueiro”, destacando o lance dos excessivos trocadilhos. Vou citar:
“(…) outro trocadilho, ou coisa parecida, antecipava o cair do pano, fechando a noitada. D. Marocas, a dona da casa, entra em cena aflita, chamando pela cozinheira: ‘Felicidade!… Onde está a Felicidade?’. E Jacinto Sabugueiro, seu esposo, não perde a vaza: ‘Filhinha!… a felicidade está aqui (aponta os casais Marocas, a princípio surpresa, compreende a cena e corre a abraçar o marido)’. A plateia, comentou Antônio de Alcântara Machado a propósito desses finais piegas, suspirava comovida: ‘tão Brasil!’. Ainda bem que a mulher brasileira não fora contaminada pela liberdade de costume das francesas, seja pela liberdade de modo das americanas”.
Fiquei imaginando o trabalho que deu ao Décio (desculpe o trocadilho, foi involuntário) sair de casa em casa pelo Brasil todo pesquisando modos e costumes da mulher brasileira…
June 15, 2009 at 3:33 pm · Filed under Twittando · Por Revista Bacante
Como muita gente já havia dito, o teatro não vale nada. http://www.festadoteatro.com.br/participantes.html (fabricio)
June 10, 2009 at 5:58 pm · Filed under Essa gente de teatro..., Heliodora, Livro engorda e faz crescer · Por Marco Albuquerque
O Wagner Moura disse recentemente em seu twitter que existe muita gente despreparada escrevendo sobre teatro.
Não temos certeza se este twitter é mesmo de autoria do Wagner Moura, mas, independentemente de Ser ou não Ser, nós nos pegamos questionando se o Capitão Nascimento tinha ou não razão.
Por conta disso resolvemos fazer um teste, tipo aqueles da revista Nova, pra saber se você está ou não preparado para escrever sobre teatro.
Então lá vai…
I TESTE BACANTE PRA SABER SE VOCÊ ESTÁ PREPARADO PARA ESCREVER SOBRE TEATRO
Regra: Some 10 pontos cada vez que responder de forma afirmativa às questões abaixo:
1 – Ao ouvir alguém falar de Lehmann, uma lista enorme de nomes vem à sua mente, e Gerald Thomas normalmente surge antes de Dow Jones?
2 – Você acha que Hamlet e um LP dos Beatles não têm nada a ver, mesmo sabendo que os dois são conterrâneos das Spice Girls?
3 – Você sabe cantar ao menos uma música de Os Sertões, do Teatro Oficina?
4 – Você já assistiu aos episódios de Monty Python’s Flying Circus?
5 – Você já passou horas intermináveis em filas no SESC para comprar ingressos de peças do Peter Brook, do Théàtre du Soleil ou de algum outro grupo hypado do qual, na real, ninguém nunca tinha ouvido falar antes?
6 – Você sabe que Companhia dos Atores não é o apelidinho do Sated ou da Cooperativa Paulista de Teatro?
7 – Você sabe o preço da cerveja em todos os bares da Praça Roosevelt?
8 – Quando você lembra da Bárbara Paz, você pensa primeiro no Grupo Tapa e só depois você lembra da Playboy, da novela Marisol e da Casa dos Artistas?
9 – Se tem brochove?
10 – Você sabe que o Théàtre du Soleil e o Cirque du Soleil não são a mesma coisa?
11 – Você sabe que SBAT não é uma onomatopéia usada no seriado do Batman?
12 – A palavra merda possui conotações positivas pra você?
13 – Você já foi ao teatro ao menos uma vez na vida, ou então conhece alguém que já foi?
14 – Você sabe que Roosevelt não é só o nome de um presidente estadunidense?
15 – O Bortolotto está no TOP 5 das pessoas que você mais encontra numa mesa de bar?
16 – Você sabe que a Cia do Latão não é a versão tupiniquim do STOMP?
