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Archive for October, 2007

3 de 78

O DramaMix foi um projeto megalomaníaco doido das Satyrianas 2007, que reuniu 78 dramaturgos - uns muito experientes, outros muito estreantes - em 78 mini-espetáculos apresentados numa tenda improvisada na Praça Roosevelt. Tenda branca, grande, tipo um circão, só que sem cor.

Das 78, vi 3. A amostra não é nada científica, concordo, mas vou falar destes pra não deixar de registrar esta idéia aqui na Bacante. Aliás, fica o convite / intimação: você que assistiu algum espetáculo no DramaMix escreva seu comentário pra gente!

Seja pelas peças que assisti, seja pelas vezes que estava de passagem por ali, posso atestar que houve uma presença quase constante: as filas. Filas e filas, a cada meia hora. Sai de um espetáculo e já fica na fila do outro. Fila pra pegar, fila pra entrar… fila pra tudo… a cara de São Paulo. No entanto, um detalhe: de graça. Normalmente a gente fica na fila pra pagar, né?

Enfim, o espaço ficou lotadaço, sobretudo pelo pessoal que queria ver a Mariana Ximenes - engraçado esse fascínio, mesmo em ambientes tão… hum… alternativos?

Posso reclamar bastante dos poucos lugares, do apertinho, do formato esquisito de uma semi-arena meio torta, da acústica (dava pra ouvir galera que foi se embebedar na Roosevelt). Posso, mas não vou. Quero falar das histórias. Na verdade, das tentativas, porque é realmente complicado comunicar algo em tão pouco tempo. (Claro que exitem caras que comunicam muito em 4 minutos e 33 segundos, mas tô falando de gente normal.)

Do que vi, Tosca é uma tentativa divertida de meta-teatro que brinca com as origens, A Deliciosa Boca do Inferno é uma brincadeirinha bem clichê do homenageado Lauro César Muniz e Pequenos Furtos, de Contardo Calligaris é um momento, um simples momento.

Desenvolvendo pela ordem de apresentação, começo pela pecinha (sem ser pejorativo, só pela duração mesmo) do Contardo. Uma história linear, pequena, sutil pra caramba, que deixa uma sensação esquisita. Uma narrativa sem arroubos, sem nada de grandioso, mas com um monte de significados e super bem executada pelos dois atores, que mantêm um clima estável, quase monótono, demonstrando que aquilo ali aconteceu realmente em um momento rápido e passageiro. É assim: um ricaço que leva uma artista circense pra casa e lhe dá dinheiro pra ver seus peitos e beijar-lhe. Nem quando a atriz levanta a blusa o clima da cena muda. A superficialidade está ali instaurada, presente o tempo todo. Tudo é indiferente, nada é realmente intenso. Um sintoma das relações bestas que temos e das tentativas frustradas de suprir nossa carência. O único gesto que parece mais vivo é quando a garota vai embora, deixando um dos bastões e o querosene que usa pra acendê-lo, e o homem coloca o bastão molhado num saco de pão e aspira, como se sentisse o gosto da boca que acabara de beijar. Foi um gesto mais intenso do que o próprio beijo e isso é muito maluco. Comentário posterior que ouvi na platéia: “deve ser muito louco beijo com gosto de querosene”. Ok.

Tosca, por sua vez, é engraçadíssima graças à atuação de Grace Gianoukas, impagável como uma musa aprisionada por um governante autoritário que exige que ela durma com ele, ou matará o amante dela, um pintor revolucionário. A idéia de mostrar a construção da cena durante a cena - com um ator dando broncas no outro e a cena sendo interrompida a todo momento - é interessante, mas ficou ao mesmo tempo subexplorada e maçante, pois era como se a mesma cena fosse repetida várias vezes, o conflito não avançava.

