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Archive for July, 2007

"O SESC deveria saber melhor o que não deve fazer consititucionalmente"

(Dialogando com James Sakel)
Neste domingo que passou, dia 15, vi na televisão , às nove da noite, uma peça teatral de nome “Billy, a Garota”. Infelizmente perdi.
Espantou-me saber que tal espetáculo, que apresenta um texto agressivo, mostrando strep-tease, jovens desregrados e outras coisas mais, com linguagem em muitos momentos de extrema vulgaridade, vejam vocês, este espetáculo foi produzido pelo SESC TV.
Vocês sabem o que é o SESC? Sim, sei.
Ou o que deveria ser? O que você acha que deveria ser?
O SESC foi criado constitucionalmente pra se dar apoio cultural, social e esportivo aos comerciários.
Pra fazer isso, o SESC recebe uma contribuição obrigatória de 1,5%, que é recolhido em toda folha de pagamento de empresas da área de comércio e serviços.
O SESC foi criado pra dar apoio e infraestrutura cultural, social e esportiva aos comerciários e não ao povo em geral.
É pra isso que o SESC arrecada uma fortuna.
Pode ser muito bonito (definitivamente é “bonito”)e até fica bem entre os artistas a coleção de espetáculos qeu o SESC promove ao público em geral, mas não foi essa a fundamentação da criação do SESC.
O SESC gastaria muito menos e teria muito mais visibilidade e divulgação de seus trabalhos, se, ao invés de sustentar uma televisão que é a SESC TV de quase nenhuma audiência, comprasse horários em todas as televisões do Brasil, em revistas e em jornais, e assim divulgasse ao público a que se endereçaria, os comerciários, o seu trabalho. Calma, aqui eu estou me perdendo, o SESC deveria comprar e fomentar, com o valor da compra, a produção das TVs comerciais do Brasil?
Mais estarrecedor é o SESC produzir um espetáculo tão deprimente, de imagem tão agressiva, com cenas tão pouco condizentes com os objetivos constitucionais do SESC. Agora você me deixou com muito mais vontade de ver.
Ninguém neste blog é contra e liberdade de expressão. Logo se vê.
O SESC pode até ser divulgador, através de suas salas de exibição, de todos os tipos de espetáculos, pois os comerciários tem todo direito de acesso aos mais variados espetáculos, à realidade artística, mas isso não dá o direito ao SESC de produzir tais coisas, pois essa não é a finalidade constitucional do SESC. Tá na hora de mudar essa finalidade constitucional, então?

Sabadão, dia 23, tem nova apresentação do programa, que eu não vi, mas que certamente é um insulto à moral e aos bons costumes. Não percam na Sesc TV.

Tragédia na Comédia

A Rede Globo tem andado bastante preocupada com a questão da meia-entrada nos teatros. Tanto que colocou ao lado do balcão dos espumantes e vinhos brancos do Cultura Artística um tablóide com o intuito de mobilizar a elite comedora de pizza a se engajar por essa luta.

Como deu na telha da Bacante de falar sobre essa questão, a gente replica na íntegra esse tablóide, reservando o direito de apontar em vermelho o que achamos no mínimo irônico, e em azul aquilo com que concordamos. Afinal, solidariedade a gente vê por aqui.

Artistas, técnicos e empresários do meio cultural se unem em tomo de uma causa urgente: a banaliza­ção da meia-entrada. A prolifera­ção das Carteiras de Identificação Estudantil (CIE) falsificadas vem trazendo sérios problemas para toda a classe artística no Brasil. No teatro, a situação alarmante fica clara com os números divulgados pelos produtores: hoje, em média 80% dos ingressos vendidos são de meia. Uma proporção que coloca em risco a sobrevivência de toda a cadeia produtiva do teatro.

“Na década de 90, a meia equi­valia a 10% da ocupação da casa”, comenta Bianca De Felippes, produtora e diretora da APTR (As­sociação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro). “Há sete anos, chegava a 30%. Hoje, são 85%”, diz. “A classe artística está financi­ando os ingressos de meia-entra­da”, desabafa Eduardo Barata, produtor e presidente da APTR. “As salas não têm melhorias, as peças ficam menos tempo em car­taz, as produções que não contam com grandes financiamentos e que vivem da bilheteria são as mais prejudicadas. E, conseqüentemente, o público que gosta de teatro é prejudicado também.”

