Pechincha…
… porque pra compensar a grana que devem ter custado os direitos autorais do texto de Harold Pinter; o investimento que é construir um teatro “muderno” na badalada Rua Agusta; e, ainda assim, cobrar só 10 reais na entrada, é preciso economizar…
- 1 galão de água de 10 litros para esparramar pelo chão compondo todo o cenário = economiza madeira.
- 1 atriz interpretando dois personagens = economiza o cachê de um ator e ainda dá um charme.
- 1 projetor dando as falas de um ator = economiza o cachê de mais um ator e ainda dá um toque tecnológico.
- 3 atores = caro, mas tudo bem, já economizaram o cachê de 2 atores nos procedimentos descritos nos itens acima.
- 2 lâmpadas fluorescentes = economiza uma estrutura de iluminação com canhões de luz e ainda dá um tom de mistério, além do apelo ambientalmente correto.
- 4 figurinos “pretinho-básico” = economiza gastos diversos no brechó e nem dá pra ver mesmo à meia luz.
- 1 radinho tocando músicas antigas tipo “I’ll never smile again” = economiza cachê dos músicos para executar a música ao vivo, além do cachê do diretor musical.
4 integrantes do grupo Bagaceira gostaram, aparentemente.



Com toda a possibilidade de discussão sobre a linguagem da obra; suas opções cênicas; desempenho dos atores;a escolha da abordagem do texto, é uma pena que a capacidade da crítica consiga ler somente a pechincha.
Oi, José.
Você tem razão. Isso aí da pechincha foi tudo o que consegui tirar da montagem. E teve gente que conseguiu menos ainda, viu! E a brincadeira do texto é justamente sobre isso, sobre o pouco que eu consegui apreender/ receber da peça. Mas, por outro lado, tem publicada aqui na Bacante outra crítica, escrita pelo Marco, com foco no texto, e pode ser que lá você encontre mais do que procura e talvez até possa discutir alguns pontos. Veja lá: http://www.bacante.com.br/revista/critica/o-quarto-2.
Abraço,
Juli =)
Bom, se isso foi tudo o que você conseguiu tirar da montagem, o papel de crítica de teatro não lhe cabe…
Quanto às pessoas que você diz que conseguiram tirar menos ainda: nada é mais repulsivo ao senso comum que a alteridade. Cabe justamente à crítica intermediar o processo, se não a arte é obrigada a se limitar às estratégias mais óbvias da cultura de massa. Estude um pouco mais, desenvolva sua sensibilidade, e não seja leviana. Sua contribuição para a discussão artística, nesse caso, foi absolutamente nula.
Olá, Roberto, obrigada por comentar.
Primeiro, quanto a “caber no papel de crítica”, isso não me interessa muito, sinceramente. Não tenho ambições de seguir carreira, não.
O objetivo aqui é a abertura ao diálogo de que pode participar quem quiser e, veja, podemos começar justamente pelo que você define como papel da crítica: “intermediar o processo”.
Primeiro argumento: cultura de massa. Olhe, a arte não se entrega à cultura de massa porque as pessoa não são capazes de acompanhar outras formas e idéias e por isso precisam de um crítico para intermediar o diálogo. Essa seria uma relação muito limitada a meu ver, não acha?
Aqui, na Bacante, aliás, pensamos a crítica como um diálogo. O diálogo pode estabelecer-se com o público que viu a montagem, com o que não viu, com o grupo que a realizou, com o autor da dramaturgia, etc, etc, etc. Vários diálogos podem se dar ao mesmo tempo num texto, ou apenas um. É uma escolha. A crítica é, também, uma produção no limite entre arte e reflexão em relação à obra.
Minha escolha, neste caso, foi expressar ao grupo que – independentemente do quanto minha sensibilidade esteja desenvolvida e do quanto tenha estudado (ou justamente por conta disso, vai saber), o que eu apreendi da peça foi muito pouco. O diálogo entre nós foi nulo. O que quero dizer com isso é que estava claro para mim que o grupo procurava uma forma inovadora, mas eu não consegui dialogar com a proposta. Não me envolveu. E foi o que eu disse, com uma brincadeira que, claro, não tem qualquer relação com o conteúdo da montagem, porque, deste, não me senti apta a falar. Sim, não contribuí com a discussão artística. Nem quis, nem poderia. Contribui apenas com impressões, talvez importantes para a avaliação de como o trabalho chega ao público. Talvez não.
Abraços,
Juli =)
Juliana,
Creio que nossos pontos estão muito claros.
Temos uma visão do mundo (e da arte) absolutamente distinta.
E por mim está Ok que seja assim.