17 – Sempre que você ouve a sigla BBB, você pensa imediatamente em Beckett, Brecht e Boal?
18 – Você associa a palavra “vertigem” ao Rio Tietê, a um hospital e a uma igreja antes de associá-la à tontura?
19 – Você acha normal se sentar em um banquinho sujo de madeira em algum porão pra assistir a uma peça sobre as perversidades da alma humana?
20 – Você foi alfabetizado e ainda lembra como escrever?
Como já informamos, a apuração para saber se você está ou não preparado para escrever sobre teatro é muito simples: a cada resposta afirmativa, some 10 pontos.
Após totalizar o seu número de pontos, verifique em que faixa você se enquadra:
- Se você somou 0 pontos. Você tem um longo caminho a percorrer, mas não desanime. Tente descobrir o preço da cerveja na Roosevelt. Já vai ser um bom começo. Depois de beber por algumas horas você já vai estar apto a escrever sobre teatro (ou pelo menos a ditar sua crítica para que alguém alfabetizado escreva por você).
- Se você somou entre 10 e 100 pontos: Você sabe um pouco de teatro, não é mesmo? Sugerimos que você leia isso pra aumentar seus conhecimentos. Mesmo se não quiser ler, não se acanhe, pois você já está apto a escrever sobre teatro.
- Se você somou entre 110 e 180 pontos: Você já sabe bastante de teatro. Mesmo assim, sempre existe espaço pra você se aprimorar. Sugerimos que você aumente seus conhecimentos lendo isso aqui. Capriche nas referências e saia por aí escrevendo sobre teatro sem medo de ser feliz.
- Se você somou 190 pontos: Você é a Barbara Heliodora, não é mesmo? Babi, a gente é seu fããããããã!!!!!!!!!!!! Só faltou você saber o preço da cerveja na Roosevelt para gabaritar aqui no nosso teste… sempre te dissemos que essa informação ia ser importante algum dia… Babi, você precisa escrever mais, pois sentimos falta de ler coisas suas com mais freqüência… Já está mais do que na hora de você lançar seu blog!
- Se você somou 200 pontos: Cara! Você sabe tudo de teatro! Isso deve fazer com que você seja um ser humano incrivelmente chato. Deixe o teatro de lado e comece a ir ao cinema, ao futebol ou à terapia. POR FAVOR, PARE DE ESCREVER SOBRE TEATRO.
- Se você somou mais de 200 pontos: Não tente escrever sobre teatro, você precisa mesmo é de aulas de Matemática.
June 10, 2009 at 3:21 am · Filed under Twittando · Por Revista Bacante
Vem aí o novo projeto editorial da Bacante. A gambiarra vai ficar com um visual bem diferente, mas o humor duvidoso continua.
June 2, 2009 at 8:15 pm · Filed under Essa gente de teatro... · Por Fabrício Muriana
No dia 31 de maio de 2009, o jornalista Cristiano Castilho publicou na Gazeta do Povo de Curitiba uma matéria sobre a Praça Roosevelt, com título “Teatro ilumina praça em São Paulo”. Para a elaboração do texto, o moço fez uma entrevista por e-mail comigo, que rendeu um quadrinho para a matéria. Como sempre acho que falta contexto pra todas as discussões relacionadas com a Roosevelt, reproduzo aqui abaixo a íntegra da entrevista que respondi. Sei que é meio óbvio, mas é sempre bom deixar claro que as perguntas são do Cristiano e as respostas são minhas. Grifo em vermelho o pequeno trecho que entrou na matéria.
Nome completo e idade:
Fabrício Muriana, 24 anos
Profissão:
Ator, publicitário e editor da Revista Bacante (site com foco em teatro).
Onde nasceu e onde mora hoje:
Nasci na cidade de São Paulo e morei por 21 anos em Pirituba, bairro no limite entre a zona oeste e a zona norte.
