Críticas

Disk-Ofensa

por Fabrício Muriana

1 Comentário 20 August 2007

E aí? Que achou?


Foto: Divulgação
Na quarta-feira última (dia 15 de agosto), li no Blog do Alberto Guzik uma história curiosa sobre as fugas de críticos depois de espetáculos. Nós (eu, o Guzik e você, querido leitor) que adoramos teatro, sabemos bem como é essa situação. A peça ainda está abalando os seus sentidos, sua bunda ainda está quadrada, chega um amigo e lança “e aí, que achou?” e você tem que dar um juízo que invariavelmente vai ser injusto. O Ismail Xavier, que é do cinema, costuma dizer aos seus alunos em aula que quando é inquirido logo depois do filme, responde com um clássico “a fotografia era estupenda”. Elder Costa, correspondente da Bacante em Portugal (atualmente procurando asilo político no Brasil) é ainda mais irônico: “O público vai adorar.”

Tudo bem, também é papel do artista procurar diálogo. Claro que a forma de fazê-lo tem que ser coerente com a obra. Como disse o Guzik, vale a pena esperar o crítico colocar as idéias no papel ou na internet. Nada contra uma boa conversa de bar sobre peças, mas com o raciocínio estruturado, até pra elogiar fica mais fácil.

Terça-feira, dez e pouco da noite, saio de Disk-Ofensa, texto de Pedro Vicente que ganhou Prêmio Shell em 1999, dirigido (?) pelo Nilton Bicudo, em cartaz no palco do Espaço Parlapatões. Essa é daquelas montagens em que não se compreende nada. Não vejo uma razão histórica/contextual para o texto ser encenado, nem há uma leitura que explore peculiaridades da dramaturgia. Fora Regina França, que faz a mendiga que grita palavrões, não há sequer uma criação de personagem bem acabada. Mário Bortolotto entra em cena pra atuar como Mário Bortolotto e Aline Abovski parece não se preocupar em explorar qualquer conflito de seu personagem, o que acaba deixando o monólogo final esvaziado. Fica claro desde os primeiros minutos que os atores fizeram um processo de preparação muito curto e estão resolvendo rebarbas (que são muitas) ao longo das apresentações.

O que mais me assusta nessa peça é exatamente o papel da produtora do espetáculo, a Carla. Definitivamente, ela foi um amor quando contatada pela Bacante. O trabalho de divulgação merecia o prêmio Bacante de publicação de rilises: perdi a conta do número de vezes que vi a frase “em pouco tempo o Disk-Ofensa se torna um sucesso milionário”, copiada do rilise (provavelmente) da Carla, no meio dos textos que encontrei publicados sobre a peça. Foi ela que me recebeu no Parlapatões e também foi ela que me perguntou, logo na saída do espetáculo “E aí? Que achou?”. Eu sei que não foi por maldade, ninguém faz essas coisas por maldade. Naquele segundo posterior à pergunta toda a minha vida passou pelos meus olhos. Rezei 23 ave-marias, mas o meu celular não tocou. Eu disse, então, qualquer coisa. Sinceramente, nem sei o que foi. Enfim, Carla, minha opinião está aí em cima e vamos dialogando no que servir pra vocês.

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1 comentário

  1. Márcia Marques says:

    Ri muito com esse post… adjetivo em release é tudo de ruim… mas vc está convidado para ver todas as minhas ótimas/perfeitas/sucessozas(existe?)/orgânicas (tá na moda)/ visceral peças que assessoro. São todas assim…
    Brincadeiras á parte, gostei do texto e essa pergunta fatídica é cruel, é indelicada, desconfortável…
    Beijos
    Márcia Marques


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