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	<title>Comments on: Esse Monte de Mulher Palhaça 2009</title>
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		<title>By: Juli =)</title>
		<link>http://www.bacante.com.br/especial/esse-monte-de-mulher-palhaca-2009/comment-page-1/#comment-2612</link>
		<dc:creator>Juli =)</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Oct 2009 02:50:44 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.bacante.com.br/revista/?p=2226#comment-2612</guid>
		<description>Oi, Michelle!

Tb acho importante a discussão... mais do que o texto inicial inclusive.

Sobre a Célia, especificamente, não ignoro de maniera nenhuma a importânica de ela estar aqui e da conexão que ela representa! 

É que, me propondo a fazer apontamentos e provocações político-estruturais ao Festival, não pdia deixar passar essa contradição - e não por causa do número da Célia especificamente, mas porque ele reflete outra contradição maior que é a de um feminismo que, por baseado em preconceito, revanchismo ou generalizações muitas vezes inocentes até, acaba somente propagando diferença e discriminação. E não é o que se procura aqui, certamente...

E, sim! Acredito que janelas se abram com estes encontros... horizontes... que bom.

Beijos,
Juli =)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Oi, Michelle!</p>
<p>Tb acho importante a discussão&#8230; mais do que o texto inicial inclusive.</p>
<p>Sobre a Célia, especificamente, não ignoro de maniera nenhuma a importânica de ela estar aqui e da conexão que ela representa! </p>
<p>É que, me propondo a fazer apontamentos e provocações político-estruturais ao Festival, não pdia deixar passar essa contradição &#8211; e não por causa do número da Célia especificamente, mas porque ele reflete outra contradição maior que é a de um feminismo que, por baseado em preconceito, revanchismo ou generalizações muitas vezes inocentes até, acaba somente propagando diferença e discriminação. E não é o que se procura aqui, certamente&#8230;</p>
<p>E, sim! Acredito que janelas se abram com estes encontros&#8230; horizontes&#8230; que bom.</p>
<p>Beijos,<br />
Juli =)</p>
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	<item>
		<title>By: Michelle Silveira</title>
		<link>http://www.bacante.com.br/especial/esse-monte-de-mulher-palhaca-2009/comment-page-1/#comment-2610</link>
		<dc:creator>Michelle Silveira</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Oct 2009 02:34:35 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.bacante.com.br/revista/?p=2226#comment-2610</guid>
		<description>Claro que quero continuar conversando Juli, acho importante e gostaria que mais palhaças estivessem aqui falando dos seus pontos de vista e enriquecendo a tua crítica, que acho que é também para causar discussão e movimento e posicinamento de idéias. Acharia bom se assim fosse.
Eu entendi o que você disse sobre o número da Célia, só me posicionei defendendo o trabalho dela porque acho que teve uma boa intenção em fazê-lo, mas por não ser palhaça e estar apenas começando, se ensaiando nesta empreitada afim de fazer esta importante ponte entre Brasil e Moçambique, Célia pode ter pecado sim na sua construção. Mas é um risco que o nosso FESTIVAL corre visto que não há seleção, curadoria para os trabalhos. São convidados aa fazer parte do evento, onde as palhaças abrem o leque de diversidade cultural influenciando a criação artística.
È claro que não se combate um preconceito com outro, de forma alguma, e a palhaça deve é rir destes preconceitos e como palhaça que se prese colocar no chão, desfazer, desmistificar, desordenar este preconceito.
Pra Célia, uma atriz dedicada e muito responsável por seu trabalho (deu pra ver na preocupaçao que teve antes de se apresentar temendo justamente o MONSTRO do julgamento) e fiel a sua cultura, creio que foi um importante passo nesta busca pelo descobrimento de sua palhaça, e acredito que seu número vai mudar, porque suas janelas com certeza se abriram para o universo palhaça.