Mudei há três anos para o centro da cidade, na esquina das ruas Gravataí e João Guimarães Rosa, de frente pra Praça Roosevelt.
Como era a Praça Roosevelt quando você a conheceu?
Fui pela primeira vez à praça Roosevelt há cerca de 6 anos. Comecei conhecendo os teatros (studio 184, teatro do ator, satyros 1 e 2). Desde o princípio, perguntava-me exatamente o que era a praça, porque o que chamam de Praça Roosevelt é uma grande estrutura de concreto, que parece muito pouco com uma praça.
Há pouco mais de 3 anos, quando comecei a pesquisar apartamentos no centro, fui conhecer melhor a região e vi que havia também um supermercado embaixo da estrutura de concreto, mas que não havia muitas entradas de luz (como também acontece com boa parte da área embaixo do minhocão, que fica sempre à sombra). Naquela época, a Praça ficava com alguns pontos sem iluminação nenhuma de noite, o que nunca foi sinônimo de violência. Como a estrutura de concreto serve de proteção pra chuva, uma constante da praça são os moradores de rua, que nunca passam muito tempo por lá, pelo que pude observar. Do lado dos teatros sempre havia movimento. Do outro lado, pra onde me mudei na sequência, havia somente o colégio Caetano de Campos, um boteco e uma pequena pizzaria que funcionavam de noite. Aos sábados já havia o samba, quase na esquina com a Consolação.
A Praça Roosevelt passou por algumas mudanças nos últimos anos. Como
você as vê?
A mudança mais concreta que eu vi no últimos anos na praça foi a saída do supermercado e da escola infantil, que também ficava embaixo do pentágono de concreto. Na época, a justificativa era que se colocaria abaixo toda a estrutura de concreto, portanto o supermercado e a escola teriam que sair. Foi quando vimos um aumento desproporcional de moradores de rua que ocuparam a área referente ao mercado e à escola. Três vezes vi, da janela do meu apartamento, a Guarda Civil metropolitana retirando os moradores de rua de lá, de noite ou madrugada. Como a obra na praça não começava, eles, os moradores de rua, sempre voltavam. A prefeitura então resolveu derrubar as paredes que não eram estruturais e derruabaram todas as que correspondiam à área do supermercado e da escola. Foi nessa época que a Guarda Civil Metropolitana passou a deixar uma viatura de frente para a praça. Colocaram luzes em diversos pontos, mas a estrutura central de concreto nunca foi tocada. O movimento do lado dos teatros aumentou, mas pouca gente que frequenta aquele lado efetivamente passa pelo meio da praça. Com exceção dos três dias de Satyrianas, ao longo do ano a praça fica abandonada e quem eu mais vejo ocupando aquela área são os moradores de rua e os skatistas. Então, de uma maneira geral, não vejo nenhuma alteração estrutural do que era a praça quando a conheci.
As Cias de Teatro que lá se instalaram foram responsáveis por essas
mudanças de maneira positiva?
As cias de teatro são responsáveis pelo fluxo de pessoas que frequenta um lado da praça. Pra ser mais exato, os bares dos teatros são responsáveis pelo principal movimento de pessoas que por ali passam. De quatro teatros, quando conheci, hoje existem sete (ou oito, posso estar enganado) fora os teatros que abriram na região. Três deles ficam abertos como botecos. Daquele lado, abriu também uma loja de quadrinhos, uma galeria de arte, ou seja, o movimento aumentou. E isso é muito positivo do ponto de vista político, já que vemos uma parte do centro sendo reocupada pela população que a havia abandonado. Mas não dá pra dizer que essas mudanças alteraram a praça e sim que alteraram o movimento de um lado da praça.
Segundo Ivam, da Cia Satyros, o teatro “jogou luz” sobre os
traficantes e drogados que frequentavam a região. Você concorda?
