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Resumo de segunda e terça

por Fabrício Muriana

Nenhum Comentário 17 September 2008

Como o tempo passa rápido em festivais. Já é quarta-feira à tarde e ainda não relatei como foram os dois últimos dias. Na segunda à noite, o público cansou de aplaudir os Clowns e saiu às pressas em direção ao teatrinho.

Às 21h43, começava o espetáculo Bárbaro, vencedor do festival de Acopiara. (Toda vez que um grupo é vencedor de um festival e não contesta sua própria premiação, fique com um pé atrás. Festivais que premiam “os melhores” promovem a disputa e não o encontro. Portanto, uma premiação é o mesmo que “ganhou dinheiro e destaque no Festival de Acopiara, em detrimento de outros grupos que provavelmente ganharam só ajuda de custo pra se apresentarem lá”).

Uma certa injustiça, há que se dizer, na programação. Você sai de um dos espetáculos mais “quentes” do festival, com apelo popular e aclamação geral, aí ruma pra um espetáculo quase beckettiano, com corpos de estranheza pura.

A peça me pareceu tratar das relações humanas no tempo da internet e do mundo digital. Os atores entram com máscaras e se caracterizam em personagens quase como bonecos. Ao mesmo tempo que  enxerguei aí uma pesquisa radicalizada na forma, também conferi uma certa desconexão com o público, dada pelo clima do dia e pela quase ausência do jogo com a platéia.

Para poder criticar efetivamente, precisaria ler o texto apresentado. Fica pra próxima vez que encontrar com o espetáculo.

Day-After Clowns

Novamente nos reunimos naquela sala do mosteiro para ouvir as críticas de Muito Barulho por Quase Nada. Tânia brandão relata que Shakespeare viveu até um pouco antes de Descartes e que suas peças dão conta da formação do indivíduo na história do ocidente. Diz que a montagem soube revelar essa característica e, em suma, foi toda elogios.

Sérgio Farias tentou teorizar, entre a pulsação e expansão dos atores, qual foi sua recepção da peça. Disse também que não é uma conquista pequena essa da conexão direta com o público e que por meio de um universo mais lúdico – essa abertura que o grupo consegue na platéia – é possível discutir muitas questões.

Ricardo Guilherme concordou com ambos que se sentiu maravilhado com o espetáculo. Mas apontou que a peça não desestabiliza o público em nenhum ponto. Disse que, como artista, ele procura puxar o tapete do público de alguma maneira para fazê-lo pensar sobre seu tempo e sua realidade.

Houve também uma discussão sobre o antagonismo na peça, se ele se faz presente como deveria. De tão inútil, me recuso a relatar.

No mais, devo dizer que a forma desse debate tendeu a ser um debate. Depois das críticas, César Ferrario, dos Clowns, colocou que politicamente esse espetáculo foi importantíssimo ao grupo. Tanto nos fluxos internos, já que a partir dele o grupo passou a poder viver de teatro, quanto na cidade onde estavam, Natal, pois foi possível manter temporadas de mais de três meses, o que era inédito até então.

Ainda acho que falta propor associações, mais do que julgamentos, nesses debates. Uma crítica de espetáculo, sobretudo de peças de repertório, ganha pouco sentido e acaba caindo no julgamento como única maneira de discussão. Daí pro gosto pessoal é um pulo e de que serve o gosto dos críticos?

Ps: Quem estava lá, se puder relatar mais detalhes, os comentários estão aí, minha gente.

E você, o que acha?

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