Era isso.

um beijo
Michelle</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Claro que quero continuar conversando Juli, acho importante e gostaria que mais palhaças estivessem aqui falando dos seus pontos de vista e enriquecendo a tua crítica, que acho que é também para causar discussão e movimento e posicinamento de idéias. Acharia bom se assim fosse.<br />
Eu entendi o que você disse sobre o número da Célia, só me posicionei defendendo o trabalho dela porque acho que teve uma boa intenção em fazê-lo, mas por não ser palhaça e estar apenas começando, se ensaiando nesta empreitada afim de fazer esta importante ponte entre Brasil e Moçambique, Célia pode ter pecado sim na sua construção. Mas é um risco que o nosso FESTIVAL corre visto que não há seleção, curadoria para os trabalhos. São convidados aa fazer parte do evento, onde as palhaças abrem o leque de diversidade cultural influenciando a criação artística.<br />
È claro que não se combate um preconceito com outro, de forma alguma, e a palhaça deve é rir destes preconceitos e como palhaça que se prese colocar no chão, desfazer, desmistificar, desordenar este preconceito.<br />
Pra Célia, uma atriz dedicada e muito responsável por seu trabalho (deu pra ver na preocupaçao que teve antes de se apresentar temendo justamente o MONSTRO do julgamento) e fiel a sua cultura, creio que foi um importante passo nesta busca pelo descobrimento de sua palhaça, e acredito que seu número vai mudar, porque suas janelas com certeza se abriram para o universo palhaça.</p>
<p>Era isso.</p>
<p>um beijo<br />
Michelle</p>
]]></content:encoded>
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	<item>
		<title>By: Juli =)</title>
		<link>http://www.bacante.com.br/especial/esse-monte-de-mulher-palhaca-2009/comment-page-1/#comment-2607</link>
		<dc:creator>Juli =)</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2009 17:00:31 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.bacante.com.br/revista/?p=2226#comment-2607</guid>
		<description>Oi, Manuela, tudo bem?

Esse exemplo do moço do elevador é uma das melhores justificatias práticas pro encontro existir. 

Me agrada que não haja, então, um julgamento ou cobrança do &quot;bem-fazer&quot; artístico. Mas, como salientei pra Michelle, o que me incomodou foi a incoerência não unicamente estética, mas no discurso. Para manter um discurso de políticas afirmativas e de não-descriminação não é possível embasá-lo em mais descriminação. A mim interessa a expressão artística e a arte como potência crítica e expressiva desse posicionamento. E nesse ponto houve algumas falhas, porque perdeu-se, ao mesmo tempo, da qualidade artística (no caso por não ter possibilidade de uma interação potente com o público) e da coerência política.

Gostei muito da expressão &quot;desprezo benévolo&quot; e imagino que isso deva ser das piores coisas a se enfrentar.

No mais, concordo com você completamente sobre a busca de um espaço de liberdade e confiança para a expressão artística, mas com a ressalva de que não acho que &quot;a emoção, o fato, de encontrar tanta palhaça junta&quot; possa ou deva sublimar tudo. Há que ter cuidado pra não fragilizar o próprio movimento que vocês estão construindo.

Um grande abraço e até logo!
Juli =)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Oi, Manuela, tudo bem?</p>
<p>Esse exemplo do moço do elevador é uma das melhores justificatias práticas pro encontro existir. </p>
<p>Me agrada que não haja, então, um julgamento ou cobrança do &#8220;bem-fazer&#8221; artístico. Mas, como salientei pra Michelle, o que me incomodou foi a incoerência não unicamente estética, mas no discurso. Para manter um discurso de políticas afirmativas e de não-descriminação não é possível embasá-lo em mais descriminação. A mim interessa a expressão artística e a arte como potência crítica e expressiva desse posicionamento. E nesse ponto houve algumas falhas, porque perdeu-se, ao mesmo tempo, da qualidade artística (no caso por não ter possibilidade de uma interação potente com o público) e da coerência política.</p>
<p>Gostei muito da expressão &#8220;desprezo benévolo&#8221; e imagino que isso deva ser das piores coisas a se enfrentar.</p>
<p>No mais, concordo com você completamente sobre a busca de um espaço de liberdade e confiança para a expressão artística, mas com a ressalva de que não acho que &#8220;a emoção, o fato, de encontrar tanta palhaça junta&#8221; possa ou deva sublimar tudo. Há que ter cuidado pra não fragilizar o próprio movimento que vocês estão construindo.</p>
<p>Um grande abraço e até logo!<br />
Juli =)</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: Juli =)</title>
		<link>http://www.bacante.com.br/especial/esse-monte-de-mulher-palhaca-2009/comment-page-1/#comment-2606</link>
		<dc:creator>Juli =)</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2009 16:48:43 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.bacante.com.br/revista/?p=2226#comment-2606</guid>
		<description>Oi, Michelle. Obrigada por seguir com a discussão...

