A Comédia do Trabalho

Críticas   |       |    23 de setembro de 2009    |    14 comentários

Os marxistas também gargalham!

Entre o primeiro e segundo ato da Comédia do Trabalho da Companhia do Latão, que pela primeira vez se apresentava em Uberlândia, um ator pede espaço para falar uma poesia. Então discorre sobre sua vida profissional, falando que apesar de já ter feito muito teatro comercial e ser garoto propaganda de carros, casas e salame, decidiu que não faria mais teatro mercadoria. Ao final do discurso rimado, a platéia uberlandense entrou em êxtase e aplaudiu durante um bom tempo o ator em cena aberta. Movido pelo calor da massa local, achei aquilo tudo tão bonito e imaginei como seria mágico viver num mundo onde a arte (ou qualquer outra forma de expressão) não fosse mercadoria. Aí a realidade voltou a bater na minha porta quando lembrei que grande parte das pessoas ali presentes pagaram ingresso e o festival, que convidou o grupo, era patrocinado pela Caixa Econômica Federal.

Logo, a peça apresentada ali era uma mercadoria, que recebe dinheiro de uma instituição bancária pública que gera lucro através da exploração da mão-de-obra barata e juros sobre movimentação financeira. Coincidentemente, a peça tratava das relações de trabalho entre os funcionários de um banco. No palco então, o que até aquele momento me parecia uma brincadeira superficial entre exploradores e explorados, ganhou proporções de uma ingenuidade enorme. Como aquilo que é combatido em cena pode ser utilizado para que a cena exista? No discurso é uma coisa, na prática outra?

Mas aquilo tudo é teatro, não é verdade, não tem nada a ver com a realidade, é de mentirinha. Até poderia ser, se o grupo não tivesse um projeto brechtiano de desenvolver um teatro épico-dialético com uma visão marxista escancarada. Teoricamente, essa peça tem uma função social de fazer acordar o público contra os males do capitalismo que são escondidos pela grande mídia que finge dizer somente a verdade.

Descubro então que esse espetáculo foi apresentado para trabalhadores em sindicatos, congressos, movimentos sociais, o que gerava grande comoção das massas, mais ou menos como aquelas famosas histórias do teatro da década de 1960, em que grupos apresentavam seu trabalho a operários que de tão empolgados, ficavam a fim de entrar na luta. Mas a realidade que presenciei era outra. Um festival, em que para conseguir ver uma apresentação era necessário comprar o ingresso com muita antecedência, em um teatro que só foi usado 60% de sua capacidade, ocupado em sua maioria pela classe artística, universitários e freqüentadores de teatro cheirosos e culturetes. Esse encontro entre público elitizado e espetáculo marxista foi definido por um amigo amante de Brecht, dois dias depois pelo msn, como se todos ali estivessem se deliciando com as contradições do capital e com a possibilidade de entender o processo de exploração, como se estivessem se expurgando dos pecados.

E as risadas tomaram conta do teatro, como nunca pensei que poderia ocorrer em uma obra onde é evidenciada a luta de classes. Assim como a maioria dos espetáculos do Festival Ruínas Circulares, que prezou por espetáculos engajados, muitas reflexões eram propostas por meio de deboche e metáforas, mas aqui parecia que tudo estava formatado de forma a induzir o público a um ponto de vista. Com interpretações nem um pouco contidas, as piadas tendiam  para a ridicularização dos arquétipos dos “todos poderosos do sistema”, e a fragilização “dos coitadinhos explorados”, separando os homens entre bons e maus. Outros gracejos me levaram a crer (e aqui estou soltando uma opinião extremamente pessoal) que serviam apenas para terem um apelo popular maior, e não deixar todo o discurso épico tão chato, fazendo piadas fáceis, homofóbicas, cuspindo palavrões e usando jargões comuns a programas televisivos humorísticos de sábado à noite.

Assistir A Comédia do Trabalho deixou claro que só ler a dramaturgia produziada pelo grupo no livro bonitinho da Cosac Naify é muito pouco para entender a complexidade do teatro épico-dialético tomado como referência no Brasil. As relações entre cena e texto me trazem questões como: até que ponto o teatro é agente transformador da sociedade? Depois do espetáculo a gente até empolga, tem ódio dos banqueiros, fica querendo estrangular produtores culturais que pegam o dinheiro do povo (via leis rouanets da vida) pra financiar cultura aos burgueses, pensa em desistir de pagar o carnê que ajuda uma instituição social. Aí descobre que os livros da companhia patrocinados pela Petrobras estão uma pechincha na porta do teatro e não se contém em consumir. Então abre a carteira, compra todos que puder e sai pensando qual amigo seu não odeia o MST, que vai interessar em compartilhar as idéias de esquerda que lerá durante a semana.