Finalmente, A Deliciosa Boca do Inferno, foi mais um pretexto pra trazer a Mariana Ximenes pro carnaval de encerramento. Sabe quando você já ouviu a história 50 mil vezes? Pois é. Um cangaceiro que tem que escolher entre ir pro céu com Padre Cícero ou pro inferno com o diabo em forma de mulher gostosa. A graça fica pro fato de eles não terem conseguido ensaiar suficientemente a cena e utilizarem o texto na execução, dando um ar de descomprometimento. Deu pra notar que o Haroldo Ferrari é bom de improviso. Mas só. Ah, não… não foi só… também teve samba e confetes.

Voltando ao DramaMix, o discurso do Ivam no encerramento traduz muito do que é esse festival maluco que festeja a primavera: improviso e amadorismo, no melhor dos sentidos. E o DramaMix se encaixou perfeitamente nessa história, para o bem - diversão, amor ao teatro - ou para o mal - filas, desorganização, falta de preparo… No fim das contas, o melhor de tudo é essa coisa de não se levar tão a sério.

PS: Reitero o convite: mande você também seu comentário! (ainda que ele seja só uma tentativa.)

Homenagem nas Satyrianas - Paulo Autran

Desde as Satyrianas 2006, quando o homenageado do evento foi Zé Celso, que a companhia Os Satyros já havia definido quem seria o homenageado em 2007: Paulo Autran.

Na noite de sábado, dia 13/10, o grupo decidiu fazer a homenagem assim mesmo. Rodolfo García Vázquez reuniu todos os presentes na Praça, em frente ao Espaço Satyros I, onde normalmente é organizado o sarau, e os integrantes do grupo distribuíram rosas brancas e balões de gás.

Ao final dos discursos - que teve a participação dos colegas da última peça de Autran, “O Avarento”, do ator Otávio Martins, do crítico Sérgio Sálvia Coelho, entre outros - Rodolfo pediu para todos os presentes soltarem seus balões, deixando o céu branco, em despedida ao grande ator.

Sérgio Sálvia Coelho lê artigo da Folha de S. Paulo sobre Paulo Autran

Ivam discursa emocionado ao lado de Silvannah Santos

Hugo Possolo, do grupo Parlapatões

Lauro César Muniz - o outro homenageado do evento

Fotos: Leca Perrechil

Os Sertões no Rio - Fotos

O Homem 2. Fotos minhas mesmo :)

Sobre o Oficina e o Soleil

Assistir o ensaio aberto de Les Éphémères do Théâtre du Soleil e a apresentação carioca de Os Sertões do Teatro Oficina em dois dias consecutivos foi uma coincidência feliz. Não queria falar muito da peça da Ariane Mnouchkine antes de publicar a crítica, só depois de terminar de ver o espetáculo na íntegra, mas tem algumas coisas que queria comentar já.

O Soleil veio da França com seus contêineres que continham não apenas um espetáculo, mas também um teatro que comportasse este espetáculo. Desde as arquibancadas super bem-planejadas, que lembram um pouco o formato dos tribunais que vemos nos filmes e que trazem milhares de lampadinhas que acendem e apagam durante a peça revelando o rosto dos espectadores, até os utensílios de cozinha em que são servidos quitutes à platéia, tudo vem de fora. É de impressionar a estrutura que transformou um grande terreno plano no SESC Belenzinho em um teatro completo, em tão pouco tempo.

Aqui no Rio de Janeiro, dentro do galpão do Centro da Ação e Cidadania, foi montado o Teatro Oficina tal como ele é em São Paulo, na rua Jaceguai. A estrutura geral do espetáculo é a mesma, com o grande corredor central e sua galeria subterrânea, mais os palcos sobre as duas extremidades do espaço. Na verdade, tudo foi montado na medida para o espetáculo, e em alguns pontos - mais especificamente visibilidade e capacidade - o Oficina carioca conseguiu ficar até melhor que o paulistano.

Dois teatros com platéia acondicionada dos dois lados de um corredor, frente a frente com a própria platéia. Duas produções caríssimas em “terras estrangeiras”, com toneladas de equipamentos na bagagem, ambas encabeçadas por diretores consagrados, mas com linguagens totalmente diferentes. Dois grupos fundados na mesma época (o Oficina é de 1958, e o Soleil, de 1964) por (então jovens) artistas que queriam propor uma nova forma de se fazer teatro. E hoje, ambos colhem os frutos das lutas do passado. Impressionante como dois teatros podem dialogar tanto e, ao mesmo tempo, serem tão diferentes.

