Tá, blz. Teatro também é gosto (será?)
Fotos: Raoni
Mas afinal o que é gosto e quanto disso entra num diálogo [crítico]?
Quando alguma coisa (qualquer uma mesmo) não me agrada em absoluto, é porque existe alguma questão ali que eu tenho que pesquisar, entender, procurar na proposta.
Não acredito que alguém entre num teatro, estude um autor ou uma dramaturgia própria, monte cenas, organize e apresente ao público (sobretudo quando todo esse processo envolve verba pública) sem uma intenção, que pode ou não ser legítima, mas que existe.
Em que pé se dá essa desconexão minha (e/ou do público) com essa intenção? Me pego cada vez mais boiando entre cenas, não só nas dessa peça, mas também em muitas cenas de filmes. Da TV eu já desisti. Em cenas cotidianas inclusive. Eu devo ser meio autista.
Mas qual é a origem dessa desconexão quando estou lá pra isso, voltando toda a atenção justamente para esse foco? Não é egotrip. Faço esse relato pra tentar entender o que, do jogo cênico, se institui que nos faz crer naquilo como um compartilhar com a platéia (portanto comigo) e o que acontece nesse mesmo jogo que nos faz perder a fé no que está sendo apresentado. Não estou falando de parâmetros realistas nem de quarta parede. Abundam peças que utilizam a quebra desses recursos e que instituem o jogo.
No entanto, o que me intriga é que, ao mesmo tempo que o jogo tem que se instituir, ele não pode passar do ponto. E nas vezes em que me vejo boiando, normalmente é quando sinto que passou do ponto.
Sabe aquela hora em que o Zé Celso já falou 40 minutos do discurso messiânico dele e você só quer ir embora? Sem desmerecer todo o trabalho anterior de produção de um imaginário, feito pelos atores e pelo próprio Zé Celso. Sabe aquela hora em que Georgette Fadel tem que encarar o monólogo mais longo de Gota D’água, e que a gente poderia pular pro que interessa, porque, novamente, estamos atormentados por tudo que já passou na peça? Ou quando o Ilo Krugli faz o seu discurso final no espetáculo, depois de todas as suas inserções inesquecíveis, que variam a cada apresentação, mas que naquele momento você não quer mais ouvir?
Os exemplos são muitos e estão presentes em centenas de outras peças. Algumas delas a gente não pode perder, porque, no fim das contas, conseguem instituir o jogo nas demais cenas. Mas são momentos que passam do ponto os que atrapalham. Essa foi a sensação geral que tive ao assistir O Público, novo espetáculo do XPTO.
Não conhecia o trabalho do grupo e sinto que continuo não conhecendo. Não sei nada de Lorca, mas acho que não precisava saber para me envolver com esta montagem. Não me sobra quase nada de impressões, a não ser as duas horas de duração, alguns sotaques estranhos em cena e o medo do que estava por vir na recepção-balada do público (que potencialmente é muito legal, pensando depois de tudo). O único momento em que senti realmente uma conexão com a proposta, foi quando coloquei a mão na areia e isso talvez tivesse resumido todo o resto.

93 temas pensados ao longo a apresentação. Nenhum tinha a ver com a peça.




Eu assisti espetáculos de quatro diferentes fases do XPTO, me parece que essa última, que eu naõ vi, não presta. – heheehhe
Não conheço ninguém que viu e gostou.
Bem, as pessoas erram, não é?
Eu simplesmente fiquei apaixonado pela peça, ela me tocou em vários momentos, eu senti, me envolvi e chorei… Posso não entender nada de teatro, mas consegui levar alguma coisa de lá sim.
Pô, Tiago.
Du cacete. Se você puder desenvolver as sensações ou razões de ter dialogado, já seria uma bela crítica.
Tá afim?
vi a peça sábado. fiz a besteira de ler críticas antes, então fiquei um pouco confuso, pois não era bem o que eu esperava. ainda bem, porque gostei muito. uma peça bem louca, com muitos resquicios do oficina. gostei da proposta do grupo, mas achei o começo confuso e não gostei daquela ‘balada’ na entrada do espetáculo.
Uma linda peça, uma pintura surrealista … maravilhosa!
sou ator da peça, so agora vi esse texto. achei a crítica sem rumo de onde quer chegar, assim como tudo o que ela diz criticar. vamos ao ponto, ao grao. teatro pede foco. foco nele e no que se viaja a partir dele. ir ao teatro para entender alguma coisa ja eh a propria ocntradicao do ato de atar, agir ao vivo como a cena que nasce na nossa frente. para que a cena passe a nascer de dentro. vamos escrever com mais tesao minha gente! e mais nocao tambem!
É um exercício de espelhamento. Você achou a crítica sem rumo (e está correto) e eu não entendi seu comentário.
Da parte do tesão, a idéia é escrever ao longo do coito? Pra estar no máximo de tesão? Vou falar com a minha parceira.
No mais, obrigado pelo comentário sincero de alguém de dentro da peça.
Eu adorei a peça, a peça é maravilhosa.
Essas criticas são de quem não sabe enbarcar
no surrealismo de lorca.
Uma peça considerada pelo lorca “incenável”
vcs conseguem fazer com que as pessoas
fiquem extasiadas com o espetáculo parabens
uma peça considerada pelo lorca “incenável”
vcs conseguem fazer as pessoas sair do espetáculo
extasiadas parabens