Blog

"90 mil pessoas foram e eu não" ou "Agora com nariz de palhaço"

por Juliene Codognotto

3 Comentários 25 June 2009

Acabou o FILO – Festival Internacional de Londrina. As atividades (segundo a assessoria de imprensa: 112 apresentações de 54 espetáculos e 14 shows de 51 companhias de 8 países) aconteceram de 5 a 21 de junho e não foi possível fazer a cobertura para a Bacante - culpa minha, desorganizada que eu sou.

No entanto, vale comentar aqui o trabalho da assessoria de imprensa do FILO, especialmente da Jack, que sempre nos deu muita atenção e facilitou o trabalho e o contato.

A Jack nos enviou uma espécie de balanço do Festival, uma idéia muito interessante, mas que poderia ser ainda mais aprofundada com a participação dos próprios grupos e artistas participantes.

Do conteúdo disponibilizado pela assessoria, muito ficou focado nos números e na auto-avaliação do diretor Luiz Bertipaglia. O texto menciona com sutileza o tema que não pode faltar: a crise! E celebra o fato de o Festival ter acontecido apesar dela - digno mesmo de comemoração, uma vez que os Festivais acabam dependendo sempre de investimento privado. No entanto, para além desta questão, Luiz esclarece sua concepção da função e importância dos Festivais. Leia você:

Qual a importância dos festivais neste momento da Cultura no Brasil? Ainda é uma fórmula eficiente para a circulação de espetáculos?

A cada ano tenho mais certeza de que os festivais são fundamentais para a difusão da cultura e, em especial, do teatro. Sem eles, os artistas e grupos de teatro, dança, circo e música perderiam um espaço privilegiado para mostrar suas criações. O momento de um festival é principalmente o momento do encontro onde os trabalhos são colocados à prova do público e da crítica especializada. Um termômetro importantíssimo para que esses artistas avaliem o trabalho que vêm fazendo.

Se, em Curitiba, a função declarada da maior parte da programação do Festival está baseada na idéia da “vitrine“, aqui, de maneira um pouco confusa, Luiz retoma essa idéia, mas define outras funções possíveis:  encontro, provação, auto-avaliação, termômetro. Dá assunto pra semanas de debate. Mas penso que o debate vale a pena e mal começou. E vale sobretudo para saber se tais funções são apenas parte inerente ao discurso festivaleiro (devo essa expressão ao Jorge Vermelho, fo FIT São José do Rio Preto) ou se foram efetivadas nesta porção de números. Eu, desta vez, não posso opinar, só levantar a questão mesmo.

**

Por outro lado…

Não fui pra Londrina, mas vim pra BH. Aqui, desde 19 de junho tá rolando o 5º Festival Mundial de Circo, que em 2009 compõe a progamação do ano da França no Brasil. Segundo o Festival, o foco na produção francesa não se deve unicamente à data comemorativa, mas ao fato de que a França tem sido referência no ensino e no desenvolvimento da nova linguagem circense. Vou tentar averigüar isso. Mas só depois de comprar cachaça mineira e doce de leite. Por enquanto, já descobri duas coisas muito importantes: “nem tudo que é pertinho é pertinho” e “sempre haverá uma subida”.

Hoje tem discussão sobre políticas públicas. E lá vamos nós…

O que a galera acha

3 comentários até o momento

  1. clau says:

    Que bom, que bom q vc decidiu ir ao Festival Mundial de Circo.

    Entre os debates sobre o processo de construção da política pública dos nossos coleguinhas francesses e seus ufanistas sonhos de conseguir uma segunda expanção colonial a partir do ‘nouvel cirque’, nossas visões sobre o processos de articulação desse lugar dos ‘OUTROS’ que é, por exelência, o mundo do circo, que nevega entre as mais diversas subalternidades, reaprendendo sempre a se (re) inventar, rompendo a retórica linear do tempo.. entre esses debates, dizia – uns com delírios de pragmatismo e outros simplemente com delírios -, e a magia de um casal que expõe o mais íntimo de si, de uma relação não dita mais sabida que, lá no alto da noite, expectante e anciosa lida com o inesperado, com o risco e a transgreção, em um espetáculo em que os corpos tramam uma história que nos chega rompendo a narrativa e a lógica racional do tempo linear, na noite de BH, sob uma lua que, sarcástica sorria, ela deixa-se cair no vazio supensa nos seu braços inesperados, mas seguros. Certeza e seguraça um segundo depois negadas pelo olhar incerto e temeroso de um não, de um desencontro… mas o risco como escolha de vida, o incerto como ponto de expanção de seres que se encontram no instável do permanente equilibrio fragil, efemero, talvez, da busca e do se achar a cada momento, narra sua história se impondo ao costume cego da razão. Sem palavras. sem música, ou melhor, explorando a musicalidade dos sons do corpo, do esforço, do suor e do cuidado.
    No final, após a queda e o vôo duplo, tão risco, surpresa, à beira do acidente e escancaradamente na trangressão, tão vida.. a queda pra cima e o abraço seguro e o beijo, o mais belo… que reconcilia o soneto não dito que no ato se fez som.
    um lindo espetáculo. No picadeiro um brasileiro e uma argentina.
    Ou não?
    depois, a elegância, a alegria debochada e musicalmente elegante e sutil do Circo Amarillo…
    agua fria na cabeça do cantor brega! malabares criando um groove sampleado para sincopar o absurdo ilarante.

    né!
    é o Circo, ele nos ensina a colocar o risco à beira da vida, a vida à beira da arte e a arte à beira do risco, é por isso que ele é redondo e itinerante, como o mundo.

    Que bom que você foi ao Festival Mundial de Circo em Belzonte

  2. Juli =) says:

    Né? Que bom que eu fui ao Festival – ou continuaria completamente distante desse universo.

    Sim, sim. Era um casal bem bacana. Uma relação de olhares bem intensa, que – na minha concepção ainda preconceituosa, devo admitir – era bem difícil de encontrar no circo. Alguma ansiedade, nenhuma palavra. Inspirador.

    Mas, por apreciar muito o risco de inserir o novo num universo de tantas tradições, confesso que a maneira como se fez a inserção da música no segundo número, misturando “tecnologia” com gags antigaças, me chamou bem mais atenção.

    Sim… o risco. Sempre presente e aqui (no circo) radicalizado em diversos sentidos possívieis.

    Quanto a essa história de expansão colonial e políticas públicas, deixo para discutir na reportagem, que publico aqui na Bacante em breve. Se puder, passe também por lá.

    bjos,
    Juli =)

  3. Laina Mirtes says:

    Oi Juuuu! Cheguei hj… tô na ksa da Grace. Hj tem festão no Galpão Cine Horto. O Chico pediu pra te chamar, vai ser babado bee, bjomeliga!!!


E você, o que acha?

Deixe seu comentário

   A Bacante é movida a Wordpress e seu conteúdo é Creative Commons.
   Alguns direitos reservados (BY-NC-SA).