Críticas

Eu vos liberto

por Fabrício Muriana

18 Comentários 22 April 2008

Dos limites do jornalismo e da crítica

Hipólito

Foto: Divulgação
No release estava escrito:

“Estréia no SESC Pompéia, no dia 18 de abril às 21h30, o espetáculo Eu Vos Liberto, com a Cia Zikzira, dirigida pelo suíço André Semenza e com coreografia de Fernanda Lippi. A temporada vai até o dia 04 de maio, com sessões de sexta a domingo, no Galpão da unidade.

Inspirado na tragédia grega ‘Hipólito’, escrita há 2500 anos por Eurípedes, a trama conta a história do amor proibido de Fedra, a Rainha, por Hipólito, filho de seu marido, o Rei Teseu, fazendo com que a trama emerja, desta maneira, de um triangulo amoroso. Teseu é um rei ausente, promíscuo e violento, com características aparentemente opostas de Hipólito. A figura paternal assustadora somente existe na imaginação torturada de seu filho. O que os une são as devotas e perigosas obsessões e a morte.

Na montagem, Fedra é interpretada pelo ator coreano Sunghwa Kim, Ama, pela chilena Macarena Campbell Parra, Hipólito e Teseu pelo paulistano Marçal Costa. Já o sopranista que funciona como o coro da tragédia grega, é o brasileiro Rodrigo Firpe, e a trilha musical é do inglês Andrew McKenzie. A coreografia é assinada por Fernanda Lippi (também co-diretora).

No espetáculo, a paixão da rainha Fedra por seu enteado Hipólito, filho do herói e rei de Atenas, Teseu, é acompanhada de perto pela deusa Afrodite. Enquanto Fedra é consumida pelo desejo impossível e descontrolado, o casto Hipólito nega por completo a existência feminina, enquanto seu pai, Teseu, entrega-se à vida promíscua. Ajudado por Poseidon, Teseu vinga-se da suposta traição do filho matando-o. A narração da tragédia é feita pela Ama, um solitário e errante espírito.

O desenrolar da história reflete o cenário assinado pelo artista plástico Orlando Castaño. Um ambiente de decadência real permeia o palco e a platéia. Os espectadores ficam dentro do universo da tragédia, em cadeiras e poltronas que compõem o mobiliário dos destroços de um palácio, à beira de um espelho d’água.

Há também um foyer, que recebe o público antes de entrar propriamente no espaço do teatro, com instalações e projeções que se encruzilham numa dinâmica de nostalgia e profunda solidão.

No programa estava escrito:

A Zikzira adotou várias camadas de investigação como norte e ponto de partida. Assim, dois projetos distintos, surgiram após dezoito meses de intensas pesquisas. Durante esse tempo, a cia. elaborou uma complexa atividade na qual dois elencos, refletindo sobre o mesmo tema, com olhares distintos, dividiram-se para dissecar a inaugural tragédia sexual da humanidade.

Com o primeiro elenco a Zikzira investigou detalhadamente, num processo de vivência diária dos personagens, o proibido. Esta investigação revelou o desejo proibido, o desejo destrutivo e todos os elementos que consomem um ser, levando-os a cegueira total: o poder impulsivo da paixão. Levou, também, a compreender a entrega total aos poderes da destruição da deusa Afrodite e ao egocêntrico valor da solidão em busca de identidade e da verdade. As vítimas emergiam trancadas em sim. Do olhar inquisitivo dos estudos iniciais resultou o longa-metragem “Saber Isso é Morrer”, produsico pela Maverick Motion e financiado pela Fondazione Borgognoni s.f.l. Itália, onde as misérias da nossa carne impulsionaram corpos desorganizados, frenéticos e totalmente sós. A paixão e Afrodite se realizam sem regras, sem respeito, sem compaixão, sem gratidão, sem limite. Estréia prevista para 2008.

