Esperando Godot

Críticas   |       |    26 de novembro de 2007    |    12 comentários

Esperando…

Foto: Tika Tiritilli

Deixei algumas pessoas do elenco – como o ator que encontrei no boteco, a assessora com quem conversei, além da seriíssima e profissional equipe de editores da Bacante – todos esperando a crítica de Esperando Godot por uma semana. Ok, a piada é fácil. Mas é dessa perspectiva que parto: como montar uma peça (e fazer uma crítica) que, depois de 54 anos da primeira montagem, de 6 anos do onze-de-setembro, de monografias e mais monografias a respeito, enfim, como fazer uma montagem que consiga ser criativa e reler com autonomia este texto de Samuel Beckett ? Creio que era isso que esperava ao assistir a montagem da Boa Companhia, que esteve em cartaz no Centro Cultural São Paulo: autonomia.

Adentro a platéia, sento, aguardo e começa um vídeo. Ao som de “nós vamo invadir sua praia”, seguem imagens (fotos e animadas) de integrantes da Boa Companhia excursionando pelo mundo. Como diria Roberto Jefferson em desespero falso pras câmeras de TV, “sai daí, Zé Dirceu”, eu clamo o mesmo desespero falso pra dizer “tira isso daí, Boa Companhia”. Quando se está na sala de apresentações, tudo conta e acrescenta algo. Então, pra que serve um vídeo de quinze anos que nada tem a ver com a estética da peça que será apresentada? É um sofrimento coletivo de que o público pode ser poupado. Indicar o link no Youtube já resolveria esse anseio de expor publicamente o vídeo – pode colocar no programa, que a gente agradece!. A divulgação da peça Primus, adaptação de Franz Kafka, não incomoda, pois daí entendemos mais ou menos os interesses do grupo , mas o Ultraje a Rigor antes de Beckett é algo que não se presta a nada.

Se conseguirmos esquecer esse pequeno trauma, podemos partir pra peça. Aí relembro o Maurício, na análise de O Círculo de Giz Caucasiano, montagem do Latão: parece que tudo que eu esperava estava ali. Entende a pequena frustração? Vejo um cenário mínimo, como sugerido pelo próprio Beckett. Um quadriculado no chão, que nos remete àquela paisagem desértica, e uma árvore insistentemente inútil ao fundo. Fica aí a primeira pergunta: hoje Esperando Godot ainda cabe em palco italiano? Aqui não quero impor nenhuma opinião, só não consigo ver a razão pra essa escolha evidente na própria peça.

O ator que interpreta Lucky foi quem revelou na mesa do bar duas preocupações: usar corretamente os silêncios e não se perder com o texto. Beckett tem uma palavra que pode ser o céu e o inferno de qualquer diretor. Essa palavra é a pausa. Se alguém conhecer algum tratado sobre a pausa, por favor indique, pois não há nada mais lírico em dramaturgias do que ela. A pausa, entre outras muitas leituras, pode ser o momento em que o autor fala “ok, platéia, aqui é você quem cria”. E as pausas nesse Godot estão bem empregadas. Só que o todo ainda não aparece como algo que nos carrega para algum lugar. Aqui chegamos numa questão crucial para as discussões da Bacante: muitas vezes quem entra aqui vem procurando uma cotação e um “gostei” e “não gostei”. No entanto, neste caso fica patente como esse limite é ridículo, já que eu “gostei” da peça e de todos os seus aspectos técnicos. Poderia fazer como boa parte da crítica carioca de jornais e ficar listando atuações bem executadas e soluções bem resolvidas. Mas, em vez disso, questiono: aonde esse grupo quer chegar quando encena Godot? Não falo de um lugar só – podem ser vários – mas não identifiquei nenhum.

