O segundo dia de encontros do cenacriticacontemporanea foi com a Tânia Brandão, essa com jeitão de Stevie Wonder na foto ao lado. A foto é do site da Unirio e o link é pra enciclopédia 1.0 de teatro do Itaucultural.
Essa moça tem uma longa história pelos veículos cariocas e partiu da perspectiva da crítica de jornal pra dar um apanhado histórico da crítica brasileira. Resumão mesmo, mas comentado com autoridade de quem viu de dentro.
Uma cois que não vou esquecer é que ela disse que o Sábato Magaldi disse:
“70% da produção do crítico está errada”. Concluí na seqüência que a Bacante tem 30% de margem de erro nessa porcentagem.
Disse ela também que a crítica é essencialmente ocidental, e surge a partir do rompimento ontológico da arte (perda de vínculo com Deus). Ela, a crítica, vem como uma tradução/interpretação/decodificação feita por alguém que é o “mestre dos mestres” (frase do Diderot). Claro que essa definição não serve pra nós, mas tudo bem né gente, é só o começo da história da crítica.
No Brasil, a Tânia disse que a coisa toda começa quase como uma coluna social e um manual de como se portar, ligado ao primeiro teatro e o folhetim. Não tinha mesmo como dar certo. Cita Justiniano José da Rocha como o primeiro crítico.
Passa pela crítica crônica e a polêmica de Artur de Azevedo, depois cita o primeiro crítico moderno, Antônio de Alcântara Machado (já sacou que ritmo foi de aula de body jump né?).
Por fim, ela perdeu mais tempo explicando o surgimento da ABCT (associação brasileira de críticos teatrais) em 1937, para “pleitear leis e sugerir medidas para o progresso do teatro brasileiro” e termina com a crítica moderna e o CICT (Círculo Independente de Crítica Teatral) onde vão aparecer alguns nomes que são a principal referência da crítica brasileira até hoje. São eles:
Décio de Almeida Prado
(o garotão aí ao lado)
Sábato Magaldi
Henrique Oscar
Bábara Heliodora
Carlos Magno
Luiza Barreto Leite
Paulo Francis
Yan Michalski
Claude Vincent Paschoal
Foi legal, como um todo, ver uma certa arqueologia da crítica brasileira. Espero com ansiedade que tratemos de formato em algum momento, já que o resultado das oficinas serão críticas feitas pelos oficineiros, as quais serão veiculadas no site do riocenacontemporânea. Cada coisa a seu tempo. Agora de noite vou ver uma peça que não tem nada a ver com o festival. Espero ver o mar também e tomar cerveja, que teoria demais dá sede.