Quanto ao predomínio do masculino no circo, isso foi bastante apontado no encontro e concordo que precisa ser considerado. Isso de dizerem que &quot;palhaça mulher não funciona&quot;, eu pessoalmente nunca tinha ouvido e acho um completo absurdo e, nesse ponto, sem dúvida, há que se afirmar o contrário.

O que me incomodou e que expus nesse texto é que não se justifica afirmar uma posição - no caso a do reconhecimento da opressão à mulher - a todo custo. E quando usei &quot;estético&quot; não estava absolutamente desvinculando isso do conteúdo. O êxito estético ou não são menos importantes do que o fato de que, nesse número especificamente, usa-se de um tipo de preconceito para combater outro. E isso pra mim não contribuiu para o foco do festival, ao contrário, fragilizou os argumentos contrários à discriminação, mostrando incoerência entre discurso e prática. Aqui estou falando muito especificamente da tese de que &quot;um homem é violento com sua mulher porque é homossexual&quot;. Claro, não foi exposto assim, mas levou a isso. 

Sim, já me falaram muitíssimo do Xuxu e eu infelizmente não o vi, mas o que não bate nesse caso é justamente contexto e posição política com o número artístico. Então, eu estaria avaliando fora do contexto se deixasse de entender o número da Célia como incoerente com o discurso e os objetivos do encontro. Mostrar a opressão machista a custa de outro preconceito não cabe nesse contexto. Assim, mais do que um julgamento estético superficial - pois concordo que um encontro como esses não é para julgamento - quis deixar claro uma incoerência política que me saltou aos olhos. 

Seguimos conversando, se vc quiser.

Um abraço,
Juli =)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Oi, Michelle. Obrigada por seguir com a discussão&#8230;</p>
<p>Quanto ao predomínio do masculino no circo, isso foi bastante apontado no encontro e concordo que precisa ser considerado. Isso de dizerem que &#8220;palhaça mulher não funciona&#8221;, eu pessoalmente nunca tinha ouvido e acho um completo absurdo e, nesse ponto, sem dúvida, há que se afirmar o contrário.</p>
<p>O que me incomodou e que expus nesse texto é que não se justifica afirmar uma posição &#8211; no caso a do reconhecimento da opressão à mulher &#8211; a todo custo. E quando usei &#8220;estético&#8221; não estava absolutamente desvinculando isso do conteúdo. O êxito estético ou não são menos importantes do que o fato de que, nesse número especificamente, usa-se de um tipo de preconceito para combater outro. E isso pra mim não contribuiu para o foco do festival, ao contrário, fragilizou os argumentos contrários à discriminação, mostrando incoerência entre discurso e prática. Aqui estou falando muito especificamente da tese de que &#8220;um homem é violento com sua mulher porque é homossexual&#8221;. Claro, não foi exposto assim, mas levou a isso. </p>
<p>Sim, já me falaram muitíssimo do Xuxu e eu infelizmente não o vi, mas o que não bate nesse caso é justamente contexto e posição política com o número artístico. Então, eu estaria avaliando fora do contexto se deixasse de entender o número da Célia como incoerente com o discurso e os objetivos do encontro. Mostrar a opressão machista a custa de outro preconceito não cabe nesse contexto. Assim, mais do que um julgamento estético superficial &#8211; pois concordo que um encontro como esses não é para julgamento &#8211; quis deixar claro uma incoerência política que me saltou aos olhos. </p>
<p>Seguimos conversando, se vc quiser.</p>
<p>Um abraço,<br />
Juli =)</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: Manuela Castelo</title>
		<link>http://www.bacante.com.br/especial/esse-monte-de-mulher-palhaca-2009/comment-page-1/#comment-2602</link>
		<dc:creator>Manuela Castelo</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Oct 2009 16:06:33 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.bacante.com.br/revista/?p=2226#comment-2602</guid>
		<description>Mais do que SÓ buscar qualildade artística, ou o mérito cultural, o Festival Esse Monte de Mulher Palhaça - pelo que vi e senti, busca também apontar para toda a DIVERSIDADE dos trabalhos das palhaças. Aí, sim, SÓ das palhaças. Além de claro, nos fortalecer enquanto mulheres e enquanto palhaças, artistas.
   Não há curadoria, e sim, mmmmmmmmmmuita produção.
   A investigação estética conta sim, e muito.  Já o julgamento, é bom, é ruim, isso palhaça pode, isso não pode - não cabe muito, sobretudo para as palhaças que estavão lá.
  Essa discussão, entre nós, palhaças, nem tinha muito sentido. A emoção, o fato, de encontrar tanta palhaça junta sublima tudo isso. Sentir essa proximidade, a não-solidão, essa força feminina, tem um efeito para além de tudo isso. 
  
