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Críticas

ATP

por Juliene Codognotto

Nenhum Comentário 27 October 2009

Alô, alô, testando… ou Crítica em fragmentos

* A peça uruguaia ATP foi apresentada no Ciudad Cultural Konex, um espaço “alternativo” de Buenos Aires, como parte do FIBA.

Foto (Divulgação):

VII FIBA - Atp

Sinopse oficial:

En ATP no hay ni un guión ni una historia, sino una serie de instrucciones básicas escritas en una hoja que indica el inicio y el fin del espectáculo. Los tres bailarines, una mujer y dos hombres, deberán seguir esas instrucciones para llevar a cabo la experimentación. En ella, el juego con el sonido – registrado por los bailarines a través del uso y la manipulación de micrófonos – es crucial, incluyendo también al silencio.

Um comentário:

“Nossa, isso do microfone ficaria muito legal numa peça, né?”

Resposta:

“Isso É a peça”

Outro comentário:

“Olha só, uma menina teve coragem de ser a primeira a sair no meio da peça!”

Resposta:

“Não é a primeira, é a quinta.”

Uma impressão:

“Nossa, um microfone tem que ser forte pra suportar isso, né? Os caras pisam, deitam, jogam…”

Resposta:

“Imagine uma pessoa, então…”

Outra impressão:

“Nossa, me lembra o Super Night Shot… isso de editar ao vivo”

Resposta:

“Só que com som em vez de imagem”

Tréplica:

“E numa caixa branca em vez de na rua…”

Algumas dúvidas:

“Quando dizem pra trazer a vanguarda pros Festivais… o que isso quer dizer exatamente?”

“A nudez influencia no barulho que o cara transforma em efeitos sonoros remixados ou é só pra deixar a coisa toda menos entediante?”

“De onde vem essa mania argentina de ficar batendo palma eternamente pro ator sair do palco e voltar várias vezes? Será que vem do mesmo lugar onde os brasileiros aprenderam a SEMPRE levantar pra aplaudir?”

“A investigação artística tem valor por si mesma para ser apresentada? Qual?”

“Qual é a diferença entre ser um artista mega ousado e criativo investigando efeitos num quarto escuro e num palco todo branco?”

“Aqueles papéis na parede que os atores liam antes de fazerem suas partituras corporais representavam metaforicamente o quanto a TV nos controla e regula nossas atitudes e nos transforma em marionetes do consumo e da indústria cultural nos levando a uma insatisfação eterna que gera ainda mais consumo além de uma vida completamente esvaziada de sentido? Não???”

“Aqueles papéis na parede que os atores liam antes de fazerem suas partituras corporais representavam metaforicamente uma referência ao período ditatorial brasileiro em que as pessoas tinham que seguir exatamente o que estava dito no AI-5 ou eram “suicidadas” na prisão? Não???”

“Aqueles papéis na parede que os atores liam antes de fazerem suas partituras corporais representavam metaforicamente a liberdade de fazer das nossas vidas uma folha em branco? Não???”

“Aqueles papéis na parede que os atores liam antes de fazerem suas partituras corporais representavam metaforicamente à história do Uruguai, especificamente aludindo às táticas de guerrilha usadas pelos Tupamaros? Não???”

“Quando uma pessoa tira a calcinha, mas continua de tênis, está nua?”

“Será que a Graciela ao sair deixou apenas o contato desse grupo nos computadores oficiais, só pra zuar?”

“O que aconteceria se um dos atores peidasse no microfone? O cara que edita o som ficaria repetindo o barulho como faz nas outras cenas ou se sentiria constrangido?”

“Quando um ator nu escala outro ator nu ficando por um tempo angustiante completamente em cima do outro isso representa a exploração do homem pelo homem?”

“Por não ser moralmente conservadora, essa é uma peça de esquerda?”

“Os fatos de nenhum dos atores ser negro e de o palco ser todo branco, somados ao fato de haver uma mulher em cena significa que os artistas não são machistas, mas são racistas?”

“Por que fazer uma arquibancada com a distância entre os assentos tão pequena? Essa tortura é escolha artística?”

“Os Satyros viram isso?”

“Por que depois de uma hora pelados, pisando uns sobre os outros, os atores agradecem vestidos?”

Gerald Thomas viu isso?”

“É genético um homem branco ter pinto nêgo?”

“Por que essa peça que veio de barco do Uruguai (tipo, logo ali) custa 40 pesos – exatamente como a peça coreana, de elenco enorme e adereços mil? Não tem um vale-mercosul?”

1000 reflexões complexas em uma única noite

E você, o que acha?

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