02 livros embaixo do braço

'14 comentários para “A Comédia do Trabalho”'
  1. Maikon k disse:

    olha, será que o financiamento do Estado, de um banco estatal não seja de coerência, pois a leitura mais tosca de Marx é possível perceber a importância de um Estado governado (contralado, manipulado, centralizado..cada usa seu julgamento) por trabalhadores ?

    ou, leituras de marx nos dias de hoje apontam que todos os espaços estão “colonizados pelo capital”, aí uma saída seja ocupar tais espaços e levantar a contradição, o debate e quem sabe uma possível transformação….

    Bem, bem sou marxista para ficar levantando essas hipoteses…somente sou uma pessoa que gostaria de assistir as montagens do grupo.

    abraço

  2. Maikon k disse:

    “olha, será que o financiamento do Estado, de um banco estatal não seja de coerência” escrevi errado, gostaria de dizer :

    “olha, será que o financiamento do Estado, de um banco estatal não seja uma falta de coerência”

  3. É caro Maikon, como eu queria que o Marx estive vivo em 2009 pra bater um papo com ele!

    Agora, vale ver as montagens do Latão. Só vi essa, mas estou ansioso por outras!

  4. Paulo Bio disse:

    Maikon,
    Acho que a possibilidade de “ocupar” espaços “colonizados” pelo Capital e gerar contradição é justamente a escolha poética do grupo. Acho esse um ponto muito interessante evidenciado no seu comentário.

    Pois, a despeito de nossas escolhas de “luta política” penso ser necessário reconhecer as “escolhas” alheias como tais (como “escolhas” e não erros) e não como hipocrisia de um projeto estético.

    A Cia. do Latão faz deliberadamente a escolha de “ocupação” dos espaços institucionalizados e mercantilizados. Portanto, a perspectiva de análise deve ser deslocada em direção da compreensão de projeto teatral para aí sim posicioná-lo criticamente. Se não corremos o risco de “julgar” a partir, e somente de, “nossos valores” (que também são construções históricas e socias)

    A afirmativa marxista do grupo, bem como seu trânsito pelo épico diáletico não deveriam ser pressupostos para uma ação artística de oposição total aos meios de circulação mercantilizados. A eterna dicotomia prática x teoria é um reducionismo, pois a teoria tem potencial prático infinito, bem como a prática pode ser vazia e hermética. Portanto, acho que uma não deve ser julgada em relação a outra. Como se devido a não adequação (pelo nosso ponto de vista) do projeto teórico do Latão a uma “fictícia” prática justa (não-financiamento privado, não-publicação de livros por editoras burguesas etc) fosse signo de seu vazio teórico. Não haveria nada mais injusto do que isso. Até porque a contribuição da Cia. nos campos teóricos do teatro político é incrível..

    Emilliano,
    penso que, em 2009, Marx está vivo. E é possível “bater um papo” com ele sob milhares de aspectos.. no entanto sem a presentificação humana do mesmo..

    Abs!

