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Archive for March, 2008

Festival de Curitiba: Fringe já começa a dar medo

Primeiros dias de peças em Curitiba, já deu para perceber que os boatos sobre o Fringe – a mostra paralela – são verdadeiros: muita oferta, e poucas que realmente atendem as expectativas. Mas não podemos desanimar. Nossa saga está apenas começando e ainda temos oito dias de festival. Além disso, alguns espetáculos foram cancelados, muitos deles por problemas finnceiros, já que os grupos do Fringe vêm por conta própria.

No caminho de uma peça para outra, também deu para conhecer o eficiente transporte curitibano – basicamente o passageiro entra em um tubo, depois de passar por um cobrador, e espera lá dentro pelo ônibus (Segundo uma amiga curitibana, o “famoso vermelhão)”. Tudo bem organizado. Em São Paulo provavelmente não funcionariam, porque as pessoas se matariam para entrar no tubo… mas voltemos ao teatro.

Agora, um breve comentário sobre algumas peças vistas no Fringe:

Anjo Malaquias, Rio de Janeiro – Dirigida por Delson Antunes (parente distante do Antunes Filho), a peça teve uma indicação ao prêmio Shell na Categorai Especial pelo roteiro no RJ e é inspirada na obra de Mário Quintana. Com dois atores em cena e um cenário com uma carroça baseado em A Estrada da Vida, de Frederico Fellini, o espetáculo provavelmente deve levar ao delírio os fãs de Quintana. A peça até instiga o espectador a conhecer mais sobre a obra do poeta, contudo sua verborragia a deixa cansativa e didática. Além do ator que interpreta Mário Quintana, também está no palco uma espécie de faz tudo, que consegue puxar a carroça, tocar acordeon, tocar um sininho e respirar ao mesmo tempo!

Dias Felizes: Suíte em 9 Movimentos, Belo Horizonte – Com texto de Samuel Beckett e direção de Rita Clemente, a mesma de Amores Surdos, a peça é um monólogo de Winnie (Rita Clemente), uma mulher enterrada no chão. O espectador acompanha a rotina da personagem e sua relação com o marido Willie, que quase sempre a ignora. Um vestido marrom avermelhado com uma longa saia, que ocupa o palco inteiro, foi a solução encontrada para representar essa ligação de Winnie com a terra. O recurso limita um pouco os movimentos da atriz e a distancia ainda mais do marido, que quase não a olha e não se aproxima dela. No palco também estão presentes dois músicos.

10 Maneiras Incríveis de Destruir seu Casamento, Minas Gerais – Sabe quando você lê o título, acha que vai ser mais uma daquelas comédias tipo Zorra Total, mas mesmo assim acredita em uma pessoa que diz que a peça é boa? Então, às vezes é melhor confiar em seus instintos, não confiar no gosto alheio e não sentar na primeira fila. Quando o ator entrou já fazendo aquelas piadas prontas, em que o homem fala mal das mulheres e brinca com os casais casados da platéia, aí já não tinha mais escapatória. Quando chegou na quinta maneira de destruir um casamento, bateu um desespero – mas para sair dali, eu teria que passar pelo palco. Aí foi mais um festival de estereótipos, danças alucinadas, piadas de homem com pinto pequeno, erros dos atores aplaudidos pela platéia e muitos risos. Ou seja, o público vai adorar!

Agora é torcer para encontrar boas surpresas entre as mais de 200 peças que ainda restam.

Bárbara Heliodora na era da reprodutibilidade técnica

Bárbara Heliodora Bottons

Bárbara Heliodora 2

Estamos preparados para Curitiba!

Festival de Curitiba: Pré-estréia com espumante e coletivas

O 17º Festival de Curitiba começa dia 20 de março e vai até o dia 30, com 283 peças, tanto da mostra Contemporânea quanto do Fringe – sendo a grande maioria, 251, do Fringe. No release recebido no kit de imprensa, tem uma página só pra falar dos números – 184.174 lugares disponíveis, 181.623 ingressos à venda, 1067 apresentações, 62 espaços, cerca de 1500 artistas e técnicos envolvidos no evento, entre outros números que lembram aqueles das divulgações de musicais da broadway-wannabe paulistana.

