Archive for Essa gente de teatro...
October 19, 2008 at 1:39 pm · Filed under Essa gente de teatro... · Por Astier Basílio
“Colocaram um selo de qualidade no nome ‘teatro de grupo’, como um sentido de valoração, um conceito que é mais um status e eu acho que isso é uma bobagem”
Nanego Lira, Piollin (PB)
“Minha pergunta é: onde fica o limite entre o estético e o patológico”
João Marcelino, Estandarte (RN)
“Gente, vocês me desculpem, mas eu sou da década de 50. Cadê a minha ‘deixa’ hein?”
Zezita Matos, Quebra Quilos (PB)
“A gente tem que fazer esse encontro do Lapada em Recife”
André Brasileiro, Coletivo Angu (PE)
“A pergunta que eu faço é: pra que serve isso? A gente vai usar ou vai ser só pra efeito?”
Luiz Carlos Vasconcelos, Piollin (PB)
“Um jornalista, cretinamente, disse que se o nosso primeiro espetáculo era ‘Angu de Sangue’, o que fizemos depois, o ‘Ópera’, era ‘xerém de frango’”.
Vavá Paulino, Coletivo Angu (PE)
“Não podemos perder de vista que o mais importante aqui não é o resultado e sim o processo”.
Márcio Marciano, Quebra Quilos (PB)
“Gente, vamo ver o blog da Bacante, porque dependendo do primeiro post, o Astier nem fica aqui mais”
Fernando Yamamoto, Clows de Shakespeare (RN)
October 18, 2008 at 2:54 am · Filed under Essa gente de teatro... · Por Astier Basílio
Vai dormir, Diário!
A peça
Já passamos da meia noite. Exatamente 27 minutos. Acabei de chegar da Universidade Federal da Paraíba, onde rolou a primeira peça, Vereda da Salvação, montagem do grupo Ser Tão, dirigido pela Christina Streva.
Mas, antes de contar como foi. Tenho de dizer uma estória que rolou antes comigo. Enquanto me aprontava pra ir, uma amiga minha liga.
- Me ligasse foi?
- Foi
Conversamos sobre o determinado assunto que motivou minha ligação. Depois, tento cortar o papo dizendo que tô de saída.
- Cê tá indo pra onde?
- Pro encontro do Lapada – respondi.
- É o que, hein? É negócio com cachaça é?
- Não é um coletivo que reúne grupos teatrais do Nordeste…
- Tchau. Boa sorte.
Taí a dica. Quando quiserem que um amiga ou amigo desliguem o telefone, não se esqueçam: lapada neles.
***
Ainda na fila ouço:
- Ué, cadê você lá?
- Você nem foi lá, né?
- Cara, a gente pensou que você vinha.
Uns três “lapadeiros” queriam saber porque eu não tinha ido no primeiro contato deles. É que à tarde, lá na Piollin, os grupos – ao todo são mais de 20 – tiveram um primeiro contato, uma dinâmica “meio que pra quebrar o gelo”. Foram discutidas/ditas/propostas quais atividades seriam desenvolvidas no sábado.
- Ah! eu pensei que eu tava liberado pra cobrir só amanhã - disse.
Mentira. Eu sabia que tava valendo. É que era aniversário da minha sogra e sabecomé, né?
A “Sala Preta”, onde Vereda da Salvação foi encenada, era uma semi-arena. Cheguei uns 30 minutos antes. A capacidade era pra setenta e poucos lugares. Dez minutos antes, chega a Chris:
- Meus alunos queridos (ela é professora do recém criado curso de Artes Cênicas da UFPB), agradeço a presença de vocês, mas peço encarecidamente que vocês ocupem as laterais e deixem a parte da frente pro pessoal do Lapada, porque o espetáculo vai ser apresentado pra eles, tá?
Eu tava na frente e achei bom não ser aluno da Chris.
Vereda da Salvação estreou final do ano passado naquele local, eu fui à estréia. Não sei o que aconteceu, mas acho que mudaram o teto, não tenho certeza. A acústica estava horrível, muito do texto se dispersou e a intimidade que eu senti sumiu.