  5. Emilliano Freitas disse:

    Paulo,
    Não sei se o espetáculo “A Comédia do Trabalho” tem a escolha póetica de ocupar espaços colonizados pelo capital. Isso não chega no público e aparentemente não tem nada a ver com a peça, mesmo que ela faça parte de um projeto maior de grupo.
    Infelizmente não conheço as outras obras do Latão, e o meu diálogo se estabelece com minha única experiência prática. E fico pensando em qual ponto a experiência teórica chega a todo mundo que paga o ingresso e vai ao teatro (o que em meu ponto de vista não sei se necessariamente tem que chegar, afinal ninguém é obrigado antes de assistir à peça ler os livros do Sérgio de Carvalho e de todas as referências do grupo, de Marx a Brecht). O discurso me oferencido foi o dito no palco, e não os dos livros. Tanto que procurei falar sobre o que a montagem me trouxe naquela sexta-feira à noite (e que reverberou durante um bom tempo, e que só por esse fato já valeu a pena assistir a peça). E acho a Bacante um lugar importantíssimo pra esse tipo de discussão (puxando sardinha pro nosso lado não sei onde mais dois colaboradores poderiam estabelecer esse diálogo que começou bem antes nos emails de edição).
    Não sei se o Latão é tão ingênuo de acreditar que uma escolha não gerará um juízo, e continuará sendo apenas uma escolha. E lógico, nem sempre a escolha que uma companhia tem vai atingir o objetivo, principalmente quando há uma pezinho lá no risco. E aí entra em jogo várias coisas, como por exemplo, escolher fazer piadas grosseiras e preconceituosas, o que acho que as mentes pecaminosas acreditam que só serviriam para atingir um público que não está habituado ao teatro, e pra mim é subjulgar o pensamento crítico das pessoas.
    Acho reducionista querer entender e generalizar todo o projeto do Latão por essa montagem. Aos poucos estou devorando os livros que enfiei embaixo do braço depois da peça pra entender e chamar o Marx que tem dentro de mim pra conversar sobre esse teatro dialético (e me dói saber que o brilhante trabalho teórico não vai dar crédito de bonificação a uma montagem). No momento eu não consigo enxergar como produzir (e aí eu falo da prática) teatro com um discurso Marxista, como o visto na Comédia do Trabalho, abraçado ao mercado (e nem levar ao público esse tipo de discussão).
    E na boa, eu queria falar com o barbudão mesmo frente a frente, e não bater um papo com suas idéias, que também acho (não na mesma proporção que você) estarem bem vivas. Coisa informal, depois de cinco cervejas, mostrar como tá esse mundão, contar pra ele o caso do Lehman Brothers, das nossas discussões da Lei Roaunet, do financiamento das artes…
    E repetindo o que já te falei, os contrapostos são importantes e meio que abrem a discussão dentro das nossas cabeças.
    Abç!

  6. Paulo Bio disse:

    Emililliano,

    Sobre a poética do grupo, acho que teu próprio texto deixa claro. Um dos pontos que você aponta como contradição é a circulação de “obra marxista” dentro dos esquemas mercantilizados. A questão levantada no comentário do Maikon e que eu concordo é que essa aparente contradição hipócrita é “escolha” estratégica do grupo. Isso não diz respeito ao conteúdo de A Comédia do Trabalho, mas, como você afirma no teu texto, ao projeto político do grupo (“escancarado”).

    Sendo assim, o que eu quero dizer é que a crítica deve ser direcionada ao projeto poético do grupo e/ou à sua “estratégia” de ação. No entanto, seu texto acaba afirmando que há uma disritimia entre “discurso” e “prática artística”. Mas não há. Trata-se de ação política deliberada (que eu, pessoalmente, mesmo pensando diferente, acho vital e de suma importância no cenário teatral brasileiro).

    Deve-se então, se for o caso, criticar a “escolha” e não “denunciar” uma suposta hipocrisia na práxis do grupo. Pois se não, corremos o risco de afirmar implicitamente que o problema é o “posicionamento político” e não o mercado em si. Como se a Cia. Latão não fosse marxista “aí tudo bem…” ser financiado e publicar livros pela Cosac Naif.
    Desse modo, um dado, a meu ver, positivo (o posicionamento político) torna-se um pedregulho nas costas do grupo. Isso barateia a crítica e cria esquemas interpretativos muito afeitos ao status quo.

    No teu texto você resume o argumento deslegitimando sua própria sensação positiva (quando saiu do teatro e quis matar banqueiros etc) devido a uma suposta hipocrisia “prática x teoria”.

    Dentro de tua lógica poderíamos pensar, então, que se não soubéssemos da ligação do Latão com as estruturas do Capital então a obra seria super positiva. No entanto, como sabemos da “hipocria” passamos a duvidar do discurso.

    Aí a retórica é absolutamente moralista. Da ordem de uma inventada ética política.

    Não quero dizer aqui que há separação entre meios de produção e discurso artístico. Muito pelo contrário. Mas a Cia. do Latão resolve essa lógica de uma maneira muito particular (a estratégia política já dita acima).
    Por isso acho que aqui não é o caso de denunciar como o “meio de circulação” influi no discurso, mas de entender como a crítica ferrenha ao Capital busca capturar espaços dentro da estrutura imposta.

