Archive for September, 2007
September 18, 2007 at 1:14 am · Filed under Sem Categoria · Por Maurício Alcântara
Andy/Edie




Espaço bacaninha, ambiente bacaninha. Ótima idéia de misturar personagens, músicas e elementos contemporâneos com o mundinho underground de Andy Warhol. Uma pena que a proposta do espetáculo seja muito mais baseada em estereótipos fáceis do que em uma pesquisa histórica mais aprofundada; é como se Warhol e todo o movimento da Pop Art fosse retratado aqui neste espetáculo com a mesma impessoalidade e superficialidade que o artista usava para retratar suas celebridades. (Fotos: Maurício Alcântara)
Navalha na Carne

Uma montagem certinha sobre um texto sujinho. Um espetáculo cheio de boas intenções, com cenário bonito e luz adeqüada, que conta uma história que muitos já conhecem exatamente do jeito que eles conhecem. Um pouco menos de naturalismo sempre vai bem, ainda mais em um texto duro como o de Plínio Marcos. Senti falta de uma forma diferente nestes personagens, alguma coisa surpreendente e não, por exemplo, um Vado falando com voz empostada, com a boca torta (lembrou até o Nuno Leal Maia, apesar de não ser uma pornochanchada e o ator não usar sunga de crochê)… (Foto: Sandra Módena)
Schoenberg: Pierrot Lunaire
Vocês não esperam que eu também analise um concerto erudito, né? Ah bom. Confesso que esse formalismo da arte erudita me irrita muito. Odeio essas convenções: a orquestra em trajes de gala, aplausos pra orquestra, regente entra em seguida e mais aplausos pra ele (antes mesmo de mostrar o que ele veio fazer, antes mesmo de saber se merecem aplausos ou tomates). Aí o regente cumprimenta só o spalla e a coisa toda começa. Aí o movimento termina, o regente sai aplaudido, vai até a porta e dá meia-volta volta, sempre aplaudido, pra começar o segundo movimento. E a platéia fica comportadinha, fazendo cara blasê e seguindo o livrinho de etiqueta e boas maneiras à risca. Tenha dó, né? Saí no primeio intervalo, fui no mercado comprar chocolate e não voltei. (Foto: Maurício Alcântara - ficou uma droga, eu sei)
Jandira

Trabalho de dança do pernambucano Kleber Lourenço, dialoga bastante com La Divina, do Biño Sauitzvy. Mas dança, como já falei, não é minha praia (ou no caso de Porto Alegre, meu Guaíba). Só posso dizer que é um espetáculo bastante orgânico e bonito de se ver, ao menos pros meus olhos leigos. (Foto: Felipe Ribeiro e Val Lima - como eles conseguem? Um focaliza e outro dispara?)
É isso, minha gente. Valeu pra quem acompanhou, valeu pra assessoria que nos convidou e nos ajudou no que pôde, valeu pra turma que nos deu carona. Próxima parada: Rio de Janeiro!
September 17, 2007 at 6:17 pm · Filed under Sem Categoria · Por Maurício Alcântara
Pessoal, a farra tá acabando. Amanhã embarco de volta pra Sumpaulo. Hoje ainda vejo quatro espetáculo: Andy / Edie, Navalha na Carne, Pierrot Lunaire e Jandira.
Possivelmente, os comentários farei amanhã, já de São Paulo (mas pode me dar na telha de blogar de madrugada, ainda hoje). Além dos textos que escrevi aqui no blog, postarei posteriormente, na seção de Resenhas, A Missão, Angu de Sangue, Crucial Dois Um, e talvez algum dos espetáculos que eu assistir hoje. Crucial Dois Um entra no ar amanhã, os outros, semana que vem.
September 17, 2007 at 5:45 pm · Filed under Sem Categoria · Por Maurício Alcântara
A vinda do Théâtre du Soleil ao Brasil tem sido o segundo assunto mais comentado aqui em Porto Alegre (o primeiro, claro, é a memória da Revolução Farroupilha). Hoje fui conhecer a Cartoucherie local, no bairro de Humaitá. Ainda não há nada lá (o equipamento começa a chegar no final da semana), mas é inegável que será algo realmente grandioso.


