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Críticas

Amores Surdos

por Juliene Codognotto

9 Comentários 15 January 2008

Sapateando na lama familiar

Foto: João Marcos Rosa

Gustavo Bones, Grace Passô e Paulo Azevedo em Amores Surdos

Sesc Avenida Paulista, nata cult paulistana em peso, coquetel com vista para o mundo. (Vista para o mundo é aquele tipo de vista que você não sabe exatamente onde termina. Ali, na Comedoria do Sesc é mais ou menos isso. Você olha pro horizonte e está vendo prédios e depois prédios e depois mais prédios. E a vista não acaba ou acaba gradativamente.) Deixo de lado meus comentários sobre o prosecco, pra falar sobre essa tal de vista pro mundo. Quando o teatro consegue enxergar o mundo e espelhá-lo, não por meio da Comedoria do Sesc, alguma coisa especial acontece – talvez uma espécie de expansão de significados. Pode ser um recorte, um pedacinho, uma janela, mas com vista para o mundo – e isso é tão simples e, ao mesmo tempo, tão complexo quanto pode parecer à primeira leitura.

Em Amores Surdos, o grupo Espanca! (o mesmo de Por Elise) consegue espelhar o mundo pelo viés do simples. O simples fala do complexo, mostra todas as contradições e conflitos que enriquecem o complexo, mas não complica, não busca desesperadamente o novo, só expõe com sinceridade. Tudo começa pela idéia de que “todas as histórias do mundo já foram contadas”. O que para alguns poderia ser motivo para ter depressão, cometer suicídio ou trocar o teatro pela advocacia; para eles é consciência que leva adiante, que leva à busca por modos mais radicais de criar, que leva a contar histórias que já foram contadas – mas que nunca haviam sido contadas assim. Nunca com tanto sapateado e tanta lama.

Se a idéia é falar em histórias cotidianas, não pode haver objeto melhor do que a família. É daí que a peça parte – de onde todos, em última análise, partimos e de onde trazemos muito de nós. Fique claro que não estamos falando em sentimentalismo, nem de uma ode à família burguesa. Pelo contrário, Amores Surdos critica com sutileza o tipo de sentimento e de cotidiano que se constrói neste âmbito e o quanto é difícil nos desvincularmos dele.

A história de uma família normal, onde tudo é normal (de encaixado na norma, mesmo) e parece funcionar perfeitamente, começa a surpreender quando, por meio de objetos carregados de simbologias, mostra que a incondicionalidade do amor interfere como um ruído fortíssimo na comunicação e no crescimento dos familiares. E então, num ambiente quentinho e confortável, as pessoas se acomodam e vão ficando, ficando, ficando… num estado dormente, imobilizados, surdos.

Este estado de fuga pode durar por muito tempo, mas, em algum momento, as transformações da vida (como aprender a calçar sapatos de gente grande) e as crises precisam ser encaradas. Então, cada um a seu modo, é obrigado a lidar com a lama acumulada em algum quartinho esquecido. Pra sorte dos atores, lama faz bem pra pele.

Marcelo Castro em Amores Surdos

5 hipopótamos incomodam muita gente…

PS: Difícil mesmo deve ser praticar sapateado com tanta lama pelo chão. Pior ainda foi a asituação do ator Paulo Azevedo, que interpreta o irmão caçula. Em dado momento, ele realiza um número de dança no escuro cheio de significados, que, no entanto, se perdeu por culpa da ansiedade da platéia em aplaudir o espetáculo logo e correr pro prosecco.

PS.2: No Overmundo, texto de Sérgio Rosa com informações que não estão aqui. Na minha opinião, uma crítica bem escrita e sensível.