Prefiro achar que é um problema na minha leitura, mas convoco a platéia que conferiu, os atores, o diretor ou ainda algum médium que tenha contato direto com Samuel Beckett a me dizer se este Godot tem alguma intenção que não seja fazer do texto uma peça bem executada e, se for realmente essa a proposta, acho pouco pro elenco afinado de que a montagem dispunha. Espero aqui nas minhas bandas, afinal essa crítica fica no ar até que a gente queira tirar. Enquanto isso, vou esperando.

777 mil montagens dessa peça, todas tentando seguir o autor minuciosamente. E só.

PS: Quatro peças do repertório da Boa Companhia serão apresentadas até 16 de dezembro no Centro Cultural São Paulo. Primus e A Dama e os Vagabundos ainda estão na minha lista. Espero conseguir conferir.

'12 comentários para “Esperando Godot”'
  1. Anonymous disse:

    AH… Às vezes é sempre bom perguntar-se: por que mais palavras?
    Sua “crítica” tem muitas… Beckett tem muitas… A Boa Cia, idem. Então… Não me furto de ter as minhas:
    - O vídeo do início é um alento em tempos superficiais e líquidos. Um grupo fora do suposto “mainstream” (?!) paulistano consegue seguir seu trabalho durante 15 anos. Porra, 15 anos. Um parágrafo inteiro para criticar o vídeo?! Seria mais prazeroso ver o “crítico” escrever sobre 15 anos de trabalho… Mas é sempre pedir demais. Ah… Primus não foi adaptado por Franz Kafka… É uma adaptação de um conto dele! E… Quais são os “interesses” do grupo descobertos pelo “crítico”?
    - Escolha evidente na própria peça?! Quem disse que Beckett escreveu: façam em palco italiano?! E… putz, perguntar se alguma peça “ainda cabe” em palco italiano…
    - Qto a pergunta: “aonde esse grupo quer chegar quando encena Godot?” é uma boa saída para a “crítica” em questão. Uma vez que o crítico se indaga sobre a questão crucial do próprio site e não chego a compreender qual é a questão crucial, apenas a oportunidade rasteira de espezinhar a crítica carioca (sem citar nomes). O melhor seria: aonde o crítico quer chegar com esse texto?
    - Beckett não precisa ser contatado para dar explicações sobre a montagem da Boa Cia. Nem diretor e atores precisam justificar suas escolhas. A obra lá estava, como fenômeno teatral. É ela que deveria ser o objeto principal da discussão… Mas… Nesse mundo personalista, fica difícil mesmo descobrir os dizeres coletivos de uma obra.
    Se o crítico assistiu o Godot de Gabriel Vilela, da Quito, ou do Zé Celso não colocaria a epígrafe às avessas no final.
    Mais palavras… Palavras…
    Que a Boa continue por mais 15 anos… Com toda a autonomia q sempre teve!
    Há braços.
    Carlos Canhameiro

  2. Fabrício Muriana disse:

    Que legal, Carlos. Todo o furor que você teve pra comentar da sua peça, agora num texto de peça da Boa Cia.
    Vi que você estava na lista de convidados junto comigo e gostaria de ter te encontrado lá, pra marcar a cerveja que comentamos depois de A Última Quimera.
    Repudio, em boa medida, o início do seu comentário. Por que mais palavras? Seria o mesmo que perguntar por que mais peças em muitos casos. Pra mim, sempre mais palavras. Sempre mais peças. Por mais levianas que sejam.
    Acho ótimo que você se identifique com o vídeo do princípio. O pessoal da Boa também veio de Campinas, seu grupo e o deles trabalharam com o mesmo diretor. Muitos pontos a comemorar juntos 15 anos de vida. Mas o que me incomoda é que é narcísico. Achei isso quando vi no youtube, enviado pela assessora e achei muito pior exposto no teatro.
    Nossas oportunidades de espezinhar a crítica carioca são sempre rasteiras. Coitado do pessoal de Rasga Coração, peça cuja crítica deixei de lado só pra comentar do papel da crítica carioca. Vale dar uma lida.pra entender que isso tem um contexto. Inclusive a comunidade pedindo um freela da Bárbara Heliodora é que mais levamos à sério.
    Acho curioso, Carlos, como você confunde a imagem do crítico que tudo sabe, com nossa imagem aqui na Bacante. O que eu queria com o meu texto é exatamente conseguir uma resposta como a sua. Cheia de referências de outros Godots e questionando o papel da crítica no caso de não se conectar à proposta do grupo que se apresentou.
    Quanto aos 15 anos da Boa Cia, estou com você, que venham mais 15. Inclusive isso me lembrou de deixar um PS, comentando que o repertório continua em cartaz. Abraço e valeu pelo comentário.

