Sem comentários
23h35 de sexta-feira. Descendo a rua da ladeira, chegamos ao teatro União Cultural – que não é uma ação de incentivo à cultura do açúcar União, é o teatro da fundação União Cultural Brasil Estados Unidos, cujo objetivo é aproximar a cultura dos dois países fazendo todo mundo falar inglês melhor. No teatro, foyer lotadaço. Era difícil separar quem era sócio da alegria e quem era só palhaço mesmo. Isso porque palhaço adora ver palhaço. E patrocinador também.
Na porta, uma banquinha. Nada comparado ao Galpão, mas com direito ao meigo buquê de tulipalhaço, também à venda no site. A página na web, aliás, tem muitas coisas à venda. Coisas de vestir, ler, brincar, doar e, ainda, kits. Tudo direto do laboratório dos Doutores da Alegria!
Depois do café com mentex, vamos todos ao teatro com poltrona tipo lombada e bandinha. Eu poderia ficar a noite toda só ouvindo a bandinha de palhaços. Nesse momento, já comecei a participar do espetáculo e não demorou pra que eu me sentisse, tipo assim, na platéia do Gugu. Depois passou. Isso porque a moça atrás de mim fazia comentários tão altos e chatos que eu voltei pro meu mundinho, fiquei mal-humorada e parei de participar. Mas isso foi depois do bis, porque até a hora da primeira distribuição do bis (o chocolate – tinha do preto e do branco – peguei dois de cada), eu estava muito envolvida.
Midnight Clown é um show de calouros sem o Raul Gil, mas com vários palhaços que apresentam seus números e depois passam pelo julgamento implacável de uma “crítica especializada”. A palhaçada (desculpem, é clichê, mas não dá pra fugir desse trocadilho) é apresentada pelo dublê do Chacrinha, Wellington Nogueira, o moço que trouxe para o Brasil a idéia de colocar alegria nos hospitais. Inovador, o rapaz ganhou pontos com seu vestido de noiva em homenagem à primavera – muito mais ousado que as roupinhas de bobo da corte do documentário Doutores da Alegria – o filme, principalmente porque não fechava atrás e compunha o figurino junto a uma meia arrastão e a uma cueca – ambas pretas.
Os números não são lá aquelas coisas, mas nem era pra serem mesmo, parece. O melhor é dar espaço para o ridículo entrar em cena e combustível para as críticas implacáveis da crítica especializada Elizabeth de Queen, que, depois de tomar um gole de veneno e soltar muitas palavras duras, ainda é capaz de dar sorrisinhos aparentemente meigos, que tornam o personagem mais imprevisível.
Foram seis números curtos e descompromissados, com palhaços que se revezavam entre os instrumentos da banda e as performances desastradas. Nenhuma das apresentações, porém, estava à altura dos comentários da crítica, que, num instante brilhante que poucos perceberam, homenageou a musa inspiradora da Bacante, Babi.
Eu poderia terminar esse texto dizendo que a apresentação auto-referente e auto-elogiosa dos Doutores era bem desnecessária, porque embora expusesse corajosamente algumas fragilidades hospitalares – descendo a lenha, inclusive nos médicos e poupando só o Chaves – ainda assim tinha cara de comercial para a TV. E tudo ali já fazia tanta propaganda! Eu poderia terminar o texto lamentando isso, mas aprendi com a Babi que aprendeu com a Elizabeth que este número está abaixo da minha avaliação, então melhor não comentar.
2 bis pretos e dois brancos


acho aquele wellinton um chato…
não vejo graça nele…
diferente da Bete,que acho engraçadissima…
hoje em dia essa questão do palhaço esta banalizada né?
hoje em dia todo mundo é palhacinho…
Como queria brincar de assistir o Wellington brincando de Raul Gil com você. Como queria brincar de não pensar sobre pensar sobre brincar. Como queria só brincar de brincar, brincando as brincadeiras com brinquedos do coração, assim como a bandinha que brinca de receber as brincadeiras de quem quer brincar de não pensar.