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30 anos sem Procopão

por Astier Basílio

Nenhum Comentário 19 June 2009

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No twitter do Wagner Moura duas “tuitadas”, hoje, me chamaram atenção.

A primeira delas era a seguinte: “Acreditar ou não na veracidade do meu “eu twitter” é como uma escolha artística. É preferir o surrealismo ao realismo”.

Eu acredito que é ele sim.

Principalmente pelo que eu tenho lido que ele escreve.

É muito Wagner pra não ser ele mesmo.

Mas, pra não cair numa digressão, a segunda tuitada foi a seguinte: “Acompanho com enfado o fim do diploma de jornalista. Prefiro concentrar energia para polêmicas no endurecimento das regras de meia-entrada”.

Pra quem não sabe, Wagner Moura tem o diploma de jornalista. Tá com enfado por que não usa, nem precisa dele. Mas não queria nem falar disso. O ponto é outro.

Wagner Moura, o próximo Tony Ramos (valeu Muirak), ou quem sabe?, futuro-primeiro-ator-do-teatro-brasileiro – o cara que “fez o Hamlet da geração dele”, segundo a Folha – me fez lembrar de outro grande medalhão do teatro nacional. Esse, mais sincero, mais direto. Procópio Ferreira.

Hoje faz exatos 30 anos de morte de Procópio, o pai da Bibi. Fui na biblioteca daqui da minha casa, peguei o meu “Peças, pessoas personagens – o teatro brasileiro de Procópio Ferreira a Cacilda Becker”, do Decio de Almeida Prado. Olha só o que o velhinho, o Procopão, dizia ainda aos 78 anos de idade, numa entrevista ao Hamilton de Almeida Filho, reproduzida no livro:

“Pois veja: toda arte, meu amigo, é comercial, toda ela. O fato é que a arte é comercial. Você não pode oferecer ao público aquilo que o público não quer. Porque eu sempre ofereci ao meu público peças para fazer rir – porque o público quer rir, o público precisa rir”

Décio segue, ensaio afora, comentando, criticando, vida e obra do Procópio. E quem critica dá a cara a tapa também. Um trecho do Décio me chamou a atenção. Quando Décio comenta a peça “O Chá do Sabugueiro”, destacando o lance dos excessivos trocadilhos. Vou citar:

“(…) outro trocadilho, ou coisa parecida, antecipava o cair do pano, fechando a noitada. D. Marocas, a dona da casa, entra em cena aflita, chamando pela cozinheira: ‘Felicidade!… Onde está a Felicidade?’. E Jacinto Sabugueiro, seu esposo, não perde a vaza: ‘Filhinha!… a felicidade está aqui (aponta os casais Marocas, a princípio surpresa, compreende a cena e corre a abraçar o marido)’. A plateia, comentou Antônio de Alcântara Machado a propósito desses finais piegas, suspirava comovida: ‘tão Brasil!’. Ainda bem que a mulher brasileira não fora contaminada pela liberdade de costume das francesas, seja pela liberdade de modo das americanas”.

Fiquei imaginando o trabalho que deu ao Décio (desculpe o trocadilho, foi involuntário) sair de casa em casa pelo Brasil todo pesquisando modos e costumes da mulher brasileira…

E você, o que acha?

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