Análise Comportamental e Crítica da Música Eduardo e Mônica

Críticas   |       |    25 de junho de 2007    |    6 comentários

Eduardo, Mônica e Fernanda

Sabe aquela brincadeira de criar um significado para uma música conhecida, mesmo que o sentido empregado seja absurdo? A peça Análise Comportamental e Crítica da Música Eduardo e Mônica, dirigida por Fernanda D’Umbra, parte justamente desse princípio.

Em cartaz no Espaço Parlapatões, a encenação explora um hipotético sentido para a música Eduardo e Mônica, do grupo Legião Urbana, pelo ponto de vista do Excelentíssimo Senhor Reitor Doutor Adolar Gangorra, que, por seus títulos e condecorações, estaria mais do que habilitado a falar sobre esse assunto.

O metódico acadêmico analisa trecho por trecho a letra da composição de Renato Russo e chega à conclusão de que Mônica seria uma bêbada esnobe (ou uma P.I.M.B.A – uma Pseudo-Intelectual Metido à Besta Associado) que teria levado o pobre garotinho de 16 anos, Eduardo, ao mau caminho. Segundo a teoria, Russo teria retratado Mônica como uma alternativa cult e Eduardo como um jovem burro, preguiçoso, influenciado por ela. Mas, pela visão do acadêmico, ele, na verdade, é que era um bom rapaz por jogar futebol de botão com seu avô e ser um menino certinho, até conhecer Mônica, claro.

Para fazer tal avaliação, Gangorra conta com a ajuda de Pablo, em referência direta ao dublador do programa “Qual é a Música?”, de Silvio Santos. Com peruca loira, uma borboleta pintada no rosto, e trejeitos homossexuais, aparece como contraponto ao professor. Quando surge, como o falecido Pablo, é até engraçado. Ele interpreta os trechos da canção de Renato Russo com bom humor, e quando não está dublando a letra, fica sentado em um banco lendo uma revista Contigo.

Contudo, depois de um tempo tudo começa a perder sua graça e ficar previsível e monótono. O Excelentíssimo blábláblá Adolar Gangorra começa a lembrar um professor de cursinho que, para chamar a atenção dos alunos, tenta fingir que a matéria dada é muito interessante. Suas teorias deixam o ar inusitado e inovador, e caem no senso comum. No final, parece apenas o discurso de um homem antiquado chateado pela emancipação feminina. A piada com o Pablo também perde a graça e acaba virando chacota com os trejeitos gays do rapaz.

O bom da peça mesmo está no início, quando o acadêmico realiza minuciosa preparação de um ambiente adequado para palestras, consumindo bons minutos. Ele organiza todas as suas condecorações e medalhas em cima de uma mesa, organiza as canetas, empilha copinhos de água em forma de pirâmide – imprescindíveis para uma apresentação descente – dispõe a Contigo em lugar estratégico, dobra cuidadosamente um saquinho de supermercado para guardar na pasta, e desdobra outro para arrumar um lixinho. Tudo mmmmmuuuuiiiiitttttooooooooo devagar.

Fernanda D’Umbra também tem seu momento no início do espetáculo. Ao apresentar Gangorra, tira risos da platéia quando diz que a música é indispensável em churrascos, junto com músicas como Wish You Were Here, Stairway to Heaven e Andanças. Provavelmente muita gente da platéia se identificou.

O autor do texto, igualmente de nome Adolar Gangorra, na verdade é o pseudônimo de um publicitário de Brasília que publica há muito tempo textos na internet e possui identidade desconhecida. Como essa cidade possui muitas pessoas fantasmas mesmo, a equipe bacante não conseguiu localizar o autor. Não que tenha tentado.

4 P.I.M.B.A. fazendo uma revista

'6 comentários para “Análise Comportamental e Crítica da Música Eduardo e Mônica”'
  1. gracielia disse:

    eu acho que Mônica ere uma garota que fazia parte da burguesia , e Eduardo um garoto da clásse média .Não tem nada de mais na música ela só estava a frente dele por motivo de dinheiro .Quando uma pessoa passa a vida inteira estudando nos melhores colégios ela está a frente de quaçquer pessoa que passa a vida inteira nos colégios públicos .

  2. Marina disse:

    Concordo com você gracielia, como diz “parece apenas o discurso de um homem antiquado chateado pela emancipação feminina”

  3. Marina disse:

    ele deveria estar preocupado com coisas mais importantes, e analisar melhor as letras, do que ficar tentando chamar atenção com essa análise machista! Já que se diz isso tudo por que ele não revela seu próprio nome!?–’

  4. kjh disse:

    nao concordo com as afirmaçoes.na musica o que da a ntender é que Monica era uma menina mais madura e eduardo um menino mais classico de hj em dia. e duarnte o namoro dos dois ele acaba mudando, começa a se interessar pelos estudos, começa a querer ir trabalhar…

  5. kjh disse:

    nao concordo com as afirmaçoes.na musica o que da a ntender é que Monica era uma menina mais madura e eduardo um menino mais classico de hj em dia. e duarnte o namoro dos dois ele acaba mudando, começa a se interessar pelos estudos, começa a querer ir trabalhar.tambem achei super machista as afirmaçoes do texto

  6. Rayssa disse:

    Achei a matéria bem machista, só porque ela tem atitudes, que a sociedade considera que sejam masculinas, como por exemplo beber, eles já acham que ela está errada, só porque ela faz o que ela quer, não significa que ela esteja errada!! Chamam ela de pseudo-intelectual, só porque ela é mulher, se fosse um homem no lugar dela, a música seria perfeita… A música é ótima, e fala de como as mulheres estão deixando de ser considerada o sexo frágil e não há nada de errado com a letra!!

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