August 31, 2007 at 12:33 pm · Filed under Sem Categoria · Por Fabrício Muriana
Ok, não é teatro, mas vale o comentário. Ontem, eu e Juli assistimos o sensacional curta Parabéns, escrito pela Paula Cohen, dirigido pelo Gero Camilo e pelo Gustavo Machado, na Mostra Internacional de Curtas de São Paulo. Fora a fotografia, que é em vídeo e um pouco descuidada, todo o filme é um achado. Paula Cohen interpreta a personagem criada por ela própria com perfeição e o curta joga o espectador pra lá e pra cá como se tudo fosse uma grande brincadeira. Desde a vinheta da Fuleragem, a produtora do filme, tudo é muuuito autoral e sem medo de experimentar. Não há como sair da sessão sem ter vontade de adotar uma tartaruga e alugar um apartamento no centro. Destaque para a aparição hitchcockiana de Gero Camilo e para a calcinha da Paula Cohen.
Ps: esse post é um apelo para que o vídeo seja disponibilizado na web e para que passe em outras salas de exibição.
August 28, 2007 at 3:38 pm · Filed under Sem Categoria · Por Juliene Codognotto
Há quase duas semanas, no dia 17 de agosto, fui pela primeira vez ao Teatro Itália (no subsolo do famoso Edifício Itália) que desde setembro do ano passado deixou de ser um tradicional teatro decadente para se tornar um reformado teatro de dança, ganhando até nome novo: Teatro Itália, TD - Teatro de Dança. A inauguração foi no dia 22, exatamente o início da primavera, e desde então a programação não pára, sinal de que a demanda por espaços como esse é grande.
Assisti ao espetáculo Bûudu, de uma companhia de dança chamada Cia Tã, que veio de Burkina Faso até aqui para apresentar um espetáculos de 45 minutos. E eu, que moro quase do lado, nem conhecia pessoalmente o espaço. Que absurdo!
Segundo o site do Teatro Itália, Bûudu, na língua de Burkina Faso, significa: a Família, a Comunidade, a Etnia e o Povo. Bastante coisa, né? E se eu quiser dizer, por exemplo, só Família, sem todo o resto, como será que se diz? Alguém aí conhece um hablante da língua Moaga???
Bem, a dança que eu vi - intensa e vibrante, alternando fortes batidas de tambor com silêncios angustiantes, vocês não podem mais ver, porque o pessoal já voltou pra Burkina. Mas, vale dar uma passada pelo espaço e conferir as outras montagens.
Depois, não se esqueça de dar uma passadinha no Terraço Itália pra admirar a vista de São Paulo. O jantar sai pela pechicha de aproximadamente 100 reais por pessoa. Mas, se você estiver meio sem grana e quiser só dar uma passeadinha no terraço, só precisa desembolsar módicos 15 reais por pessoa. E, ainda, veja só!, se você tiver um tempinho livre no meio da tarde de segunda-feira, pode até ir de graça! É que nestes dias, num arroubo de bondade, o pessoal abre o terraço para o público. Ai, quanta generosidade! Mas corre, que é só das 15h às 16h!
August 22, 2007 at 11:08 pm · Filed under Sem Categoria · Por Maurício Alcântara
Já estão confirmados para o Riocena, entre outros, dois dos espetáculos mais bacanas que já vi. O primeiro é o BR3, do Teatro da Vertigem. O outro, Os Sertões do Teatro Oficina - sim, as 5 partes, com quase 27 horas de duração no total.
August 20, 2007 at 10:45 pm · Filed under Sem Categoria · Por Maurício Alcântara
Essa semana aconteceu uma coisa estranha. Todo mundo fez o mesmo comentário, de que não curtiu seu próprio texto.
Como a Bacante não pode deixar de ser atualizada (até porque eu tenho transtornos obsessivos-compulsivos e se não atualizarmos caem três aviões), a gente pede desculpas e promete que vai fazer o possível pra isso não acontecer mais. Prometemos que semana que vem publicaremos textos melhores. Ou melhor, menos piores.
Isso se não for um encosto que alguém colocou na gente.
August 16, 2007 at 1:44 pm · Filed under Sem Categoria · Por Juliene Codognotto
Fomos carinhosamente convidados pela assessora nacional de imprensa, Deolinda Vilhena, para o Coquetel de Lançamento do 14º PoA em Cena, que aconteceu no dia 13 de agosto. (Valeu Deolinda, assim que a gente gosta: com espumante, queijinho, pão italiano e patê!). Foi a primeira vez que os caras saíram de lá e vieram apresentar a coisa toda aqui pelas bandas paulistas.
