Críticas

Simpatia

por Rodolfo Lima

2 Comentários 03 December 2007

Dezenas de frascos vazios e nenhuma simpatia garantida

Foto: Divulgação

Se você repousar sua bunda para assistir Simpatia, a única certeza que terá é que a associação com “Domésticas” – peça dirigida por Renata Melo em 1998 – será inevitável (se você tiver assistido à peça, claro). É praticamente impossível não relacionar as duas – ambas baseadas em relatos reais de mulheres comuns, suburbanas e desprovidas de grandes oportunidades. Na primeira peça, o foco era o universo das empregadas domésticas, na segunda são as revendedoras de produtos cosméticos.

O cenário, que na primeira peça era branco, agora é creme. Temos um ator a mais. As portas permanecem as mesmas e a coreografia do cotidiano idem. Então me perguntava enquanto assistia a peça: por que montar este espetáculo?

O filme dirigido por Fernando Meirelles a partir da extensa pesquisa que Renata fez para Domésticas, resultou – no mínimo – numa inesquecível Roxane (Grazeila Moreto), empregada doméstica que sonhava em ser modelo/manequim/famosa. Será que Meireles conseguiria repetir o feito com as vendedoras?

Não conheço uma pessoa que tenha tido aula com Renata Melo e que não lhe teça elogios. Porém seus últimos trabalhos: Quem Nunca e Simpatia recaem na obviedade e não resultam em nada de novo para seu curriculum artístico. Renata carece de estímulo – como ex-aluno, arrisco a afirmação, dado a vivência com algumas das suas opiniões artísticas – para criar e arriscar, assim como fez no monólogo A Caixa. Na ocasião, ousou na própria trajetória ao aliar teatro e partitura corporal na história de uma escritora em crise, cuja autora é sua irmã, Patrícia Melo.

Didático e óbvio, Simpatia naufraga na intenção da Avon (será Simpatia uma peça de encomendada?) de relatar histórias de sucesso de suas funcionárias, que venceram – ou se recuperaram – na vida, com direito a clichês na dramaturgia de José Rubens Siqueira; uma peça sobre como fazer simpatias para atrair o que se deseja e um espetáculo que “tenta” sensibilizar o público com relatos reais de doenças e mudanças hormonais. OK, se a peça for sobre tudo isso, qual o problema?

Falta unidade, uma melhor definição de rumo, faltou as histórias serem alinhavadas com mais dinamismo, suscitando em nós curiosidade, expectativa e emoção. Quando o discurso da personagem cai no terreno da pieguice (com exceção da cena que relata a mulher com perda de memória), do tipo: “minha vida era uma bosta, mas quando comecei a trabalhar de vendedora, conseguir aumentar minha auto-estima, minha conta bancária e mudar de vida…”, a vontade que se tem e de sair correndo. Uma pena. A produção é bem cuidada, os figurinos são simples e funcionais, a trilha de Marcelo Pellegrini imprime charme a encenação, mas falta vida latente, pulsante.

Leandra Leal convence. Xuxa Lopes está histriônica. Eric Nowinski vomita seus textos e Mauricio Marques nos mostra um corpo robótico. Chegam a ser constrangedoras as coreografias que Marques executa em dupla (primeiro com Luciana Carnieli e depois Nowisnki) O destaque fica por conta de Luciana – engraçada e com ótima dicção. Na cena em que narra história da família de sua personagem, Luciana espalha um monte de frascos de perfumes na ponta do palco. Solução inútil, já que a atriz tem carisma e tal ação não acrescenta para o desenrolar das histórias.

Com tantos altos e baixos – um bom momento é a descrição de uma simpatia para aumentar o seio – a produção precisará de uma simpatia para atrair o público pela bagatela de R$40. Alguém sabe alguma?

2 homens que cuidam da casa e simpatias para amarrar homem e perder barriga

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2 comentários até o momento

  1. ANONIMO PORRA says:

    MERDA!!

  2. que besteira no esiate isso kkkkkkkkkk.


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