De parar o trânsito
Foto: Divulgação.

Sexta-feira, às seis horas da tarde, desce da janela de uma escola no centro de Uberlândia uma noiva. Uma fila de mais oito mulheres, todas prontas para entrar na igreja, atravessa a multidão que se formou pra ver que confusão era aquela. Uns garotos que tinham saído da escola gritavam: “Pula daí!”. As vendedoras de lojas saiam perguntando que tipo de manifestação era aquela. As noivas seguem em procissão pela avenida movimentada e começam a correr. O povo, que estava na porta da escola, segue aquelas noivas em fuga, até se deparar com um homem de terno que desce de rapel de um prédio comercial. Ao gritar por Dulcinéia, percebemos que as noivas representam a grande paixão desse homem que larga o escritório e vai viver como Dom Quixote, no espetáculo de rua Das Saborosas Aventuras de Dom Quixote de La Macha e seu Escudeiro Sancho Pança – Um capítulo que poderia ter sido (Grupo Teatro que Roda/ Goiânia-GO)
Dom Quixote invade a multidão e encontra um catador de lixo. Transforma-o em seu fiel escudeiro Sancho Pança e parte para as ruas, lembrando as vias sacras das cidades do interior nas sextas-feiras santas (duvido que vc fala essas três palavras juntas 10 vezes bem rápido!). E mais uma vez as noivas correm, empurrando as pessoas, e deixando o Dom Quixote alucinado. Alucinado ficou também quem se arriscou a pegar aquele caminho de carro pra voltar pra casa depois do dia de trabalho. O horário de pico no trânsito ficou um inferno, com buzinas, gente gritando, polícia, motos, pedestres: estava armada a confusão que só um louco à procura de sua amada poderia fazer!
A loucura de Dom Quixote só é possível porque Sancho Pança, mesmo sabendo que tudo não passa de uma fantasia, embarca nessa viagem para ganhar de presente uma ilha. Este personagem é a ponte entre a erudição do cavaleiro e a simplicidade do público que acompanha o espetáculo, que com reflexões e humor traz aos nossos dias a história do século XVII.
A carroça do catador se transforma em Rocinante, e o lixo, em armas. A cada parada do Cavaleiro Andante e seu escudeiro, ocorrem intervenções surpreendentes no espaço urbano, e as cenas teatrais se misturam com as cenas reais. O teatro começa a acontecer em volta, e é tão interessante ver Dom Quixote galopando, quanto as caras assustadas das senhoras na cafeteria. O que pensavam daquela algazarra que atrapalhava o seu lanchinho? Os motoristas neuróticos gritavam e buzinavam para que o teatro passasse rápido, enquanto um maluco largara toda sua rotina para lutar contra dragões (uma grande escavadeira).
Do nada, um carro invade a multidão e saem de lá dois homens armados gritando com as pessoas. Seria alguém puto com aquela bagunça no trânsito que se prontificou a acabar com a brincadeira de um grupo de teatro e seus seguidores? Não! Os homens representavam policiais, que levam Dom Quixote no carro e a magia termina com as Dulcinéias gritando o louco nas janelas de um sobrado.
A adaptação da história de Cervantes suprime cenas importantes com resoluções cênicas simples, sendo prejudicada pela dificuldade em ouvir os atores, aquém de outras intempéries de que o teatro de rua é passível. Detalhes imperceptíveis comparados à conquista urbana que empreende, passando na contra-mão e atrapalhando o tráfego.
158 motoristas putos



Vi aqui em João Pessoa,
no Ponto Cem Reis,
muito bom o resultado.
O legal era ver o comentário
dos bêbados
e do povo em geral.
Abraço
astier
Eu já assiti a peça e achei maravilhosa nunca vi peça tão boa quanto essa !
Também estou fazendo uma peça de teatro sobre Dom quixote(dom quixote reciclado) em um grupo chamado magia pouca é bobagem.
Eu sou de blumenau (SC) tenho 11 anosde idade.
Desejo boa sorte nas próximas apresentações!!
O espetáculo é riquíssimo… Tanto técnicamente como artisticamente. Tive o imenso prazer de atuar como uma das Dulcinéias, na apresentação no centro de Fortaleza. Eramos dez atrizes, e vestidas com um belíssimo figurino, todos bem distintos, emboram fossem vestidos de noiva. O público se espantou com a perfomance do grupo num fim de tarde e óbvio que apladiu, pois foi bastante excêntrico. O elenco estav bem integrado, seguro e passou muita traquilidade a toda equipe, pois fazem uso de equipamentos de rapel, etc. Parabéns ao grupo!!! Pela ousadia e entusiasmo.
Rafaele Costa
JÁ TIVE O PRAZER “IMPAR” DE ASSISTIR E GRAVAR ALGUMAS PARTES, NUM DIA QUALQUE EM FEIRA DE SANTANA-BA…MUITO LOUCO…DE MUITAS RISADAS…INESQUECIVEL MERECIA UM DESTAQUE NA UNIÃO DA ILHA NO CARNAVAL 2010. KKKKKK