Os Efêmeros têm uma estética radicalmente naturalista e uma produção minuciosa ao extremo. Ariane não parece querer romper barreiras - talvez estas barreiras ela já tenha rompido no passado, na fundação do Soleil - mas Les Éphémères se utiliza de uma linguagem mais que consagrada e nada inovadora. Sua preocupação parece estar muito mais em emocionar do que brincar com linguagens novas e dialogar com a doideira do mundo pós-moderno em que até mesmo o Soleil está inserido, apesar do espetáculo não demonstrar isso. A peça, que tem um elenco fabuloso, parece uma mistura dos roteiros de cinema argentinos, mas com a estética do cinema francês. Dá pra levar a família pra assistir, e todo mundo vai sair tocado, de alguma maneira.

Os Sertões tem como maior trunfo a porra-louquice de Zé Celso, que transforma tudo em, como ele mesmo define, tragicomediorgya. Em vez das pequenas histórias carregadas de delicadeza e sutilezas, aqui há samba, macumbinhas e uma porção de gente pelada em uma aventura visceral pela história da guerra de Canudos. Interpretado por um elenco cheio de altos e baixos,é orquestrado por um diretor que parece querer, a todo momento, romper barreiras. Não leve a vovó pra assistir, Bárbara Heliodora não recomenda: as chances de todo mundo sair tocado - fisicamente falando - são bem grandes.

Para ilustrar o que estou dizendo, as duas imagens acima são de janelas. A primeira, cheia de firulas, plantinhas e detalhes, é de Ariane Mnouchkine. A segunda, interpretada por Camila Mota, é de Zé Celso. Igualzinho, né?

Sem graça

A gente não gosta de perder a graça. Até os mais chatos que passaram por aqui não nos fizeram perder a graça. Tinha que ser o Paulo Autran pra conseguir essa façanha.

Vai a graça e fica a lembrança do escritor carrancudo que era encenado com Cecil Tirré em Variações Enigmáticas, um dos textos mais inteligentes que vi no palco, com um dos atores de melhor timing e preparação que pude assistir. Era uma semi-final de Santos e São Paulo que não pude ouvir com meu pai até o final por conta da peça. Esquecemos até pra quem torcíamos naquela noite.

Depois foi a vez de Cássio Scapin fazer par com ele. Paulo Autran se questionava através dos palcos, interpretando um judeu de 92 anos em Visitando Sr. Green. Tomava a platéia com um subir de degraus. Nunca vou esquecer aquele degrau.

Depois ainda o vi com Cláudio Fontana num teatro na Augusta. E nesse intervalo encontrei-o na Paulista, com sua mulher, atravessando a rua na frente da faculdade que cursei. Ia puxar assunto, fiquei sem palavras. O que dizer? “Cara, como foi filmar com Glauber Rocha?”, “me conta mais da era de ouro do TBC”, “como é que é essa história de que a TV é a arte do anunciante?”. Era muito pra ser respondido atravessando a Paulista.

Ainda em O Avarento, pude assistir duas vezes quanto o cara tinha pra ensinar com humor. Ficava mais uma pergunta. “Comé que é trabalhar com um diretor que nasceu mais de quarenta anos depois de você?”. Neste momento ficam muitas perguntas.

Hoje ficamos sem graça de ter brincado com a sua figura nos nossos slogans. De termos feito uma comunidade pedindo um cigarrinho pra ele. A maldição do humor é que de vez em quando ele é certeiro. Fechamos então a comunidade. Ficamos só com a lembrança, e pelo menos com ela, de alguém que tomava cerveja ali do lado, na Praça Roosevelt e que perguntou “Será que dá pra fumar na ambulância?”. Isso é ser artista. É não se levar a sério demais. Isso é Paulo Autran, a quem aplaudiremos de pé agora e sempre.