Agora que já passei os dados oficiais, vamos para os bastidores. Pela primeira vez a Bacante é convidada para cobrir um festival com todas as mordomias (porque na cara-de-pau, sempre damos um jeito de viajar por esse brazilzão de meu deus): com direito a passagem de avião, comida e hotel – tá certo que os outros três editores virão de ônibus e pedirão abrigo para parentes distantes, mas a emoção ainda faz parte da revista. Não é porque as coisas começam a ficar chique que vamos renegar as origens, não é mesmo? Com isso, já estou aqui no Paraná desde o dia 18, quando teve uma festinha para convidados – com direito a espumante, cerveja, quitutes (alguns jornalistas vegetarianos sofreram um pouco e foram comer uma pizza depois do evento) e a Orquestra Imperial.

Na quarta-feira, dia 19, começaram as coletivas. Conversando com outros jornalistas, fiquei sabendo que ano passado não teve quase nenhuma, e esse ano é uma das novidades para a mídia. Tá certo que é meio difícil sair do senso comum das perguntas sem antes ter visto o espetáculo, mas algumas peças até deram vontade de ver… outras de cancelar o ingresso.

A primeira coletiva do dia tinha sete jornalistas e foi com o pessoal da peça Volúpia, da Cia. Carona. O grupo de Blumenau contou como foi importante para eles participar do Fringe no ano passado, quando estrearam segunda-feira à meia-noite, e tinha pouquíssimas pessoas na platéia. A sorte deles foi que uma delas era um crítico da Folha, que gostou. (Aê, Folha!). Um jornalista perguntou se eles imaginam que o espetáculo deva chocar a platéia em Curitiba. A resposta do diretor Pépe Sedrez foi: “Pelo título, a peça parece ser mais chocante do que é.” Vamos ver… ou não.

Já a segunda coletiva, a mais pop do dia, com 10 jornalistas na platéia e câmera de vídeo, foi a do diretor do grupo Os Satyros, Rodolfo García Vàzquez, velho conhecido da mídia de Sampa. Ele falou sobre o projeto A Fauna, realizado junto à comunidade Vila Verde, da periferia de Curitiba. O diretor contou que o convite surgiu de um dos organizadores, depois deste ter visto o trabalho que o grupo fez na Roosevelt e no Jardim Pantanal, ambos em São Paulo. Os paulistas já estão cansados de ouvir essa história, mas basicamente o grupo é responsabilizado pela mídia em geral como um dos agentes que revitalizaram a Praça Roosevelt.

Segundo Vàzquez, o projeto na Vila Verde é para mostrar como as pessoas vivem na periferia, sem o estereótipo da polícia/bandido, sem essa espetacularização da violência (citou Tropa de Elite e Cidade de Deus). Também falou que quer parar de fazer teatro pra quem faz dieta e fazer pra quem passa fome. Junto dele na coletiva estavam duas pessoas da comunidade que participarão da encenação – Célia Aparecida Mattos e César Daniel Gustavo. Questionada se tinha medo que depois que Os Satyros fossem embora, eles ficariam de lado, Célia respondeu: “Estamos representando a comunidade. Nós estamos conseguindo abrir caminhos. Nós vamos ser heróis, enfrentamos o medo”. Já César se empolgou com as técnicas que aprendeu de palco e já pensa em montar uma peça sobre o vandalismo, para serem apresentadas para as crianças da comunidade. Idéia muito instrutiva.

Rodolfo ainda perguntou pros jornalistas: “Alguém aqui teve algum parente assassinado? Por favor, levantem a mão quem de vocês, jornalistas, teve um parente assassinado.” Quando dois se manifestaram, o diretor continuou: “Na periferia, 90% levantariam a mão”.

No mesmo dia, ainda teve a coletiva de Júpiter – Conquista da Galáxia, do grupo Condor. A compreensão das respostas do grupo se perdeu um pouco na tradução do português pro inglês, do inglês pro japonês, e depois do japonês/inglês, inglês/português, mas faz parte. O tradutor disse que a tradutora disse que eles falaram (ufa!) que o figurino usado na peça são as roupas mais populares usadas na escola no Japão. O que fazem no espetáculo é o que se pode ver em Tóquio, e que buscam representar a geração contemporânea, porque eles não têm nada a ver com os 100 anos que já se passaram. O tradutor I ainda contou um causo sobre um homem andando normalmente de mini-saia pelo Japão e outro causo (sim, o tradutor era um cara divertido) sobre o fato dos atores japoneses acharem a carne enorme – que outro dia tinha uma alcatra que parecia um tapete. Tudo bem – alguns comem peixe cru e outros, tapetes.