Além da comilança e da bebelança, o evento no Teatro Ágora teve mesa de apresentação com a presença dos patrocinadores do evento, cujos sacos foram solenemente puxados pelo Luciano Alabarse, coordenador geral do evento e cover de apresentador de programa de auditório. (Além de fã do Tom Zé, que estava na “platéia”, o Luciano é padrinho do casamento do Celso-presidente-da-Funarte-Frateschi. Ou será o contrário? Enfim, tanto faz, são compadres). Aliás, falando em Tom Zé…
Entre os patrocinadores, destaque para o diretor de marketing da Braskem (que dá nome ao 2º Troféu Braskem (rá) em Cena), por ter dado uma aula de como falar bastante e não dizer nada. Já o representante da Petrobrás lembrou que a empresa tem um motivo baixinho e carrancudo pra gostar de Porto Alegre: Getúlio Vargas.
Outros que tiveram os sacos puxados foram o Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Sesc no Estado de São Paulo, a secretária de Turismo de Porto Alegre, Ângela Baldino, e o Secretário de Cultura de Porto Alegre, Sergius Gonzaga. Este último foi aclamado pelo público presente, depois de fazer um simpático discurso cheio de piadinhas e de afirmar que o importante é fazer, “depois pagar as contas é outro problema”. Ai, a política…
Também estavam na “cerimônia” alguns atuadores do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz (do espetáculo Kassandra in Process, em cartaz no Sesc Pompéia), que são de lá, estão aqui, mas estão loucos de vontade de voltar pra lá.
Sem contar a parte formal (que, temos que reconhecer, foi excelentemente curta), o papo tava bom, a comida tava boa e o espumante também. O Festival promete. Se você puder, faça como a Bacante: vá pra lá mesmo que seja pra dormir na praça.
PS.1. O PoA em Cena acontece em Porto Alegre (juro!), de 10 a 30 de setembro, com 72 espetáculos (incluindo grupos nacionais, internacionais, locais e apresentações de dança e música). Tem, ainda, a presença garantida dos hermanos vizinhos de fronteira, que virão nadando pelas Cataratas do Iguaçu em performance arriscada e inédita e seguirão cantando até o Rio Grande do Sul.
PS.2. Ressaca: Sim, demorei pra postar aqui sobre este assunto. Desculpem. É que só hoje me recuperei da ressaca do espumante rosé. Os demais bacantes continuam de ressaca, em repouso. Agradecemos pela compreensão.
August 3, 2007 at 11:03 pm · Filed under Sem Categoria · Por Fabrício Muriana
Foi no FIT, mais precisamente alguns minutos antes do espetáculo Lesados, que eu conheci o Mateus Faconti, diretor do grupo santista Teatro do Pé. Ele estava por lá, indo de peça em peça, e é a humildade em pessoa.
Não se apresentou como diretor do grupo, mas falou do seu trabalho e de uma certa escolha deles por se manterem em Santos. Questão política que eu acho de extrema relevância em tempos de concentração absurda na cidade de São Paulo. Disse também que seu grupo tinha um blog, mas não deixou detalhes. Por fim acabei ficando com um DVD de divulgação, que esperou muito tempo até que o visse. Sabe quando a gente deixa aquela coisa importante num lugar meio escondido da mochila? Pois é.
Até que ontem o Google (nosso totem) avisou que havia duas visitas vindas do “blog” do Teatro do Pé. Os dois ilustres que de lá vieram passaram 28 minutos na Bacante. Devem ter esquecido a janela do browser aberta.
O que importa é que fui lá visitar o tal “blog” e descobri o eufemismo.
Tem gente que sacou como usar ferramentas da internet. Aqui em São Paulo, não faltam exemplos de grupos que usam blogs, orkut, mailings… mesmo o Overmundo ainda está aí pra ser ocupado. Mas eu nunca tinha visto um site (e aí vamos chamar pelo nome certo) de grupo de teatro tão simples e bem feito quanto esse do Teatro do Pé. Mais do que divulgar o trabalho, é um espaço de discussão (e aí entra um blog) muito legal, uma puta referência de links que me deu até vergonha de ainda estarmos adiando pra atualizar os nossos por aqui. Não tive oportunidade de conhecer o trabalho deles no palco, mas só pelo site já mereciam o Shell. (Ou o prêmio Bacante, né não, Nelsão?)
Você, querido leitor de baixo nível da Bacante, entra lá que não vai perder viagem.