    Se isso funciona ou não funciona. Se isso pode ser superado ou não. Se transforma os espaços ou se é transformado pelos espaços são coisas muito legais de investigar. Mas antes é preciso entender o que o grupo pretende ali…

    sei lá… é o que eu penso

    Abs!
    Paulo

  7. Paulo Bio disse:

    ainda,
    a crítica da “minimização” da estética (com “piadas grosseiras e preconceituosas”) é um velho debate. E tá no cerne do diálogo do grupo nessa peça com o CPC da UNE.

    O CPC foi (e é) marginalizado na história do teatro nacional devido a esse mesmo argumento. No entanto, esquece-se (ou se quer esquecer) a importância imensa do CPC em buscar romper com as fronteiras classistas da arte. E não se trata de “menosprezar a inteligência” do povo, mas de enxergar a arte não mais como o lugar do sublime, do belo do intenso, do magistral. Simplesmente o espaço de colocar temas em debate, simples e profundos (como a mais-valia, por exemplo)

    Sobre isso, Roberto Schwarz diz o seguinte:

    “[...] a democratização, em arte, não passa por barateamento algum, nem pela inscrição das massas numa escola de arte dramática; passa por transformações sociais e de critério, que não deixam intocados os termos iniciais do problema.” (Cultura e política 1964-1968)

    Abs!

  8. Paulo Bio disse:

    ops.. escrevi teu nome errado Emilliano.. desculpa!

  9. Paupaupaupaulo

    Pra mim falar circular uma “obra marxista” dentro dos esquemas mercantilizados é uma “escolha” estratégica do grupo é desculpa pra boi dormir. Se eu fosse radicalizar poderia até comparar isso com a famosa contrapartida social. E isso me dá uma canseira danada.

    Agora, no que tange a crítica, quando você fala que devo direcionar meu discuso por aqui ou por ali, acaba caindo em dogmas, enviesando o pensamento crítico, e não tô aqui pra isso. Imperativo pra quê? Não pode deixar de fora uma coisa se outra é bonitinha?

    Não estou vendo que haja erro nem no posicionamento político ou no mercado, mas sim afirmar que não faz um teatro mercadoria quando na verdade faz sim!

    Não saí querendo matar os banqueiros por causa da coisa entre a prática e a teoria, mas porque na prática (a peça) me mostraram o quanto absurda é a relação entre os banqueiros e toda a cadeia econômica. Não precisa de ler nada, muito menos de saber que a filosofia de vida de cada integrante do grupo. Isso está “escancarado” em cena, e assim nem estou falando no discurso teórico que você acha incrível, mas no que sai da boca dos atores, e chega ao público. Aí sim há uma disritimia entre discurso e prática artítisca porque hora nenhuma há uma reflexão sobre os meios de produção artístico e de mercado escolhidos. Só atiram as pedras, e viram anjos sem culpa. Não entendo o porquê em nenhum momento da peça esse tipo de posicionamento é discutido. Então falam mal dos banqueiros que no final viram produtores culturais e usam dinheiro público para financiar cultura e fazem a mesma coisa sem nenhuma reflexão crítica do próprio trabalho. Por isso a vontade de matar os banqueiros passa rápido.

    Dentro da minha lógica não tem como não pensar o Latão sem as ligação da estrutura do Capital, porque isso é impossível (a começar quando a gente compra o ingresso). Na verdade parece que a peça quer que isso aconteça e quando não discute nada a esse respeito.

    Sobre esse lance de justificar demais alguma coisa porque outra foi muito boa (como o caso do CPC, e da teoria lataniana) me assuta. Parece aquela coisa (e agora eu vou ser o mais simplista do mundo) de “ah, namora com ele, não é bonito, mas tem dinheiro”. Não quero ser moralista, mas não justifica ofender homossexuais, falar palavrão a torto e a direita, fazer piadas escatológicas só por causa de um objetivo maior. Isso é acreditar e reforçar que o povo é idiota, burro e preconceituoso.

    Tem coisas que tenho a certeza que o grupo não pretende, porque seria infantil demais.

    E não adianta Paulo, não acredito que estou sendo reducionista. Apenas não acho que não tenho que enxergar o mundo a partir da esquerda. Essa crítica é um recorte de um momento vivido. Pode ser que daqui há cinqüenta anos eu possa achar tudo tão ridículo. Mas os meus valores que fazem parte de construção histórica e social, por mais que tente, só me faz reafirmar tudo o que escrevi.