  3. Anonymous disse:

    O furor é sempre em razão da falta de cerveja. Por isso de não gostar, as vezes, das palavras…
    E… Eu me pergunto todos os dias: por que mais peças!
    Não confundo imagem não… Crítico sabe-tudo não existe…
    Há braços.
    Carlos Canhameiro

  4. alê disse:

    “Eu comecei a fazer teatro para mudar o mundo.
    Hoje em dia eu faço teatro para que o mundo não me mude.”
    FRANCISCO LUÍS PEREIRA
    Dramaturgo e diretor português

    Caro Fabrício,

    Aqui quem fala é o ator do boteco, que sentou e tomou uma cerveja contigo. E que espera. Espera…

    Na verdade, espero que você entenda que o nosso esforço em termos nosso repertório apresentado em um dos principais espaços da cidade de São Paulo vai além de “fazer de um texto uma peça bem executada”.

    Agradeço de antemão sua disponibilidade em escrever sobre o nosso trabalho, mas me preocupa um tanto como as coisas possam parecer para o leitor desavisado que se debruça sobre o seu texto referente a nossa intenção/encenação.

    Vamos a elas:

    O clip que abre cada noite de nossa temporada procura revelar mais que muitas mil palavras, e bem sabemos que algumas poucas já bastam para uma interpretação equivocada. Cada foto ou integrante ali apresentado, além de nós próprios revela, na sua essência, o que o próprio nome da Boa Companhia significa. Todas aquelas pessoas foram, são e serão essenciais na construção da nossa pesquisa de linguagem e integram, de certa forma, a companhia que esteve/está ao nosso redor ao longo dessa trajetória de 15 anos. No mesmo sentido, lá estão em igual importância, muitas cidades do nosso país, onde estivemos a trabalho – e não como excursão da Stella Barros Turismo – levando tanto o fruto da nossa formação, custeada pelos cofres públicos (UNICAMP) e oferecida ao público em inúmeras apresentações, aqui e no exterior, sem fins lucrativos (ainda que seja necessário pagar as contas no fim do mês), quanto nossa pesquisa de linguagem, orientada por generosos profissionais que emprestaram (por vezes sem custo algum) e ainda emprestam seu tempo e conhecimento, forjando anualmente o que acreditamos ser um trabalho de resistência e de qualidade construído em tão boas companhias. Em nosso clip narcísico – como no mito grego e na pintura de Caravaggio, porém de maneira invertida – sabemos reconhecer em nós o profundo reflexo daqueles que nos ensinaram e nos acompanharam, momento pelo qual lá estão em forma de homenagem. Reflexo aliás, que distinguimos sem qualquer espécie de entorpecimento. Nesse sentido permita-me pedir-lhe respeito àqueles que homenageamos, além da fronteira do nosso narcisismo. Quanto ao You Tube, é preciso que se saiba que nem todos, neste país ‘emergente’ em que vivemos dispõem de um acesso a Internet, sobretudo em banda larga, para a visualização de tal conteúdo. Além do mais, o livre arbítrio é o bom senso em casos de trauma como esses. Diante do “sofrimento coletivo” até agora manifestado apenas por você, estão inúmeros de parabenização e apoio à iniciativa. É bem verdade que “na sala de apresentações, tudo conta e acrescenta algo”, porém reservemo-nos a essa máxima depois do terceiro sinal. Sem contar que o vídeo se relacionando com a estética da peça seria por demais incoerente com o objetivo da encenação. A opção do clip se apóia justamente na distinção do que cada material se presta comunicar. A arte existe em si mesma e não necessariamente precisa estar atrelada a nenhuma ideologia ou pensamento prévio. Parafraseando Gérson, craque do escrete de 70, ou dizendo em português bem claro: “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”.

