Crítica | Le Retour au Désert por Juliene Codognotto
Uma aula sobre a história da guerra de travesseiros
Fontes: Wikipedia, Barsa, revista do FIT 2008.
Foto: Divulgação
“La guerre d’Algérie se debouche de 1954 à 1962 en réalité elle commence déja en 1945 à Constantine et dans toute la Chaouia (région qui a toujours connu les idées révolutionnaires) et débouche sur l’indépendance de l’Algérie, colonie française de 1830 à 1848, puis partie intégrante du territoire de la République.
Cette guerre[1]oppose l’armée française à une guérilla. La doctrine de la guerre révolutionnaire, mettant en œuvre l’arme psychologique est rejetée par le commandement. Elle oppose l’armée française dans toute sa diversité, faisant cohabiter commandos de troupes d’élites (parachutistes, légionnaires), forces de maintien de l’ordre (gardes mobiles, CRS), appelés du contingent et supplétifs indigènes (harkis, moghaznis) aux troupes indépendantistes de l’Armée de libération nationale (ALN), branche armée du Front de libération nationale (FLN) d’encadrement politico-administratif (Conseil national de la révolution). Elle se double d’une guerre civile et idéologique au sein des deux communautés, donnant lieu à des vagues successives d’attentats, assassinats et massacres sur les deux rives de la Méditerranée. Côté algérien, elle se traduit par une lutte de pouvoir qui voit poindre la victoire du FLN sur les partis algériens rivaux, notamment le MNA (Mouvement national algérien) et par une campagne de répression contre les harkis soutenant le statu quo du rattachement de l’Algérie à la République française. Par ailleurs, elle suscite côté français l’affrontement entre une minorité active hostile à sa poursuite (mouvement pacifiste), une seconde favorable à la révolution (les « porteurs de valises »), et une troisième ralliée au slogan de l’« Algérie française » (Front Algérie Française, Jeune Nation, OAS).
Cette guerre s’achève à la fois sur la proclamation de l’indépendance de l’Algérie le 5 juillet 1962 lors d’une allocution télévisée du général de Gaulle , suite au référendum d’autodétermination du 1er juillet prévu par les accords d’Évian du 18 mars 1962, sur la naissance de la République algérienne le 25 septembre et sur le départ du million de Français vivant en Algérie.
La guerre d’Algérie est restée un traumatisme moral et psychologique durable pour les deux pays. Elle est tristement célèbre pour les multiples pratiques de violence entretenues de part et d’autre, et longtemps niées des mémoires officielles. Contre les suspects et les prisonniers, l’armée française emploie la torture [réf. nécessaire], dont la pratique policière en Algérie préexiste d’ailleurs à la guerre, ainsi que les exécutions sommaires collectives de captifs (« corvées de bois »)[réf. nécessaire].
Pour empêcher les populations d’aider le FLN, elle concentre aussi, dans des conditions déplorables, deux millions de civils des zones rurales dans des « camps de regroupement ». La répression a aussi son prolongement en métropole et jusqu’en plein Paris, avec la répression sanglante des manifestations pacifiques du 17 octobre 1961 et du 8 février 1962 par le préfet Papon.
Outre la torture pendant la guerre d’Algérie, l’armée n’hésite pas à bombarder des villages dans la Chaouia à fin de calmer la rébélion Chaouia. De son côté, le FLN a recours aux attentats ciblés, aux assassinats et au massacre de rivaux. L’OAS pratiqua une vague de terreur aveugle et de terre brûlée, assassinant jusqu’aux femmes de ménage indigènes des Européens[réf. nécessaire], incendiant la bibliothèque d’Alger[réf. nécessaire] ou multipliant les attentats à la voiture piégée[réf. nécessaire]. Contre elle, le pouvoir gaulliste engagea les « barbouzes » aux méthodes souvent expéditives[réf. nécessaire]. Enfin, après les accords d’Évian, l’OAS multiplie les provocations, en escomptant des représailles du FLN sur les civils français qui forceraient l’armée à intervenir et à rompre le cessez-le-feu[réf. nécessaire]. Le calcul ne paie pas.