O debate
Tava todo mundo lá. Gente de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e mais outros que eu devo conhecer amanhã. Chris começou falando que a turma era iniciante, muitos não tinham nenhum experiência, que foi uma garra todo mundo lá, cinco meses que o espetáculo tava parado, não tinha circulado. Depois falou o porque de montar um texto clássico, do Jorge Andrade, escrito em 1955.
- Gente eu sou carioca, tinha chegado na Paraíba e uma coisa que me impressionou muito foi esse negócio com a religião sabe? Você vai no ginecologista aí do teu lado (marido, transexual ou público civil?) um cara abre a Bíblia. Outra fez a gente foi no Shopping, no Manaíra… (seguem outros exemplos de histórias de fé)
Chris falou que não queria ser fiel ao texto que pede 30 personagens, etc. Depois comecei a me sentir meio aluno quando ela falou das teses que foram lidas, do Antunes, da montagem do Antunes em 1964, depois a de 1993. Depois falou do lance das partituras físicas, do trabalho centrado em Stanislavski, do lance da verdade.
Depois de duas, três perguntas levantei a mão.
Falei que tinha uma proximidade afetiva com o grupo, elogiei o fato deles isso e aquilo, depois fiz as seguintes observações:
A peça foi escrita há mais de meio século. O recorte da dramaturgia privilegiava uma rota de conflito entre os dois personagens, o Joaquim, fanático e o Manoel, pragmático. Só que esse recorte – recorte mesmo, há um personagem que media esses dois mundos que é riscado da encenação – opta por uma rota de conflito num nível mais de relação pessoal. Que nesse meio século, numa perspectiva histórica, tanto a questão agrária, trabalhada no texto, era outra, como a questão religiosa, a alienação por um paraíso na terra substituída por um “o reino dos céus é aqui”, é bem diferente e que eu não via links com a realidade atual.
Isso eu não disse, mas quando a Dolor, mãe do Joaquim disse: “filho é a riqueza de pobre”. Eu pensei logo na questão do Bolsa Família e em como esse benefício alterou a realidade do Nordeste e essa alteração da realidade Nordestina não chega na montagem.
A Chris respondeu que embora reconhecesse que as questões política e agrária estavam lá, mas que via na peça outra coisa, que o desenlace ali tinha se dado a partir de problemas de relações pessoais e que era a opção dela mesmo aquilo e que estava atual sim. Um dos atores citou um caso de fanáticos que “tinha saído na mídia agora pouco”, escondidos numa gruta esperando o fim do mundo.
Nessa hora, o cara com sotaque de Recife quis falar de novo, aí Luiz Carlos Vasconcelos incorporou o palhaço Xuxu e disse: “mas, tu fala rapaz”. Mas, não rolou censura não, como a que o Sérgio quase fez comigo em Guaramiranga. É que faltavam só dez minutos pra terminar e tinha duas pessoas inscritas.
O Kleber, que é bailarino, elogiou o tônus, o físico, as imagens, mas disse que a peça não o deixava respirar, que o ritmo era porrada o tempo todo. Bingo! Ele acertou:
- Olha, concordo com você. É por isso que a gente sente falta de um olhar de fora, sua observação é bem pertinente e é a crítica que eu também faço. Eu não consegui encontrar a medida pra respirar. Mas, garanto a vocês, pessoal, que a minha próxima peça vai ser uma pluma (risos). Vou montar a Dama das Camélias, tá? (risos de novo). Mas, parabéns pela observação, pela sua crítica.
O Luiz Carlos Vasconcelos fez quase um trabalho de dramaturgismo. Apontou, com “mas”, “poréns”, “entretantos”, falou como expectador, falou como encenador – tipo Batman e Bruce Wayne – “sujeitas” – desculpa eu não sou bom com as palavras, disse o Luiz. Chaves poéticas pontuando cenas e cenas mais realistas; figurino que apontava pra esse perspectiva, mas caia acolá pra outro caminho. Citou a montagem do Antunes – como se dissesse eu vi-ê, eu vi-ê.