No finzinho da manhã, um pouco antes do almoço, representantes de duas peças do Fringe deram uma rápida palavrinha com os jornalistas sobreviventes – uns quatro, contando comigo. O pessoal da peça Anjo Malaquias, da obra de Mário Quintana, contou como é difícil vir para o Fringe pela primeira vez, sem apoio e sem patrocínio. Já o pessoal do Avental Todo Sujo de Ovo contou que a vontade de mostrar o trabalho era tanta que venderam até avental com o logo da peça para levantar dinheiro, alguns amigos fizeram bazar e até receberam doações de passagens de ida e volta.

Antes de vir para Curitiba, já havia ouvido que pela quantidade de peças, não tem como saber muito bem o que assistir do Fringe. Com 251 espetáculos de diferentes lugares e conhecendo o trabalho de só alguns deles, vai ser mesmo fechar os olhos, apontar em uma direção e tentar encontrar alguma peça com boa proposta ou que traga novas experiências.

Como todas as peças da mostra principal são no mesmo horário, é impossível uma pessoa assistir a todas. Mas nesse caso, a concorrência interna é um pouquinho menor. Então vamos esperar pra ver o que rola no Festival de Curitiba 2008.

Na gringaiada

Desde o início da Bacante, tenho acompanhado a Obscena, revista portuguesa de artes cênicas cuja distribuição é feita on-line e gratuitamente, em formato PDF. Hoje decidi fuçar um pouco no site dos caras, inicialmente procurando um feed RSS para acompanhar cada nova edição.

Não encontrei feed RSS, mas achei algo muito mais bacana: TEAM Network. Trata-se de uma rede de doze revistas européias de artes, e todas têm em comum a transdisciplinaridade (além do fato de serem européias, claro). Em uma rápida olhada, vi coisas realmente bacanas - propostas, perfis editoriais, diagramações, sites bonitos. Infelizmente, são poucas delas que disponibilizam seu conteúdo online – a maioria é impressa e comercializada – mas é ótimo saber que lá pracima do equador há várias publicações independentes relacionadas com o universo das artes (cênicas, principalmente).

Quem tiver um tempinho, vale dar uma olhada no site do TEAM e conhecer as revistas, aqui. E já estou postando os links para as publicações no menu ao lado.

Direto da Monica Bergamo de ontem

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Depois de 50 anos, ele voltou à Faculdade de Direito da USP por um só motivo: “Fui buscar meu diploma, finalmente”, diz José Celso Martinez Corrêa. “Vou criar uma universidade antropofágica e preciso do diploma -que, aliás, é bonito, preto, vermelho e dourado.” Zé Celso, diretor do grupo Oficina, nunca advogou, mas seu teatro, que comemora 50 anos, surgiu no centro acadêmico em 1958. “Acho que o teatro tem um sentido de justiça e eu advogo muito por isso. Nesses 50 anos, fui um excelente advogado.” Na saída da faculdade, ele pára, faz pose na estátua do pátio e grita: “Eu amo a justiça de Xangô!”

Mais divertido que isso, só a foto, cuja legenda dizia que o artista “brinca” com estátua no Largo São Francisco. E a Folha ainda diz em seu manual de redação que não usa eufemismos…

A crítica da crítica 2: reloaded

A edição deste domingo da Ilustrada da Folha de São Paulo teve uma puta sacada, que deve ter sido odiada pelos leitores do jornal. Alguém lá de dentro teve a idéia genial de mandar os críticos trocarem de áreas. Como diriam os meus amigos mais mudernos, “desterritorializar” a galera, tirar as autoridades constituídas, ver no que dá. O resultado é uma exposição exacerbada de preconceitos, às vezes até camuflados, mas quase sempre explícitos. O efeito, é claro, é de comicidade e dá até vontade de não enrolar o peixe com essa edição.

Enviar a crítica de dança para um concerto do Iron Maiden foi algo com requintes de crueldade. O relato da indicação de roupas pretas, os corpos que se acumulam e o comentário sobre o “teatrinho” que “funciona muito bem”, demonstram que a crítica Adriana Pavlova se entregou à experiência, mas não foi “despida de preconceitos”, como afirma no início. E que bom que não foi.