August 3, 2007 at 11:03 am · Filed under Sem Categoria · Por Leca Perrechil
Como parte da comemoração dos 49 anos do Teatro Oficina, Zé Celso e companhia voltam a encenar duas peças de seu repertório: a excelente Santidade, de 4 a 19 de agosto, aos sábados (21h) e domingos (19h). E a fraquinha Vento Forte Para Um Papagaio Subir, escrita pelo Zé, que acontece entre os dias 16 e 17 de agosto às 21h, e entre 18 e 19, às 18h (no dia 19, Santidade será apresentada depois do Papagaio, às 21h).
Ta certo que assistimos a um ensaio aberto do Papagaio, mas não pago para ver se melhorou ou não. Prefiro recomendar Santidade.
A Bacante já começou também suas homenagens ao Teatro Oficina, com a campanha do agasalho que, só este ano, já arrecadou um agasalho e cinco roupas íntimas. A campanha continua, participe você também. Envie para nossa redação o que puder: blusas, moletom, meia, cueca, sutiã… no último espetáculo que vimos, percebemos que a galera lá ainda está precisando. Faça sua parte você também. Doe.
August 1, 2007 at 1:45 pm · Filed under Sem Categoria · Por Juliene Codognotto
O grupo de palhaços improvisadores (pleonasmo?) Jogando no Quintal nasceu mesmo num quintal, mas, em agosto, vai se mudar temporariamente para o Teatro do Colégio Santa Cruz. Bem… deve caber mais público, né?
O que vai rolar por lá se chama II Festival Jogando no Quintal de Improvisação - Edição Internacional e acontece de 3 a 12 de agosto, sendo que, segundo o rilise, os três primeiros dias são especiais porque os grupos participantes fazem um Campeonato de Improvisação. Além disso, no dia 12, todos os grupos se encontram no Cath de Impro, seja lá o que for isso.
Para os idealizadores, como poucas companhias teatrais fazem da improvisação o próprio espetáculo, é importante conhecer os trabalhos de fora do país. Vêm do exterior, para tal intento, os grupos: Impromadrid Teatro (Espanha), Acción Impro (Colombia), Fantoche Teatro de Grupo e Liga Ecuatoriana de Improvisación (Equador); e os workshopeiros: Pablo Pundik (Espanha) e Ricardo Behrens (Argentina). Como o aluguel do Teatro do Colégio Santa Cruz tava baratinho, o Jogando no Quintal resolveu continuar depois do Festival. Ficam em temporada de 18 de agosto até 14 de outubro.
Tudo com apoio da Funarte.
Serviço 1
II Festival Jogando no Quintal de Improvisação – Edição Internacional Dias: 3 a 12 de agosto de 2007. Horários: muito variados. Pede que a gente manda tudo por email. Local: Teatro do Colégio Santa Cruz. Endereço: Rua Orobó, 277 - Alto de Pinheiros. Telefone: (11) 3024-5191
Serviço 2
Temporada Jogando no Quintal Dias: 18 de agosto a 14 de outubro Horários: sábados, às 21h e domingos, às 19h Local: idem Serviço 1 Endereço: idem Serviço 1
August 1, 2007 at 1:18 am · Filed under Sem Categoria · Por Juliene Codognotto
A palavra foi objeto de disputa na noite de segunda-feira (29/07), no Espaço Parlapatões, durante a última leitura do Ciclo de Dramaturgia Avesso da Comédia, Comédia do Avesso, que, ao longo de sua realização (quinzenalmente, às segundas-feiras), contou com a participação dos dramaturgos Flávio de Souza, Jandira Martini, Naum Alves de Souza, o próprio Hugo Possolo, Mário Viana, Aimar Labaki e Mário Bortolotto.
Privilegiado do dia, Juca de Oliveira ganhou o direito de usar a palavra por um tempão, porque tinha que ler sua peça O Presidente, um apanhado clichê, mas super atual da realidade do governo brasileiro no que tange ao caos aéreo. Com direito a repetições quase infinitas do tal “top-top”.
Até então, algumas risadas e um ambiente tranqüilo. A palavra era toda dele. O problema começou quando o Possolo abriu o direito a manifestações. Aí fudeu. Explico: estavam lá o Jô, o Aimar Labaki, um biólogo e outros artistas, além de vários pseudo-intelectuais treinados para dizer: “Isso mesmo!” “É!” “Também acho!”.