Depois de falar tudo, com minúcia, disse:
- Mas, eu não tenho certeza de nada do que eu falo, não levem a sério o que eu falei.
Extras ou comentários em word dos atores
Dizer ou não dizer, eis a questão.
Mas, dá tanta verdade pro texto pegar essas falas.
E tipo, rolou uma questão meio hamletiana: “beber ou não beber, eis a questão”.
Kleber falou:
- Ó, só vou aparecer lá pelas 2 horas, viu?
Ou seja: fiquei pensando em como aquele slogan do governo cabe bem para os encenadores:
Se dirigir não beba, se beber não diriga.
Márcio sabia disso, tanto é que falou pro Luiz:
- Poxa, era melhor que (não comprendi esse trecho da conversa) à tarde, não era?.
Risos.
(Abaixo, segue o diálogo numa pequena tentativa de imitar o estilo do contista Luiz Vilela, que ao que parece não tem nada a ver com o Gabriel, a googar)
- É - concordou Luiz.
- Essa hora a gente tava tomando a nossa cerveja – observou Márcio.
- Tendo que acordar amanhã às 8 horas, não rola a cerveja – lamentou Luiz
- Não, não rola.
September 9, 2008 at 8:49 pm · Filed under Essa gente de teatro... · Por Maurício Alcântara
Segundo esse vídeo, os EUA querem proibir Sálvia em seu território nacional, pois alegam ser alucinógeno.
Será que a Folha nunca mais terá críticas de espetáculos da Broadway?
August 21, 2008 at 6:19 pm · Filed under Essa gente de teatro..., Vamos pensar um pouco. · Por Fabrício Muriana
Nada como um dia após o outro pra ver a extrema variação de público presente em cada encontro sobre O Texto no Teatro Contemporâneo, promovido pelas Dramáticas em Cena, às quartas-feiras, 21h, no Satyros Um.
Dia 20 de agosto: na porta do teatro, muito mais gente que nas semanas anteriores. Adentramos a sala e na mesa central está uma Dramática e Antônio Araújo, diretor do Teatro da Vertigem. Todos se acomodam como podem. Muitos nas escadas, outros no chão e até atrás do palestrante. O calor chega nos primeiros 20 minutos de conversa. O ar-condiciodado dos Satyros parece não dar conta do recado. Diferente dos outros dias, vemos na platéia dezenas de cadernos e pessoas que anotam desesperadamente como se estivessem numa aula. Não por acaso.
Na última vez que vi Antônio Araújo falar, o barco de BR-3 acabara de sair do Rio Tietê por problemas de produção. Era um encontro em que estavam, além dele, o diretor do grupo XIX e a jornalista Beth Néspoli para discutir, no Ágora, novas arquiteturas de espaços cênicos. Muito pouco foi efetivamente discutido, já que o Tó estava extremamente abatido.
Ontem parecia outra pessoa. O tema, que poderia dar margem a uma discussão mais ampla, acabou, no entanto, centrando a conversa nos processos de criação do Teatro da Vertigem: A Construção da Dramaturgia nos Processos Colaborativos. De modo que o Tó falou muito mais de passado do que de novas pesquisas.
Reza a lenda que recentemente Peter Brook veio para o Brasil e fez questão de fazer um encontro com o povo do Teatro Vocacional. No início da conversa, pediu que falassem de qualquer tema do teatro, mas que não falassem sobre seu processo de criação. Peter Brook não gosta de falar dos seus processos, pois sabe que em cada novo trabalho é necessário criar um novo processo. Dizem também que ele teve a paciência de abandonar o encontro somente na terceira vez que perguntaram sobre o seu processo.
Tó, ao contrário, praticamente só falou dos processos de que participou. Mas se deu ao trabalho de complexificar todas as questões e em momento algum colocou juízos de valor que explicassem o que seria um processo ideal. Ou seja, a mim se apresenta como um partidário da idéia de Brook de que é necessário sempre criar novos métodos. E como é absurdamente rica a experiência de ouvir as mesmas histórias do Teatro da Vertigem recontadas com a lucidez do raciocínio de Antônio Araújo.
