Críticas

Fronteiras

por Leca Perrechil

1 Comentário 21 May 2007

Sem Limites

A espera acontece no corredor, em frente ao elevador que dá para o mezanino do SESI. Antes do início, uma das atrizes distribui os passaportes/programas para os espectadores, carimba-os e deseja boa viagem. Outra atriz/personagem entra na fila do elevador junto com o público.

Já no mezanino, um ator/oficial de alfândega pede o passaporte de algumas pessoas, mas ele próprio não entra em seu jogo:
- Passaporte? – pede a um rapaz da platéia. Este lhe entrega o ingresso.
- Esse não é o passaporte, mas tudo bem. – embaralha-se o ator/oficial.

Tudo isso para legitimar a cena inicial da peça Fronteiras, um dos espetáculos semi-interativos que está em cartaz em São Paulo , no Mezanino do SESI. Não chega a ser interativo, porque a platéia não participa efetivamente das cenas, mas como tem essas pitadas de contato com o público, a melhor definição vai pelo caminho do meio-termo mesmo.

A montagem procura ilustrar através de esquetes diversos tipos de fronteiras existentes na vida, sejam elas de caráter social, regional, socioeconômico, ideológico, ou relacionado aos sentidos. Na verdade, a peça mostra que quase tudo pode ser uma fronteira, dependendo da maneira como se olha para a situação. O mais difícil é saber como atravessá-la ou até derrubá-la em alguns casos.

Mais uma vez, esbarramos gostoso no nome de Newton Moreno, o mesmo que escreveu VemVai – O Caminho dos Mortos e A Refeição, ambos rascunhados nesse site. Newton assina o texto junto de Alessandro Toller, além da direção solo. Os dramaturgos partiram de relatos dos próprios atores e experiências pessoais para criar a peça. A atuação fica por conta do núcleo experimental do Teatro Popular do SESI, grupo ainda inexperiente, mas que não deixa esse fato comprometer a encenação.

Mais uma vez, o texto de Moreno não decepciona. Contudo, esse espetáculo começa a ganhar vida mesmo a partir da segunda metade da peça, quando todo o lirismo e poesia aparecem nas histórias. Os relatos iniciais deixam a desejar, porque não trazem a mesma qualidade cênica e literária das últimas.

O espectador pode compensar essa deficiência se divertindo nos momentos em que a arquibancada inteira da platéia se desloca em um trilho, para acompanhar as cenas realizadas em outras partes do mezanino. Um toque de super produção não totalmente necessário, mas uma solução para aproveitar todo o espaço horizontal do mezanino, e o aspecto de “viagem”, de transpor fronteiras, da história.

Também uma fronteira separa o público dos atores. Essa distinção é física e ideológica, mas também é uma das barreiras a serem quebradas, já que ambos estão ali pelo mesmo motivo – pela arte, pela mensagem, pela história.

2,5 onomatopéias de emoção sob os trilhos

O que a galera acha

1 comentário

  1. Fabrício Muriana says:

    Esse eu nem pitaquearia.
    Deu vontade de ver.
    Abraço, Leca.


E você, o que acha?

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