O que a galera acha

9 comentários até o momento

  1. Luciana Romagnolli says:

    Oi Juli. Esta é uma peça de que gosto muito, vi duas vezes aqui em Curitiba, com algumas modificações de uma para a outra. Diz algo de que a família é aquela poeira que gruda nos nossos cantos e não sai mais… pra não falar do hipopótamo, genial.
    Vc viu Por Elise tb? Eu discordo da maioria (com quem conversei sobre as duas) e prefiro esta aqui.
    O Festival de Curitiba será de 20 a 30 de março. Venha!
    Beijos

  2. l. says:

    Acabei de assistir e, se Bárbara Heliodora eu fosse, diria que alguns atores têm um tom um pouco melodramático que compromete a sutileza do espetáculo. Se Sérgio Coelho eu fosse, diria que Grace Passô continua surpreendendo (como a adorada e idolatrada Por Elise) com uma dramaturgia simples e poética. Se Maurício Alcântara eu fosse, seria inevitável fazer uma piada com a cafonice da música do Wisnik enquanto os atores mergulham na “lama do hipopótamo”. Mas… como anônimo covarde que sou, digo: gostei muito do espetáculo: achei divertido e tocante, surpreendente e simples, metafórico e metonímico (que cafona esse comentário, mas…!). Não achei os atores excelentes, mas Grace Passô como atriz e dramaturga, teria minhas quatro estrelinhas douradas, se professor da terceira série eu fosse.
    Quatro estrelas do tamanho de um hipopótamo.

  3. Maurício Alcântara says:

    Poxa, que injustiça do nosso amigo Anônimo! Eu achei a trilha sonora boa pra caramba!

    Uma das melhores peças que vi recentemente.

  4. Alexandre Costa says:

    boa tarde !!!! Gostaria de parabenizar este Blog e de ajudar aos deficientes auditivos e surdos que tenham acesso a ele . Antes de mais nada existe um conflito JURÍDICO DE NORMAS entre a Lei nº 7.853/89 , que foi regulamentada pelo Decreto nº 3.298/99 . O art. 4º , II , e alíneas , descrevem e tipificam quais os tipos de deficiências auditivas . Ocorre que , o Decreto nº 5.296/04 , em seu art.5º,§1º,I,”b” , revogou o art.4º do decreto anterior , classificando os deficientes como perda bilateral , parcial ou total com no mínimo 41 dB ou mais nos dois ouvidos . Isso foi uma aberração não só jurídica como médica . Um deficiente no Exterior , é o mesmo que temos aqui no Brasil . Como pode por exemplo na Europa e nos Estados Unidos , um DEFICIENTE AUDITIVO UNILATERAL ser considerado deficiente e aqui no Brasil não ser ? A área de saúde , não pode ser considerada como a área jurídica . O que é ilegal aqui , não é ilegal lá e vice – versa . Não se trata de costumes e tradições ou interpretações , se trata de problema físico , de ciência e isso é mundial . O que ocorreu , foi uma aplicação distorcida com intuito POLÍTICO – ECONÔMICO , para amenizar os cofres públicos dos gastos com os deficientes . Existem no Brasil , aproximadamente , 05 (cinco) milhões de DEFICIENTES AUDITIVOS de todos os níveis (unilateral – bilateral – surdo) e desta quantidade toda , 68 % são DEFICIENTES UNILATERAIS , ou seja , 3.400.000 (três milhões e quatrocentos mil) . Equivalente quase a um país de porte médio da Europa . Por isso , que o Governo Federal , mudou a legislação . Estima-se que daqui a 15 e 20 anos , esse número suba para 18 milhões de pessoas , devido os altos ruídos . Com essa mudança , aos que já possuíam a deficiência antes da revogação da lei , foram extirpados , ou seja , tiveram os seus direitos adquiridos violados . O art.5º , XXXVI da CRFB c/c art.6º , § 2º da LICC , garantem o DIREITO ADQUIRIDO . Violaram o Princípio da Irretrotividade das Leis . Os deficientes auditivos unilaterais e os deficientes auditivos bilaterais , tinham os mesmos direitos , logo havia Isonomia . Com a revogação , feriram o Princípio da Isonomia Constitucional , art. 5º , caput da CRFB . A deficiência auditiva é uma questão de Direitos Humanos , no qual o Brasil é signatário . Com isto feriram o PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA , art. 1º , III da CRFB / 88 . O mais engraçado , é que o Decreto anterior , não foi totalmente revogado e sim alguns artigos . Portanto , cabe ressaltar que , o art. 3º , I,II,III do Decreto nº 3.298/99 , entra em conflito com o art. 5º,§1º,I,”b” , do Decreto nº 5.296/04 . Pois é totalmente ao contrário e se chocam . Ambos estão em vigor . Isso é explicado , pois , existem duas leis de 2000 . A Lei nº 10.048/00 e Lei nº 10.098/00 . Estavam na gaveta , pois tinha apenas 01 ano que foi aprovado o decreto revogado conforme supracitado . Com a Resolução nº 17 / 2003 do CONADE , art.2º , que considera não sendo deficientes , os DEFICIENTES AUDITIVOS UNILATERAIS , só estimulou o congresso Nacional a tirarem da gaveta e aprovarem a lei . Sem nenhuma análise técnica – jurídica e muito menos médica . Por isso que o STJ ( Superior Tribunal de Justiça ) DEFERIU através de MANDADO DE SEGURANÇA , uma DEFICIENTES AUDITIVA UNILATERAL , em concurso que fora aprovada . Alegando ser o CONADE com sua resolução , INFRACONSTITUCIONAL e não pode sobrepor a Constituição Federal e Leis Federais . Espero ter ajudado e quem quiser mais explicações , envie e-mail para alexandre.senac@bol.com.br
    Pretendo somar a este blog para ser parceiro . A finalidade é ajudar