“Não somos contra o benefício da meia-entrada”, diz a atriz Marí­lia Pêra. “Mas muitos espetáculos deixam de ser produzidos porque a meia os inviabilizou”. A fala de Marília resume o pensamento da classe artística. No Rio, a mobiliza­ção é grande e já toma também outras praças, especialmente São Paulo. “Além dos encontros com a classe paulista, contamos com o apoio de entidades do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná, Dis­trito Federal, Rondônia, Bahia e Pernambuco”, diz Bianca.

“A partir da primeira semana de maio, os teatros do Rio só aceitarão carteiras mediante documentos comprobatórios da condição de estudante”, explica Barata. Ou seja, estudante que quiser pagar meia-entrada nos teatros do Rio terá que levar junto com a cartei­rinha um documento de matrícula, carnê de pagamento ou similar. E apresentá-lo tanto na bilheteria quanto na entrada.

Mas o benefício da meia não existe só para estudantes. Ele in­clui idosos, menores de 21 anos e, em alguns estados, professores da rede pública e particular, fun­cionários públicos e outros. “É surreal esta situação”, esbraveja Eduardo Tolentino, diretor do grupo Tapa. “O meu imposto é igual ao do dono da padaria. Se cultura é essencial, o pão é mais. Por que estudante ou idoso não pagam metade por um pão? O que diferencia o que a gente faz das outras atividades?”

Ecila Mutzenbecher, proprie­tária, entre outros, do Teatro do Leblon, no Rio, lembra que o preço dos ingressos não subiu tanto quanto a luz, o telefone, o con­domínio: “Se continuar assim, va­mos ter que mudar de atividade”.

Os espetáculos que atraem mais jovens são os que mais sen­tem o reflexo das falsificações. “Muitas peças estão saindo de car­taz mesmo lotando o teatro”, con­ta o ator Bruce Gomlevsky, que protagoniza o espetáculo carioca “Renato Russo”, que tem 90% de espectadores pagando meia. Na tentativa de contribuir para o de­bate, o ator gravou um off que roda antes do espetáculo: “Falsifi­car carteira de estudante é crime”.

Para o presidente da UNE, Gustavo Petta, o direito do es­tudante está sendo lesado: “Se o direito da meia-entrada não é exercido exclusivamente por quem estuda, os produtores acabam ge­neralizando e banalizando esse desconto. O estudante acha que está pagando meia e não está.”

A classe teatral e a entidade es­tudantil concordam que a emissão da carteirinha de estudante pas­sou de iniciativa social para um negócio lucrativo para empre­sas, desde que a UNE e a Ubes perderam a exclusividade da emissão, em 2001. “Temos enti­dades cartoriais criadas exclusi­vamente para vender carteiras”, afirma Petta.

A UNE admite falhas na fisca­lização na emissão de carteiras por empresas parceiras, tais como a Rádio Jovem Pan e a Student Travei Bureau (STB). “Essa car­teirinha distribuída em redes de lanchonetes e videolocadoras não é a carteira oficial da UNE. Provém destas parcerias. No início, acre­ditávamos que isso iria agregar valor ao direito estudantil, mas perdemos o controle. Esses par­ceiros estão distribuindo carteiras sem identificação e já recebemos muitas denúncias”, diz Petta.

Em 2006, foram distribuídas em todo o país 264.827 cartei­rinhas de estudantes pela UNE. Neste ano, até início de abril, já foram liberadas 235.244 CIEs. Destas, 45.500 foram distribuídas pela Rádio Jovem Pan. O mon­tante de carteiras no mercado é ainda maior quando somado aos números da Ubes (União Brasilei­ra dos Estudantes Secundaristas), que representa ensino fundamen­tal, ensino médio, pré-vestibular, supletivos e cursos técnicos. No ano passado, foram emitidas 60 mil carteirinhas chamadas puras - ou seja, cadastradas diretamente na entidade. Além disso, mais 32 mil saíram do convênio com a Jovem Pan.

“A Ubes também mantém con­vênios com órgãos públicos para distribuição de CIEs em diversas cidades, como Natal, Recife e João Pessoa”, explica o presiden­te Thiago Franco. “Eles agregam direitos às carteirinhas como passe estudantil no transporte público. Através desses acordos, a UBES distribuiu 1,1 milhão de documentos em 2006″, declara Franco. “O risco de fraudes desta parcela é zero, já que a emissão é feita em conjunto com as secre­tarias de educação estaduais e municipais.” A UNE e a Ubes não renovarão seus acordos com a Jo­vem Pan, que chega ao fim no úl­timo dia de agosto.

