Alguns minutos de puro ego
Na série de monólogos Retratos Falantes, o grupo Tapa apresentava personagens que falavam em primeira pessoa e, ao traçar seu auto-retrato verbal, revelavam ao público muito mais aspectos de suas personalidades do que apenas aqueles que eram verbalizados. É muito parecida a proposta de Ariela Goldmann com Narcisianas, seu primeiro texto teatral: retratar figuras contemporâneas que, basicamente, falam de si próprias, revelando a forma como gostam (ou gostariam) de serem vistas.
A amostra, 100% masculina, não é (e tampouco pretende ser) representativa deste universo. Camuflados em meio à platéia (que ocupa todo o espaço dos Satyros 1), os muitos atores escolhidos pela diretora falam de forma rápida, sucinta, não revelando mais do que os estereótipos que seus personagens criam para si próprios. Não há conexões, atravessamentos, amarrações – os atores sequer se encontravam durante os ensaios, que aconteciam individualmente, revela o rilise. A forma da montagem, sobretudo na escolha de manter os atores camaleonicamente misturados à platéia, sugere que qualquer pessoa ali presente poderia fazer seu depoimento, sua confissão, sua apresentação egóica, ou qualquer pessoa presente poderia se encaixar naquelas descrições. Cada figura, por mais diferente que seja, se assemelha às demais pelo excesso de amor próprio (ou de insegurança) e à blindagem com que se protege do contato com o outro.
A produção, que a diretora define como uma “provocação coletiva”, acaba prejudicada pelo pouco aprofundamento de cada história, deixando a platéia apenas com a “casca” de cada personagem que, se analisarmos friamente (tipassim, sentados num balde de gelo), não têm estofo suficiente nem para conquistar a atenção do público, nem para virar sofá.
Dessa forma, a provocação acontece de outra forma, sobretudo à classe teatral (presente em massa pra tomar cerveja com os amigos atores e rir convulsivamente de seus monólogos, ainda que não fossem tão engraçados assim): é a proposição de um novo formato, menos “acabado”, menos “espetacular”, com produções curtas (Narcisianas tem aproximadamente 20 minutos) cujo único objetivo é concretizar experiências e idéias, ainda que o produto final não tenha o acabamento normalmente esperado até mesmo das produções teatrais ditas “experimentais”. No fim, o problema maior acaba sendo quando esse experimento vem embalado e vendido como um espetáculo pronto e acabado, tanto na divulgação como no preço de vinte reais. Ainda bem que o Fred, que concorreu ao prêmio de assessor de imprensa do ano, está de volta.
1 real por minuto de peça. Seria mais barato bater um papo de 20 minutos com o Astier, lá em João Pessoa, por telefone.



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beijo, me liga Mau
putz. e nem eu estando em sp vocês me ligam…