No caminho de volta, Deolinda, a assessora de imprensa nacional do evento nos contava que na França ela viu ao menos vinte pessoas desmaiarem durante o espetáculo, de emoção. E que é comum que as pessoas se emocionem e chorem o tempo todo, do início ao fim do espetáculo. A questão que fica é: será Les Éphémères um espetáculo emo? Como eles não liberam nem imagens de divulgação, não dá pra saber. Na entrada do espetáculo a gente olha a franja da Ariane Mnouchkine e conta pra vocês.

September 17, 2007 at 1:56 pm · Filed under Sem Categoria · Por Maurício Alcântara
Toda Nudez Será Castigada

A única peça que eu já havia visto antes, em São Paulo, e que eu fiz questão absoluta de rever, ainda que tivesse que sair antes dos últimos quinze minutos (o que de fato aconteceu). Esta montagem caprichadíssima do grupo Armazém, do Rio de Janeiro, constrói o universo das histórias de Nelson Rodrigues sem fazer concessões a sensos comuns e a naturalismos preguiçosos. A história todos já conhecem, é a de Herculano, um viúvo que faz um juramento de castidade a seu filho que tem repulsa a sexo, e o quebra com a prostituta Geni. Destaque para a construção do ambiente do rendez-vous que literalmente invade o palco, para as maravilhosas tias megeras, para a iluminação e trilha sonora caprichadíssimas e a cenografia de dar tontura só de imaginar os atores rodopiando nas portas que os trazem para a cena e os levam de volta. A minha única ressalva técnica é para o “svoooosh” que ouvimos a cada abertura de portas, depois de 5 minutos de espetáculo já estamos cheios.
Foi apresentado no Teatro São Pedro, um daqueles teatros feitos em mil oitocentos e qualquer coisa, cheios de pompas, lustres, cadeiras de veludo, frescos e afrescos. Belo edifício, que apesar de sua grandiosidade, não chega a ser a aberração arquitetônica de alguns teatros em São Paulo, por exemplo, em que a preocupação com a grandiosidade é maior do que com a distância entre a última fileira e o palco. Mas vale salientar que no São Pedro há pontos cegos, ou ao menos pontos caolhos (e eu me sentei em um deles). Enfim, pena que não pude ficar pra assistir à reação da platéia para a revelação do ladrão boliviano… (Foto: Léo Bittencourt)
Espía Una Mujer Que Se Mata
Sabe Teatro para Pájaros, que eu comentei dias atrás? Então, essa peça é do mesmo diretor, o Daniel Veronese. E a estrutura é exatamente a mesma: uma diagonal de um cômodo de uma casa, com duas portas nas extremidades do cenário, uma que vem da rua, outra vai lá pra dentro. Sem firulas, sem frescuras, feito pra ser funcional (inclusive, uma peça funcionaria perfeitamente no cenário da outra sem prejuízo, de tão igual que é a estrutura). A iluminação é branca e constante, como no outro espetáculo. A linguagem adotada é a mesma: o naturalismo de quem está em casa batendo um papo com a família. Então qual a diferença para as duas? O texto, que aqui é uma adaptação de Tio Vânia, de Tchekhov; e o elenco, que aqui é ainda melhor do que o anterior. Enquanto lá a montagem se lambuzava de metalinguagem, aqui o foco está nos conflitos e tensões da família. O Fabrício deve escrever uma crítica mais aprofundada, que vai ao ar ainda hoje. É a Bacante falando bem de peça naturalista, minha gente! (Foto: Maurício Alcântara)
Comunidad

Seis homens, com terno e gravata, alinhados enquanto a platéia entra. Ao início do espetáculo, começam diálogos (ininteligíveis) como se estivessem falando baixo em um elevador ou algo assim. Uns concordam, outros discordam, outros concordam pra não perder a amizade. Depois discutem, caem na porrada, se reconciliam, riem, cantam, fazem bolhas de sabão. O espetáculo, que pra mim ganhou o título de “divertidinho do festival”, explora de forma leve e muito bem humorada a relação do indivíduo com a sociedade, e da sociedade com o indivíduo. E acreditem, é uma criação sobre um conto de Kafka. Bacaninha. Crítica mais completa (se é que existe crítica completa na Bacante) logo mais, não mudem de canal.
Crucial Dois Um

