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riocenacontemporanea: inventário pessoal 2

Desisti de continuar no mesmo ritmo. Não é possível acompanhar um festival internacional sozinho assistindo mais de um espetáculo por dia. Começo a entender as razões de certas escolhas da imprensa do que publicar e o que deixar de lado. Haveria de ter muitos jornalistas aqui, pra que uma cobertura eficiente fosse realizada. Entender sim, justificar não. A boa nova é que o Maurício vai chegar logo mais e tá afinzão de ver o que não tive tempo de rever aqui no Rio: Os Sertões.

No mais, vamos a algumas montagens que passaram por aqui.

Édipo Rei

Tinha que ver alguma coisa da Mostra Universitária, tanto por obrigação assumida com o festival, quanto por uma questão pessoal de tentar entender o que se quer dizer com “produção universitária”. Chego a conclusão de que esse nome pressupõe uma certa conivência com erros bem complicados. No dia em que assisti, havia extintores no fundo do palco, que não eram nada cenográficos. O espetáculo tinha uma pesquisa e um discurso, mas a concatenação das cenas ainda não estava no ponto. A treta é que não sinto que isso seja um problema “universitário”. Adubo, ou a sutil arte de escoar pelo ralo é um projeto universitário. Um TCC. Nem por isso se deve guardar expectativas menores com relação a ele. Enfim, há que se rever esse nome.

Los Mansos

Tá na minha crítica (que logo mais entra no ar no site do festival), não me pegou. Notei que a recepção do espetáculo foi formidável. Muita gente que embalou mesmo na adaptação de O Idiota, de Dostoievski. Fui descobrir depois que já tinha visto uma montagem com e de Alejandro Tantanian, diretor de Los Mansos e um dos curadores do Festival de Buenos Aires. Chamava-se De Protesta e se passava no teatro San Martín. Nessa montagem já estava o garoto Nahuel Pérez Biscayart, que agora desponta como um dos grandes novos atores argentinos. Esse primeiro trabalho que vi era um musical só com canções “de protesta”. Fui mesmo pra ver o Chico Buarque cantado na terra dos hermanos e não guardei muitas lembranças não. Enfim, se quiser conferir uma crítica bem melhor do que a que escrevi, leia da Dinah, no projeto cenacriticacontemporanea. Vou colocar os links tanto da minha, quanto da dela, assim que entrarem no ar.

PS Los Mansos: Macksen Luiz protagonizou uma crise de tosse no meio do espetáculo como nunca tinha visto na minha vida. Suspeito de inveja dos atores no palco. Ganhou minha atenção, definitivamente.

My Arm

Esse vai ter resenha na semana que vem. Tim Crouch demonstrou que sua obra tem muito claramente um “de onde vem” e ” pra onde vai”. My arm é a primeira peça do cara e mais não digo, pra não diminuir a surpresa das milhões e milhões de pessoas que lerão a resenha na semana que vem. Fica só uma pergunta ao SESC e ao British Council: por que não levam o cara pra uma temporada em São Paulo?

Ensaio de BR-3

Sim, eu fui ver o ensaio e prometi que não escreveria uma linha sobre o espetáculo até a estréia, que é hoje. Ih! já foi.
Na segunda também haverá uma resenha deste espetáculo, com considerações e paralelos entre a montagem paulista e a montagem carioca. Desejo toda a sorte pro pessoal da produção e que ninguém se afogue na Baía de Guanabara.

Hey Girl

O espetáculo mais arrebatador até aqui. Todos os limites do espaço são utilizados. Palco italiano ampliado, em outro tempo, mais lento. Vai ser um puta desafio escrever sobre essa doideira, mas é mais uma peça que não pode faltar na atualização da semana que vem. Fiquei surpresíssimo com essa montagem, sobretudo por ter visto a figura do diretor no Palco Petrobras e concluir que é impossível intuir o trabalho que ele faz.

Nota sobre o Palco Petrobras: Encontro dos diretores e cenacriticacontemporanea

1 - Nunca chame quatro pessoas de línguas e trabalhos muito distintos pra uma mesa de discussão. Se o fizer, nunca coloque uma tradutora que tenha freqüentado o curso de atuação do Wolf Maya. Caso essas instruções não sejam seguidas a risca, periga que nada de relevante seja dito no encontro.

2 - Em crítica, é triste constatar, existe o óleo e existe a água. Minha professora de química da 5ª série já dizia que não mistura. De lá pra cá eu tentei misturar algumas vezes, de teimosia, e constato que realmente não mistura.

Agora de noite vou pra Manifiesto de los niños, do Daniel Veronese com o grupo El Periférico de Objectos, minha última peça no riocenacontemporanea. Grande expectativa. Provável resenha. Convoco todos os cariocas super legais que me receberam aqui, pra beber no Cabaret, lá na Barão de Tefé agora de noite. Grande abraço e a partir de amanhã, Satyrianas!

1 Comment »

  1. Acho q não podemos pressupor q uma produção universitária tem uma certa conivência com erros.
    O q pode ocorrer é q geralmente em mostras universitárias geralmente rola uma certa panelinha de amiguinhos, ou de títulos acadêmicos, igualzinho tá acontecendo em alguns festivais do país.
    Pode ser tb que a mostra é algo social, já que os universitários tem que fazer 03 apresentações em diversas partes do rio (e nem ganham ajuda d custo, só alimentação e hospedagem).
    Pelo q vi na programação até q tinha algumas coisas interessantes (e outras tantas coisas ficaram d fora). Ressalto que Uberlândia estava representada pela “Maldição do Vale Negro” da Trupe de Truões, uma pesquisa séria e muito bacana com melodrama (eu pagando pau pros meus amigos! ahh!).
    Podia ter te indicado antes Fabrício! Foi mal!

    Comment by Emilliano — October 15, 2007 @ 3:05 pm

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