  5. Alexandre Costa says:

    o que eu vou falar é muito sério … O Projeto de Lei nº 7669 /2006 , previa a inclusão dos DEFICIENTES AUDITIVOS UNILATERAIS . Mas , infelizmente , a pedido de um Deputado Federal que sustentou que os DEFICIENTES AUDITIVOS UNILATERAIS , não são deficientes e conseguiu NOS EXCLUIRMOS da possibilidade que tínhamos de voltarmos a ser tutelados pelo Estado . Enviei ofício para a Câmara dos Deputados e solicitei uma AUDIÊNCIA PÚBLICA no Congresso Nacional e que incluíssem novamente os DEFICIENTES AUDITIVOS UNILATERAIS . A Comissão já está praticamente encerrada , as leis ajustadas , e será enviada para o PLENÁRIO , aonde será votada . Segundo levantamento , será APROVADA .
    Darei o endereço dos 02 (dois) deputados que precisam encaminhar as reivindicações :
    Deputado Federal : JAIR BOSSONARO
    Gabinete 482 – Anexo III Câmara dos Deputados
    Praça dos Três Poderes
    Brasília – DF
    CEP: 70160-900
    Fax 61) 3215-2482
    Telefone:(61) 3215-5482
    Pessoal Reivindiquem , cobrem , mandem cartas , ainda é tempo de nos incluírem do Projeto de Lei nº 7669 /2006 . Depois que for para o Plenário e virar Lei , será tarde demais . Uma carta registrada com (AR) custa nos CORREIOS R$ 6,50 (seis reais e cinqüenta centavos). Não será gasto , será investimento , por uma causa nobre . É o nosso futuro , os nossos direitos que estão em jogo . Quem puder e preferir mande um fax , quem puder fazer os dois , ótimo . Mas se movimentem . Pessoal , isso é muito sério !!!
    Outro deputado que enviarei o endereço e telefone :
    Deputado Federal : MIRO TEIXEIRA
    Gabinete 270 – Anexo III Câmara dos Deputados
    Praça dos Três Poderes
    Brasília – DF
    CEP: 70160-900
    Fax:(61) 3215-2270
    Telefone:(61) 3215-5270
    Deputado Federal : CELSO RUSSOMANNO
    Gabinete 756 – Anexo IV Câmara dos Deputados
    Praça dos Três Poderes
    Brasília – DF
    CEP: 70160-900
    Fax:(61) 3215-2756
    Telefone:(61) 3215-5756
    Fortaleçam o que eu pedi . Uma audiência pública , para o Congresso Nacional , discutir a DEFICIÊNCIA AUDITIVA UNILATERAL e incluir no projeto de lei e Decreto nº 5.296/04 , nos dando os mesmos direitos .
    O meu e-mail é : alexandre.senac@bol.com.br
    Eu enviei para todos os 03 (três) deputados . Atualmente , são os mais sérios do Congresso Nacional .


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