É uma afirmação metafórica. Não consigo dizer, assim sem contextualização, o que essa “luz” quer dizer. Por um lado dá pra dizer que o teatro feito naquela região colocou no palco alguns temas relacionados com o entorno. Ou seja, “jogou luz”, por consequência, nas histórias de muita gente dali, inclusive traficantes. Já os “drogados” continuam por lá - se por drogados entendemos qualquer pessoa que utilize substância ilegal. É comum ver gente fumando maconha na região. Também aqui vemos uma segunda acepção de “jogar luz”. Os usuários de maconha que já estavam por ali meio na penumbra, agora têm o seu hábito iluminado tanto na praça, quanto de frente aos teatro (o que não quer dizer que a polícia tenha sido menos ostensiva no combate da prática). Mas se o “jogar luz” quer dizer que os traficantes e drogados foram “iluminados” pelo teatro, no sentido de que por meio do teatro encontraram caminhos lícitos para suas vidas, eu não concordo. O teatro só aumentou a quantidade de pessoas que circulam por ali. Mas não passou nem próximo da população de rua que ocupou temporariamente a antiga estrutura do supermercado, mesmo estando na mesma praça.
Como você vê essa postura empresarial das Cias (abrir bares e
restaurantes anexos aos teatros)?
É uma maneira de se manterem enquanto não se consegue verba pública para as montagens. Os grupos dali acabaram concentrando um movimento noturno semelhante, mas em bem menor escala, ao que acontece na Vila Madalena, na Vila Olímpia e em alguns pontos da Augusta. É claro que o público da Roosevelt é muito específico e que existe uma afinidade muito maior com o teatro, porque foi onde tudo começou e porque as salas têm programação permanente. O que você chama de postura empresarial, eu vejo como uma adaptação à realidade cultural brasileira, em que um grupo nunca pode contar com uma verba por um período maior que um ano. Pula-se de edital em edital, de patrocínio em patrocínio (sempre com verba pública, mesmo que via Lei Rouanet) e não há garantia de “salário” ou verba permanente. Então com os bares, há sempre uma fonte de renda para o grupo, que não será a principal (os grupos da região continuam utilizando massivamente verba pública), mas que pode sustentar os grupos enquanto não tiverem verba. Pena que isso só aconteça na Praça Roosevelt. Não conheço outros grupos de São Paulo que tenham essa fonte adicional de renda vinda dos bares. É necessário haver concentração de pessoas pra que essa oportunidade de negócios (não artística, é bem importante não confundir) apareça.
Como acha que a cidade de São Paulo vê o espaço hoje e o que poderia
melhorar lá?
São, novamente, muitas idéias do que pode ser a “cidade de são paulo”. Se o recorte da cidade de São Paulo for a prefeitura, a praça (estrutura de concreto) provavelmente só receberá reformas em 2010, quando haverá novas eleições. Mesmo assim não é garantido que resolvam tudo antes das eleições por que a estrutura é muito grande e complexa (ela está sobre um túnel que faz a conexão do eixo leste-oeste). Quanto aos moradores e os diversos problemas sociais da região, não vejo movimentos da prefeitura no sentido de saná-los. Pelo contrário. A prefeitura de São Paulo tem fechado albergues da região central e o discurso da revitalização tem justificado a expulsão de moradores de rua em outros bairros centrais (como aconteceu na Luz e na Sé).
Se a cidade de São Paulo for a sua população, teríamos que recortar somente as pessoas que passam por ali e dependem daquele espaço. Nesse caso, o que vejo é uma certa apatia e e total falta de consciência política, no sentido de o que fazer para que os problemas da região se resolvam. Espera-se que a prefeitura faça investimentos na região para que o valor dos imóveis suba. Só isso.
Se a cidade de São Paulo for um recorte das centenas de grupos de teatro que nela atuam, acho que também é papel deles ocupar efetivamente a praça e dialogar com as questões sociais que ali estão. Não somente fomentar a circulação de público nos seus teatros fechados, mas ir efetivamente para a praça.