  Agora pensando, vejo que este festival, é muitos em um.
   
  Para as palhaças há um festival todo especial. 
  Para os palhaços, há  pelo menos dois outros festivais. Certamente, alguns palhaços devem torcer por nós, incondicionalmente, né? Bom...Nem todo palhaço odeia palhaça.  Mas, é verdade. Outros palhaços fariam de tudo pra nos verem mortas. E eles são truculentos sim. Há ainda os do &quot;desprezo benévolo&quot;.

  Para a platéia há outro festival ainda. A platéia vai pra curtir o espetáculo. Criticar. Julgar sim, gostei, não gostei, enfim. Mas, primeiro, o assombro. 
  &quot; - Eu não sabia que tinha tanta palhaça assim &quot;- me comentou um senhor que estava hospedado no SESC e foi assistir a um espetáculo, depois a outro, e outro. O convite foi feito no elevador, sabe? Nem achei que ele ia mesmo, a cara dele, &quot;festival de palhaças?! E tem isso?&quot;
    
   Bom, me apresentei no festival, sou portanto, uma palhaça. E, confesso, enquanto artista, nunca senti uma platéia tão generosa. Penso em quantas vezes entrei no palco pensando em defender um lance, em me defender, no que os outros vão pensar, precisando provar que eu, palhaça, mulher, pode. Que sou boa TAMBÉM. E, como isso atrapalha... Embaça o objetivo último. A fruição própria da arte.
  Para mim, esta foi uma grande diferença. Não estava competindo com ninguém, ou matando um leão à unha. Nesse espaço senti, de fato, a terra fofa da liberdade artística. Me dei isso de presente.
  Com ou sem mágoa, buscamos todas esta liberade. Este espaço.
  Hoje a Matusquella está mais forte, e cada vez mais esclarecida. Devo isso a audiência externa que mudou algo em mim, e me fortaleçeu. Detonou outras buscas. 
  A palhaça usa vestido, e daí? A gag é macho. 

  Me rio disto tudo.
   
  O bom mesmo é que dá uma super-remexida.  Na gente, na paltéia, nos palhaços... Nas instituições culturais.

