Críticas

O Poço

por Fabrício Muriana

2 Comentários 28 May 2007

A Festa do Tchibum

Fotos: Luiz Doroneto

A entrada é por um túnel que nos remete a qualquer coisa menos o nosso mundo. Chega a frustrar um pouco adentrar a sala do espetáculo e encontrar exatamente o que se espera: um poço. Mas enfim, ele está lá, escondido no cofre do Centro Cultural Banco do Brasil, feito especialmente para a montagem, com ambiente climatizado e duas atrizes muito bem vestidas de negro para nele caírem. E começa a Festa do Tchibum.

Os semblantes muito semelhantes fazem parecer que há apenas um personagem em cena, apesar da peça contar com elenco de duas pessoas. E tchibum! Levantam as atrizes da água pela primeira vez e dá-lhe coreografia no público. O texto se vale de repetição. Palavras desconexas. Posições circenses dos atores. Tudo bem desarticulado, para dar ainda mais sentido pro Tchibum. E tchibum!

É notável que ali houve um trabalho físico como centro de tudo, antes mesmo da incorporação do texto. Não falo como elogio, falo mais é com inveja mesmo, pois imagino o diálogo entre uma das atrizes e o segurança do CCBB:

- Bom dia
- Bom dia, pra onde a senhora vai?
- Eu vou pro ensaio da peça que vai estrear aqui. Chama “O Poço“.
- Ah tá! Por isso a toalha?
- Isso.
- Mas tem peça mesmo ou é só você nadando?
- Não, tem peça mesmo.
- Deve ser difícil, né? Fazer uma peça dentro da água.
- Nada, a gente tá adorando, nossa próxima peça deve chamar ofurô!

Ok, a última linha pode ser um delírio um pouco distante. Mas dá uma invejinha, né? Imagine você podendo montar uma peça em que, além de atuar (convenhamos, algo que está entre as coisas mais deliciosamente humanas do próprio ser humano) você também pode nadar. Tchibum!

E elas foram fundo. Parecem mesmo estar no lugar certo. Quase como anfíbias, vão e vêm de dentro da água. Encontram espaço para sorrir e para sofrer. Mas parecem que ainda não estão no ponto. Tchibum!

Há uma certa convicção ou impostação exagerada nas falas que faz crer que o corpo de ambas ainda não está no personagem. O texto entra meio atravessado nessa história. Mais uma vez senti falta da tecla mute em alguns momentos. Talvez uma edição já resolvesse.

Fica, pelo menos pra mim, a sensação de que uma barreira foi superada. Até mesmo o Centro Cultural Banco do Brasil, cujas ressalvas para o apoio à cultura valeriam outro texto, consegue dar margem para que se construa dentro das suas instalações um espaço realmente alternativo de apresentação. Pra não dizer um meio alternativo. Mas sabe aquele quê? Aquela coisa que te intriga pra além das imagens do espetáculo? Aquilo meio indelével que a gente procura pra cacete e de vez em quando até acha? Pois é, foi isso que faltou. Tchibum!

3 gotas por minuto nos ocupantes da primeira fileira

O que a galera acha

2 comentários até o momento

  1. Andre Freitas says:

    Olá Fabricio,

    Li sua resenha sobre o espetáculo “O Poço” da Cia LE Plat du Jour, que está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil e me parece que você entende muito pouco de teatro e cultura e isso lhe falta assim como < "Aquela coisa que te intriga pra além das imagens do espetáculo? Aquilo meio indelével que a gente procura pra cacete e de vez em quando até acha? Pois é, foi isso que faltou". Foi isso que faltou no seu texto que não diz nada de fato só critica voluntariamente o espetáculo.
    Assisti o mesmo espetáculo e realmente ele está dentro da proposta da cia, ou seja das duas atrizes. A proposta do teatro fisico é realmente marcante, pois a cia tem em sua linguagem esta proposta.
    O que me parece que no dia em que você assitiu o espetáculo ou quando escreveu a resenha estava de mau com o mundo, pois seu texto só tem um lado o da critica e de má fé. Você temo direito de escrever, mas se realemente tem algum algum propósito com seus textos deveria ser mais maduro em sua construção e mensagem e não se deixar levar apenas por sua opinião pessoal e sem critério para o público fazer piada dos trabalho dos outros é muito fácil, no seu caso gratuito. Acompanho a cia Le PLat du Jour de outros espetáculos adultos e infantis e realemnte posso afirmar você não percebu nada do trabalho desta cia que tem reconhecimento de público e critica especializada sempre elogiada e recomendada por quem entende de teatro e proposta cenicas.

    André freitas
    andrefreitas1981_scs@yahoo.com.br

  2. Fabrício Muriana says:

    Oi André

    Primeiro, valeu pelo retorno. Difícil alguém se dar ao trabalho de escrever com tantos argumentos o porquê achou que a resenha tem pouca valia.

    Como o velho Jack, por partes:

    - Também tenho a sensação de que a resenha diz muito pouco ou quase nada. Talvez por isso eu tenha colocado o diálogo improvável entre uma das atrizes e o segurança. É que, sem meias palavras, não encontrei muito mais pra ser descrito sobre o espetáculo.

    - Sim, eu critico volutariamente o espetáculo. Inclusive nem ganho (assim como nenhum outro colaborador da Bacante ganha) nada com isso. No caso de o Poço, em específico, contamos com ingressos da assessoria de imprensa. Economia de R$ 7,50 que pretendemos continuar fazendo. Enfim, nesse ponto concordo com você, critico voluntariamente o espetáculo.

    - A proposta do teatro físico é realmente marcante. “É notável que ali houve um trabalho físico como centro de tudo”. Essas aspas são minhas e falei isso logo no início do texto.

    - Sobre o dia em que eu assisti o espetáculo, adorei o que você escreveu. Não é sempre que se abre um espaço de psicanálise nas críticas da Bacante, você compreende, né? O foco ainda é a peça. E você me dá essa chance de falar de mim. Bem, em suma, naquele dia eu estava bem, como em qualquer outra peça. E o mais chato é que saí do teatro bem, como em qualquer outra peça.

    - Sobre a má fé, eu gostaria que você explicasse um pouco melhor. Porque na definição, seria como se eu escrevesse com o intuito de ser ruinzinho. Se for isso, eu te pergunto por quê?

    - Legal você lembrar que eu tenho o direito de escrever.

    - Sobre “ser mais maduro”, bem, eu já caí do pé.

    - Sobre fazer piada, creio que você começou a ler a Bacante agora. Uma dica, não leve a gente muito a sério.

    - Como eu “não percebu nada do trabalho desta cia”, fica aqui um convite pra você escrever a sua crítica, e postamos integralmente aqui, sem edições. Assim você me mostra o que eu não percebi. Só peço um pouco mais de cuidado na correção ortográfica desse texto.

    - E por último, e não menos importante, quanto à “crítica especializada” e sobretudo quem você acha que “entende de teatro e propostas cênicas”, bem, pra esses eu tô cagando.


E você, o que acha?

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