Por meio de nota, a Estepe Par­ticipações, empresa que cuida do processo das Carteiras do Estu­dante UNE/Ubes Jovem Pan, não quis se pronunciar. Também por meio de nota distribuída à im­prensa, a STB garante que atua com rigor para coibir as falsifi­cações: “(…) condicionamos a emissão da carteira à apresenta­ção de documentos originais - RG e comprovante de escolaridade com validade - e de uma foto 3×4. Além disso, os solicitantes são obrigados a preencher um for­mulário com seus dados e assi­natura, atestando que as infor­mações são verdadeiras”.

“A própria regulamentação e criação da meia-entrada possibili­tou que, infelizmente, este bene­fício fosse transformado num verdadeiro comércio. Somente UNE e Ubes ganhavam. Agora o comércio foi democratizado e não há mais controle sobre a emissão das carteiras de estudantes”, desabafa Bianca. “A diretoria da Apetesp considera que a obrigatoriedade da meia-entrada deveria ser abolida, ficando a critério do produtor concedê-la ou não“, diz Ascânio P. Furtado, assessor da diretoria da Apetesp (Associação dos Produtores de Espetáculos Teatrais do Estado de São Paulo). Apesar da posição, a entidade se compromete a endossar plenamente o pensamento e a decisão que resultar das reuniões da classe teatral paulista. A advogada especialista em direito autoral Andréa Francez é uma das principais articuladoras das discussões em São Paulo: “Vamos criar uma lista de propostas que atenda a todo o mercado cul­tural. É importante que estas medidas sejam adotadas em todo o país”. O documento será enviado para a Comissão de Educação e Cultura do Senado e será agenda-da uma audiência pública para mostrar o impacto que o mau uso da carteirinha de estudante causa à cultura. “O ideal é conseguir uma lei federal que regulamente o seu uso”, diz Andréa.

A principal proposta discutida nas reuniões é a limitação de cota de 30% dos ingressos da bilheteria para meia-entrada. Para o produtor paulista Giuliano Ricca, “a solução é fantástica, se conseguirmos atingir a mar­gem de 30% já será uma grande vitória. Marília Pêra faz coro: “Devemos ter uma cota de até 30% da ocupação das salas dedicdas à meia-entrada”.


MUITAS LEIS PARA LEGISLAR O DESCONTO

Até 1983, uma lei federal concedia descontos em eventos culturais para estudantes. Porém, ela foi revogada pelo presidente Figueiredo sob a alegação de que não havia controle da emissão do docu­mento. A partir daí, houve um movimento de compensação do fim da lei federal com a promulgação de diversas leis municipais e estaduais que garantem o direito à meia-entrada não só a estudantes como também a outras categorias, tais como idosos, funcionários públicos e professores.

Há um leque variado de leis, com textos diversos e que algumas vezes não se equivalem. Em São Paulo, por exemplo, há uma discordância entre a lei estadual e a municipal. A Lei Estadual n° 7.844, de 1992, garante a meia para estudantes. A Lei Municipal n.° 11.365, promulgada um mês depois da estadual, também prevê o direito, mas reserva 30% da bilheteria para a meia-entrada, inclu­indo todas as categorias. Fica valendo a que é mais ampla. Ou seja, a cota de 30% não é válida.

Até 2001, as leis estaduais e municipais identificavam, por tradição, a UNE e a Ubes como enti­dades capacitadas para emitir a carteira de estudante. Porém, a Medida Provisória 2.208 quebrou esse monopólio e determinou que é válido “o documento de identificação estudantil expedido pelos correspondentes estabelecimentos de ensino ou pela associação ou agremiação estudantil a que pertença”.

Entretanto, a lei não estabelece a criação da meia-entrada, mas apenas determina que essas car­teiras valham para obtenção do desconto, já previsto em leis estaduais e municipais. Pessoas com mais de 60 anos são as únicas que têm meia garantida por lei federal, graças ao Estatuto do Idoso, promulgado em 2003.


E A SOLUÇÃO?

  • Moralizar o uso da carteirinha é a primeira preocupação. No Rio, uma campanha será lançada em maio.

  • Uma das propostas é limitar em até 30% a ocupação dos teatros para a meia, seja ela para estudante, idoso ou quem mais tiver direito ao desconto.

  • Há ainda a idéia de conseguir que a meia-entrada seja ressarcida pelo governo ao produtor.