    Sobre tudo isso falou o Bonde do Tigrão:

    “Cabecinha, cabecinha, cabecinha tudo
    Vai de tudão, tudão
    Tudão, tudão, tudão, tudão.” (o baile funk mais perto de você)

    Abç!

  10. Ops, escrevi o seu nome errado, Paulo (foi por querer) hehehe
    Ah, e agora q vi q tem um monte de erro de digitação. Fringe que não viu!

  11. Maikon k disse:

    Sabe, a razão de escrever meu primeiro comentário foi por conta do título da resenha “os marxistas também gargalham”. Essa coisa de manter princípios críticos ao capitalismo e afins ser uma coisa de mal humorados não é nada atraente, na verdade é próximo de grosseria típica da revista veja. Sabe, em relação ao marxismo e o humor tem um texto teatral bem interessante “Marx in Soho” do Howard Zinn. Vcs já leram ¿

    O Emiliano Freitas escreveu “o meu diálogo se estabelece com minha única experiência prática.” Entendo a sua visão formada após assistir a peça, mas é preciso considerar que você carrega uma história de vida que estará em conflito com a sua “única experiência prática”. Por exemplo, nunca assisti as montagens da C. Latão, nem li os livros deles (infelizmente) somente tenho conhecimento das reportagens e o material na página virtual deles. De acordo com a minha história de vida cheguei à conclusão que não ocorre uma contradição na proposta política e estética do grupo, talvez por partilhar de certos princípios de “esquerda” da CIA. Enquanto você – Emiliano – tenha uma formação, uma vivência que te faz ir com o pé atrás com os princípios de “esquerda” da CIA. (Emiliano, não te conheço e não estou querendo agredir, somente quero o debate para conhecer mais sobre teatro)

  12. Senhor K disse:

    O Senhor K leu o texto do Sr. E.. Ficou feliz com o argumento de E de que não pode haver contestação ao mundo da mercadoria dentro dele. Como toda produção atual existe na esfera mercantil, o Senhor K alegrou-se em concluir que não pode haver, portanto, nenhuma contestação à forma mercadoria. Agradeceu ao Sr. E pela perda da ingenuidade e em troca deu-lhe o conselho de cobrar por seu artigo, pois não deve haver pensamento pequeno burguês ou pró-capitalista difundido de graça. O Sr K ainda jura que as idéias de E não são as de um Energúmeno, pois neste caso estariam em movimento.

  13. Maikon, o lance de “os marxistas também gargalham” é uma piada. A maioria dos caras de esquerda que eu conheço (e já fui um desses) se levam a sério demais (não tem a ver com coisas de imposição, grosseria ou deboche puro), e quis brincar com isso.
    Vou procurar ler “Marx in Soho”, e daí te falo o que achei. Lembrei de um espetáculo de um cara de Manaus chamado “Marx na Zona” e ele refletia um pouco sobre esse lance de se levar a sério demais e habdicar de qualquer coisa pela causa.
    E cara, vc não está me agredindo quando comenta. Pelo contrário, a Bacante é feita de trocas. Acho muito engraçado quando traçam um perfil de burguês pró-capitalista por causa dessa crítica. Acredito até que quando fui ver “A Comédia do Trabalho” fui com muito mais sede ao pote do que com pé atrás. Às vezes isso me vez enxergar algumas coisas (que sem problema, posso parecer para alguns extremamente ingênuo, só saberei a real disso daqui um tempo de amadurecimento). Abç!

    O Senhor E leu o comentário do Senhor K e achou o máximo. O Senhor E não acha que não possa haver contestação ao mundo da mercadoria dentro dele. O que o senhor E acredita é que a contestação do poder por si só não basta, quando esta, inserida dentro de um sistema, não reflete sobre o processo artístico em meio ao mercado, e todas as conseqüências que gera, senão parece briguinha de criança no play.
    O Sr E não cobra por sua crítica porque acredita na importância no fluxo de informações gratuitas da internet, e acha que esse fluxo se torna mais legal quando pessoas como o Sr. K entram no jogo (apesar de não achar que seu discurso seja burguês pró-capitalista, mas apenas de um espectador do cerrado).

  14. Maikon k disse:

    “Marx in soho” e o “Marx na zona” é o mesmo texto, ao menos são informações que encontrei na net.

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