Ontem aconteceu um debate com Paulo Arantes, filósofo “inativo” da USP, lá no Galpão do Folias, rua Ana Cintra, pertinho do metrô Santa Cecília. É o mesmo lugar onde você também assiste de quinta a domingo a peça Orestéia, O Canto do Bode.
Dois meses atrás a Beth Néspoli, que é bro e jornalista daquele periódico de que os blogueiros não gostam muito, tinha feito matéria com o cara e o Nelson de Sá, jornalista da folha, comentou no blog dele. Então resolvi conferir o que sairia do encontro.
Pra você, distinto leitor da Bacante que acessa de um computador do telecentro do CEU Jambeiro, aviso que é possível acompanhar estes debates que estão acontecendo todas as terças, pois começam às 20h00. Perto das 23h00 a coisa já está acabando e você pode voltar pra casa com a cabeça cheia de perguntas que só serão respondidas vendo muitas montagens do dito “teatro de grupo” de São Paulo.
Paulo Arantes fez questão de explicar o conceito de sociedade do espetáculo, utilizado por Guy Debord no livro de mesmo nome. Segundo Arantes, o termo foi e vulgarizado hoje em dia pra falar da televisão, sendo que originalmente foi cunhado numa tentativa de explicar o poder como espetáculo em toda a história. Por meio deste raciocínio, entendemos que a sociedade do espetáculo já existia muito antes da TV. Assim, a questão, na verdade, seria pensar qual é essa sociedade do espetáculo em que estamos, que pede a TV como meio de maior (e tamanha!) relevância.
Na verdade, essa era só uma proposta/provocação/desculpa pra falar do teatro de grupo, tema muito mais rico. Pelo menos foi assim que vi.
Saí das três horas de conversa com muito mais perguntas que respostas, já que numa das últimas falas, alguém que estava na platéia sugeriu que estávamos numa utopia, que o teatro de grupo fomentado pelo estado é uma utopia, que até o espaço do Folias (que é um delírio de maravilhoso) era uma utopia.
Recuso-me a tentar explicar mais do encontro de ontem, pois, como disse, preciso ver muito mais peças desse teatro de grupo pra poder ter uma idéia de como escrever um comentário sobre tudo isso. É algo estranho o suficiente para termos na mesma semana um desses grupos indo se apresentar em albergues que abrigam moradores de rua e outro sendo entrevistado no Jô Soares. Digo isso sem preconceito pra nenhum dos dois lados.
No final, a proposta/provocação/desculpa de Paulo Arantes parece ter bastante riqueza de sentidos, por mais que não tenha sido feita com intuito artístico. Que venham outros debates como esse, para que possamos discutir com ainda mais vozes o que acontece no teatro paulistano neste momento.


Oi Fabricio, já participei de alguns desses encontros sobre teatro de grupo e me senti como vc. É muita informação e muito grupo bom. Fico feliz que nossa cidade possa acomodar a criação e manutenção de tantos grupos talentosos. Não fiquei sabendo a tempo de participar desse encontro no Folias, sabe se vai ter outros?
abraço,
Adriana Balsanelli
Oi Adriana
Vai rolar sim, só que sou uma lástima pra anotar as coisas, então não peguei o nome de quem veio nessa terça.
Vale dar uma ligada lá no Folias pra conferir. O clima de conversa desses debates em específico é bem legal mesmo. Vale a pena conferir.
Abraço