  Acho que todos, todas, parafraseando o senhor  &quot;não sabiam que tinha tanta palhaça assim&quot;.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Mais do que SÓ buscar qualildade artística, ou o mérito cultural, o Festival Esse Monte de Mulher Palhaça &#8211; pelo que vi e senti, busca também apontar para toda a DIVERSIDADE dos trabalhos das palhaças. Aí, sim, SÓ das palhaças. Além de claro, nos fortalecer enquanto mulheres e enquanto palhaças, artistas.<br />
   Não há curadoria, e sim, mmmmmmmmmmuita produção.<br />
   A investigação estética conta sim, e muito.  Já o julgamento, é bom, é ruim, isso palhaça pode, isso não pode &#8211; não cabe muito, sobretudo para as palhaças que estavão lá.<br />
  Essa discussão, entre nós, palhaças, nem tinha muito sentido. A emoção, o fato, de encontrar tanta palhaça junta sublima tudo isso. Sentir essa proximidade, a não-solidão, essa força feminina, tem um efeito para além de tudo isso. </p>
<p>  Agora pensando, vejo que este festival, é muitos em um.</p>
<p>  Para as palhaças há um festival todo especial.<br />
  Para os palhaços, há  pelo menos dois outros festivais. Certamente, alguns palhaços devem torcer por nós, incondicionalmente, né? Bom&#8230;Nem todo palhaço odeia palhaça.  Mas, é verdade. Outros palhaços fariam de tudo pra nos verem mortas. E eles são truculentos sim. Há ainda os do &#8220;desprezo benévolo&#8221;.</p>
<p>  Para a platéia há outro festival ainda. A platéia vai pra curtir o espetáculo. Criticar. Julgar sim, gostei, não gostei, enfim. Mas, primeiro, o assombro.<br />
  &#8221; &#8211; Eu não sabia que tinha tanta palhaça assim &#8220;- me comentou um senhor que estava hospedado no SESC e foi assistir a um espetáculo, depois a outro, e outro. O convite foi feito no elevador, sabe? Nem achei que ele ia mesmo, a cara dele, &#8220;festival de palhaças?! E tem isso?&#8221;</p>
<p>   Bom, me apresentei no festival, sou portanto, uma palhaça. E, confesso, enquanto artista, nunca senti uma platéia tão generosa. Penso em quantas vezes entrei no palco pensando em defender um lance, em me defender, no que os outros vão pensar, precisando provar que eu, palhaça, mulher, pode. Que sou boa TAMBÉM. E, como isso atrapalha&#8230; Embaça o objetivo último. A fruição própria da arte.<br />
  Para mim, esta foi uma grande diferença. Não estava competindo com ninguém, ou matando um leão à unha. Nesse espaço senti, de fato, a terra fofa da liberdade artística. Me dei isso de presente.<br />
  Com ou sem mágoa, buscamos todas esta liberade. Este espaço.<br />
  Hoje a Matusquella está mais forte, e cada vez mais esclarecida. Devo isso a audiência externa que mudou algo em mim, e me fortaleçeu. Detonou outras buscas.<br />
  A palhaça usa vestido, e daí? A gag é macho. </p>
<p>  Me rio disto tudo.</p>
<p>  O bom mesmo é que dá uma super-remexida.  Na gente, na paltéia, nos palhaços&#8230; Nas instituições culturais.</p>
<p>  Acho que todos, todas, parafraseando o senhor  &#8220;não sabiam que tinha tanta palhaça assim&#8221;.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: Michelle Silveira</title>
		<link>http://www.bacante.com.br/especial/esse-monte-de-mulher-palhaca-2009/comment-page-1/#comment-2599</link>
		<dc:creator>Michelle Silveira</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Oct 2009 22:16:03 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.bacante.com.br/revista/?p=2226#comment-2599</guid>
		<description>Acabei de ler sua crítica, e acho muitas coisas pertinentes no que você escreve sobre o Encontro de Mulheres Palhaças. Quando falas na questão de se ter um melhor encaminhamento das discussões e um tempo maior para os depoimentos (ou algo nesse sentido) eu também concordo e acho que nos próximos encontros as Marias devem pensar sim em abrir mais este espaço de enriquecimento e fortalecimento das palhaças a partir dos depoimentos construtivos e fortalecedores de mulheres, artistas, palhaças que estão lutando individualmente em cada lugar do país e do mundo pelo espaço, pela valorização, pela qualificação de sua arte. Acredito sim que este espaço deva existir, e que Papos cabeça também tenham mais tempo para se afirmarem.