(foto de Priscila Prade)

riocenacontemporanea: inventário pessoal 2

Desisti de continuar no mesmo ritmo. Não é possível acompanhar um festival internacional sozinho assistindo mais de um espetáculo por dia. Começo a entender as razões de certas escolhas da imprensa do que publicar e o que deixar de lado. Haveria de ter muitos jornalistas aqui, pra que uma cobertura eficiente fosse realizada. Entender sim, justificar não. A boa nova é que o Maurício vai chegar logo mais e tá afinzão de ver o que não tive tempo de rever aqui no Rio: Os Sertões.

No mais, vamos a algumas montagens que passaram por aqui.

Édipo Rei

Tinha que ver alguma coisa da Mostra Universitária, tanto por obrigação assumida com o festival, quanto por uma questão pessoal de tentar entender o que se quer dizer com “produção universitária”. Chego a conclusão de que esse nome pressupõe uma certa conivência com erros bem complicados. No dia em que assisti, havia extintores no fundo do palco, que não eram nada cenográficos. O espetáculo tinha uma pesquisa e um discurso, mas a concatenação das cenas ainda não estava no ponto. A treta é que não sinto que isso seja um problema “universitário”. Adubo, ou a sutil arte de escoar pelo ralo é um projeto universitário. Um TCC. Nem por isso se deve guardar expectativas menores com relação a ele. Enfim, há que se rever esse nome.

Los Mansos

Tá na minha crítica (que logo mais entra no ar no site do festival), não me pegou. Notei que a recepção do espetáculo foi formidável. Muita gente que embalou mesmo na adaptação de O Idiota, de Dostoievski. Fui descobrir depois que já tinha visto uma montagem com e de Alejandro Tantanian, diretor de Los Mansos e um dos curadores do Festival de Buenos Aires. Chamava-se De Protesta e se passava no teatro San Martín. Nessa montagem já estava o garoto Nahuel Pérez Biscayart, que agora desponta como um dos grandes novos atores argentinos. Esse primeiro trabalho que vi era um musical só com canções “de protesta”. Fui mesmo pra ver o Chico Buarque cantado na terra dos hermanos e não guardei muitas lembranças não. Enfim, se quiser conferir uma crítica bem melhor do que a que escrevi, leia da Dinah, no projeto cenacriticacontemporanea. Vou colocar os links tanto da minha, quanto da dela, assim que entrarem no ar.

PS Los Mansos: Macksen Luiz protagonizou uma crise de tosse no meio do espetáculo como nunca tinha visto na minha vida. Suspeito de inveja dos atores no palco. Ganhou minha atenção, definitivamente.

My Arm

Esse vai ter resenha na semana que vem. Tim Crouch demonstrou que sua obra tem muito claramente um “de onde vem” e ” pra onde vai”. My arm é a primeira peça do cara e mais não digo, pra não diminuir a surpresa das milhões e milhões de pessoas que lerão a resenha na semana que vem. Fica só uma pergunta ao SESC e ao British Council: por que não levam o cara pra uma temporada em São Paulo?

Ensaio de BR-3

Sim, eu fui ver o ensaio e prometi que não escreveria uma linha sobre o espetáculo até a estréia, que é hoje. Ih! já foi.
Na segunda também haverá uma resenha deste espetáculo, com considerações e paralelos entre a montagem paulista e a montagem carioca. Desejo toda a sorte pro pessoal da produção e que ninguém se afogue na Baía de Guanabara.

Hey Girl

O espetáculo mais arrebatador até aqui. Todos os limites do espaço são utilizados. Palco italiano ampliado, em outro tempo, mais lento. Vai ser um puta desafio escrever sobre essa doideira, mas é mais uma peça que não pode faltar na atualização da semana que vem. Fiquei surpresíssimo com essa montagem, sobretudo por ter visto a figura do diretor no Palco Petrobras e concluir que é impossível intuir o trabalho que ele faz.

