Diálogo Imaginário
- Com licença, Bárbara?
- Quié?
- Quando é que você começa a escrever no seu blog na Bravo?
- Semana que vem.
- Obrigado.
- De nada, meu filho.
- Com licença, Bárbara?
- Quié?
- Quando é que você começa a escrever no seu blog na Bravo?
- Semana que vem.
- Obrigado.
- De nada, meu filho.
No espaço antes ocupado pela precisão bonitinha do Théâtre du Soleil, agora pode ser visto o contrário: a bagunça operística concebida pelo malucão Christoph Schlingensief sobre a obra de Richard Wagner. Fica em cartaz até domingo lá no SESC Belenzinho, e funciona em esquema de visitação: você fica quanto tempo quiser, faz o trajeto quantas vezes quiser. Em cena, dezenas de atores e cantores líricos atuando, cantando, dançando e berrando no mais absoluto caos cênico: cenários giratórios, projeções, vídeos, pichações em referência a diversas óperas e até mesmo – acreditem – um trilho de trem fantasma. O percurso é relâmpago, mas vale a pena. Na trilha, Wagner se mistura com um sambão - “atrás da verde e rosa só não vai quem já morreu, ôooo…” - nos intervalos, com direito a passista de escola de samba e tudo mais.
Com tamanha bagunça, é impossível tirar uma conclusão que não seja absolutamente pessoal. Para aquela turma que está sedenta pela expressão da moda, o pós-dramático, aquilo é um prato cheio. Difícil de se classificar como teatro, ópera, exposição, show ou o que quer que seja. Para mim, fica mais evidente a deliciosa descontrução (pra não dizer explosão) de uma arte tradicionalmente formal e careta: o assumidamente inacabado (e inacabável) dá o tom e é o que diverte um público que adora a novidade. O mais legal é que esse público não é composto majoritariamente pela classe artística, que quando é maioria, muitas vezes acaba deixando as coisas bem sem sal com suas carinhas blasé. Uma amiga levou até a avó. E a véia gostou.
Mais fotos AQUI.
Imagine entrar numa conferência corporativa, dessas gostosas de sentar e observar. Imagine então a subida de um senhor conferencista. Ele vai tentar provar que a solução dos problemas da África é a volta da escravidão.
Ou então imagine agora uma convenção da Exxon, em que outro conferencista sobe e mostra as benesses de um óleo feito de carne humana.
Essa é a toada do “The yes Men”, grupo de bufões que se coloca em conferências aprofundando aberrações sugeridas por executivos. Segundo os próprios, a maior surpresa para eles que fazem as performances é notar que tudo é recebido com passividade. Os executivos depois trocam cartões, há apertos de mão.
Quem comentou desse site foi Leo Bassi, que esteve no Brasil há pouco, mas cujas apresentações a Bacante perdeu. Vale conferir de todas as formas o blog do Leo Bassi e o trabalho do The Yes Men. Recomendo o FAQ.
Fica aqui nosso pedido a performers que divulguem seus trabalhos por aqui. E se alguém quiser se arriscar a fazer uma performance como as do The Yes Men, avise que vamos cobrir.
Digressões à parte, o assunto aqui é essa tal de feira! E olha que o produto tá baratinho. Por R$5,00, você pode ver todas as peças do dia, o que dá, em média, 3 montagens.
O Teatro Ventoforte “ganhou” recentemente o direito de permanecer onde sempre esteve, por uma gentileza da prefeitura da nossa cidade. Gentileza, pasme!, porque não fosse a relevância artística do histórico do grupo e, claro, o nome do Ilo Krugli, teriam sido expulsos como foram os moradores da região. Sim, porque construir arte vale muito mais do que construir uma vida inteira, não é mesmo? Fique claro que não questiono a permanência do Vento, questiono a retirada dos moradores que estavam ali, pelo que sei, há mais de vinte anos. E sabe por que eles têm que sair? Porque o terreno ficou muito caro, ou seja, porque chegou por ali uma senhorinha muito abusada chamada Especulação Imobiliária. Enfim, se você quiser dar uma passada por lá, é uma boa aproveitar a Feira. Até porque a gentileza do “poder público” (não é engraçado esse termo?) não tem duração determinada.
Depois de toda a enrolação, a programação:
dia 16/11 - sexta
21h - Adelina (Teatro Ventoforte)

22h - A Curandeira (Confraria das Três Águas) / Foto: Guilherme Guion
dia 17/11 - sábado

11h - A Menina, o Príncipe a a Noite (A Caixa de Fuxico) / Foto: Guilherme Guion
15h - As 4 Chaves (Teatro Ventoforte)
17h - Na Barra do Catimbó (Salamandra Teatro e Cia)
19h - Adelina (Teatro Ventoforte)
20h - O Auto do Bumba-Meu-Boi (Grupo Cupuaçu)
dia 18/11 - domingo
11h - A Menina, o Príncipe a a Noite (A Caixa de Fuxico)
15h - As 4 Chaves (Teatro Ventoforte)
17h - Fábulas de Esopo (Grupo Faz de Conta)
19h - Adelina (Teatro Ventoforte)
20h - Lesão Cerebral (Dir./ Dramaturgia: Silvana Garcia)
dia 23/11 - sexta
21h - Dicotomias (O Casulo - BonecObjeto)
dia 24/11 - sábado
15h - A Centopéia e o Cavaleiro (Teatro Ventoforte)
17h - O Santo Guerreiro e o Herói Desajustado (Cia. São Jorge de Variedades)
19h - O Baú de João Cabra e Miró (Grupo Cubo)
21h - A Casa do Gaspar ou Kaspar Houser, o órfão da Europa (Teatro Ventoforte)
dia 25/11 - domingo
15h - A Centopéia e o Cavaleiro (Teatro Ventoforte)
17h - O Santo Guerreiro e o Herói Desajustado (Cia. São Jorge de Variedades)
19h - Tearo de Mamulengos (Mestre Valdeck de Garanhuns)
21h - A Casa do Gaspar ou Kaspar Houser, o órfão da Europa (Teatro Ventoforte)
Endereço: Rua Brigadeiro Haroldo Veloso, 150, Itaim Bibi, São Paulo - SP
Telefone: (11) 3078-1072
PS.: As duas fotos deste post são de Fábio Viana. A primeira é do espetáculo As 4 Chaves e a segunda de A Centopéia e o Cavaleiro.
As pessoas nos param na rua e perguntam: “vocês não atualizam mais o blog da Bacante?”. Aí a gente responde: “Vamos atualizar sim”. Acontece que a revista está, tipassim, de dieta. Logo mais vocês a verão mais magrinha e esbelta. Aguardem!