Quanto a questão de gênero que sem dúvida foi levantada no encontro, eu penso, posso estar sendo até ingênua ao dizer isso, mas este movimento tem grande importância na história sim, como você mesma diz, e que é recente e vai amadurecer em idéias e em estratégias.
Quem conhece um pouco da história do circo e do palhaço sabe bem o papel que as mulheres ocupavam nos circos e que predominante sempre foi a figura masculina. Mas isso por muito tempo foi assim, no nascimento do Teatro Ocidental na Grécia as mulheres não podiam entrar em cena, quando os Jesuítas chegaram no Brasil para catequisar os índios tendo como recurso o teatro, as mulheres também não podiam entrar em cena porque atraiam muito a atenção dos espectadores, e no picadeiro me parece que foi diferente, enquanto o palhaço fazia seu número cômico, as mulheres subiam no arame, dançavam expondo o corpo e atraindo a atenção do público. Mas quem sabe algumas mulheres não quisessem este papel. Aliás tem umas hoje que acham ótimo mostrar a &quot;Bunda &quot; na Tv e acham que ganharam seu espaço ....acho isso patético, sinceramente. Mas retornando ao assunto, penso que muitas mulheres entendendo a função social, política, crítica que o palhaço sempre carregou (não confunda palhaço com animador de festas, cujo objetivo é brincar, o palhaço brinca mas com consciência política no plano de fundo) almejaram desempenhar este papel. E aos poucos foram conquistando seu espaço, mas ainda tem sim, seriamos hipócritas em dizer que não, aqueles que acham que palhaça mulher não funciona, eu mesma já ouvi muito isso, e fiquei muito constrangida porque há 8 anos eu trabalho, estudo, me empenho por desempenhar o meu papel da melhor forma, para que alguém não dê crédito.
Enfim, sou meio confusa pra escrever, mas quero deixar registrado aqui, que NÃO podemos transformar estas iniciativas maravilhosas, como o Encontro de Palhaças em algo politicamente negativo e machista. Afinal, nós palhaças nos espelhamos nos grandes e maravilhosos palhaços homens que povoam nosso imaginário coletivo. E temos sim que criar nossa identidade e falar de assuntos cômicos, palhacisticos com nosso olhar feminino, mas quem sabe não feminista com bandeira erguida.
Outra coisa muito importante que eu quero dizer aqui, que foi o que mais me encantou no Encontro das Palhaças, a não crítica, o não julgamento. Havia sim espetáculos com os quais eu não me identificava, natural, mas havia sempre um grande respeito pelo trabalho da outra colega que estava ali se expondo com seu trabalho. Eu senti a insegurança de mostrar meu trabalho, sem saber se iam gostar ou não, mas depois eu percebi que gostar ou não, não era o foco do Encontro, e isso me deixou muito feliz e tranquila. Por que cada uma das palhaças veio com sua experiência, que funcionou ou não. No caso de Célia, sei o quanto se empenhou pra fazer aquela cena, pra tratar de um assunto que lhe causa inquietação, e quem sabe faça parte de suas referências, de sua cultura, suas vivências. Quem sabe não tenha tido tanto êxito estético, mas a intenção e a contribuição para o FOCO do festival foi dada.
Você falou em agressividade na atuação de Célia, eu gostaria de dizer que quando vi Xuxu (Luiz Carlos Vasconcelos) também achei muito agressivo, mas hoje tenho profunda admiração e respeito, e quando eu ouvi ele contar sobre sua iniciação ao palhaço eu entendi o porque de sua agressividade. Não se pode avaliar uma situação fora de seu contexto, ou até pode, mas se corre o risco de ser superficial.
Bem, acho que me enrolei um pouco,mas minha intenção é poder contribuir com meu ponto de vista.
Tudo é válido!
E as Marias são simplesmente maravilhosas por proporem um espaço que só quem viveu, só quem sentiu, só quem retornou pra sua realidade fortalecida e confiante, pode falar.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Acabei de ler sua crítica, e acho muitas coisas pertinentes no que você escreve sobre o Encontro de Mulheres Palhaças. Quando falas na questão de se ter um melhor encaminhamento das discussões e um tempo maior para os depoimentos (ou algo nesse sentido) eu também concordo e acho que nos próximos encontros as Marias devem pensar sim em abrir mais este espaço de enriquecimento e fortalecimento das palhaças a partir dos depoimentos construtivos e fortalecedores de mulheres, artistas, palhaças que estão lutando individualmente em cada lugar do país e do mundo pelo espaço, pela valorização, pela qualificação de sua arte. Acredito sim que este espaço deva existir, e que Papos cabeça também tenham mais tempo para se afirmarem.<br />