Na briga por expor opiniões, trajetórias, repertórios, vocabulários desenvolvidíssimos, claro, venceu o Jô. Não é à toa que ele apresenta programa na Globo. O gordinho, que para minha decepção é menos gordo pessoalmente, falou, falou, falou, falou e falou. Conseguiu até falar sobre o Getúlio Vargas! Ele adora falar sobre o GV, porque deve ter estudado o assunto quando escreveu seu aclamado romance O Homem que Matou Getúlio Vargas.
Ok. E as idéias? É, em tese, o debate deveria girar em torno de algumas inquietantes questões colocadas desde o início do projeto, tais como: riso transforma? A comédia é um gênero menor que a tragédia? O humor está a serviço da indústria do entretenimento? Humor faz pensar? O riso é importante? É importante se levar a sério?
Teve de tudo. Além de falar em Getúlio Vargas, Jô afirmou que a divulgação de peças experimentais leva o público para assitir peças para as quais ele não está necessariamente pronto. Hã? E ele não parou por aí: prometeu que vai correr os 100 metros rasos nas próximas Olimpíadas. Isso pra dizer que é ingênuo votar no Lula por ele ser despreparado para o cargo de Presidente da República. “Vocês podem até torcer para que eu ganhe os 100 metros rasos, mas vocês sabem que eu não estou preparado”.
Política, aliás, foi assunto polêmico. Jandira chegou a afirmar que de todos (isso, mesmo, todos!) os espetáculos que estão em cartaz, somente a peça dela e a do Juca, têm coragem de falar em política. “Parece que há um pacto de não falar mal do PT”. Não falar mal do PT é uma coisa, não falar de política é outra. De todo modo, o Marcelo Rubens Paiva até tentou falar da decepção das novas gerações com a política, mas não deixaram e ele logo desistiu. A palavra estava mesmo muito disputada.
Depois, veio a questão do patrocínio e o Juca disse, sabiamente, que o patrocínio está acabando com o teatro. “O patrocínio está acabando com o próprio patrocínio”, emendou Aimar Labaki. Conclusão: o que chamamos de patrocínio é distribuição do dinheiro público por razões/critérios privados. No entanto, as peças de ambos são realizadas com o tal patrocínio, opa, com a tal distribuição de dinheiro público…
Falou-se, ainda, de autocensura. Resquício da ditadura? Questão financeira? Medo? Sinceramente, até agora não entendi qual é a razão da autocensura do Juca. Ele não se explicou muito bem. E, ainda que a dele seja resquício da ditadura, e a das novas gerações, é resquício de que? Neste ponto, o Jô (de novo!) disse que não vê autocensura, que as pessoas falam tudo o que pensam.
Com tal deixa, eis que surge lá do canto, a questão mais relevante abordada e ela vem do sotaque caipira do parlapatão (existe isso?) Raul, que filmava o debate. Raul questionou os presentes sobre a relevância do que fazem, sobre o quanto a arte e, sobretudo, o humor na arte podem mudar realmente alguma coisa. Citou, inclusive, o Angeli, que teria comentado a situação de fazer uma crítica foda e ver o próprio criticado rindo e colando a charge na parede, para usar como “portifólio”. Então, se as charges do Angeli vão pro portifólio, o que é feito das comédias de classe do Juca? Mais do que isso, os artistas querem/podem modificar algo por meio do riso?
Ninguém respondeu nenhuma das duas questões com profundidade. Nem discutiu, na verdade. O Juca até chegou a dizer que, para ele, a comédia é “mobilizadora” e que no dia seguinte o cara vai pensar: “puxa, eu ri daquilo tudo mas é uma merda!” (como assim? O país ou a peça do Juca?) Aimar acompanhou e disse ter certeza de que a comédia faz diferença, mas não foi além.
Mas o pior ainda estava por vir. O Juca voltou, sei lá eu por que, à época em que fazia o cientista que criava o clone do Murilo Benício, na novela de nome super criativo O Clone. Só por ter clonado o Murilo Benício, o Juca já me dava medo, mas senti ainda mais medo quando ele começou a contar suas descobertas sobre genética e citou uma pesquisa que afirma que os criminosos que praticam crimes hediondos têm uma característica genética idêntica entre eles e diferente dos demais seres humanos. Assim, segundo ele, “essas pessoas não tem jeito, ou mata, elimina ou faz uma intervenção genética”. Ai, Jesus! Ainda bem que tinha um biólogo lá pra, discretamente, chamar o Juca Cientista Maluco de Oliveira de determinista neo-nazista.
Com todas estas preciosas informações, você, leitor deste blog, me pergunta: mas e a função do riso na arte? E a função da arte na sociedade? E eu te respondo: pois é! Não é que eu também saí me perguntando isso?