Então os personagens abrem caminho para o segundo projeto. Com esse elenco, há uma inspiração e alusão metafórica na busca da condição humana retratada por séculos, diretamente ligada ao tema de tabus onde uma sociedade reprimida solta seus demônios e satisfaz suas paixões. Isolamento espiritual, instalados paradoxalmente que anuncia uma total intimidade carnal. A peça é o retrato de humanos desenraizados à procura de pistas. Investiga-se as qualidades do perdão, do destino incontrolável e a habilidade de dizer não. Os personagens rompem o corpo e atingem o poder sobre-humano. Eles vão além da carne, além do instinto. Eles não estão mais no corpo físico, mas sim assistindo fora desse corpo suas ações, permeando o etéreo. Como se reflexões de um espelho sujo trouxessem de volta a outra metade aprisionada na carne. Mas, aqui os personagens escolhem tranformação. Hipólito perdoa o pai, o próprio executor de sua morte e assim a mais complexa revolução das almas da tragédia se liberta. O imaginário se dissolve, o real desaparece e a fantasia permanece. Surge então, no permear deste processo de pesquisa a fala de perdão “Eu vos liberto” que são as últimas palavras do personagem principal.

Este título se aproxima com total expressão dentro do desdobramento que a Cia gerou nos ensaios. “Eu vos liberto” encaixa dentro da alma, e do espírito da obra. “Eu vos liberto” organicamente foi sendo repetido e vivenciado dentro da estrutura cenográfica de um Motel, um lugar envolto em fantasia e saturado de culpa, necessitando de aceitação, perdão e liberdade.

Este segundo elenco forjou a montagem cênica (originalmente entitulado “Motel”), com realização da Funarte e Ministério da Cultura, agraciada pelo Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2006 e apoiada pela Fundação Borgognoni s.f.l. Milão.

Fernanda Lippi e André Semenza

O crítico da Bacante diz:
Que não entendeu nada e se a idéia era trabalhar com as sensações, também muito pouco sobrou delas na memória. Que fique bem claro que isso não é um juízo de valor, mas só uma impossibilidade de dialogar com a obra. Até pretendia relacioná-la à performance do Vertigem+Zikzira+Lot, que vi semana passada e que me levou a ver Eu vos liberto, mas nem isso rolou. O espaço dos comentários está aberto para quem assistiu, diretores, atores, críticos e quem mais quiser falar sobre a peça.

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18 comentários até o momento

  1. Paulo Rocha says:

    Faz um tempo pensei em escrever para a Bacante uma crítica sobre esse espetáculo, mas esbarrou definitivamente na minha eterna preguiça. Mas vamos lá:
    Primeiramente é importante contextualizar o Zikzira, um grupo que trabalha o chamado “teatro físico”, mas de uma vertente que diferentemente vem da mímíca corporal do Decroux ou Eugenio Barba e afins, vem de uma linha que remete ao DV8 (apesar de recentemente eles estudarem Grotowski, que alias detestava o termo “teatro físico”). Por que falar disso, bem acho necessário tentar pensar a partir dessa linguagem como o grupo articula seu pensamento e sua estética. Fernanda Lippi que vem de uma formação de dança trabalha sempre com seus atores as tais “ações físicas “, a partir por exemplo de cantigas de ninar e memórias pessoais, fazendo com que essas micro ações se expandam ou virem apenas vibrações. Complexo não?! Mas digamos que o espetáculo é concebido a partir dessas ações. Gosto muito do trabalho dela e do Semenza (os filmes “Cinzas de Deus”, os trechos que vi de “Nu gar Vi” e o espetáculo Verissimilitude são muito bons) mas acho que esse trabalho esbarrou em problemas da concepção…
    Vamos ser chatos, eu por exemplo assisti a estreia em BH,em um galpão inutilizado a muito tempo perto do centro barra pesada de Belo Horizonte, gostei do “cenário” e etc. mas a pesquisa deles foi toda feita na Guaicurus (baixo centro da cidade e local dos prostibulos daqui, dizem que a Hilda Furacão andava por lá), um local que evoca o que há de mais decadente na cidade, mas o que vemos em cena?! Um cenário super clean, minimalista, LIMPO! Tudo bem isso passa… mas logo se esbarra em outro problema, que é a função de receptividade do espectador, um puta galpão, enorme e eles montam um “palco” e estabelecem uma relação de frontalidade com o espectador. Ficou a sensação que de site-specific não houve em nada no trabalho, já que as reformas que o espaço passou o transformou em outra coisa(de um lugar decadente a uma estética lounge) e não faria diferença para o espectador assistir lá naqueles espaço em belas poltronas ou em um teatro “convencional”, sendo negligenciado uma possivel forma inovadora de se relacionar com a arquitetura do espaço (que acho extremamente bem resolvida em “A última palavra é a penultima” como Vertigem e o Lot).
    Sobre os atores, acho que o Zikzira esbarrou no problema da voz (é a primeira vez que o grupo utiliza texto e voz como articuladora de “sentido”) ao menos na aparesentação que eu vi a voz se perdeu no espaço e sinceramente, achei desnecessário (aprendemos nas “escolas” de teatro a nunca dizer como poderia ser o espetáculo e sim como ele é, mas foda-se não sou critico) já que parece não contribuir muito para o espetáculo. Acho que os atores estão bem, as partituras de Sunghwa Kim são poderosas, assim como a Macarena(vê se não dá para fazer mil piadas com seu nome), a coreografa Fernanda Lippi parece trabalhar sempre com um certo transe, uma “loucura” pessoal de cada performer/ator/bailarino (chame do que quiser) mas que a certas horas senti falta realmente de contato entre eles, alias que quando ocorre, é para mim um ponto forte da peça, Macarena e Kim interagem.
    A luz do Bonfanti como sempre eficiente, mas que causa um belo incomodo até se acostumar com o breu…
    e blábláblábláblá só acho que eles perderam ao tentar voltar um passo do pós-dramático(aiaia adoro esse termo) de Verissimilitude, um espetáculo extremamente abstrato, viajante, obscuro para uma concepção mais “tradicional”(aiaiaia adoro esse termo) de teatro no “Eu vos Liberto”…
    Confuso? Eu também!