Quanto a questão de gênero que sem dúvida foi levantada no encontro, eu penso, posso estar sendo até ingênua ao dizer isso, mas este movimento tem grande importância na história sim, como você mesma diz, e que é recente e vai amadurecer em idéias e em estratégias.<br />
Quem conhece um pouco da história do circo e do palhaço sabe bem o papel que as mulheres ocupavam nos circos e que predominante sempre foi a figura masculina. Mas isso por muito tempo foi assim, no nascimento do Teatro Ocidental na Grécia as mulheres não podiam entrar em cena, quando os Jesuítas chegaram no Brasil para catequisar os índios tendo como recurso o teatro, as mulheres também não podiam entrar em cena porque atraiam muito a atenção dos espectadores, e no picadeiro me parece que foi diferente, enquanto o palhaço fazia seu número cômico, as mulheres subiam no arame, dançavam expondo o corpo e atraindo a atenção do público. Mas quem sabe algumas mulheres não quisessem este papel. Aliás tem umas hoje que acham ótimo mostrar a &#8220;Bunda &#8221; na Tv e acham que ganharam seu espaço &#8230;.acho isso patético, sinceramente. Mas retornando ao assunto, penso que muitas mulheres entendendo a função social, política, crítica que o palhaço sempre carregou (não confunda palhaço com animador de festas, cujo objetivo é brincar, o palhaço brinca mas com consciência política no plano de fundo) almejaram desempenhar este papel. E aos poucos foram conquistando seu espaço, mas ainda tem sim, seriamos hipócritas em dizer que não, aqueles que acham que palhaça mulher não funciona, eu mesma já ouvi muito isso, e fiquei muito constrangida porque há 8 anos eu trabalho, estudo, me empenho por desempenhar o meu papel da melhor forma, para que alguém não dê crédito.<br />
Enfim, sou meio confusa pra escrever, mas quero deixar registrado aqui, que NÃO podemos transformar estas iniciativas maravilhosas, como o Encontro de Palhaças em algo politicamente negativo e machista. Afinal, nós palhaças nos espelhamos nos grandes e maravilhosos palhaços homens que povoam nosso imaginário coletivo. E temos sim que criar nossa identidade e falar de assuntos cômicos, palhacisticos com nosso olhar feminino, mas quem sabe não feminista com bandeira erguida.<br />
Outra coisa muito importante que eu quero dizer aqui, que foi o que mais me encantou no Encontro das Palhaças, a não crítica, o não julgamento. Havia sim espetáculos com os quais eu não me identificava, natural, mas havia sempre um grande respeito pelo trabalho da outra colega que estava ali se expondo com seu trabalho. Eu senti a insegurança de mostrar meu trabalho, sem saber se iam gostar ou não, mas depois eu percebi que gostar ou não, não era o foco do Encontro, e isso me deixou muito feliz e tranquila. Por que cada uma das palhaças veio com sua experiência, que funcionou ou não. No caso de Célia, sei o quanto se empenhou pra fazer aquela cena, pra tratar de um assunto que lhe causa inquietação, e quem sabe faça parte de suas referências, de sua cultura, suas vivências. Quem sabe não tenha tido tanto êxito estético, mas a intenção e a contribuição para o FOCO do festival foi dada.<br />
Você falou em agressividade na atuação de Célia, eu gostaria de dizer que quando vi Xuxu (Luiz Carlos Vasconcelos) também achei muito agressivo, mas hoje tenho profunda admiração e respeito, e quando eu ouvi ele contar sobre sua iniciação ao palhaço eu entendi o porque de sua agressividade. Não se pode avaliar uma situação fora de seu contexto, ou até pode, mas se corre o risco de ser superficial.<br />
Bem, acho que me enrolei um pouco,mas minha intenção é poder contribuir com meu ponto de vista.<br />
Tudo é válido!<br />
E as Marias são simplesmente maravilhosas por proporem um espaço que só quem viveu, só quem sentiu, só quem retornou pra sua realidade fortalecida e confiante, pode falar.</p>
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