Sérgio Sálvia Coelho compara a autoridade de um maestro com a de um diretor de teatro e expõe os seus preconceitos com relação ao que encontra no teatro, que é sua área de especialização: “e todos levantam à chegada de um maestro (que inveja que um diretor de teatro sente disso!)”. Será? Só com experiências como essa pra revelar de onde parte um crítico para fazer o seu trabalho.

Thiago Ney, provavelmente o mais mala de todos os críticos dessa edição especial, foi enviado para assistir uma peça com a Nicete Bruno e o Paulo Goulart. Usou quase a metade do texto para comentar do atraso do público, demonstrando que o limite de caracteres costuma ser mais uma auto-censura do que uma censura real. E é óbvio que, assistindo o que provavelmente é uma das peças mais naturalistas em cartaz, ele ia terminar o texto reforçando a tese do Casseta e Planeta: “por isso não vou ao teatro”. Se fosse só isso, eu também não iria.

Irineu Franco Perpetuo sai pela tangente e dá um jeito de colocar a opinião de um crítico de cinema, amigo seu, no meio do seu texto. Mas explora a metalinguagem nos poucos caracteres de que dispõe, pra questionar a própria crítica especializada. Ali era O LOCAL pra se fazer isso. Esse papel, explícito no título, de uma crítica especializada que “nos diz o que pensar” morreu há muito tempo. Só que é impossível não se deixar influenciar pelas estrelinhas, então que papel elas têm? No cinema, essa relação direta de “cotação”, pura, pobre e simples, fica mais explícita, pela avalanche semanal de filmes que entram em cartaz. E, novamente, servem a quê?

Sérgio Rizzo também rouba no jogo e vai criticar uma exposição de artes plásticas que faz paralelos com o cinema. Sem dúvida, o texto com a menor quantidade de juízo de valores por sílaba. Por conta disso, Sérgio Rizzo está na mira da Bacante pra escrever sobre teatro. Ai da Folha quando tivermos salários exorbitantes a oferecer.

O crítico de gastronomia, Josimar Melo, ficou perdidinho, perdidinho, coitado. Foi mandado para um espetáculo de Sandro Borelli, adaptação de Kafka para a dança. Evoca uma experiência pessoal com a obra de Kafka que ocupa cerca de 30% do seu texto, e não faz sequer um paralelo entre sua experiência e o que assistiu no palco. Chama o pessoal da dança de “pessoal do teatro” e conclui que a adaptação da Cia Borelli “deve ser uma daquelas obras que, como é freqüente na arte, a crítica adora, e o público detesta”. Ele é qual dos dois?

Agora, a pérola dos textos ficou realmente com Fabio Cypriano, que foi sincero em todos os pontos. Relata no início que já é freguês do restaurante e se exime de qualquer imparcialidade crítica. Comenta do mau humor dos funcionários como ponto positivo, quebrando a lógica do juízo de valor. E de lambuja ainda tira com a cara dos críticos de gastronomia - certamente a profissão mais fácil que já foi criada na humanidade.

O ponto lamentável, como quase sempre, é o limite de caracteres - sendo que alguns dos críticos usaram muito mal os poucos caracteres de que dispunham. Mas dava pra haver textos mais longos publicados no site da Folha Online. O ponto altíssimo fica por conta da demonstração corajosa e na prática de que todos somos críticos. Se tirarmos uma média entre os textos, ela vai se aproximar de trabalhos de faculdade em que os alunos são forçados a comentar sobre um tema de que não têm idéia. Contudo, se houver potência no encontro com uma obra, seja ela qual for, por que não criticá-la? Colocá-la em crise, voltando à origem da palavra crítica. Mesmo que o meu repertório não seja amplo sobre a linguagem, sempre sobra a minha vivência pessoal. E pergunte aos atores de teatro infantil se existe ou não um puta potencial crítico nas palavras mais ingênuas das crianças que os assistem.

Continuo não lendo jornais porque são caros, difíceis de manusear, sujam os dedos e chegam depois do horário em que saio de casa. Digo isso, pois, se você for como eu, acesse os textos on-line e confira também as considerações do Marcelo Coelho sobre a idéia e os resultados. Vale também ler o que ele comentou no blog. Não concordo que uma crítica deve propor caminhos distintos pra obra criticada. Pra mim, crítica é só uma desculpa pra dialogar com o artista e, por isso, pode ser feita por qualquer um. Não nego a erudição, pelo contrário, com ela temos mais chances de encontrar pontos de chegada nas obras. Mas utilizar a palavra “especializada”, depois da palavra crítica, é quase um contra-senso, se voltarmos às origens das duas palavras.