  2. Paulo Rocha says:

    Tem vaga ainda no Bacante?
    Eu ganho vale transporte e ingresso para trabalhar aí?
    Sou modelo,manequim,atriz e apresentadora infantil…

  3. Fabrício says:

    Oi Paulo

    A gente sempre tem preguiça de escrever pra Bacante. A não ser que seja uma puta proposta, que dialogue demais conosco, mas aí os editores e colaboradores se estapeiam pra escrever (mentira, é todo mundo preguiçoso). Por sorte podemos cada um escrever uma coisa e tá tudo certo.

    Cara, eu esperava que alguém escrevesse, mas nunca poderia prever o teu comentário.

    Gostei da explanação de onde partem as tais ações físicas, mas não saquei muito bem onde elas querem chegar. Boa lembrança essa do filme. Quero ver também. Acho que deve complementar a peça.

    Isso que você aponta da arquitetura cênica aqui também se apresenta problematizado. Adoro o prédio do Sesc Pompéia, idéia da Lina Bo Bardi, ex-fábrica e tudo o mais. Mas não guarda nada desse galpão e dessa área decadente de BH que você cita. Isso se perdeu pelo caminho. E sim, aqui tudo continua clean. Tinha água por aí? Aqui tem um espelho d’água que ajuda na questão da penumbra e sobretudo a enxergar um duplo de cada personagem. Mas não saquei praquê. A idéia de palco não foi retomada. Não posso dizer que onde se apresentam aqui seja um palco, mas a frontalidade se mantém.
    Sim, se tivesse articulado sentidos com o que foi apresentado, provavelmente a voz seria um tema a ser comentado. Macarena fala em espanhol e pouco se entende. O ator que interpreta Hipólito e Teseu consegue manter a voz numa altura que nos possibilita entender, mas o conteúdo é algo que tende ao incompreensível pra mim.

    É sempre bom dar alguns foda-ses ao que se aprende em escolas de teatro. Pelo menos um por crítica, acho uma média boa.

    Acho que você definitivamente estava muito mais bem preparado pra analisar esse espetáculo. Ainda bem que você veio parar aqui. Mas a incógnita que fica da tua crítica é: a que se presta? O que quer criticar o espetáculo? Que questões querem levantar?

    Achei o trabalho corporal excepcional, muito acima da média do que vemos no teatro. Mas a que veio?

    Sobre escrever pra Bacante, você está mais do que habilitado. O vale-transporte eu não te garanto (não temos verba alguma), mas com tua desenvoltura textual e crítica, acho que vale a pena tentar. Dê uma olhada nesse link aqui:

    http://www.bacante.com.br/revista/manual-de-redacao-da-revista-bacante

    Mais pra você saber como é o processo de edição e o que vamos sugerir nos seus textos.

    Valeu pelos comentários, apareça e escreva.