    No quesito “escolhas evidentes”, prefiro atentar-me as cifras impressas em cena, pois decifrar é uma das dores e delícias do espectador. Em nossa encenação, nada existe e acontece fora das (quadriculadas) tramas criadas, gentilmente, pela boa companhia do artista plástico paulistano Sergio Fingermann. Além do perímetro que demarca o chão e a árvore, o que resta fora dali é a inconsciência. Tudo está no plano da representação. Não há nada a fazer além desses limites. Quando um ator deixa o palco ou retorna a ele, o blecaute procura não revelar esse flagrante da (in)consciência. O palco está nu. Não há pernas, ciclorama, tudo está escancarado, como se o palco não tivesse o público/brejo à sua frente. É um clássico da dramaturgia mundial em estado de suspensão simbólica, representado sobre outro espaço de representação, que é o palco em si, o qual poderíamos denominar de italiano, mas isso seria reduzir seu conteúdo semiótico. Os personagens existem no encontro com o outro, na alteridade da espera. Revelam-se somente quando tocam e são tocados pelas consciências que emergem das linhas de força no chão e que se estendem árvore acima, metáfora da vida e do seu conseqüente sentido, metáfora do racional Vladimir e do telúrico Estragon. O jogo é a saída para contornar a crueldade do esperar, literalmente, uma atitude inativa, um verbo sem ação efetiva. Em suma, respondendo a sua pergunta: Esperando Godot cabe sim em todos os palcos, com estéticas e elencos diferenciados e igualmente criativos. O ‘nosso’ Godot, pós 11/09, com figurinos rotos que sugerem a fuligem daquela manhã em Manhattan, ainda assim se apóia na força e costura genial com que Beckett nos brinda há mais de meio século. Em essência, a encenação sugere o grifo do autor, ainda que nas entrelinhas de sua rubrica afiada, de que é necessário retornar, pela urgência do encontro com o outro, onde aprendemos com a primavera a nos deixar cortar e a voltar sempre inteiros, como assim pautou a palavra de Cecília Meirelles. Por falar em palavras, elas parecem na nossa sociedade, cada vez mais não dar conta de nosso processo de comunicação com o outro. E essa é uma das impressões que tenho sobre a sua resenha. O que propriamente ali é dito sobre a obra que tornamos presente. Não creio tratar-se de um problema de leitura, mas sim de referências sólidas que justifiquem tal publicação. Pode até valer como um impulso, mas patina em um vago apontamento. Beckett, assim como Wiitgenstein, assinala esse aparente defeito do vernáculo e a partir de Godot faz cada vez menos uso dele para a edificação do seu discurso poético. Talvez a verborragia de Lucky seja uma saída, pois ela desconstrói qualquer tipo de entendimento lógico nos colocando em contato com a ‘sombra’ de Jung, aquela que escondemos longe, que não queremos aceitar, bem distante da verdadeira palavra, ou seja, aquela que faz sentido. Prefiro acreditar que o discurso coeso, fundamentado, e dentro dele a escolha do que realmente dizer possa trazer algo de construtivo às relações humanas e à transformação do pensamento. Pois o resto é conceito juvenil, um fogo de palha em uma ilha de palha. Só queima a si mesmo.

    Retomando , aliás, o resto é silêncio para, em seguida, um menino de recados, que é a ponte entre Godot e os dois vagabundos, experimentar as notas do mundo e tornar-se, quiçá um dia, hábil interlocutor no encontro com outros, da mesma espécie, de raças e idiomas distintos, porém exercitando a língua do entendimento.