Nota sobre o Palco Petrobras: Encontro dos diretores e cenacriticacontemporanea

1 - Nunca chame quatro pessoas de línguas e trabalhos muito distintos pra uma mesa de discussão. Se o fizer, nunca coloque uma tradutora que tenha freqüentado o curso de atuação do Wolf Maya. Caso essas instruções não sejam seguidas a risca, periga que nada de relevante seja dito no encontro.

2 - Em crítica, é triste constatar, existe o óleo e existe a água. Minha professora de química da 5ª série já dizia que não mistura. De lá pra cá eu tentei misturar algumas vezes, de teimosia, e constato que realmente não mistura.

Agora de noite vou pra Manifiesto de los niños, do Daniel Veronese com o grupo El Periférico de Objectos, minha última peça no riocenacontemporanea. Grande expectativa. Provável resenha. Convoco todos os cariocas super legais que me receberam aqui, pra beber no Cabaret, lá na Barão de Tefé agora de noite. Grande abraço e a partir de amanhã, Satyrianas!

Soleil, Again

Quinta-feira, véspera de feriado. Um Bacante almoça sossegado quando toca seu celular.

- Alô, Maurício, tudo bem?
- Tudo.
- Deixa eu perguntar uma coisa… vocês fazem fotos de espetáculos pra revista?
- Sim, fazemos… por quê?
- Vocês estão interessados em fotografar três cenas de Les Éphémères?
- Lógico! Quando?
- Hoje à tarde, às 16h30.

E lá fui eu, sair mais cedo do trabalho. A câmera estava na mochila, originalmente para cobrir as Satyrianas. Depois de enfrentar a Radial Leste congestionada, me atrasei e por um triz quase fiquei de fora do ensaio aberto da primera parte do espetáculo.

O que achei? Vou fazer um suspensezinho. Só adianto que teve coisas que achei lindas, e outras coisas me decepcionaram. O veredicto final nem eu consegui decidir ainda. Mas vou deixar o suspense para quando assistirmos o espetáculo inteiro, as duas partes. E a apresentação oficial, e não o ensaio.

Por enquanto, deixo só uma foto. Não necessariamente do espetáculo, mas do trabalho dos contra-regras, que ficam em cena o tempo todo e fazem parte de uma das coisas que mais me chamaram a atenção: a produção.


O resto é silêncio. Por enquanto.

Eu e Ferreira Gullar

Satyrianas

Parando pra pensar friamente, será um fim de semana e tanto esse próximo pra vida teatral de São Paulo. Além de toda a programação regular da cidade, as Satyrianas vão exibir mais de cem espetáculos, sendo que no mínimo 78 deles serão inéditos, parte do projeto DramaMix. Porra, já parou pra pensar? 78 peças inéditas em pouco mais de três dias, tudo no mesmo lugar? É coisa pra dedéu, não acham?

Uma pena que eu não vou poder acompanhar tudo, embarco para o riocena na sexta. A quem fica em São Paulo, recomendo fortemente essa maluquice que começou com um trote para a Vanuza e que hoje tá com dimensões absurdas. Nem que seja pra fazer como eu fiz ano passado: não assisti a peça alguma, fiquei só nas mesinhas da calçada da Roosevelt, me alcoolizando, pulando em caçambas de entulho e me divertindo à beça.

Ah sim, o já tradicional e bizarro Show de Boate é obrigatório - pra quem conseguir o ingresso, que parece ter sido o mais disputado do ano passado.

Mostra Thèâtre du Soleil

Para todos aqueles que ficaram muito frustrados após os ingressos para o espetáculo Les Ephémères , do Thèâtre du Soleil, acabarem em aproximadamente três horas após o início das vendas (isso inclui também boa parte da equipe Bacante), e não conseguirão ver os franceses que vêm para o Brasil pela primeira vez e talvez única, agora podem se consolar com a mostra promovida pelo Cinesesc.

