Faz mais ou menos quinze dias que recebi, em um mesmo dia, a mesma música de cinco amigos diferentes: uma música super bem-produzida em que a vocalista agradavelmente mandava as pessoas tomarem no cu (preferi achar que meus amigos haviam me enviado por achar divertido). A música tinha uma produção que lhe dava uma qualidade que destoava um pouco das porcarias que circulam diariamente internet afora.
Coincidentemente, na semana seguinte, apareceu no YouTube um vídeo com a tal música sendo dublada por uma atriz que também trazia uma produção razoável, com direito figurino e peruca. Não demorou para eu descobrir que de fato a mulher que aparecia no vídeo é a cantora da música.
Também não demorou para ela aparecer no Jô Soares, falando de como surgiu a música há uns dois anos e que ela “não sabia como foi parar na internet” porque ela “só mandou um e-mail na vida”.
O que isso tudo tem a ver com teatro? Pois bem: coincidentemente a tal moça estreará um espetáculo solo de humor em São Paulo, um tal de Se piorar estraga. Recapitulando: a música teria sido criada há dois anos, e vazam ao mesmo tempo a música e o vídeo na internet. Ela aparece no Jô Soares pouco antes de estrear um espetáculo humorístico do qual, coincidentemente, o número “Vai tomar no cu” faz parte.
Pois é, minha gente, é o marketing viral no mundo do teatro. Poderia ter sido melhor disfarçado, mas o que importa é que, com tantos shows humorísticos iguais, a tal da Cris Nicolotti fisgou sua fatia do público que só consome comédia e já sabe do que vai rir…