    A propósito, entendimento é a palavra. Poderia ousar dizer que é somente até aqui que a Boa Companhia gostaria de chegar quando encena mais um Godot, como se o espetáculo fosse mais um produto em série saído da esteira reprodutora e mecanicista dos filmes do Pink Floyd. Porém, nossa experiência particular, artesanal, única e diferente de qualquer outra no planeta, nos mostra, ao longo desses 15 anos de teatro que o discurso do entendimento não cabe somente nas palavras de Beckett. Outras maneiras de entender o mundo e a nós mesmos estão contidos nos demais trabalhos da companhia e é essa a nossa arma de construção em massa que pretendemos utilizar para dar algum sentido ao que aí está.

    Sinceramente espero…que entenda.

    ALEXANDRE CAETANO
    Ator da Boa Companhia

    “No México, antes da roda ser inventada, uma porção de escravos
    tinha que carregar pedras gigantescas através da selva e subindo montanhas;
    enquanto isso seus filhos puxavam os brinquedos sobre pequenos rolamentos.
    Os escravos faziam os brinquedos, mas durante séculos não conseguiram ligar
    as duas coisas. Quando bons atores representam em comédias más ou musicais
    de segunda categoria, quando platéias aplaudem clássicos insossos porque gostam
    dos figurinos ou das mudanças de cenário, ou ainda da beleza da atriz principal,
    não há nada de errado. No entanto, jamais se preocuparam em ver que coisa
    existe debaixo do brinquedo que arrastam pela corda. Existe uma roda.”

    PETER BROOK, O Teatro e seu Espaço

  5. Anonymous disse:

    Também fui assistir a montagem, e como espectador, ela nada me disse, montar o espetáculo como um evento Teatral, é o que pede o texto?é dificil aceitar criticas, e olha que essa nem foi das mais duras, pra mim não funcionou, ficou no vazio, e aquela menina no final não dá, não cola

  6. Fabrício Muriana disse:

    Alexandre

    Muitas coisas a dizer. Seu comentário me surpreendeu de verdade. Primeiro porque vejo que o apelo por público e trupe na tentativa de completar a obra realmente se estabelece por aqui. Seja por anônimos, amigos ou você mesmo, que faz a peça.

    Respondo homeopaticamente, pra poder analisar ponto a ponto do que você comentou e pra dar margem que outros comentários nos atravessem (se aparecerem). Mas o fato é que trato de uma fruição expandida toda vez que escrevo aqui. Explico-me. Se eu vou assistir uma peça no Satyros, não há como retirar toda a carga midiática que eles têm. Se vou ao Engenho, impossível esquecer onde fisicamente está o teatro deles. Se vou ao Cultura Artística, é impossível não pensar no público que lá está. E ressalto, qdo saí da peça de vocês, o vídeo ainda incomodava. Como disse pro Carlos, alguns comentários acima, acho que todos temos motivos pra comemorar quando um grupo faz 15 anos. E aqui falo do público também. Mas o evento teatral já seria o bastante. Acho que talvez possa parecer pequeno, mas pra mim valeu sim um parágrafo comentando (justificam-se as palavras). Mesmo sendo antes do terceiro sinal. (to be continued)

  7. Ronaldo Ventura disse:

    Não vi a peça. Pena. Assisti várias montagens de “Esperando Godot” (inclusiva as minhas!). Bem… naverdade eu quero me manifestar contra o anônimo aí em cima.

    VAi à merda!

    Anônimo é pior que peido, que nem peso tem.

  8. bruno disse:

    Olá pessoal
    Eu já assisti em São Paulo 5 montagens do Esperando Godot, inclusive a da formatura da Geogette Fadel, com direção da Quito – corrija-me se eu estiver errado.
    Achei todas muitíssimo diferentes umas das outras ( esta citada acima tinha 2 Vladimirs e 3 Estragons), vi uma com clowns, e uma da companhia do Armazén, e uma que era uma viagem.
    Achei a montagem da Boa Companhia bem interessante, e acho que a única que deve ter se aproxima mais do texto original.
    às vezes o pessoal faz releituras, adaptações e tal que acabam empobrecendo ao invés de enriquecer.
    Só deixo aqui pensamentos no ar.