Ele relatou que o Vertigem, na trilogia bíblica, contou com o trabalho de três dramaturgos e em cada relação se estabeleceu uma sintonia e um ritmo de trabalho diferentes. O primeiro, Sérgio de Carvalho, acompanhou todos os ensaios e, além de dramaturgo, foi dramaturgista do grupo. O segundo, Abreu, via esporadicamente os ensaios e produziu uma dramaturgia que estaria mais ligada ao gabinete (nome brega que estão usando nos encontros) do que às salas de ensaio. O terceiro, Bonassi, foi uma espécie de meio-termo, encontrando os atores primeiro em todos os ensaios e depois, semanalmente.
Tó contou também como foi quando o Vertigem chamou Plinio Marcos para participar de um de seus primeiros processos colaborativos e a negativa veemente recebida pelo grupo.
Marici Salomão perguntou qual foi a força motriz para a instituição de processos colaborativos no Teatro da Vertigem, ao que Antônio Araújo respondeu que na época de sua criação, o grupo não encontrou um único texto que desse conta das angústias de cada um dos integrantes do Vertigem.
Questões sobre autoria e sobre a participação dos atores no processo também foram levantadas. Tó repetia de maneiras distintas em todas as respostas que havia um dramaturgo em todos os processos, mas que havia uma co-autoria dos atores, dele próprio e do público, que participou dos processos por meio de ensaios abertos.
Mas o que realmente fica na memória desse encontro são as palavras de conexão de Antônio Araújo, que surgiram numa pausa: “Eu vou falando e pensando na negativa do que eu digo”. Movimento de negação que levou à uma reflexão mais ampla, complexa e estruturada do que em qualquer outra discussão que já presenciei sobre a dramaturgia.
Ps: Novamente, comentários dos presentes são mais que bem-vindos.
August 21, 2008 at 5:48 pm · Filed under Essa gente de teatro..., Vamos pensar um pouco. · Por Fabrício Muriana
Luiz Fernando Ramos veio, no dia 13 de agosto, ocupar o espaço em que Reinaldo Montero estava na semana anterior, nos encontros sobre O Texto no Teatro Contemporâneo, promovidos pelas Dramáticas em Cena.
A fala de Luiz Fernando foi muito menos anárquica que a de Reinaldo. Centrado num pensamento e num desenvolvimento que serviu de eixo do início ao fim de sua explanação, ele relativizou a data de início do que se chamaria de Teatro Pós-Dramático. Diferente do que o Hans-Thies Lehmann, autor de Teatro Pós Dramático, propôs, como algo que começa a se desenvolver nas vanguardas do final do século XIX e que efetivamente só se dá na obra teatral de alguns encenadores das décadas de 70, 80 e 90 do século passado, Luiz Fernando propõe um movimento (poderíamos dizer dialético?) entre texto e imagem, que se dá desde a antiguidade clássica.
O polêmico de sua fala está no fato dele encarar os movimentos do teatro contemporâneo como parte de um ciclo, de modo que, agora, falamos e fazemos mais por meio de imagens, mas voltaremos a ter em algum momento o texto como foco. Ele chegou a citar que é da natureza humana contar histórias, portanto mesmo que lutemos contra isso, será impossível tirar dos receptores a potência criadora de histórias.
Para Luiz Fernando Ramos, aquilo que Lehmann aponta como o grande expoente do teatro pós-dramático, ou seja, a obra de Bob Wilson, seria também o marco de uma chegada. Como se a partir daí tivéssemos que buscar uma outra opção. Concluiu-se posteriormente, nas discussões, que a cena paulistana é profundamente dramática. Comercial ou não, profissional ou amadora.