  4. Mônica Carter Gomes says:

    Tive o privilegio de assistir Eu vos liberto no SESC Pompéia e gostaria de deixar aqui meus comprimentos e profunda admiração por esta Cia. Eu vos liberto, baseado numa obra clássica complexa (Hipólito) que eu defendi no meu doutorado em Irvine (USA), é uma peça importante que agora através desta abordagem cênica da Zikzira marca uma mudança do jeito de fazer teatro físico no Brasil. Para aqueles que nunca tiveram a oportunidade de assistir adaptações pós-modernas de obras clássicas – podem ter algum tipo de amarra. Mas o publico leigo – ou o intelectual que se aprofundou no tema sai no mínimo extasiado. Esta obra de devised theatre quebra o paradigma das rotulações de tudo aquilo que deve ser entendido diante à uma proposta muito além de sensações; ficou em mim e a todos aqueles que me acompanharam o desejo de vê-los outra vez. Melhor espetáculo do ano em São Paulo.
    Caros Paulo Rocha e Fabrício, infelizmente creio que vocês não tiveram acesso a uma formação mais apurada nem sensibilidade e artística suficiente. Não sei o que vocês fazem para viver, se caso estão no ramo de artes cênicas adoraria assistir o trabalho de vocês. Boa sorte.

  5. Fabrício says:

    Eu tb tive o privilégio de assistir no Sesc Pompéia. Aliás, falar de privilégios num país como o Brasil é sempre relevante, valeu por lembrar.

    Não compreendi sua separação. É como se eu e o Paulo não fôssemos “leigos” nem “intelectuais que se aprofundaram no tema”, por isso posso “ter algum tipo de amarra” e por isso também não saí “extasiado”?

    É preciso ser mais clara. Se você tá dizendo que eu nunca vi uma montagem pós-moderna, você viajou grandão. Se você acha que fui com algum tipo de amarra, posso te dizer que estava bem soltinho, mas não rolou.

    Em mim também ficou o desejo de ver mais uma vez. Apesar do seu enorme preconceito com relação ao que o público, o crítico e você precisam pra fruir uma peça, eu continuo com vontade de assistir novamente.

    Sobre o que eu faço pra viver, exatamente o mesmo que você: inspiro e expiro. Certamente se dependesse do teatro pra viver, não escreveria uma linha sobre ele.

    Boa sorte pra você também.

  6. Patricia Aguille says:

    Mônica,
    Depois você diz se dá pra levar essa gente a sério.
    Eles nem devem imaginar o que é IRVINE.
    “Terça-feira, Junho 05, 2007
    Arte de escrever muito sem dizer nada ou Release Padrão
    Estréia no próximo semestre em São Paulo a nova trama do grupo de teatro Sagomadarrea. O elenco encabeçado por Juliene Codognotto e Tarzan Corrêa é uma demonstração do vigor dos jovens da nova geração.

    O espetáculo mostra as trapalhadas de uma mulher em busca de sua independência. No caminho, encontra diversos conflitos que podem mudar sua vida. Será que ela se deixará levar por eles?

    Para realizar seu destino, nossa protagonista conhece Nelson, um rapaz de família disposto a conforta-la da melhor maneira possível. Ela resistirá a tal tentação? Entram em sua vida também Rebeca, mulher fogosa de uma voz encantadora; Bruna, menina perturbada por misteriosas criaturas; o médico, responsável e cativante; Sofia, mulher forte e desafiadora; além de muitos outros.

    A peça é estrelado ainda por Fabrício Muriana, Daniela Landin, Marcela Mastrocola, Chico Estrela, Sandrinha Souto e grande elenco.
    Leca Perrechil | 21:09 | 0 comentários ”

    retirado do blog SAGOMADARREA”

  7. Fabrício says:

    Patricia, você continua com essa mania de criança de postar com nome falso?
    Olha, pra ficar bem fácil de assimilar. Se você continuar a encher o saco e postar informação que não tem qualquer relevância pra quem lê, nós teremos que alterar nossa política de liberdade de comentários pra banir somente você da revista.
    Esse é o último aviso.

    E não se esqueça de ir ser feliz em qqer outro canto da internet.

