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Chegando ao Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga

Foi nesse domingo ressaquento, 14, que saí de uma São Paulo chuvosa e cheguei numa Fortaleza redundantemente quente.

Na van em que fui até Guaramiranga, encontrei integrantes do grupo Bagaceira. Pra quem não lembra, é o povo do Lesados, que vai estrear uma nova peça aqui no Festival Nacional - isso não costuma dar muito certo, mas vamos conferir.

O caminho entre Fortaleza e Guaramiranga é um retrato daquele nordeste de que a gente ouve falar, mas que aqui não é clichê. Tudo muito seco - será que estou na Caatinga? Não lembro mais nada das minhas aulas de geografia - e muito “politizado”. A imensa maioria dos muros que davam para a estrada estavam cobertos de infinitos números de candidatos à vereador e à prefeito de cada um das cidades por que passamos. Mesmo nas casas mais humildes e em estado de deterioração, lá estavam as inscrições. Os políticos dessas cidades parecem não saber nada de marketing. Precisam ver fotos do Cingapura.

Até que começamos subir a serra. Eu também achei estranho quando li que a cidade ficava na serra cearense. Mas lás estávamos num serra verde e nada seca, subindo, subindo, subindo…

Chegando em Guaramiranga descubro que a bóia é completa: café, almoço e janta. Lembro dos amigos que me perguntavam “só no come, dorme?”. Num só dia de cobertura já vi que a coisa não vai ser bem assim.

Assentado no que parece ser um antigo mosteiro da cidade, encontro com a jornalista do O Povo, jornal cearense apoiador do festival, Angélica Feitosa, que relatou como foi a apresentação de Por Elise do Espanca no dia anterior.

Acabou-se a luz no meio da apresentação e os atores tiveram de repetir uma cena. Achei um interessante distanciamento crítico, tendo em vista que a Coelce, Companhia Elétrica do Ceará, é uma das patrocinadoras do festival. É o teatro mostrando que todos somos falíveis.

O segundo fato inusitado do dia foi verificar que, por mais que a Oi seja a segunda patrocinadora do evento, nenhum dos três telefones públicos que utilizei pra ligar a São Paulo efetuou a conexão. Deve ser porque eu usei o 15 e o 21 - espero.

E vamos ao que interessa, que quem pensou que havia poucas peças (eu) se enganou. São mais de 40 espetáculos, entre amadores e profissionais. Hoje tem crítica e durante a semana, bem, deve ter muito mais.

Ps: Aqui eles bebem vinho. Muito chique. A conferir.

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