Sem palavras
Fotos: Divulgação
Dois dias depois de assistir Saudades em Terras D’Água, em sua estréia no Festival Internacional de Londrina, o FILO, participei de uma mini-conversa-entrevista-coletiva-com-mais-três-jornalistas com os atores e diretores André Curti e Arthur Ribeiro – brasileiros radicados na França há anos (na verdade o Arthur chega a ter umas quatro nacionalidades… mas digamos que ele é brasileiro e pronto).
No início do bate-papo, eles comentaram que a primeira apresentação deles no festival não chegou perto do que era pra ser. Primeiro, o espetáculo estava marcado para as 20h na programação, mas foram avisados por alguém da produção que a peça iniciaria às 20h30. O público, irritado pela demora, começou a bater palmas e só aí o espetáculo começou. Também tiveram problema com o som, que só chegou poucas horas antes da apresentação, não dando tempo de prepararem as músicas adequadamente. Não tiveram a ajuda de um cenotécnico, apenas de um estagiário (segundo ele, vale ressaltar). E por fim, a organização disponibilizou para eles apenas um biscoito diet para oito pessoas. Coitados, não conheceram a Lu Romagnoli, fornecedora oficial de bolachas e outras guloseimas.
Apesar dos problemas que tiveram de infra-estrutura e desencontro de informações, quem estava na platéia nem percebeu que a apresentação não correspondia ao potencial máximo da peça. Todos os elementos traziam requinte e preparação cuidadosa. As partituras físicas transmitiam todas as emoções, suprimindo a necessidade do uso da fala, e conseguiam passar também os tipos de relações familiares.
Poucas vezes no teatro vi uma cenografia tão dinâmica e ao mesmo tempo simples, em que os mesmos itens eram utilizados de várias formas diferentes, como se fosse natural, sem precisar forçar a barra. O figurino, também versátil, era capaz de transformar uma saia em ninho de amor pros recém-casados e, em seguida, voltar a ser uma saia comum. Outra solução foi colocar em cena, para representar ofilho do casal, um boneco tão bem articulado que reproduzia movimentos reais de um bebê sem grandes exigências de manipulação, tirando exclamações como: “cuti-cuti” das sehorinhas da platéia .
Com tanta técnica e eficiência – dessas que não deixam você escrever um texto sem tecer elogios – a Cia. Dos à Deux transforma até um homenzarrão em um velhinha-mãe-de-família, com todos trejeitos característicos. André Curti e Arthur Ribeiro, que dividem a cena com a japonesa Lakko Okino, contaram que o espetáculo é resultado de seus maiores defeitos e qualidades: o perfeccionismo.
A montagem traz a história de uma família isolada no meio do mar, imersa em seu universo particular, e que um dia precisa deixar a região depois de o mar secar e, assim, não terem mais como se alimentar. Os atores disseram que os franceses se identificam muito com a peça (o que lhes rendeu prêmio no Festival de Avignon 2005) por causa das temáticas da imigração e ecologia (que instrutivo!).
Aliás, Saudades em Terras D’Água, junto com as outras peças francesas La Fin des Terres e L’Oratorio d’Aurelia, mostram a tendência do país de ter um teatro lírico, dispensando o uso da fala e utilizando elementos do novo circo e de um teatro mais físico.
Perguntei pros integrantes se a peça iria para São Paulo, junto com outros espetáculos de repertório da cia. (que estarão em Porto Alegre ainda em junho), mas eles disseram que ainda não têm nada agendado, porque os espetáculos já foram apresentados em outros anos em Sampa e o SESC paulistano precisa do ineditismo. Vamos torcer para que as negociações vão para frente e levem as montagens do grupo também pra terra da garoa (já tinha usado os outros sinônimos de São Paulo, sobrou esse, fazer o quê?). Pessoal das outras cidades: fiquem atentos! O grupo tá rodando por esse Brasilzão pelo projeto Palco Giratório do SESC. Tô indicando mesmo, e daí?

5 nacionalidades por ator



esse espetáculoé muito bom,daqueles que vc sai dizendo, puxa, queria ter feito!
Lindo!
Sou fã do “dô-a-dê”!
“Godot” qando vi, era uma coisa de louco! Me inspirou muito. Influenciou muito meu trabalho.
Fiz até uma oficina com eles, que ainda uso alguns exercícios com meu elenco…
O “Saudades…” é lindo pracarai!
Gostei muito também, e tive a sorte de assistir a segunda apresentação
Nem preciso dizer o que eu acho do espetáculo, vc já sabe. Lindo…
Ronaldo, fiquei morrendo de vontade de ver o Godot deles.
E Rachel, valeu por indicar. hehe.
bjs
Uma peça linda! Trabalho de ator muito bom.
O desenrolar da história, o trabalho corporal… saudades mesmo.
Considero uma das melhores peças q assisti.