E começa o Festival
Fotos: Astier Basílio/Divulgação
O I Festival Ibero-Americano de Teatro de São Paulo abriu sua programação com a peça A descoberta das Américas. Monólogo de Dario Fo, interpretado por Júlio Adrião (ator dos leões do circo pequenos empreendimentos), a peça trata da história de um malandro italiano que vai parar nas embarcações de Colombo que “conquistaram” ou “descobriram” a América. O auditório Simón Bolívar é o lugar onde se acomodaram as centenas de não-pagantes, pois o festival tem entrada franca, pra curtir o espetáculo.
Usando técnicas que lembram a Commedia dell’Arte, clown e teatro de rua, o ator ocupa o imenso espaço destinado à apresentação e constrói um imaginário riquíssimo por meio de uma atuação que parece improviso de tão fluida. Da fileira N, poltrona 42, com 0,75º de miopia, não captei sequer um semblante do rosto do dito cujo. Obviamente o auditório Simon Bolívar não é o local adequado para aquela montagem, mas a peça não se perde por conta disso, já que mesmo de muito longe, consegui embarcar no imaginário proposto pelo ator. Todavia, fica claro desde a primeira montagem do Festival que o Memorial da América Latina será insuficiente para abrigar peças que vão discutir hoje nossas formações históricas comuns. Claro que tudo depende do recorte que se faz no festival.
Incensado por toda a crítica carioca (sim, aquela mesma), Júlio Adrião é o dono da festa e dos microfones improvisados para o teatro faraônico de Niemeyer. Ele pula, dança, interpreta diversos papéis e até tira a roupa (não toda), pra efetivamente contar a história da vinda do seu personagem às Américas. Teatro de contar histórias, de narração. Cheia de aberturas para improvisos, a encenação só perde um pouco as rédeas dos significados quando descamba para a piada fácil – mas mesmo esta parte nos remete ao teatro popular, ao teatro de rua.
A forma como Johan, personagem de Julião, se aproveita das situações sem qualquer escrúpulo, dá o tom, de maneira muito bem humorada, do tipo de viajante que vinha parar no novo mundo. A partir dele, podemos pensar também diversos aspectos do atual neoliberalismo, suas novas fronteiras e “novos mundos” a serem “desbravados”.
O trabalho apresentado em A Descoberta das Américas é sem dúvidas muito rico de sentidos e imaginativo. No entanto, não consigo entender a razão da escolha de uma peça que ganhou o Shell em 2005 (ou seja, há três anos, pelo menos, em cartaz) e que já passou por outros dois festivais internacionais do Brasil (FILO e FIT BH), para novamente ocupar lugar de destaque num festival. Sem ir muito longe nas lembranças, ocorre-me Orestéia, o Canto do Bode e VemVai, O Caminho dos Mortos como peças muito mais recentes, que não passaram pelo circuito dos festivais, e que discutem em profundidade a formação da América Latina – contudo, nem sequer aparecem na programação.
Será que o imenso cultura-artística-mal-ajambrado do Niemeyer impediu? Ou seria uma falta de foco da curadoria, que, ao não deixar claro a que veio, impede que façamos qualquer leitura das escolhas? Será só falta de grana mesmo, o que seria absolutamente normal numa primeira edição de festival? São dúvidas que quero sanar pra poder aproveitar de forma ainda mais completa um festival cuja essência pode conter exatamente o que faltava na cidade de São Paulo.
4 momentos em que não consegui enxergar a razão da risada do público. Por miopia mesmo.





Fabrício, Descoberta já passou pelo Festival de Curitiba também. Depois voltou na cidade para temporada.
Po, valeu pela complementação.
Acho que só reforça o meu argumento.
Abraço e apareça.
Fabrício,
vi a peça aqui em João Pessoa, no teatrinho Lima Penante, da segunda fila, tive a vantagem de ver o suor pingando dele, aliás, essa foto aí, a última, com escadinha pro palco, foi dessa apresentação, fui eu que fiz (ver aqui http://desliguemseuscelulares.zip.net/arch2007-10-21_2007-10-27.html), se der, cita o crédito.
Abração e gosto dos teus textos,
aliás, cubro a parte de teatro no Jornal da Paraíba. Estarei no Festival de Curitiba, espero conhecer vcs.
Abção
Oi Astier
Já mudei lá os créditos. Se encontrar mais fotos suas por aqui, por favor avise. Às vezes recebemos fotos das assessorias como divulgação. Claro que sempre tem um autor, mas nem sempre elas sabem.
E vamos nos encontrar lá em curitiba sim. Se você estiver no primeiro final de semana, a gente marca em algum espetáculo que vejamos juntos.
Mande um e-mail pra fabricio@bacante.com.br que já fico com o teu contato e nos falamos por lá.
Abraço.
cara eu estou estudando e me abre esse site que n fala nada
simplesmente magico,
o Julio é maravilhosoooooooooo
Nova temporada no Teatro Serrador no RJ!