Uma peça esquisita de ficção científica. Tinha até gente boiando num tanque com água, minha gente! Hoje à noite falo um pouco mais sobre este espetáculo. (Foto: Bruno Goulart Barreto)
September 17, 2007 at 4:05 am · Filed under Sem Categoria · Por Fabrício Muriana
Daqui a pouco, vou-me embora de Porto Alegre. Não deu nem pra treinar o sotaque de “bahs” e “tches”. Vou, pra voltar várias vezes, se minha conta bancária permitir.
Hoje foi dia de ver dois espetáculos argentinos e dois brasileiros. O resultado? 2 X 1 pros hermanos. Dentro do POA em Cena, pelo terceiro ano consecutivo acontece o Buenos Aires Teatro em Porto Alegre, que reuniu este ano quatro montagens, as quais têm em comum a simplicidade e, na média, ótimos resultados. São elas:
Teatro para pájaros (de Daniel Veronese)
Crave (de Sarah Kane)
Espía una mujer que se mata (adaptação de Daniel Veronese para o texto de Tchekov, que pude conferir duas vezes)
e Comunidad (de Carolina Adamovsky, que também assisti hoje)
Voltando ao dia de hoje (que no caso já é ontem), assisti novamente quatro peças. Pelo menos dessa vez foram só três inéditas. Às seis da tarde, na Casa de Cultura Mário Quintana, assisti As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant, montagem aqui do Rio Grande do Sul, com texto de Rainer Werner Fassbinder. Esse espetáculo ficou um pouco perdido no meio de tudo que vimos por aqui. Há uma direção tradicional, uma crença exacerbada no texto, um tempo de diálogos muito “novela da globo” e o resultado fica bem comprometido. Fizesse temporada em São Paulo, caberia muito bem no palco menor do Cultura Artística ou no Renaissance, tanto pela dramaturgia, quanto pela atuação. Enfim, uma barriga.
A segunda peça havia de ser uma escolha: Ou um texto de Samir Yazbek, de nome O Invisível, que deve (espero) entrar em cartaz em São Paulo, ou assistir novamente Espía Una Mujer Que se Mata, que ainda estava zanzando pelo meu corpo, desde o dia anterior. Decidi rever Espía, mas rezando a Dionísio pra ter a chance de ver o Invisível em São Paulo. Novamente digo: sobre Espía, só falo na resenha, que entra no ar na terça.
De lá, fomos eu e Maurício para o Teatro de Câmara, assistir Comunidad, outra montagem argentina que deu vontade de resenhar. Dessa vez era humor, idéias simples, teatro feito de atores e nada mais. Faço assim: pra não ser injusto comigo mesmo, se não conseguir colocar nas resenhas na terça, faço um comentário mais completo no blog durante a semana.
A quarta e última peça que vi no Porto Alegre em Cena, é um texto de Paulo Scott, de nome Crucial Dois Um. Ô coisa mais estranha, no melhor dos sentidos. Acho que preciso me iniciar na dramaturgia do cara. Ele propõe uma ficção futurista, num tempo que as pessoas podem voltar à vida por 21 horas depois de mortas, mediante assinatura de um contrato bem estranho. Pela descrição parece roteiro de Hollywood. né? E é exatamente o que senti na platéia. Novamente a quarta montagem do dia é a mais injustiçada. Preciso rever. Mas reafirmo, se existe uma palavra para essa peça é “estranha”, e estranhamento, sabemos, é tudo de bom.
Finalmente, gauchada, deixo um muito obrigado pela boa recepção, pelo transporte público que funciona, por me ajudarem a parar de beber cerveja, por mostrarem na real como é esse sotaque tri-legal que vocês têm e sobretudo por organizarem um festival com tanta riqueza quanto este Porto Alegre em Cena. Até os próximos.
PS1: Estou na campanha por um ingresso de Les Éphémères em São Paulo. Se você tiver algum parente, amigo, contato, qualquer pessoa que tenha ingressos sobrando e que queira rifar, estamos dando a alma pra conseguir três ingressos pro resto da equipe em São Paulo.
PS2: Se a campanha do PS1 não der certo, estamos aceitando também doações para a campanha “Mande um bacante pra ver Les Éphémères em Porto Alegre”, quando faremos um bate-volta na capital Gaúcha, só pra assistir o espetáculo. Convenhamos, é bem melhor que o criança-esperança.