  8. Paulo Rocha says:

    Uau estou adorando semear a discordia aqui…
    Na verdade quando assisti o espetáculo eu gostei, acho acima da média,mas acho que esperava mais pois acho que há boas ideias, bons performers,um espaço que era foda, pessoas trabalhando com eles mais que gabaritadas e principalmente um patrocinio e uma grana beleza…
    Quando resolvi comentar o espetáculo, meu desejo veio daí do meu estudo e interesse em obras do atualmente dito “teatropósdrámaticopósbrechtinianopósmodernoperformanceart” e blábláblá, e dos elementos que eu vi de interessantes no espetáculo e principalmente na companhia e dos elementos que para mim ficaram deficitários, como por exemplo a questão do espaço que não dialoga com a proposta inicial e com o próprio contexto em que estava inserido (apesar de ser muito bonito), dos já acima citado baixo centro e moteis baixo nivel, mas eu poderia falar mais sobre a beleza do cenário, da luz que trabalha com essa escuridão, com esse jogo citado dos espelhos, da água como elemento tão presente em Hipolito, com uma possivel leitura (pseudo)psicanalitica da obra e da propria leitura do Zikzira, do trabalho corporal muito forte e das sensações que eles buscaram…
    Querida Mônica Carter, lumpem intelectual de Irvine, primeiramente acho realmente que o Zikzira tem sim pontos inovadores no campo do physical theatre(“Cinzas de Deus” é muito bonito e “Verissimilitude” é muito bom) e principalmente para o Brasil que ao meu ver sempre tivera mais ligada a uma vertente mais próxima da mimica dramática, agora eu acho um tanto quanto pretensioso ter de ter um diploma de como você diz, ter de ser “intelectual que se aprofundou no tema” para gostar ou não do espetáculo e mais, para critica-lo. Que o espetáculo tenta ir por uma outra via que não a do teatro “convencional” isso fica claro, e que esse caminho é uma negação desse encademento aristotelico da cena, não cerebral que busca cavar por meio de ações fisico sensações no espectador e não uma compreensão lógica do que se passa, que busca as micro sensações internas de cada musculatura e esse blábláblá de teatro fisico e pós dramatico (só para gastar minha “erudição”)…
    Pelo que eu vi não foi só os mestrados em Hipólito em Irvine(frisando sempre o IRVINE), a classe psicanálitica adorou também esse jogo de duplos, o elemento água, “ohhh papai e mamãe”, desejos sexuais reprimidos, histeria, aiaia enfim esses lacanianos doidões…
    Será que só eu percebi referencias de” Principe Constante” do Grotowski no espetáculo?!

    Detalhe: Patricia o que “ser” Irvine?

  9. Paulo Rocha says:

    Detalhe número 2: será que foi só eu a achar um cumulo eles cobrarem pelo programa do espetáculo(lembrando que o espetáculo foi feito com dinheiro publico pelo premio “klaus vianna”)?

  10. Alexandre Bittencourt says:

    Sou profissional da dança contemporânea. Assisti “As Cinzas de Deus” em Curitiba e o “Verissimilitude” em São Paulo. Acho interessante o tipo de bailarino que eles atraem. Estou defendendo a minha tese e resolvi ver o mais recente trabalho da Zikzira. Adorei o trabalho deste novo elenco que me surpreendeu pela expressividade, a linguagem corporal e vocal. Na minha opinião a Zikzira atingiu um novo patamar neste país, criando obras conceitualmente e sensorialmente interligadas, um fechamento elevado muito além do comum. Aliás, há uma tendência bizarra hoje em dia de ex-bailarinos de grandes Companhias seguirem carreiras ‘solo’. Isso também é o é o caso com a Cia Zikzira. Vendo trabalhos recentes dos ex-integrantes da Zikzira, dá pena, pois são fracos, com conceitos banais, embaraçosos e narcisistas, trabalhos superficiais que não deixarão marcas na história das artes cênicas Brasileiras. Parecem um pouco com os ex-membros de grandes bandas de rock, tais como Beatels, Sex Pistols, ou The Clash. Fora dessas bandas os ex-integrantes atingiram pouca coisa de qualidade. O foco principal da minha tese e precisamente qual é o efeito ‘Zikzira’ que eleva o elenco para tal perfeição.

  11. Franciele Conan Doyle says:

    Melhor espetáculo do ano que tive a oportunidade de assistir no Brasil. Estou terminando o meu doutorado em Paris em teatro pós-moderno e venho acompanhando diversas expressões artísticas no Brasil e como o Governo tem feito uma tentativa de fomentar a cultura de uma maneira mais expressiva, gostaria de deixar meus cumprimentos à Funarte de ter a coragem e visão de apoiar um trabalho genuinamente visionário: “Performance as a third term between Drama and Theatre – resisting interpretation” (Hans-Thies Lehmann).