Après l’indépendance l’armée française refuse d’intervenir pour assurer la sécurité de ses supplétifs musulmans, ou comme le 5 juillet 1962 à Oran pour protéger les Européens.[réf. nécessaire]
Au finale on note tout de même que les pertes algeriennes sont majoritairement chaouias et qu’elles sont beaucoup plus importantes que les pertes françaises. De nos jours et comme auparavant la Chaouia a su resté le bastion de la culture et du soulevement contre l’envahisseur en Algérie.”
Entendeu? Desculpe se você não lê francês ou não gosta de histórias de guerras, mas para escrever sobre O Retorno ao Deserto, ou mesmo, para assistir a peça é quase imprescindível conhecer um pouco da Guerra da Argélia. Mas, calma, não precisa ser assim profuuundo conhecedor. Ler o verbete na Barsa do seu avô já dá uma ajuda.
Se você souber, por exemplo – essa é fácil! – que a Argélia é dividida e duas regiões geográficas, norte e sul, sendo a região sul toda deserto do Saara, você já começa a entender a brincadeira que o título propõe. Isso porque a personagem principal, Mathilde, volta da Argélia pra casa da família na França. Ou seja, no sentido literal poderíamos afirmar que ela vem do deserto. No entanto, a aridez da casa onde moram seu irmão, a esposa dele e seu sobrinho são maiores que a do Saara. Poético, não? Imagina dito em francês, com biquinho e elegância de quem venceu Cannes!
Outras metáforas, pelo menos pra mim, só chegaram com a leitura da sinopse. É o caso desta: “Mathilde volta (…). Esse é, de fato, o acontecimento e o motor da peça: depois de ter fugido na Argélia da vergonha de ter sua cabeça raspada na época da libertação de Paris, Mathilde volta com seus filhos, Edouard e Fátima, para, aparentemente, vingar-se e recuperar sua parte da herança. Seu irmão, Adrien, proprietário da fábrica familiar, está instalado com sua família na casa que ela possui (aqui há seguramente uma metáfora da situação da Argélia) …”
Atente para a palavra “seguramente”. Até fiquei convencida de que, da mesma maneira que os argelinos, em 1963, conquistaram sua independência da França, tendo, enfim, autonomia num território que lhes pertencia, Mathilde voltava para retomar o território que lhe pertencia. Vale destacar que, diferentemente dela, os argelinos ocupavam sua terra e nela trabalhavam e lutavam.
Considerando que grande parte do elenco é francesa, é possível deduzir que tenha partido deles a proximidade com este conflito e o anseio por tratar deste tema (em que pese a Wikipédia em francês ter umas dez vezes o número de páginas da em português sobre a guerra da Argélia). No entanto, os assuntos relativos ao evento histórico escolhido originam, quando em cena, uma história que fala mais de uma guerra familiar do que de uma guerra entre nações. No entanto, isso evidencia que, de maneira geral, os princípios de conflito entre seres humanos são, essencialmente, os mesmos.
Dessa forma, se você não souber que uma parte do Saara é na Argélia, se a Wikipedia estiver bloqueada no seu computador ou se seu avô não tiver colecionado a Barsa, você vai no mínimo perceber a maluquice que é transformar em físico a polifonia dos personagens, colocando três atores para interpretar a mesma personagem em duas línguas diferentes. E vai perceber que nem toda guerra de travesseiro é pueril e romântica e que, talvez, a intolerância ingênua que há entre irmãos se assemelhe, em essência, à que existe entre os povos. E vai segurar um “oh”, quando a mesma estrutura de cenário conseguir mostrar todos os cômodos da casa por dentro e por fora. E, por fim, talvez você se pergunte: “ok, eu entendo que pra ser bilíngüe o texto fica maior, mas será que não dava pra cortar só um pouco da falação e prolongar a cena dos travesseiros?”. Ou talvez você considere o francês uma língua sexy e nem tenha achado que alguns monólogos são (muito) desnecessários.
3 fontes para uma crítica embasada, séria, cheia de citações e baseada em fatos reais.
Publicado em 15, July, 2008


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