Críticas

Abajur Lilás – versão “light”

por Leca Perrechil

Nenhum Comentário 15 May 2007

Resenha de uma idéia que poderia ter sido boa, mas não foi

A equipe Bacante resolveu conferir a versão “light” de Abajur Lilás, para saber se o que saiu na imprensa de fato correspondia com o real: a “light” como uma versão mais lírica e a “heavy” calcada no realismo. Bom, isso só está correto se lirismo para eles significa tocar música erudita ao invés do repertório brega.

Basicamente, as duas versões são idênticas, com pequenas alterações cênicas. Além da mudança na trilha sonora, a diferença mais perceptível é a troca de atores. Aquele que antes fazia o cafetão gay, Giro, interpreta agora o capanga, Oswald, e vice-versa. Isso provoca um enfraquecimento no personagem de Giro, porque o ator acaba deixando-o mais estereotipado e afetado, ao invés da sutileza imposta pelo outro intérprete na versão “heavy”.

De resto, apenas a troca da vitrola por um walkman, dando um aspecto mais romântico de busca por alienação e, em uma cena, de proteção. Porém, essa mudança atrapalhou um pouco os atores no manuseio do objeto.

Os outros personagens continuam iguais. Interpretados da mesma forma, com a mesma intensidade. Não houve experimentação na maneira como eles falavam o texto, nem nos gestos.

Com isso, a proposta de ter duas versões para o mesmo texto poderia ter sido muito boa, porém, foi desperdiçada pela falta de experimentação. A única coisa que justifica ter as duas são os atores masculinos poderem se revezar nos papéis. Mas, para o público, não há enriquecimento nenhum em ver ambas. Em resumo, não há o “light” e nem o “heavy” dos termos.

A peça é bem baratinha. Gastamos apenas 6 reais com as duas versões. Contudo, aconselharia ver apenas uma delas. E nesse caso, a “heavy” é mais completa.

2 versões mui parecidas

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