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Críticas

A Noite dos Palhaços Mudos

por Fabrício Muriana

8 Comentários 06 May 2008

Mais é mais, mesmo quando é menos

Foto: Carlos Gueller

Pesquisa que sempre se renova em cada um dos que se arriscam com o nariz vermelho, o palhaço tem o dom de permanecer incompleto ao longo da história das artes cênicas. Palhaço sem público reagindo, rindo, completando a obra é quase uma zorra-tot… ops, um não-palhaço. O único personagem que pode se dar ao luxo de ser ingênuo do início ao fim da uma apresentação e, o melhor, quanto mais naïve (ui), mais contagiante. Nesse ano que rodamos por aí, encontramos palhaços sem nariz, palhaços “clássicos“, palhaços “corifeus“, palhaços “políticos“, palhaços “críticos“, palhaços “palhaços“, mas ainda não tínhamos topado com palhaços mudos.

A sacada da história de Laerte, criada em 1987, impõe mais um desafio a quem quisesse adaptá-la ao teatro. O trabalho ficou a cargo da Cia. La Mínima, que transpôs boa parte das cenas concebidas por Laerte em A Noite dos Palhaços mudos, mas soube recriar a história à sua maneira. Nela, valeram-se de efeitos cinematográficos – o próprio palco italiano e as movimentações dentro dele nos remetem à “janela para o mundo” – e não tiveram medo de tirar um personagem que, a princípio, parecia central na história de Laerte e colocar um nariz em seu lugar. E como a peça veio depois de Matrix, todos os personagens que se assemelhavam com o agente Smith – os únicos que não são mudos na história de Laerte – foram unificados num só ator (que também é um palhaço, diga-se, sem nariz).

Mais que uma possível crítica às corporações e seus funcionários, na forma da peça – palco quase sempre limpo, pouquíssimos elementos cênicos, jogos de luz sem virtuoses – descobrimos que o potencial crítico do palhaço também está na criação de mundos a partir de muito pouco – fique bem claro que não estou dizendo “menos é mais”. A chave da montagem é o jogo que se estabelece com o público e o entrosamento do trio que parece ter se preparado além da conta.

Laerte estava presente na estréia e foi legal constatar que o cara – repito O Cara - consegue se divertir com a recriação de sua própria história. Ele, provavelmente melhor que todos naquela sala, sabe que sua história foi reapropriada, reeditada, recriada e que agora ele passou a ser no máximo um co-autor, o que já é um grande mérito, tendo em vista o resultado apresentado. Os quadrinhos brasileiros mal começaram a mostrar o seu potencial nos palcos e no cinema, mas pelo menos no caso dessa adaptação já saímos desejando que venham outros com o mesmo ímpeto criativo.

la-minima_08.jpg

4 toques de despertador ao longo da peça.

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Fabrício Muriana

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8 comentários até o momento

  1. Alvaro Assad says:

    Saudações.

    [Mais é mais, mesmo quando é menos] é tudo que alguém que trabalha com a técnica da mímica busca.
    E ler essa frase além da boa impressão de cumplicidade entre platéia e atores é mais do que positivo.

    Abraços e compartilho as palavras e o humor atingido neste querido espetáculo.

  2. Fabrício says:

    é… relendo agora, acho que nem eu sei o que quis dizer com esse título. é sonoro, isso é. mas certamente não falava da mímica.
    valeu por atentar a esse ponto do texto. bom reler.
    Abraço.

  3. Alvaro says:

    ok…risos
    de qualquer forma fico feliz que o espetáculo tenha te atingido positivamente. Afinal, fiz a direção, preparação mímica e adaptação dele.
    abraços e saudações.

  4. Fabrício says:

    Legal, Alvaro. Parabéns pelo resultado.
    Na quinta a Julie deve assistir de novo. Se calhar, vamos ver se dá pra tomar uma cerveja depois da peça.
    Que você acha?
    Abraço

  5. Alvaro says:

    Oi Fabrício,
    espero que a Julie tenha assistido e se divertido nesta quinta que passou.
    Estarei em Sampa na quinta que vem e fica de pé assistir e/ou a cerveja.
    Abraço

  6. Juli says:

    Oi, Álvaro. Não consegui ver na quinta, mas foi por um bom motivo: lotou total. Como vc deve saber, até a sessão extra ficou cheia muito tempo antes. Ficou pra essa quinta e já sei que vou ter que comprar mais cedo. Você estará mesmo por aqui?

    Abraço,
    Juli =)

  7. Alvaro says:

    Oi, Juli.
    Soube das sessões lotadas e fico muito feliz.
    Estarei presente nesta quinta-feira.
    Nos vemos lá, será um prazer.
    abraço

  8. Renan says:

    Olá Pessoal,

    É muito bom saber que tem pessoas comprometidas com grandes clássicos como o de Laerte.
    A imagem do palhaço esta em constantes mudanças e acredito que hoje o palhaço não seja como o lendário bobo da corte, mas é uma figura mais concreta, com mais vida e sentimentos. Não apenas um homem com nariz engraçado que faz piadas….rs

    Eu tenho um grupo e atuamos como voluntários em hospitais, creches, asilos, orfanatos, igrejas, clubes e aonde a imagem do palhaço puder alcançar.

    O Projeto Sorrir(http://projetosorrir.wordpress.com) tem como finalidade, levar o amor, a arte e o sorriso de formas variadas para pessoas de diversas faixas etárias, etnias, crenças e níveis sociais e culturais. Acreditamos que a imagem do palhaço é um passaporte para entrar na mente e imaginação de crianças e adultos, tornando-as mais felizes, além de resgatar a cultura brasileira e educacional.

    Se puderem olhe no youtube: Projeto Sorrir

    É isso que o palhaço tem se tornado…um instrumento pra levar amor e muitos sorrisos….

    Assisti a peça semana passada e me emocionei mto em ver o enredo em torno do nariz, principalmente a cena em que cortam o nariz, confesso que senti um calafrio..ehehehe
    O nariz do palhaço é sua identidade……

    Parabens mais uma vez…..vcs conseguiram reproduzir um clássico e mesmo com pouquissimas palavras, constatei que o silêncio regado a muitos risos e sorrisos as vezes faz mais efeito do que muitas palavras…..

    Arrasaram!!!!!!!!!!!!!!!!!


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