No entanto, tenho que dizer, por minha conta e risco, que nem sequer começamos a colocar em prática idéias que realmente desestabilizem o estatuto do drama. São pouquíssimas a montagens num histórico recente da cena paulistana que efetivamente experimentam ausência de personagens, enredo, narrativa e que investem em imagens e sensações pré-significantes. Não acho que esse é o nosso único caminho, tampouco que será o caminho preponderante. Mas sinto que nunca vi um grupo brasileiro que tentasse radicalizar esse tipo de proposta ao mesmo tempo dialogando com questões brasileiras (sem qualquer intenção minha de querer discutir uma nação, mas sim problemas e temáticas locais).
Portanto, acho impossível falar neste momento da falência do pós-dramático e ainda está por vir alguém que consiga falar sobre o papel do dramaturgo nesse tipo de teatro. O próprio Lehmann cita autores/encenadores que vêm de outros campos artísticos.
A ver o que o Antônio Araújo falou na semana seguinte. No caso, ontem.
Ps: quem estava lá, por favor complemente nos comentários, como já aconteceu na postagem sobre o Reinaldo Montero.
August 19, 2008 at 6:16 pm · Filed under Essa gente de teatro... · Por Fabrício Muriana
Leio no blog do Inagaki que os Barbixas estão fazendo uma ação de guerrilha co povo da tão amada e odiada blogosfera. Imagine tu, digníssimo leitor e autor de blog, que se publicares um dos dois vídeos dos rapazes no teu veículo pessoal, ganharás um par de ingressos pela promoção Blogresso.
Os Barbixas nunca tiveram uma crítica de suas peças publicada na Bacante, mas faz bastante tempo que a Leca comenta do trabalho hilário dos rapazes. Gostaria de saber o que o povo que “quer valorizar a arte teatral” (sobretudo por meio do valor do ingresso) acha dessa alternativa de divulgação.
August 19, 2008 at 5:34 pm · Filed under Essa gente de teatro... · Por Fabrício Muriana
Parece que tudo começou quando um Daniel Gaggini publicou no seu blog a carta encaminhada ao CCSP, na qual seu grupo pede explicação sobre a razão de desconsiderarem o critério de ineditismo do último edital de seleção de peças teatrais. Eu aqui vibrando que vai ter peça argentina por aqui e nem fui lá ler a bagaça, no caso o edital.
Aí o Marcelo Médici postou que seus amigos (não identificados) também tiveram o mesmo problema. O Centro Cultural se justificou alegando que seria necessário somente anexar aos documentos para inscrição textos que fossem “inéditos” ou “desconhecidos”, pois contam com uma experiente banca de avaliação. Disseram também que havia um e-mail disponível para sanar dúvidas desse tipo e que outros grupos não tiveram a mesma dúvida.
No entanto, a pergunta lançada pela tréplica do grupo de Gaggini vai além da fragilidade do texto de um edital específico. Por que o Centro Cultural vem colocando na sua programação peças de grupos com sede em São Paulo e que poderiam se apresentar nas suas próprias sedes? Grupos que por vezes, além de terem sede, ainda dispõem de verba como o Fomento ou a Lei Rouanet. A pergunta vai pra eles, mas também aponta na nossa direção: qual é o recorte da cena paulistana que queremos ver em cartaz no CCSP?
August 17, 2008 at 11:54 am · Filed under Essa gente de teatro... · Por Fabrício Muriana
Um pouco de sensacionalismo por aqui. Assustadoras imagens do incêndio no Teatro Cultura Artística.
Fogo no Cultura Artística
Mais fogo
Até agora não vi ninguém falando das causas. Alguém sabe?
Encontrei os vídeos aqui.
August 15, 2008 at 7:42 pm · Filed under Essa gente de teatro..., Vamos pensar um pouco. · Por Fabrício Muriana
Uma semana depois do encontro com Reinaldo Montero, consigo postar minhas impressões sobre o primeira palestra com tema O texto no teatro contemporâneo, promovido pelas Dramáticas em Cena com verba do Fomento municipal.
No primeiro encontro, Reinaldo apresentou um texto dramatúrgico como provocação do diálogo sobre o tema. Já lembro relativamente pouco do que foi discutido. Até anotei, mas o papel se foi numa lavagem de roupa. Há algum registro, Marici?