PS3: Se as campanhas dos dois primeiros PSs não derem certo, estamos procurando banqueiros internacionais para financiar nossa ida até Taiwan, para assistir o supracitado espetáculo. Neste caso ficaremos por lá mesmo, vamos a pé até Pequim e cobrimos as Olimpíadas junto com Washington Del Mar no ano que vem. É nóis cocê uóshito.
September 17, 2007 at 3:59 am · Filed under Sem Categoria · Por Fabrício Muriana
Se não é recomendável assistir quatro espetáculos no mesmo dia, é menos ainda escrever qualquer linha sobre o quarto e último. Mas como não era recomendável nem fazer essa revista, sigo meu comentário injusto e breve.
La Divina lembra Gerald Thomas, e isso, antes que o mesmo diga que é plágio, é ótimo. Nota-se a mão do diretor em vários aspectos e - talvez por isso fique mais fácil de notar - falta a mesma mão pra cortar alguns movimentos excessivos do ator protagonista.
Ele é todo corpo, o espetáculo. Até as duas personagens que vagueiam pelo imaginário do personagem central são corpos, cujas formas dos rostos foram arrancadas por meio do uso de meias-calças.
Ali encontramos comédia (pelo menos assim que li) e a multiplicidade de sentidos que ausência de diálogos traz. A trilha, disso me lembro bem, caía um pouco pro clichê, mas precisaria de tempo pra pesquisar mais a fundo (ainda lembro das letras). Reparando injustiças: preciso rever, não vou resenhar. No todo, foi um happy ending legal, pra uma noite que não teve cerveja.
Inclusive esta é minha maior frustração com o festival: a qualidade e sobretudo a quantidade de cerveja.
September 17, 2007 at 2:08 am · Filed under Sem Categoria · Por Maurício Alcântara
… que tem vários espetáculos participantes do Porto Alegre em Cena que nós já havíamos visto em São Paulo. Vale conferir:
Abre as Asas Sobre Nós
Edmond
Gaivota - Tema para um conto curto
Hoje é dia do Amor
Prêt-à-Porter
Isso sem contar espetáculos que ainda veremos em São Paulo, como Les Éphémères e Convergence 1.0.
September 17, 2007 at 1:58 am · Filed under Sem Categoria · Por Maurício Alcântara
No mesmo dia, quatro peças. Acho que se eu ficasse mais 15 minutos dentro de um teatro, precisaria sair em uma maca e com um litro de soro na veia, mas tá valendo. As peças do dia foram Toda Nudez Será Castigada, do grupo Armazém, do Rio, Espía Una Mujer Que Se Mata e Comunidad, ambas de Buenos Aires, e Crucial Dois Um, daqui do RS mesmo. As opiniões ficam pra amanhã.
E eu to devendo a opinião sobre A Missão (Lembranças de uma Revolução), do Ói Nóis, né? Mas essa vai demorar mais um pouco: escreverei quando já estiver em São Paulo, como uma das resenhas pra semana que vem. Pra esta semana, a crítica que escolho pra fazer com calma é a de Angu de Sangue.
Ufa. Tá acabando. Não o festival, mas minha estadia aqui nos Pampas. Embarco de volta pra São Paulo terça-feira.
September 16, 2007 at 6:39 pm · Filed under Sem Categoria · Por Fabrício Muriana
Aqui, mais uma vez não digo muito. Espía una mujer que se mata traz para o palco a Tio Vânia, de Tchekov. Atuações e tempos de diálogo em cena como não via desde o Perfeito Cozinheiro das Almas deste mundo.
Ficando só no superficial, é pleno, em todos os aspectos.
Espero que tenha tempo de pegar o livro novamente até terça-feira, quando a resenha entra no ar. Aguarde!
September 16, 2007 at 6:30 pm · Filed under Sem Categoria · Por Fabrício Muriana
Na segunda peça do dia, Crave, fui vacinado: “Não é legal”, resumiu um crítico amigo que estava no festival há alguns dias (você se arrisca dizer quem é, nos comentários?). Mas queria ver mesmo assim. Estou ainda remoendo em várias partes do corpo a montagem que está em cartaz em São Paulo de outro texto de Sarah Kane: Psicose 4h48.
Não concordo com o Maurício quando ele diz que a montagem argentina fez a opção por não ter “NENHUMA marcação”. Mas não é tempo nem hora de desenvolver isso direito.
O que adianto é que, na semana que vem, Crave vai ser uma das peças resenhadas.
Jesus, Barbosinha e Crave na mesma tarde. Complicado, muito complicado. Altamente não recomendável.
« Previous entries ·
Next entries »