E agora, José?
Após a derradeira apresentação da megalomaníaca pentalogia de Os Sertões, todos começaram a questionar qual seria a próxima empreitada do bom velhinho do Teatro Oficina, o diretor José Celso. A resposta é o espetáculo que estréia no próximo dia 6 no SESC Araraquara, na cidade natal de Zé, e que teve ensaio aberto dia 1 de maio no Teatro Oficina.
O espetáculo não é exatamente o mais novo trabalho de Zé Celso. Para ser mais preciso, é o contrário: Vento forte para um papagaio subir foi o primeiro texto de sua autoria. O texto apresenta com lirismo e ingenuidade a história de um jovem artista que se desprende de sua cidade que o sufoca para conquistar o mundo, deixando para trás a mãe paralítica, a irmã que sonhara em ser atriz, o melhor amigo, herdeiro de uma fazenda e uma indústria, e sua amada. Qualquer semelhança com a história do autor, que o escreveu em 1958, logo ao chegar a São Paulo, não é mera coincidência.
A montagem é bastante curta (o ensaio durou aproximadamente 1h30, um contraste para quem já estava acostumado aos espetáculos de até 8 horas de duração), mas mesmo assim ela se torna cansativa e até mesmo um pouco entediante (ao menos o ensaio, que sofreu poucas interferências do começo ao fim). Particularmente, em nenhum momento das 27 horas de Os Sertões me senti entediado como nesse ensaio.
Morna (será que teria sido mais quente se o teto retrátil e os janelões do Oficina estivessem fechados?), a montagem tem muito mais importância pela homenagem do SESC Araraquara ao ilustre cidadão da cidade, seus setenta anos recém-completados e ao início de sua obra do que por sua realização em si, que apesar de ser simples e despretensiosa, ainda fica muito aquém dos trabalhos mais recentes do Oficina.
Agora as apostas no Oficina estão na estréia de Santidade, texto de Zé Vicente que deve acontecer logo mais, sob a direção de Marcelo Drummond. Se o resultado tiver a mesma qualidade da montagem recente de O Assalto, do mesmo autor e dirigido pelo mesmo diretor, o resultado deve ser bem mais empolgante do que esta peça do papagaio.
E um último comentário, não menos importante: a equipe da Bacante continua de olho nos figurinos das peças de Zé Celso. Com esta montagem eles até tentaram disfarçar, mas ainda sim as atrizes Anna Guilhermina e Sylvia Prado apareceram seminuas, revelando que nossa Campanha do Agasalho para Zé Celso ainda é pertinente (ainda mais com esse tempo frio que tem feito em São Paulo). Seja solidário você também e deixe um casaco na porta do teatro, ali na rua Jaceguai. Você não quer que as meninas peguem uma friagem na viagem para Araraquara, quer?
2 bocejos