De 12 a 18 de outubro de 07, o Cinesesc apresenta a mostra de filmes do Thèâtre du Soleil, com programação formada por documentários e registros de espetáculos, que dá um panorama da companhia, dirigida por Ariane Mnouchkine. As sessões são grutuitas e é necessário retirar os ingressos com uma hora de antecedência. A seguir, a programação:

Sexta, dia 12

14h - 1789
França, 1974. 118 minutos. Direção : Ariane Mnouchkine. O filme registra o teatro que Ariane fazia no início dos anos 1970, pois foi produzido a partir da filmagem das últimas apresentações do espetáculo de mesmo nome, com a presença do público. Ao mesmo tempo em que a peça se desenrola, os bastidores e os camarins onde os atores se preparam para a cena seguinte são mostrados. A peça tem início com a história da Revolução Francesa do ponto de vista da aristocracia. No entanto, ela é interrompida e a mesma história passa a ser contada sob uma outra perspectiva, a do povo.

16h30 - La Nuit Miraculeuse
França, 1989. 138 minutos. Direção: Ariane Mnouchkine. (Filme encomendado pela Assmbléia Nacional na ocasião das comemorações do bicentenário da Declaração dos Direitos do Homem.) Época de Natal, inverno em Paris. Um garoto, em meio ao frio, tenta vender alguns bonecos aos passantes, sem sucesso. Perto dali, um grupo de artistas discute o destino para alguns bonecos, utilizados numa exposição da Assembléia Nacional da França, por ocasião do bicentenário da Revolução Francesa (1789-1989), os quais reproduzem os principais personagens das jornadas revolucionárias. Os bonecos ganham vida e passam a “reencenar” as calorosas discussões ocorridas durante as jornadas, o que acaba por atrair cada vez mais pessoas, por diferentes razões.

19h - Molière (parte I)
França, 1976-77. Parte I: 116 minutos e parte II: 129 mintuos. Direção: Ariane Mnouchkine. Biografia de Molière, desde a sua infância até o seu sucesso na corte francesa do século XVII. Paralelamente à história do autor, assiste-se a um grande afresco sobre a sociedade francesa do século XVII e as péssimas condições de vida do povo em Paris. O século XVII é retratado como um século de conflitos: católicos / protestantes, libertários / reacionários, povo / nobreza, tolerância / intolerância, capital / província. Em meio a estes embates, o teatro surge como uma voz libertária e esclarecida.

21h20 -
Molière (parte II)

Sábado, dia 13

15h - La Ville Parjure
França, 1999. 76 minutos. Direção: Catherine Vilpoux. Num cemitério, uma mãe, cujos dois filhos estão ali enterrados, lamenta a sua infelicidade e amaldiçoa os médicos. Aos poucos, percebe-se que o cemitério é uma metáfora da exclusão social, pois ali estão abrigados os sem-tetos, os desempregados, os refugiados… Advogados tentam subornar a mãe, oferecendo-lhe uma “boa recompensa” para que fique calada. Seus filhos morreram em decorrência de transfusões de sangue contaminado. Este fato, ocorrido na França em 1992-93, ficou conhecido como o “caso do sangue contaminado”, com intensa repercussão na mídia – material que é amplamente utilizado no filme.

16h30 - Tambours Sur la Digue
França, 2002. 135 minutos. Direção: Ariane Mnouchkhine.
Numa China antiga e lendária, um monarca tem de tomar uma difícil decisão sobre a abertura de um dique que inundará boa parte do seu reino. Tal gesto é necessário pela proximidade de um grande temporal, o maior dos últimos dez anos, que ameaça inundar toda a região. A violência da natureza, ameaçando os homens, passa a revelar a violência humana. Assim, surgem à tona os planos maquiavélicos do sobrinho do rei que agira, até então, nos bastidores, explorando a boa fé do tio, para aumentar o seu poder e riqueza e corrompendo os homens. Nesta hora de difícil decisão, o rei está só no poder, com seus aliados caindo um a um.