May 19, 2009 at 7:36 pm · Filed under Twittando · Por Revista Bacante
Rilise com foto: temas marinhos, conchas enormes, palco colorido. Achei que era musical da Pequena Sereia. Não, show da Adriana Calcanhotto.
April 18, 2009 at 7:00 am · Filed under Essa gente de teatro... · Por Juliene Codognotto
Pra ninguém poder dizer que o pessoal da Bacante só procura defeito na Folha, fica chutando cachorro morto ou que não da atenção pra nada mais “descolado” no meio impresso, resolvi botar na roda com mais detalhamento uma discussão que o Fabrício começou na crítica da peça A noite mais fria do ano.
A Revista Sussa publicou uma matéria engraçadíssima e, pra sermos delicados, um pouco iludida, sobre o movimento teatral na Praça Roosevelt - praça que, aliás, continua esperando pela demolição do concretão ou outra solução que acabe com o alagamento que rola embaixo dele.
A reportagem, como bem observou um amigo, traz fotos grandes e bonitas mas - veja só! - nem umazinha das imagens é de uma peça de teatro. Quer piorar? Vamos lá. A onda multimídia levou à produção de um vídeo que elucida muito o que as pessoas vão fazer na praça - elucida tanto que elas nem conseguem explicar muizzzto bzzemzzzz.
Mas a melhor parte não está nesse texto que copio abaixo, está na chamada de capa. Perdão, estou sem a versão impressa para transcrever exatamente, mas a chamada diz, em outras palavras, que a Roosevelt se mostra uma alternativa para o teatro no plano dos negócios, com os botecos substituindo a ajuda do Estado. Opa! Que coisa mais estranha, né? Eu jurava que o Parlapatões tinha conseguido a sede lá na praça com ajuda da Petrobras (Rouanet) E do Fomento (verba municipal). E, olha que coisa!, o Parlapatões acabam de ganhar a décima quarta edição do Fomento! Gente, pra quê escrever projeto pro Fomento? Faz uma promoção de cerveja que tá tudo certo!
A infelicidade de colocar este “modelo de negócios” como alternativa ao incentivo público, além de foder outros grupos que não querem vender nada na frente de suas sedes e dependem destas verbas, ainda é mentirosa. E não é só no caso dos Parlapatões. Studio 184 teve verba pra montar Heleny, Heleny, Doce Colibri (Não me pergunte por que, mas teve). E, por fim, os Satyros, pelo que eu me lembro, se apresentaram, em 2008, no Itau Cultural e no Centro Cultural São Paulo e vão estrear a nova peça no Sesc, tudo bem remunerado. Bem, acho que o equívoco já está bem exemplificado.
Enfim, depois de muito papo de buteco, me senti na obrigação de, além de botar na roda as questões acima, fazer alguns outros comentários mais bobos, só para apontar exatamente onde eu acho que você pode dar boas risadas com a reportagem. Aí vai!
PS: É fundamental que fique claro que eu não sou evangélica, nem tenho nada, nada mesmo, contra o buteco e a cerveja. A gente só toma na rua de trás que é mais barato.
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Por que você freqüenta a Praça Roosevelt?
A praça, em São Paulo, integrou o teatro à vida noturna da cidade. O lugar se tornou ponto de encontro de atores, diretores e aspirantes que a freqüenta pelas mais diferentes razões.
Gabriela Mellão
O bar está lotado, a cerveja é geladíssima e a conversa, animada (oi? Desculpe? Estamos falando de quê mesmo?) . Camisetas de bandas de rock, regatas, minissaias de brechó e coturnos vestem um público predominantemente jovem. Como num pub londrino, perto da meia-noite toca uma sineta. Ao contrário do que ocorre na Inglaterra, o toque não indica o fim da festa, mas o início do espetáculo. Afinal, não estamos num pub, mas no teatro. Mais precisamente no Espaço dos Satyros 1, localizado na praça Roosevelt, no centro de São Paulo. Regatas, minissaias e coturnos se encaminham para a sala onde terá lugar a estreia de Natureza Morta, peça do premiado dramaturgo Mario Vianna dirigida por Eric Lenate.
