Versátil e clichê. Ao mesmo tempo
O N.Ex.T. é um espaço um pouco esquisito, mas aconchegante, que pode ser alugado para espetáculos teatrais, comemoração do fim das Satyrianas e festas de aniversário ou simplesmente usado para o happy-hour de cada dia. Versátil, não?
Talvez pensando nisso, o Núcleo Experimental de Teatro tenha decidido utilizar as partes mais inusitadas do local para representar sete “textos minúsculos para teatro”, escritos por Antonio Rocco, que dão origem a este trocadilho horroroso com o órgão reprodutor masculino: Textículos.
Somos então convidados a assistir às esquetes sentados em mesas de bar, em meio às biritas e às comidinhas, estrutura também utilizada em outros espaços, como o do grupo Parlapatões, na Praça Roosevelt. No entanto, no N.Ex.T, o local é mais reservado e realmente se destina às apresentações, contando inclusive com dois “quase-palcos”.
O uso alternativo do espaço, além de dar torcicolo, é, de longe, o que há de mais criativo na peça. Os textos, em si, surpreendem pouco e, de maneira geral, parecem feitos para provocar o riso fácil por meio de clichês e preconceitos. São leves, que é pra não cair mal com o aperitivo – aliás, essa deve ser a fonte de renda mais significativa deles.
Seria, porém, injusto incluir no mesmo balaio das outras esquetes, a cena em que uma mulher descontrolada mata o ex-marido. Durante toda a história, o homem apresenta pouquíssimos movimentos e não diz uma palavra, enquanto sua ex-esposa desenvolve um intenso diálogo entre eles, expressando uma relação que só existe na sua loucura. A atuação precisa da atriz, com tempo perfeito nas piadas e tons, ajuda a construir de maneira criativa o imaginário doente desta divertida assassina.
No mais, merece destaque, pela disposição dos atores, a última história, que se passa durante uma escalada. Os personagens se espalham por quase todo o espaço, o que inclui uma atriz deitada sobre o balcão. Todos estão unidos por uma corda, como se estivessem, de fato, escalando. A imagem é bonita, significativa e mostra que o espaço foi pensado durante o processo. No entanto, a narrativa, em si, decepciona por apresentar como desfecho uma piada preconceituosa e nenhum significado relevante.
De maneira geral, a atuação não atrapalha nem ajuda: é mediana, mas o texto infelizmente não exige muito mais do que isso dos intérpretes. São, de fato, histórias minúsculas que não fazem parte do banal que Super Night Shot quer tornar extraordinário, nem tampouco do cotidiano encantador mostrado em Pequenos Milagres, contentando-se em ser banal. E só.
1 parte boa entre sete possíveis