19h10 - Le Dernier Caravansérail (Odyssèes) (parte I)
França, 2006. Parte I: La Fleuve cruel, 138 minutos e parte II: Origines et destins, 132 minutos. Direção: Ariane Mnouchkine.
Filme sobre a trajetória daqueles que são chamados de refugiados, clandestinos ou migrantes e que, entre eles, se chamam mais nobremente de viajantes. Série de histórias, de parcelas de vidas de homens e de mulheres, de odisséias traçadas pelo tempo histórico ou banal, mas sempre trágico.

21h30 - Le Dernier Caravansérail (Odyssèes) (parte II)

Domingo, dia 14

14h30 - Molière (parte I)
16h50 - Molière (parte II)
19h10 - 1789
21h30 - La Ville ParjureSegunda, dia 15
14h30 - Le Dernier Caravansérail (Odyssèes) (parte I)
17h - Le Dernier Caravansérail (Odyssèes) (parte II)

19h30 - Au Soleil Même La Nuit (parte I)França, 1996-97. Parte I: 94 minutos e parte II: 80 minutos. Direção: Eric Darmon e Catherine Vilpoux. Filme que trata dos preparativos, dos ensaios e da estréia da peça Tartuffe, de Molière, em 1995, no Théâtre de Soleil, em Paris. Aqui vemos os extenuantes ensaios com os atores, os bastidores, e o trabalho da equipe de apoio na construção dos cenários e vestuários. O trabalho não-teatral também é revelado: as negociações para uma participação no Festival de teatro de Avignon, França, as dificuldades financeiras, os salários dos atores e Ariane recolhendo os tickets na entrada do teatro e recepcionando o público.

21h30 - Au Soleil Même La Nuit (parte II)

Terça, dia 16

15h - Du Thèâtre au Cinema
França, 2003. 23 minutos. Direção: Ariane Mnouchkine. Interessante filme sobre as diferenças do teatro e do cinema. Algumas cenas foram filmadas ao vivo, com presença de público, outras foram encenadas (e representadas) especialmente para a câmera, sem o público. Ao longo deste filme, vemos as reflexões da Ariane sobre as diferenças nas respectivas linguagens, a ponto de um milagre no teatro, tornar-se um desastre no cinema. Cada linguagem apresenta suas vantagens e também desvantagens. Assim, ao se filmar uma peça, requer-se uma “tradução” da matéria prima para a outra linguagem. É nesse sentido que a autora teve de alterar várias cenas da peça para que ganhassem sentido e efeito estético no cinema.

15h - e Entrevista de Ariane Mnouchkine com François Duplat, filmada por Bernard Zitzermann
França, 2004. 45 minutos. Entrevista de Ariane Mnouchkine sobre Molière . A diretora fala sobre as motivações que a levaram a realizar o filme, sobre a produção, a concepção do cenário e dos figurinos, a música, a montagem e também sobre as críticas e a recepção do público, além de ressaltar a maneira que foi feita a distribuição e exibição.

16h30 - Un Soleil à Kaboul
França, 2005. 75 minutos. Direção: Duccio Bellugi Vannuccini, Sergio Canto Sabido e Philippe Chevalier. Belíssimo filme que provoca reflexões sobre o papel do teatro e do artista em geral na sociedade contemporânea. Neste caso, na sociedade afegã, entrecortada pela guerra civil, pela intolerância religiosa e pela ocupação estrangeira, em meio a precaríssimas condições de vida material e cultural, onde a vida vale muito pouco. Qual o sentido de se fazer teatro numa sociedade destruída pela guerra e pela intolerância religiosa? O que é essencial numa sociedade em guerra há décadas?

18h30 - La Ville Parjure
20h10 - Tambours Sur La Digue

Quarta, dia 17

15h - Au Soleil Même La Nuit (parte I)
17h - Au Soleil Même La Nuit (parte II)
18h50 - La Nuit Miraculeuse
21h20 - Du Thèâtre au Cinema e Entrevista deAriane Mnouchkine com François Duplat, filmada por Bernard Zitzermann

Quinta, dia 18 15h - Un Soleil à Kaboul

16h30 - Le Dernier Caravansérail (Odyssèes) (parte I)
19h20 - Le Dernier Caravansérail (Odyssèes) (parte II)
21h40 - 1789

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