Primeiros dias de peças em Curitiba, já deu para perceber que os boatos sobre o Fringe – a mostra paralela – são verdadeiros: muita oferta, e poucas que realmente atendem as expectativas. Mas não podemos desanimar. Nossa saga está apenas começando e ainda temos oito dias de festival. Além disso, alguns espetáculos foram cancelados, muitos deles por problemas finnceiros, já que os grupos do Fringe vêm por conta própria.
No caminho de uma peça para outra, também deu para conhecer o eficiente transporte curitibano – basicamente o passageiro entra em um tubo, depois de passar por um cobrador, e espera lá dentro pelo ônibus (Segundo uma amiga curitibana, o “famoso vermelhão)”. Tudo bem organizado. Em São Paulo provavelmente não funcionariam, porque as pessoas se matariam para entrar no tubo… mas voltemos ao teatro.
Agora, um breve comentário sobre algumas peças vistas no Fringe:
Anjo Malaquias, Rio de Janeiro – Dirigida por Delson Antunes (parente distante do Antunes Filho), a peça teve uma indicação ao prêmio Shell na Categorai Especial pelo roteiro no RJ e é inspirada na obra de Mário Quintana. Com dois atores em cena e um cenário com uma carroça baseado em A Estrada da Vida, de Frederico Fellini, o espetáculo provavelmente deve levar ao delírio os fãs de Quintana. A peça até instiga o espectador a conhecer mais sobre a obra do poeta, contudo sua verborragia a deixa cansativa e didática. Além do ator que interpreta Mário Quintana, também está no palco uma espécie de faz tudo, que consegue puxar a carroça, tocar acordeon, tocar um sininho e respirar ao mesmo tempo!
Dias Felizes: Suíte em 9 Movimentos, Belo Horizonte – Com texto de Samuel Beckett e direção de Rita Clemente, a mesma de Amores Surdos, a peça é um monólogo de Winnie (Rita Clemente), uma mulher enterrada no chão. O espectador acompanha a rotina da personagem e sua relação com o marido Willie, que quase sempre a ignora. Um vestido marrom avermelhado com uma longa saia, que ocupa o palco inteiro, foi a solução encontrada para representar essa ligação de Winnie com a terra. O recurso limita um pouco os movimentos da atriz e a distancia ainda mais do marido, que quase não a olha e não se aproxima dela. No palco também estão presentes dois músicos.
10 Maneiras Incríveis de Destruir seu Casamento, Minas Gerais – Sabe quando você lê o título, acha que vai ser mais uma daquelas comédias tipo Zorra Total, mas mesmo assim acredita em uma pessoa que diz que a peça é boa? Então, às vezes é melhor confiar em seus instintos, não confiar no gosto alheio e não sentar na primeira fila. Quando o ator entrou já fazendo aquelas piadas prontas, em que o homem fala mal das mulheres e brinca com os casais casados da platéia, aí já não tinha mais escapatória. Quando chegou na quinta maneira de destruir um casamento, bateu um desespero – mas para sair dali, eu teria que passar pelo palco. Aí foi mais um festival de estereótipos, danças alucinadas, piadas de homem com pinto pequeno, erros dos atores aplaudidos pela platéia e muitos risos. Ou seja, o público vai adorar!
Agora é torcer para encontrar boas surpresas entre as mais de 200 peças que ainda restam.


quer arriscar nossa peça? O Feitiço da Mariposa. Depois vem conversar com a gente se quiser.
Ismael, não to achando o dia da sua peça na programação. Mas se você passar por aqui depois, me passa.
Caso se interesse apresentamos dia 23, 24 e 25… Arlequim – Servidor de Dois Patrões.
Nós estamos apresentando no MON domingo às 17hs.É um show do grupo Pangea União Musical,
Arvorecer.Está convidada!
Um abraço!
Karla