Ps1: Se você não tiver a senha para acessar os textos do uol - sério mesmo que você ainda não arranjou uma genérica? - mande um e-mail pra naotenhoasenhadouol@bacante.com.br que enviamos os textos pra você.

Ps2: Abrimos aqui a campanha por um final de semana igual a este na edição de O Globo, em que vamos enviar a Bárbara Heliodora prum show de Death Metal.

Memorial: onde o teatro é Ibero-Americano

Como temos ouvido muito (tá, nem tanto… um pouquinho) que o Memorial da América Latina, onde está acontecendo o I Festival Ibero-Americano de São Paulo, é um dos cartões-postais da cidade, resolvemos tirar algumas fotos meramente ilustrativas. Por conta de problemas no equipamento fotográfico (somos um veículo com algumas restrições orçamentárias), não tivemos como registrar todas as maravilhas do Niemeyer. Mas aí vão algumas:

coqueiros_que_nascem_no_concreto_m.jpg

Acima, os famosos coqueiros que brotam do asfalto.

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A Mão.

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Memorial: um cartão-postal ao pôr-do-sol.

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Esse aí não é do Niemeyer. É a tenda onde foi apresentada a peça Ferro em Brasa, dos Fofos Encenam.

Festival Ibero-Americano – agora com legendas!

Depois de um contato inicial, um segundo contato, um terceiro e um quarto, continuamos nossa saga pelo I Festival Ibero-Americano de Teatro de São Paulo, acompanhando a programação de terça-feira (04/03).

Após um coquetel (devia ter ido sem jantar) e uma cena de dança do teatro de bolso, o público se encaminhou para o auditório para assistir ao espetáculo italiano Una Vita Per Federico, do grupo Cinema Nuovo Italiano. Como, entre os bacantes, fui a que pegou o melhor lugar na platéia (fila E, no centro), não tenho o que reclamar da visão,… mas certamente o rapaz da fila N não viu o mesmo espetáculo que eu.

A primeira mudança em relação aos outros dias é a presença de legendas, já anunciadas pelo coordenador Fernando Calvozo em entrevista à Bacante. Como foi, digamos assim, a legenda pioneira do festival, temos que dar um desconto para o show de erros que se sucedeu. Era basicamente um arquivo de word projetado no fundo do palco, com o texto corrido, controlado por alguém que ficava clicando na barra de rolamento lateral. A pessoa não devia saber italiano, porque de vez em quando ela se perdia, e com isso, a gente também. Teve um momento em que o “controlador de legendas” clicou errado na barra, e esta desceu muito. Nada que uns minutos sem legenda não resolvam. Mas não se pode reclamar muito, pois a peça seguinte, Una Tragedia Argentina, me fez sentir falta das legendas toscas da peça anterior, e apanhar um pouco no espanhol.

Com a compreensão comprometida por esses problemas técnicos, o espetáculo italiano lembrava mais uma contação de história do que uma peça em si. Tá certo que era uma contação bem produzida, com um trio de músicos muito bons e uma atriz narradora lendo o texto em um pedestal à sua frente. O cenário trazia um castiçal, um trono (tipo cadeira de rei, saca?) e três taças de plástico coloridas. Não deu pra captar muito bem a história sobre a saga de uma família nobre da Itália pelo motivo já mencionado. Nem me atrevo, então, a tentar resumir aqui, porque certamente haveria distorções.

De resto, deu para perceber que o festival também pode ser um lugar para aperfeiçoar outras línguas – tanto em conversas no foyer com artistas de outros países (no meu caso, conversei com um boliviano, que tirou dúvidas comigo sobre os costumes do país e nomes brasileiros começados com a letra O… mas meu espanhol é muito ruim) ou tentando desvendar a história durante as peças.

Nos dois espetáculos do dia, tinham pessoas tirando fotos com flash. De duas uma – ou não estavam acostumados a ver peças ou eram parentes dos atores.

Seguimos com a nossa cobertura hoje à noite.

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