  9. Fabrício Muriana disse:

    Seguindo a homeopatia, muito mais gente por aqui na discussão (fora os que não comentaram). Alê, ou seria Lucky? Na tentativa de verborragia dentro e fora dos palcos? Brincadeira… É só que ainda me assusto com o tamanho do seu comentário. Mas acho que aí está um ponto da fundamentação que você procurava. A falta de referências sólidas eu atesto, pelo menos de minha parte e boa parte dos leitores que por aqui passam. Por isso eu não prefiro acreditar no discurso coeso, fundamentado, mas mesmo assim acredito que esse caos a ser organizado traga algo construtivo pras relações humanas. E falo das relações humanas sem hierarquia, já que aqui conversas de bar valem mais do que teses. Mas o que realmente quero tentar levar desse seu parágrafo é a suspensão simbólica. Aqui não pergunto pra você, mas pra todos os outros perdidos que por aqui passam desavisados, procurando “godot” no google: onde chegamos com essa suspensão simbólica? Seria o tempo dela? Se o detalhe do 11/09 estava nas roupas rotas, digo que perdi, mas aqui sim pode ser um problema de leitura. Mas ainda não me conecto à obra pensando na simbologia de Esperando Godot, enxergando pelo prisma da montagem de vocês. Talvez não consiga conectar com nada diretamente, ou temporalmente ligado e por isso a minha desconexão. Talvez também aí esteja um bom argumento pra construí-la: pra que eu fique esperando encontrá-la rápido, e ela pode estar em qualquer lugar. Enfim… agora viajo feio na maionese que você propõe. Mas ainda assim me incomoda não encontrar sinapses. Talvez seja THC em excesso. [to be continued]

  10. ana person disse:

    Acho que tua própria crítica contém, nas entrelinhas, a resposta que formulou… O absurdo da espera, da inércia, do incontido. A quantos lugares se pode chegar assistindo/lendo/interpretando este texto que não à própria dúvida? Ao anseio da ausência presente?
    Sinto não ter assistido a essa montagem, mas fica claro pelo seu questionamento e em sua decisão de não querer “impor nenhuma opinião” que a peça foi além das opções estéticas e da boa execução de um texto, mas trouxe consigo o comprometimento que sua sua crítica não foi capaz de abranger: assumir um prisma e executá-lo, ao ponto de explicar-se.
    Admiro a crítica que se propõe opinar, assumindo o fardo da subjetividade pautada pelo conhecimento, assim como admiro o artista que se propõe executar bem um trabalho, assumindo, do mesmo modo, sua subjetividade coletiva e seu conhecimento…

  11. Claire Mc Manus disse:

    Hi, Excuse me for writing in English. I am working on a documentary about ‘Waiting for Godot’ and I am looking for photographs from lots of different productions of the play to use in the documentary. I would like to seek permission to use the picture above with one character sitting crossed legged on the floor with the other standing in the background. I look forward to hearing from you, Regards,
    Claire.

  12. Hi, Claire
    I was wondering how you came to this page, searching for Godot plays.
    Anyway, we don’t have the rights of the picture, nor of the group image. We are only a web magazine.
    So you should email them in their website: http://www.boacompanhia.art.br (on the bottom of the page there’s an email from the webmaster: webmaster@boacompanhia.art.br). Although the site seems to be bugged and old, that can be a way.
    I tried to find the e-mail from one of the actors who commented in here, but by the time did it, we didn’t record the e-mail from the author.
    If you need any help finding other Godot productions in Brazil, let us know via contato@bacante.com.br
    See ya.

O que você acha?

A Bacante é Creative Commons. Alguns direitos reservados. Movida a Wordpress.