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Críticas

(In)Sônia

por Astier Basílio

Nenhum Comentário 16 September 2008

 

“Quero agradecer a mídia, nossos patrocinadores e a todos vocês que apreciam teatro experimental”.

De Adriano Marcos, ator da peça (In) Sônia após ser aplaudido com direito a “u-rus” pela pequena pláteia, havia menos de 20 pessoas, no pocket Teatro Ednaldo do Egyto, em João Pessoa.

Em 1922, o Brasil era chacoalhado pelo Modernismo, influenciado pela eclosão das vanguardas européias.

“Acho que vocês deveriam fazer panfletagens nas casas. O teatro passou um tempo fechado, tem gente que não sabe que ele tá funcionando de novo, sabe?”

De uma Moça não identificada em papos com – depois eu soube – o rapaz que opera a luz. A moça mencionou na conversa, de onde este trecho foi pirateado, que não assistiu à montagem de Toda Nudez Será Castigada, texto de Nelson Rodrigues, do grupo Armazém, no último Fenart porque se apresentava antes e achava que daria tempo de pegar o ingresso. Não deu. Tudo isso pra dizer que ela também era atriz.

Na Paraíba, o escritor Joaquim Inojosa convocava os escritores locais a aderir ao movimento modernista em uma carta publicada no jornal A União, em 1924.

“Pessoal, boa noite, vamos começar o espetáculo. Por favor, desliguem os seus celulares e avisamos que é proibido fotografar ou filmar a apresentação. Obrigado”.

De um ator da Companhia Argonautas, na entrada do teatro, que sem querer divulgava o meu blog.

Só com o movimento da chamada Geração 59 que a Paraíba faz uma reação (eu não falei ruptura, ok?) às escolas passadistas como o simbolismo, parnasianismo e romantismo ainda predominantes na província – isso às vésperas dos anos 1960, com Poesia Concreta, Poema Processo e o diabo a dez pipocando.

Entramos. A atriz está logo na entrada, no corredor que divide as duas fileiras. Eu e uma moça não sabemos se devemos entrar ou se ficamos olhando pra ela. Depois de alguns segundos, nos sentamos. Vou pra primeira fila. Quando nos acomodamos, quase um torcicolo nos pega a todos. A atriz ainda lá. Tempão. Quando sobe ao palco, entra uma moça, liga a câmera, passo muito tempo imaginando que alguém da produção vá chegar lá e diga: é proibido. Mas, (tiraria essa vírgula) ninguém faz isso e resolvo assistir à peça.

As peças de Oswald de Andrade demoraram décadas para serem montadas. O modernismo se instituiu nas artes plásticas e na literatura em 1922, mas sem correspondente no teatro cujo marco de modernização tido e havido pela historiografia é conflagrado em 1943 com é a montagem de Vestido de Noiva. Destaque para moderna cenografia de Tomás Santa Rosa (vinheta com “orgulho de ser paraibano”), direção do gringo Zimba e texto de quem, de quem? Raimundo Nonato (do mesmo autor de Valsa nº 6, adaptada e dirigida por Tony Silva com o nome de (In)Sônia).

Coreografias. O texto é dito. Em terceira pessoa. Em primeira pessoa. Pela atriz. Pelo ator. Pelo ator e pela atriz. De trás pra frente. Os dois dizem simultaneamente o texto. Agora, ela diz o texto primeiro. Ele repete depois. E eu, que estou na primeira fila, me distraio com o operador de luz que durante a apresentação bate com um alicate de cabo verde no refletor do chão que não funciona. O operador passa entre as duas tapadeiras do fundo. Eu penso, “sempre vou me sentar aqui”.

Na Paraíba, o nosso maior marco continua sendo Vau da Sarapalha e Nelson Rodrigues um autor que ainda inspira diretores de teatro experimental.

1 indicação para a atriz Nykaelle barros no próximo Prêmio Bacante na categoria “nu artístico não é só em revista”

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