Continuo fazendo aquilo em que acredito com todas as minhas forças, desenhando imagens que procuram ampliar a experiência humana. Isso para mim é sagrado.
Mas cada um vive o seu tempo como quer.
Um abraço,
Roberto
Oi, Roberto.
Por mim também está ok que tenhamos visões diversas, embora a sua não me tenha ficado clara aqui. E também está ok que você não queira falar mais sobre ela neste espaço, mas expressá-la em outros. Sobretudo porque ambos fazemos um trabalho em que acreditamos.
Abraço,
Juliene.
Não, não parece nem um pouco que a “crítica” Juliene acredite no que faz. O que parece que é que joga m… no ventilador, como qualquer macaco faria… e com muito mais graça.
Continue garota… a sujar vosso nome. Ele é todo seu.
Ih, Julie, descobriram a sua treta no SPC/SERASA de novo. Eu falei pra você pagar suas contas antes de escrever pra Bacante.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u643621.shtml
Oi, José.
Agora sim… Diante disso, que dizer?
Bravo!!!
Só pra complexificar um pouquinho essa coisa de Bravo!, lembremos…
http://www.bacante.com.br/blog/2008/10/o-amor-e-prime/
Meus caros, um ano depois da estréia de O QUARTO, a peça que “revolucionou” a encenação de textos do Harold Pinter no Brasil – foi a primeira peça escrita pelo autor britânico e pela primeira vez encenada por aqui – ao contrário do que diz o título da música usada na peça “I’ll never smile again”, Roberto Alvim, o diretor pode, sim, continuar sorrindo e, no fundo, até está dando discretas gargalhadas já que arrebatou o prêmio BRAVO! Prime de melhor espetáculo teatral na quinta edição que aconteceu no último dia 26 de outubro, em São Paulo. Roberto Alvim já se considerava vitorioso ao ser indicado para o cobiçado prêmio e disse estar muito surpreso com a conquista. Alvim quebrou várias regras do nosso teatro e sua ousadia lhe deu mais que um prêmio. Ele ganha, a cada nova montagem, o reconhecimento de que seus espetáculos vão muito além de um simples sorriso ou de aplausos gratuitos.
Oi, Rogério.
Que bacana, né? Ganhar prêmios é muito bom pro currículo! Nossa! Ainda mais os “cobiçados” como o Bravo! “Prime”.
A pergunta que sempre volta: “o que seria do teatro brasileiro sem os prêmios, não é?”
Obrigada pelas informações sobre o sorriso do diretor.
Um abraço,
Juli =)
A INVEJA (e a mediocridade) É UMA MERDA!…
O Prêmio Bradesco Prime é ótimo:
Roberto Alvim ganhou o Prêmio Bradesco Prime:
logo, Roberto Alvim é ótimo.
É o tipo silogismo
da superficialidade.
A questão não é nem desmerecer
o valor da peça, o valor do trabalho
da montagem. Mas pactuar
na construção de um jogo
de ilusionismos em que o prêmio
e o premiado se sustentam
no nada.
Achar que a simples equação,
ganhou prêmio, atestado do Immetro
é muito ligeira e rasteira.
Vamos falar de prêmios?
Quaisquer que sejam?
Fernando Pessoa perdeu um concurso literário
com o “Mensagem” – quem ganhou o primeiro
lugar? não importa, ninguém sabe,
mas todo mundo lê, ama Fernando Pessoa.
Orson Welles, Charlies Chaplin,
Stanley Kubrick nunca ganharam
Oscar de melhor direção
e estão no rol dos melhores diretores
da história dos Estados Unidos
e do mundo.
Prêmio não quer dizer, necessariamente, nada,
não vai se colar à obra como
uma entidade metafísica que distorça
o valor ou q altere qualquer coisa
Jorge Luis Borges, Tolstói,
Ibsen, Franz Kafka, Marcel Proust, James Joyce,
nenhum deles ganhou o Nobel
de Literatura e, todavia,
são mais premiados
pela permanência e vivacidade
de seus trabalhos
do que vencedores deste prêmio
como Rudolf Eucken,
Verner von Heidenstam,
Władysław Reymont
E olha que eu estou falando de um prêmio
de prestígio, de 108 anos de fundação,
nada de um banco que quer
se promover a custa
de propaganda,
mas estou falando de um prêmio
de alcance mundial
que já laureou gente como
Bernard Shaw,
Thomas Mann,
William Faulkner, TS Eliot,
Tás vendo que a sentença não é tão simples,
Alvim já conquistou o seu espaço
independente dele ter ganho esse prêmio
ou qualquer outro.
O que não lhe confere estar
acima de qualquer
enfrentamento crítico.
Acho q ele é maior do que esse Prêmio Cheque Especial.