A praça Roosevelt se beneficiou de uma mudança recente na vida boêmia de São Paulo, que se deslocou para a região da rua Augusta, próxima à praça. Com isso, o teatro passou a disputar a atenção do público jovem com o cinema e o rock — e, por incrível que pareça, levou vantagem (Uau. Que disputa bem contextualizada) . “A praça trouxe mesmo os jovens de volta ao teatro”, afirma o escritor e dramaturgo Marcelo Rubens Paiva, ele próprio um frequentador do local. Paiva tem uma teoria sobre isso. “A dramaturgia que surgiu com o Teatro de Arena nos anos 60 e apresentou peças em novo formato aproximou muita gente do teatro. Ela ficou esquecida por muito tempo e ressurgiu na praça” (Ó, dúvida cruel, a tática do Arena ou a da Brahma é que traz os jovens ao teatro?) , diz o escritor, que também é dramaturgo e ganhou um novo entusiasmo pela arte teatral graças à Roosevelt.
Quando Os Satyros se estabeleceram na praça, a temporada teatral da cidade se resumia às sessões dos fins de semana. (É mesmo? Quem disse?) “Até a quinta-feira havia sido abolida”, diz o diretor Ivam Cabral (Ah, o Ivan disse. Ufa, uma fonte isenta, imparcial.). Ele foi chamado de louco ao montar uma programação pouco usual, que não demorou a se estender para todos os dias da semana, em horários variados. Foi aí que teve uma ideia que se revelou genial: criar a sessão da meia-noite de sexta e sábado, o atual horário nobre da Roosevelt. Isso integrou o teatro à vida noturna da cidade. Assistir a uma peça no lugar passou a ser algo para fazer depois da happy hour e antes da festa, numa cidade cuja vida noturna começa por volta das duas da manhã. A sineta que lembra os pubs londrinos acabou se tornando uma marca registrada da praça. É ela que marca o sinal que antecede as peças.
São sete os teatros da Roosevelt — incluindo o novo que abre no dia 17 deste mês, batizado de Miniteatro e dirigido pela dramaturga Marília Toledo e pelo diretor Kleber Montanheiro. Mais do que garantir a sobrevivência dos grupos (quais?), atrair os jovens e se integrar à efervescente vida noturna da cidade, a praça Roosevelt é, acima de tudo, um grande ponto de encontro — onde artistas conhecem artistas e todos entram em contato com um público crescente que vai lá não apenas pelas peças, mas também pelo agito (Aqui a Gabriela foi boazinha. Se ela dissesse “vai lá não apenas pelo agito, mas, às vezes, pelas peças” ficaria mais fácil de acreditar). “A partir dos Satyros, a praça passou a reunir teatros e bares próximos uns aos outros, tornando-se um lugar propício ao encontro entre artistas e boêmios“, diz o veterano diretor José Celso Martinez Corrêa.
CONVERSA DE BAR: “quer dirigir? Quero!”
Se existe um mestre-de-cerimônias desse espaço onde atores buscam personagens e autores quem os encene, ele se chama Mário Bortolotto. (Estou me perguntando há dias se o Bortolotto está sabendo dessa frase!) O dramaturgo e diretor, fundador do grupo teatral Cemitério de Automóveis, reclama que a praça anda muito “crowdeada” (gíria anglófila para lotada), mas não sai de lá. (e dessa?) Está sempre em cartaz em seus teatros e bares (como faz pra ficar em cartaz no bar? É aquele palco dos Parlapatões?). Bortolotto faz da Roosevelt uma extensão de sua casa, que fica próxima. Diariamente, ou quase, encontra os amigos no Espaço Parlapatões, conversa e bebe. As noitadas não atrapalham sua produtividade. Considerado o principal herdeiro de Plínio Marcos, Bortolotto acha que a praça é importante até para seu trabalho como dramaturgo. “As pessoas com quem encontro e converso me inspiram”, afirma.
