Divagações sobre o tempo, o botox, os significados da porra e alguma coisa mais…
Tempo é um elemento que entendemos muitos pouco, talvez porque nos esforcemos muito para medir o que não tem medida: os momentos.
Essa abertura super cuti-cuti, sensível, muito próxima ao extremo do abstrato e do clichê é pra poder dizer: “Porra, acaba de completar dois anos que essa revista existe” e, a partir disso, entender (ou não) o que significa “porra” nesta oração.
Possibilidade 1: sentido denotativo, segundo o Houaiss – “pênis, esperma, algo muito ruim, porcaria, merda”
Possibilidade 2: sentido conotativo, interjeição que neste caso poderia querer dizer “nossa, isso é muuuito tempo pra uma iniciativa online, especializada em teatro e cheia de gambiarras que não tem ninguém famoso, ninguém que já foi no Jô, ninguém que já posou pra Playboy, ninguém que saiu na Mônica Bérgamo, nem ninguém que ganha dinheiro vendendo cerveja.
Possibilidade 3: sentido conotativo, interjeição que neste caso poderia querer dizer: “nossa, parece que faz muito mais tempo que esses babacas metidos a fazer piadinhas com o trabalho dos outros estão enchendo nosso saco”.
Possibilidade 4: sentido conotativo, interjeição que neste caso pode querer dizer: “nossa, esses caras não têm mais o que fazer?”
Possibilidade 5: sentido denotativo, segundo mocinha simpática que passeava pela rua Augusta: “Branco, leitoso, gostinho adocicado na boca”.
Poderíamos, portanto, nos dedicar à reflexão filosófico-mística sobre o tempo. No entanto, o conhecimento popular que diz que “o tempo depende de que lado da porta do banheiro você está” nos ensina que essa é uma questão muito relativa. Quer um exemplo teatral didático? Pensemos numa proporção direta:
30 minutos de peça do ________________ (complete aqui com o grupo, autor, diretor ou ator que mais te dá sono) = 30 anos tomando sorvete de chocolate.
Assim, melhor do que prosseguir com esta discussão é CELEBRAR!
Para comemorar o segundo aniversário, a Bacante pensou 3 fases:
A primeira já foi e foi exclusivista, elitista, injusta, mas muito gostosa: pizza, bolo-brownie e cerveja! Mas só pra colaboradores que moram perto.
A segunda é uma iniciativa muito importante para nós: a segunda edição do Prêmio Bacante, cuja primeira edição foi muito marcante para nós e nossos familiares.
A terceira se baseia na idéia de que, com o tempo, até a Scarlet Johansson vai precisar de umas plásticas aqui e ali. Então, depois de muitos protestos de movimentos que defendem que a beleza não é tudo (e tendo explicado a tais manifestantes que as profundas intervenções na Bacante não serão meramente estéticas, mas questões de sobrevivência), nos entregamos ao botox.
Trocando em graúdos, quem passa sempre por aqui sabe que graças ao Santo PAC – que não é nem santo, nem PAC (agora é ProAC pra não confundir com aquele do apressamento do crescimento insustentável do Brasil) – a Bacante está “aberta” para reformas. Em breve, teremos por aqui algumas novidades, tanto na organização das informações, quanto no rostinho bonito e na criação de mais possibilidades de publicação. Os detalhes a gente não vai contar.
Sim, isso de reforma dá um puta trabalho. Não, não é só por isso que a “produção” da Bacante diminuiu nos últimos tempos, se é que você notou. Claro que carregar os sacos de cimento da obra cansa, mas a política de só publicar se for por vontade e potência na relação com o espetáculo visto começou antes, quando desistimos de nos matar para fazer uma atualização semanal que não tinha mais sentido. Mais detalhes sobre esta escolha AQUI.
A celebração do aniversário passa, ainda, e talvez principalmente, pela celebração dos encontros que a Bacante possibilitou e que, no fim das contas, é o que dá sentido a esses dois anos de existência.


“30 minutos de peça do ________________ (complete aqui com o grupo, autor, diretor ou ator que mais te dá sono) = 30 anos tomando sorvete de chocolate”.
Bom, olha só o que o velho e bom Paulo Francis (patrono da minha cadeira na Academia Paraibana da Direita Festiva) disse, meio século atrás
“Aguentar três produções por ano de Aurimar Rocha, Eva Todor e Alda Garrido só depois de meio copo de uísque puro”.
in: “Paulo Francis – O soldado Fanfarrão” (Objetiva, 2ª edição, página 87), de autoria de George Moura
hahahahahahahahahahahhahahahahahaa
Quem seriam Aurimar Rocha, Eva Todor e Alda Garrido de hoje?