Um dos pontos mais interessantes foi quando Reinaldo relatou que, em Cuba, você pode se formar dramaturgo e ganhar um título. Aí você pode enquadrá-lo e colocá-lo na parede, porque ele não serve na prática pra nada. Em Cuba os atores têm salário fixo, estando ou não trabalhando. Os dramaturgos não.
“Como faz um dramaturgo, então?” perguntou alguém da platéia. “Bate na porta dos diretores e grupos pra mostrar o seu trabalho ou se integrar de alguma maneira”, respondeu Montero. O sea, com ou sem formação, dramaturgo tá sempre na merda. Ou na Globo, que dá quase no mesmo.
Hans-Thies Lemann é a expressão mais citada nos dois primeiros encontros. Sim, ele é o autor do Teatro pós-dramático, mas já é praticamente uma expressão, quase como uma tag da conversas. O Reinaldo ressaltou que as experiências apontadas por Lehamnn como pós-dramáticas são muito específicas e aconteceram em poucas apresentações de poucos teatros da Europa. Ou seja, são radicais sim, mas servem para pensar movimentos, mais como exceções do que como regra.
Rodolfo Garcia Vazquez, diretor e fundador dos Satyros, perguntou a Reinaldo de que maneira a dramaturgia pode dar conta de detalhes do cotidiano, cenas mais próximas do dia-a-dia. E Reinaldo respondeu que havia um homem de nome William, que escreveu muitas peças e que alterou os rumos do teatro mundial, sendo que só em uma das suas muitas dramaturgias ele falava do seu tempo e do seu lugar. Disse ainda que é um papel que o jornalismo deixou de fazer esse de relatar detalhes esquecidos do cotidiano, não um trabalho dos dramaturgos.
Ainda sobre o “periodismo”, o dramaturgo não poupou críticas à edição feita por Audrey Furlaneto de uma entrevista com ele, para uma matéria publicada na Folha de São Paulo. Constato, no entanto, que a pergunta que motivou as primeiras críticas de Montero foi equivocada. Um fulano (nomenclatura para quem não era identificado na platéia) relatou que Audrey teria escrito que Reinaldo afirmou não ser mais possível fazer um teatro político, o que seria uma grande cagada. Mas essa afirmação de Audrey não consta na matéria. Apesar do erro na pergunta, a resposta de Reinaldo nos comprovou que, como foi definido na Grécia, somos animais políticos, mesmo que muitas vezes “los políticos son los mas animales”. E o teatro é essencialmente político.
Se você participou do encontro, deixe o seu relato. O meu, assim como a edição de Audrey, é bastante parcial. Com mais vozes, podemos dar conta de registrar esses encontros que podem ser de grande relevância pra um início de discussão pública da cena contemporânea.
April 20, 2008 at 9:23 pm · Filed under Essa gente de teatro... · Por Maurício Alcântara
Isso mesmo. Há duas semanas estreou no Teatro Oficina o Cortinas Lyricas, um projeto de música clássica (instrumental ou cantada) coordenado pela atriz Naomy Schölling. Segundo ela, o projeto deve englobar a montagem de óperas, criação de um coral, aulas de canto para atores e população carente, aulas de teatro para cantores líricos, recitais e concertos. Está rolando aos domingos, a partir das 13h, e o ingresso é do jeito que a gente gosta: paga quanto quiser/puder.
Um comentário: imaginem só, minha gente, um núcleo alternativo de ópera no Oficina! Ficamos na torcida para que este projeto seja uma forma de romper/revolucionar o formalismo tradicionalista normalmente atribuído à música clássica - que o Sérgio Sálvia Coelho observou aqui, e que eu já comentei, de levinho, aqui. Afinal, o próprio local onde tudo acontece já respira essas rupturas…
Domingo que vem, em meio ao furdunço que é a Virada Cultural, tem piano e cantoria com Mozart no repertório. Mais informações lá no site do Oficina.
Next entries »