  • Existe um projeto de lei dos sena­dores Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Flavio Arns (PT-MG) que regula­menta o benefício. Ele propõe a cota de 40% para meia e autoriza o Poder Executivo a criar um órgão federal para a emissão da carteira. Assim, haveria um só documento válido. No Senado, a Comissão de Educação e Cultura dará o parecer em caráter conclusivo. Não havendo recurso, segue para a Câmara, onde provavel­mente irá a plenário.

  • Porto Alegre (RS) tem o menor in­gresso cheio do país. Na elaboração da lei, os deputados ouviram estu­dantes e produtores culturais e es­portivos. Lá, os estudantes têm direito a 50% de desconto sobre o ingresso de meio de semana. Com variações de acordo com o tipo do espetáculo, no fim de semana o desconto cai a 10%.

  • Usar carteirinha de estudante falsa é crime e pode resultar em prisão. 0 crime do uso de documento falso está previsto no artigo 304 do Códi­go Penal e possui pena similar à dos crimes de falsificação ou alteração, podendo sua pena variar de um a seis anos de reclusão e multa.

A posição da Bacante? A mesma do tal de Ricky Ricky: Meia entrada para todos, afinal a vida é uma escola.

Sônia e o Poder

A assessora-spamer-mor Sônia continua nos bombardeando de porcarias. Olhem só o que ela mandou neste festivo feriado de 9 de julho:

XXXXXXXXXXXXXX realiza e promove mais um curso de liderança e alta performance:

EU TENHO O PODER!

Um evento único e exclusivo em São Paulo dias 21 e 22 de julho de 2007

Interessou?
Pra gente também não.

Sutil 15 Anos

Em primeiríssima mão, notícias dos tão aguardados 15 anos da Sutil Companhia de Teatro:

Enfim, amigos, infelizmente a programação de 15 anos da companhia foi cancelada. Os problemas são meramente técnicos. É impossível a realização da grande maioria dos espetáculos de repertório da Sutil Companhia com outra produção grande, como Tristão e Isolda, em cartaz ao mesmo tempo. Quando projetamos esse mês de eventos, como é natural, não tínhamos definições ainda do tamanho das produções em cartaz no Teatro Popular do Sesi.
Outro problema definitivo foi o adiamento do projeto de trazer O Castelo do Barba Azul para o Sesc em SP. No fosso da orquestra do Sesc Pinheiros não cabem os 90 músicos necessários para a realização da montagem.
Bem, vamos às boas notícias:
Começamos as reuniões e ensaios da nova produção da Companhia, ainda sem título, que estréia dia 22 de Novembro em Brasília, dia 09 de Janeiro no Rio de Janeiro e em Maio de 2008 em SP.
Algumas datas da Educação Sentimental do Vampiro, depois de SP, serão divulgadas.
Uma tour extensa, como a de 2006, com 3 espetáculos da Companhia, será anunciada para 2008.
O Avarento volta dia 13 de Julho.
Até março de 2008, quando completaremos 15 anos, realizaremos as comemorações merecidas, incluindo o lançamento de nosso novo espetáculo e do livro de 15 anos.

Palavras de Felipe Hirsch. Ou seriam de Gerald Thomas e o Felipe se apoderou?

É tempo de divulgar: Dramáticas em Cena

A dramaturga e jornalista abstêmia Marici Salomão nos manda um e-mail divulgando as duas novas montagens do projeto Dramáticas em Cena. São elas:

Romance, de Vera de Sá e direção de Márcia Abujamra, às terças-feiras, 21h.
E Lágrima de Vidro, de Cláudia Vasconcellos, com direção de Jairo Mattos, às quartas-feiras 21h.
Ambas no Satyros 1. Ficam em cartaz até o dia 07 e 08 de agosto respectivamente.

ROMANCE
Quando: Terça às 21h:00
Quanto: R$ 20,00
Lotação: 80 lugares
Duração: 50 minutos

LÁGRIMA DE VIDRO

Quando: Quarta às 21h:00
Quanto: R$ 20,00
Lotação: 80 lugares
Duração: 50 minutos

É tempo de divulgar: do carecão

Recebemos do carecão assumido Alex Gruli a divulgação da nova temporada de Uma pilha de pratos na cozinha.
O texto e a direção são do Mário Bortolotto. No elenco estão o carecão, Otávio Martins, Paula Cohen e Eduardo Chagas.
Ficarão quase dois meses em cartaz no Satyros 1, Praça Roosevelt.
De 06 de julho a 26 de agosto.
Sextas, sábados e domingos. Como diria Marcelo Tas na época da TV Cultura: dez e meeeeia da noite.

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