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Sexta e sábado – deixando as máscaras

por Fabrício Muriana

3 Comentários 23 September 2008

É muito difícil abrir o jogo quando a coisa funciona. O leitor desavisado vai relatar que eu só postei críticas ao festival de Guaramiranga e estará certo. Mas posso garantir que foi do mais profundo caralho fazer a cobertura de um festival em que a cidade toda entra na engrenagem do teatro. Precisei ir até a Serra do Baturité, duas horas de Fortaleza, pra descobrir que isso é possível.

Os dois trabalhos de grupo apresentados entre a sexta e o sábado foram Cantil, que está criticada nessa semana e estará em São Paulo na programação do Centro Cultural São Paulo (não me lembro o mês, mas o grupo pode postar nos comentários); e Curral Grande, espetáculo que nasceu de um trabalho de conclusão de curso, cuja temática me surpreendeu demais: os centros de concentração para os flagelados da seca no Ceará na década de 30. Espero ter memória e tempo para criticar a peça, que deve entrar na semana que vem. Se não conseguir, não deixe de conferir a dramaturgia de Marcos Barbosa, que, segundo me informou o jornalista e pesquisador Magela Lima, foi o projeto de mestrado do dramaturgo.

Os últimos debates foram em outro tom. Ricardo Guilherme deixou de ser o cara mal-humorado que eu desenhei na primeira crítica (mas, dizem, continuava indo aos debates com muito sono). Sérgio Faria fez considerações técnicas que achei muito coerentes à Cênicas Cia. de Repertório. Tânia Brandão continuou a melhor contadora de histórias dos debates. Uma pena para o Dimenti não estar entre os últimos grupos que se apresentaram e efetivamente dialogaram com a crítica.

Drica Moraes apareceu na última noite do Festival de Guaramiranga apresentando um monólogo que me pareceu, como disse Sábato Magaldi na última edição da Piauí, um grande exercício para o ego. Enquanto grupos de lá apresentaram trabalhos interessantíssimos de pesquisa de linguagem, o festival traz, para um momento tão especial como a última noite, uma peça que não dialoga em nada com as escolhas curatoriais do resto da semana. A todo momento que via aquelas marcações tão explícitas de Aderbal Freire Filho, ficava lembrando de como Aldeotas, do também cearense Gero Camilo, poderia fazer esse papel de peça final e custaria muito menos ao festival. Fica a dica pro próximo ano.

O cortejo final tinha três ritmos distintos na fila. Muita cor, muita dança e música. Aquilo é o teatro. Não por acaso, o Grupo Garajau veio fazendo números ao longo de toda a trajetória. Ao som de MPB, a noite de sábado terminou na praça central e os Clowns de Shakespeare levaram 1º e 2º lugar na votação popular. Respectivamente com Fábulas e Muito Barulho por Quase Nada. O novo infantil do Bagaceira ficou em terceiro lugar.

Arrumar malas, seguir para Fortaleza no domingo logo cedo, voltar para o mar de concreto. Todo carnaval tem seu fim.

O que a galera acha

3 comentários até o momento

  1. IGOR FUSER says:

    VOCÊS PODERIAM ABRIR ESPAÇO PARA PUBLICAR CRÍTICAS DE OUTRAS PESSOAS. TIPO UM ESPAÇO PARA COLABORADORES EXTERNOS.

  2. Oi Igor

    Na real esse espaço já está aberto. Temos diversos colaboradores externos. Vale dar uma olhada no nosso “manual de redação” pra entender como funciona.
    Temos algumas ressalvas com relação a professores da Cásper. Sabe como é, questão de trauma… Mas pode mandar, a gente vai tentar ler com carinho.
    Abraço


Trackbacks/Pingbacks

  1. Revista Bacante » Novembro de 2008 - 25. Nov, 2008

    [...] ter uma vida repleta de pitacos coloridos. Quem sabe sobra uma cartola pra você? Ou você vai pro Festival de Guaramiranga e descobre que um novo mundo festivaleiro é possível? Que tal, hein? Bem-vindo à Bacante e pode [...]

E você, o que acha?

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