Críticas

Parlapatões Clássicos de Circo

por Juliene Codognotto

3 Comentários 23 July 2009

Eu também queria sentar no corredor

Crianças levando seus pais e avós ao teatro, disputando os últimos ingressos no disputado (ai, que palavra chique) Festival de São Caetano, o Cena de Teatro. Brincadeiras entre os jardins do lado de fora, chororô de quem não pôde entrar. A produção pede às mães que coloquem os filhos no colo para que mais pessoas possam entrar. Todo mundo ajuda.

Eu não estava com nenhuma criança no colo, mas fiquei do lado do Gui e do primo dele, que de 10 em 10 minutos perguntava: “Gui, você tá gostando?”. Assistir a uma peça infantil é, fundamentalmente, assistir ao público. Crianças são muito abertas e receptivas e, por outro lado, muito sinceras quando detestam algo (sim, eu estou generalizando). Gargalhadas são tão intensas – e, portanto, tão altas – quanto são sentidas lá dentro, gritos de medo também não são poupados. E, afinal, por que uma criança vai ficar lá atrás no colo duro da mãe se há dois corredores enormes com carpete? Logo, os corredores se enchem de espectadores ansiosos e espevitados. Logo, fica claro que forçar os números de circo a se encaixarem em um teatro talvez não seja uma boa solução, até porque pode condicionar as crianças a perceberem aquele quadradrão preto cheio de cadeiras como o único espaço cênico possível.

Felizmente, as crianças dão um novo significado ao espaço limitado e, a partir disso, os Parlapatões, Patifes & Paspalhões apresentam um espetáculo muito espontâneo que, por isso mesmo, combina com o seu público – muita bagunça no palco, pouca ou nenhuma marcação de cena, um bom tanto de gritos, figurinos bizarros, muita risada entre os próprios atores. Um ambiente totalmente informal, o que gera uma identificação quase completa no que podemos chamar de “público-alvo”.

É justamente esta identificação, no entanto, que torna mais grave o fato de a maior parte dos números se reduzir a uma série de piadas homofóbicas ou, ainda pior, a situações que simbolizam violência, desde verbal até brincadeiras com armas. Não estou dizendo que peças infantis têm que se limitar a ensinar a escovar os dentes e rezar “santo anjo do Senhor” antes de dormir, estou dizendo que os Parlapatões fizeram uma colagem de números de circo que não se transformaram em uma peça e que não sofreram qualquer adaptação para questões do nosso tempo, do nosso lugar.

Penso que, talvez, usando somente um riso que tem raiz na violência e na vitimização do outro, estejamos formando platéias de Zorra Total, em vez de pessoas acostumadas a um riso que traz consigo alguma reflexão. Ok, são “clássicos de circo”, mas será que o mais importante dos clássicos não é justamente a possibilidade fazer uma releitura deles e entendê-los/ expressá-los no agora com algum objetivo?

2 momentos de interação direta com a platéia, um com orelha de burro, outro com piada sexual

O que a galera acha

3 comentários até o momento

  1. Kiko Rieser says:

    Hum… Interessante, Juli!

  2. André Luís says:

    clássicos do mico!


E você, o que acha?

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