Blog

Festival de Curitiba: Entre uma peça e outra…

por Leca Perrechil

Nenhum Comentário 26 March 2008

Depois de seis dias de festival e 22 peças assistidas (sendo uma vista duas vezes), as impressões sobre o Fringe começam a melhorar. Tá certo que agora os jornalistas estão indo para as peças indicadas pelos colegas, sem se arriscarem tanto por aí. Porque, em se tratando do Fringe, qualquer informação adicional pode valer ouro. Destaque para a peça Negrinha, do grupo XIX de São Paulo, que traz um monólogo interpretado por Sara Antunes. O espetáculo só teve três apresentações na cidade e esperemos que seja reapresentado em São Paulo. Mas deste falarei em uma crítica mais tarde.

Na correria para ir de uma peça pra outra, anteontem peguei um táxi às 20h22 em frente ao Teatro Guairá, para chegar ao Paiol às 20h30 e ver a peça Aqueles Dois – que não tinha ingresso. Pela tensão, comecei a conversar com o taxista:

Eu: E aí? Você vai muito ao teatro?

Taxista: Eu até gosto. Mas não dá muito tempo, né. Você tá com o pessoal do festival?

Eu: Sim. Sou de uma revista de São Paulo. Uma revista eletrônica, um site chamado Bacante.

Taxista: Ah. Teve um ano que eu vi algumas peças no festival, quando trabalhava em um hotel onde o pessoal se hospedava. Aí sempre ganhava ingresso. Você sabe mais ou menos quanto tá o preço dos ingressos este ano?

Eu: Acho que varia de R$15,00 a R$30,00, dependendo da peça.

Taxista: Então (ele não deve ter falado “então”, porque essa é uma expressão muito de paulista, mas finjamos que sim), se eu for, tenho que levar a mulher. E a gente não paga meia. Se o ingresso for R$20,00, ai já são R$40,00 em apenas um dia.

Eu: É. É pesado mesmo. (Nessa hora eu imaginei pagar R$ 40,00 para ver algumas peças do Fringe. O pensamento não foi agradável).

Ontem a correria para chegar ao teatro foi diferente. Saí da peça Hitchcock Blonde, no Teatro Novelas Curitibana, às 22h16, para chegar na sessão extra de Farsa, no Teatro da Reitoria, que teria seu início previsto às 22h30. Correndo – já que a van do festival não tava no teatro pra levar – e sem saber muito bem o caminho, porque ainda não conheço as ruas de Curitiba muito bem, consegui chegar às 22h33. Acho que perdi uns quilos e aprendi melhor os caminhos da cidade,… mas nem precisava ter corrido tanto, porque a peça atrasou e só começou às 23h.

 Sobre Farsa, já tinha ouvido diversos comentários, desde “Muito bom.”, “Não gostei tanto assim, não é o tipo de comédia que eu goste”… até “Ai, você não vai ver o Sérgio Marone de perto? Ele é lindo!”. Confesso que tinha um preconceito com o fato de que quase todo o elenco fazia parte da velha guarda da Rede Globo (tipassim, velha guarda da Portela). Sabe aqueles atores que você já viu em uma novela quando era criança? Então, Bianca Byington, Cláudia Ohana (ela já sabia cantar)e Marcos Breda te dizem alguma coisa? Mas como tavam comentando, decidi assistir.O espetáculo é dividido em quatro partes, separadas por pequenos números musicais (pra dar tempo da troca de cenário ao fundo). Eu tava na terceira fileira, e já ouvia a voz deles muito baixo, principalmente na parte das músicas. Fiquei imaginando se tivesse sentado na fileira N (meu lugar original), se ouviria alguma coisa. 

A encenação até que começou bem, com uma primeira parte divertida, sobre um marido que contrata um fugitivo da lei tagarela para fazer uma espécie de terapia de choque na mulher, também faladeira, para fazê-la se calar. Com humor leve e boas sacadas, essa primeira parte se sustenta bem. Contudo, a peça começa a declinar a cada parte, até que a última história vira uma comédia rasgada, com vários tiques e trejeitos dos atores. Se a peça tivesse mantido o mesmo tom do começo, o espetáculo inteiro seria uma comédia leve e divertida. Tive a impressão de que Bianca Byington não envelheceu nem um pouquinho desde que a vi na novela Quatro por Quatro.

Da mostra oficial (ou contemporâneo, como foi denominado), o grande destaque até então é a peça Aqueles Dois, da Cia. Luna Lunera, de Belo Horizonte, sobre a amizade de dois colegas de uma repartição pública. Como o texto do Caio Fernando Abreu deixa em aberto se eles tiveram uma relação homossexual ou não, e o grupo manteve a opção de também não tirar uma conclusão, isso gerou uma discussão nos bastidores. Teve gente que achou que a relação entre os dois era claramente homossexual e que o grupo deveria deixar isso explícito. Outros já defenderam que a grande sacada era deixar em aberto mesmo, senão seria mais uma peça gay. Eu já acho que a peça e o texto são tão bacanas, que há muito mais o que ser discutido do que se os caras são ou não gays. Mas deixemos os pontos que valem a pena da peça para serem falados em uma crítica (é, to escrevendo muito isso. Mas com a falta de um laptop – aceitamos doações – peça das 12h às 24h, e com os jornalistas se matando na sala de imprensa por um computador, proporção aproximada de 4:10, não tá tão fácil a conexão Curitiba/São Paulo. Mas estamos com fé!).  

Com o fluxo de visitas na cidade, os boatos por aqui são de que tá tendo muitos assaltos. De um jornalista, levaram R$ 200,00 – que o jornal ao qual o tal moço trabalha deu pra ele gastar na cidade – e um celular (ainda bem que a Bacante é pobre e não tem 200 pra roubarem). E também teve o caso de um semi-roubo, em que uma moça do receptivo (pessoal que leva jornalistas e artistas pros lugares) saiu correndo gritando, depois que um cara disse pra ela passar tudo, porque ele tinha uma arma no bolso. Nada que não tenha em São Paulo, né?

E você, o que acha?

Deixe seu comentário

   A Bacante é movida a Wordpress e seu conteúdo é Creative Commons.
   Alguns direitos reservados (BY-NC-SA).