O outro grande agregador de gente da classe artística no local é o escritor Marcelo Rubens Paiva. No início, ele ia apenas para encontrar os amigos. Não demorou a ser fisgado pelo teatro. “Sou daqueles que vão e assistem”, afirma Paiva. Por causa da Roosevelt, ele se tornou diretor. “Encomendaram um texto a mim. Precisavam de um diretor. Aí, um dia, eu estava ali, no bar, olharam para minha cara e disseram: “Quer dirigir?” (taí uma história que tem tudo pra dar certo, não? Não?), conta ele, que atualmente está em cartaz no Sesc Avenida Paulista com A Noite mais Fria do Ano, peça da qual assina texto e direção, ao lado de Fernanda D’Umbra, outra assídua da praça. O elenco reúne vários de seus companheiros de bar: além de Bortolotto e Hugo Possolo, dos Parlapatões, os atores Paula Cohen e Alex Gruli. Ou seja, um típico caso de interação entre boemia e teatro. (hahahahahahahahaha)
Está longe de ser o único. A presença constante de Bortolotto, Paiva e vários outros diretores e dramaturgos atrai artistas que vão à praça para fazer networking (e, não perca, logo a frente, ela explica o que é networking), ou seja, conhecer gente e encontrar trabalho. Segundo a atriz Giovanna Velasco, da Cia. Satéllite, o burburinho do local rende contratos sobretudo para os que não estão procurando. “Ator mais novo, que se arruma todo para vir à Roosevelt na maior expectativa, geralmente volta para casa frustrado”, diz ela, que, graças às noitadas passadas na praça, conheceu a produtora de Os Descolados, uma nova série da MTV, e se integrou ao elenco. A atriz, que morou três anos na Espanha, compara a ebulição intelectual da Roosevelt à do bar Marsella, da Barcelona dos anos 50 do século 20, que era frequentado por Pablo Picasso, Salvador Dalí e outros artistas revolucionários. “Como na Roosevelt, ali nasceram inúmeros projetos. A boemia é um palco para a criação.”
O diretor Regis Trovão já admirava a arte feita pelos Satyros muito antes de começar a trabalhar com teatro. Ele se mudou para os arredores da praça no ano 2000 e acompanhou todo o renascimento da Roosevelt. A região que concentra o mercado financeiro, a chamada “City paulistana”, fica perto da praça — e Trovão, que trabalhava lá, ia quase que diariamente ao teatro depois do expediente. Um dia, encontrou Mário Bortolotto na calçada do La Barca, um dos bares da região, e expôs seu desejo de se tornar diretor de teatro. Ganhou a chance de sua vida: um convite para fazer assistência de direção de um texto de Bortolotto, A Frente Fria que a Chuva Traz (mais uma história com tudo pra dar certo, não?). “Frequentar a Roosevelt ajuda a carreira porque aqui você está num foco disseminador de trabalho”, diz ele, que por fim largou o emocionante mundo das finanças e mergulhou no teatro (tchibum).
Constantemente, as calçadas da Roosevelt exibem cenas surpreendentes, que poderiam estar dentro de suas salas de espetáculo. Como a ocorrida numa noite quente de março. Jovens, gente de meia-idade, senhoras e senhores dividem as mesas dos bares, com seus cabelos médios, curtos, compridos, pomposos, cheirosos, ensebados, raspados, espetados, de cores e texturas variadas (um oferecimento “Loreal, porque eu mereço!”). De repente, irrompem artistas vestidos de mendigos. Eles chamam atenção enquanto correm pela rua, com suas roupas esfarrapadas, balbuciando sons desconexos. Um deles para e se ajoelha no chão, obstruindo a passagem de um jovem tatuado, sem camisa. Atrás dele, uma família de negros é obrigada a diminuir o passo e contornar o performer. Por pouco não é atropelada por duas garotas emperiquitadas, que gargalham, concentradas na própria conversa. Até que um grito vindo do coração da praça rouba os olhares de todos: garotos são revistados pela Polícia Militar, corporação conhecida pela maneira pouco espalhafatosa com que faz esse tipo de coisa (grifo maldoso, não resisti: “dizendo nada em quatro palavras”).