  12. Gustavo Nascimento says:

    Meu primeiro contato com a Cia foi no Move Berlim em 2005 quando assisti ‘Verissimilitude’ e ‘As Cinzas de Deus’. Desde então venho esperando ansiosamente o que seria o próximo trabalho. Como sou profissional da área fui conferir o vídeo no i-dança (vídeo da semana). Quando cheguei para comprar o ingresso não sabia se estava entrando numa igreja ou num bordel. Tinha instalações, projeções de Karaokê com texto estranho, um clima de sensual nostalgia e tinha até uns casais dançando. Percebi que aquele casal fazia parte do público. Não tinha como escapar. Comecei tocar as paredes que eram de cetim, cor de rosa. Éramos pessoas encurraladas num sonho. Cortinas pretas se abriram e fomos lançados num universo totalmente diferente. Um mar de cadeiras cobertas por tecidos – uma sensação de abandono e solidão torturante. De repente pisei numa água que me alertou. Uma atmosfera densa, escura, e uma mulher com um olhar muito intenso, uma gestualidade frágil. Daí para frente fui engolido por uma trajetória de arquétipos, uma violência entre os sexos, uma fisicalidade absurda, uma poesia perturbadora; uma onda sonora, visual, emocional, sensorial, que só fui cuspido como se fosse um surfista que tivesse levado uma pancada do mar no final do espetáculo.

  13. Hans Peter Dreyfuss says:

    To quote Kristeva, “Melancholy and depression are conditions in which the speaking being loses or turn away from the realm of signs. By being brought back to a narcissistic realm of images and lost things rather than a realm of object and signs, the depressed has a double challenge: to complete the process of losing objects that it might desire so that it can begin the process of substitution and identification. Literally, creation offers a way for the melancholy to proceed to try to turn his or her sadness and sorrow into a symbolic object to share again in the community of other speaking being”. Witnessing Eu vos liberto, feeling the empathy and acute pain performed with such astounding ability and generosity, touching on sublime transcendence, is devastating, earth-shattering, yet nothing short of liberating.
    Thank you.

  14. Antonio Soares says:

    Prezados,
    Estarei eternamente grato a vocês por terem incentivado a mim a ir conferir este espetáculo maravilhoso.

    Como o grande Arthur Schopehauer escreveu: “Amargura é o ultimo refugio daqueles que se agarram naquilo que não possuem. A essência do verdadeiro ser inútil começa cheirar…“
    Bacterias do blog revigoram o verdadeiro perfume daqueles que realmente sabem se arriscar.

  15. Paulo Rocha says:

    Engraçado como de repente lotou de mestres,doutores, pós-doutores por aqui… e olha que coincidencia tudo no MESMO dia…
    uau a bacante está chique mesmo…

  16. Fabrício says:

    Você num sabe, Paulo.
    O pessoal fez fila pra acessar a bacante. Veio um atrás do outro.
    Uma coisa linda. Sejam bem vindos acadêmicos!
    Aliás gostaria de ouvir a opinião do pessoal de fora da academia tb. Tipo os aposentados do sesc pompéia, o povo que vai pra natação, os da choperia (eita choperia!).
    E se alguém do Zikzira passar por aqui, queria saber também o que rolou na virada cultural? Fiquei com a impressão de que não havia nenhum ator do Zikzira na segunda apresentação que assisti de A última palavra é a penúltima.
    Tavam no show do Zé Ramalho?
    Valeu pelos comentários.
    Abraço e apareçam.

  17. Antonio Soares says:

    Fabricio, Paulo.
    Irmãos. Eternamente unidos, na diarrea mental compulsiva.

  18. Fabrício says:

    Oi Antonio

    Gostaria de te perguntar o que ofendeu:
    Foi dizer que vocês são bem-vindos?
    Foi dizer que vocês fizeram fila pra acessar a Bacante e comentar?
    Pedir também a opinião do público “civil”, como costumamos falar por aqui?
    Ou foi a pergunta se o Zikzira estava no Zé Ramalho?
    Sério. Não saquei a razão da ofensa.
    Abraço e apareça.


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