Críticas

Motel Paradiso

por Juliene Codognotto

Nenhum Comentário 24 April 2007

Noite no Motel

Noite de sexta-feira, 20 de abril, dia de levar a família inteira ao teatro. Estréia mais uma comédia de Juca de Oliveira, no teatro Bibi Ferreira, na Av. Brigadeiro Luis Antônio. O público bem vestido comparece em peso e, no meio dele, Taumaturgo Ferreira, Luciana Melo e seu cabelo, este último para azar do ocupante da poltrona de trás. Problemas capilares à parte, a Equipe Bacante não estava vestida adequadamente para tal evento, talvez por isso tenha ficado com as cadeiras da fileira P, sem estofado, no canto. Acontece… pelo menos não foi atrás da Luciana!

O cenário era completo como deve ser em uma novela. De um lado, uma sala com direito a sofá, mesinha, telefone. Do outro, um escritório com mesa executiva com tudo a que tem direito. Ao fundo, separado por uma persiana para maiores intimidades, o Motel Paradiso, que dá nome ao espetáculo.

Os personagens, estereótipos: uma dona de casa, um adolescente que faz Politécnica e mesmo assim é meio burrinho (10 anos de cursinho caro podem fazer milagres e destruir faculdades), um gerente de banco caipira que come a mulher do presidente do banco durante o expediente, a mulher galinha do presidente do banco, o corno, o secretário do corno e a filha do corno, uma garota de 14 anos, que fica grávida. A peça gira em torno desta tragédia: a filha do dono do banco fica grávida do filho do gerente que come sua mãe. Deu pra entender?

A história de famílias aparentemente perfeitas, que começam a ruir sempre atraiu platéias de famílias ideais. Os espectadores riem e aplaudem. Isso, pessoal! Vamos rir dos nossos entraves sexuais, da nossa obsessão pelo dinheiro e pelo poder, do nosso puxa-saquismo, da nossa prepotência, dos nossos relacionamentos destinados ao fracasso. E daí vem a crítica do Juca em cima da elite. A pergunta é: a platéia é realmente atingida pela crítica ou fingir-se de bobo é mais fácil, já que todo mundo sai do teatro feliz?

A atuação é razoável. Não dá pra negar que alguns dos atores são bons. Dá até pra imaginar eles em projetos mais ousados. Talvez falte justamente isso: ousadia. Pois se a entrada das mentes da elite está aberta, seria bom aproveitar, não?

Juca, no entanto, se perde numa fórmula de aproximadamente 50 anos e 77 peças sobre o mesmo assunto. E aí, a pretensa crítica vira entretenimento, além, é claro, de point social, pois não há nada mais chic numa sexta à noite do que ir ao teatro.

Ps: A Equipe Bacante descobriu qual é o fantasma que assombra o Teatro Bibi Ferreira! Sim, o espectro cor-de-rosa usa traje de festa, é muito feminino e recebe as pessoas sempre com um sorriso. Isso sim é que é teatro!!!

1 Laço de Família. De couro.

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