Com tantos atrativos e emoções, a Roosevelt ganhou frequentadores habituais, que não são necessariamente os mesmos que vão ao teatro em outros lugares da cidade. Um deles é o jornalista Jacques da Costa Carvalho, que vai ao local diariamente — e, de tanto frequentá-lo, comprou um imóvel próximo dali. “Aqui convivo com todo tipo de gente, dos bairros chiques e humildes, passando por celebridades como o governador José Serra (depois que as pessoas elegem o Kassab e o Sarney, ninguém entende… celebridade é foda), a apresentadora Adriane Galisteu e a jornalista Marília Gabriela”, diz ele. A comerciária Graciela Monteserrat vai lá em busca de teatro e do ambiente festivo. Ela acha que há três tipos de público, os que só bebem, os que só vão ao teatro e os que fazem os dois programas (existe um quarto tipo: o que vai com a intenção de assistir a uma peça, toma a primeira, a segunda, a terceira e… “o que era mesmo que eu tinha vindo fazer aqui?”). (uau! Esses parênteses, sem dúvida, são a melhor parte da reportagem)
O logradouro paulistano, como a Ipanema carioca dos anos 60, já começa a inspirar músicas. O compositor Luiz Pinheiro, que já compôs para Cássia Eller, resolveu tornar a praça sua musa. Eis alguns dos versos de Na Praça Roosevelt, escrita em parceria com Edu Castanho e Vanessa Bumagny:
Na praça Roosevelt
transexual fica grávida
e menino chora
na barriga da mãe.
Na praça Roosevelt
coisas lindas passam com graça
na calçada dessa praça
que não é de Ipanema
mas devassa.
Na praça Roosevelt
tem cults, tem kilts.
Casais se beijam
sob a chuva
e nos teatros
atores jovens dados e maduros
atuam orgias
orgasmos e amores impuros.
April 18, 2009 at 5:43 am · Filed under Fotografia, Libertinagem · Por Leca Perrechil
Depois de A Filosofia na Alcova e Os 120 Dias de Sodoma, estréia na próxima terça-feira (21/04) o espetáculo Justine, fechando a trilogia libertina da Cia. de Teatro Os Satyros, baseada na obra do Marquês de Sade.
Estivemos no ensaio aberto realizado no último dia 15. Confira abaixo as fotos.
ATENÇÃO!
AS FOTOS ABAIXO PODEM CONTER NUDEZ ARTÍSTICA PARTIAL OU TOTAL, EXPRESSÕES FACIAIS DE TERROR, MEDO E DEPRAVAÇÃO, OU UM VÍDEO DE EDUCAÇÃO SEXUAL REALIZADO PELA HEBE.












Pra terminar, uma sequência com Andressa Cabral (Justine).




April 6, 2009 at 2:23 am · Filed under Festivais, Fotografia · Por Leca Perrechil
O Festival de Curitiba 2009 pode ter se encerrado há uma semana. Mas passada a ressaquinha pós-festival, ainda tenho material fotográfico pra postar por aqui.
Aproveitando o primeiro-pós-post, publico as fotos da peça Rosa de Vidro, da Cia. da Memória, que já teve temporada em São Paulo nos Satyros e crítica da Juliene Codognotto.



Ps: Sei que a imagem acima parece uma típica foto de divulgação de novela (melodramática),… mas não resisti.




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