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	<title>Revista Bacante</title>
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	<description>Teatro com crítica e humor</description>
	<pubDate>Tue, 18 Nov 2008 21:28:07 +0000</pubDate>
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	<language>en</language>
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		<title>O Cão que Insultava as Mulheres - Kepler, the Dog</title>
		<link>http://www.bacante.com.br/revista/critica/o-cao-que-insultava-as-mulheres-kepler-the-dog</link>
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		<pubDate>Tue, 18 Nov 2008 05:41:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maurício Alcântara</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>

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		<description><![CDATA[Now streaming: Gerald Thomas
Não é todo dia que é possível apresentar aos leitores da revista o espetáculo, na íntegra, juntamente com a crítica, permitindo que a leitura seja feita ao mesmo tempo em que o leitor assiste. É este o caso de O Cão que Insultava as Mulheres - Kepler, The Dog, de Gerald Thomas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>Now streaming: Gerald Thomas</h3>
<p>Não é todo dia que é possível apresentar aos leitores da revista o espetáculo, na íntegra, juntamente com a crítica, permitindo que a leitura seja feita ao mesmo tempo em que o leitor assiste. É este o caso de <strong>O Cão que Insultava as Mulheres - Kepler, The Dog</strong>, de Gerald Thomas e sua companhia Ópera Seca.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000"  codebase="http://fpdownload.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=8,0,0,0" id="uploader" width="480" height="390" align="middle"><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="movie" value="http://tvig.ig.com.br/swf/playerFlash.swf?media=http://tvig.ig.com.br/Templates/RequestUrlPlayer.aspx?id=51009&#038;isEmbed=true" /><param name="bgcolor" value="#333333" /><param name="quality" value="high" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><embed src="http://tvig.ig.com.br/swf/playerFlash.swf?media=http://tvig.ig.com.br/Templates/RequestUrlPlayer.aspx?id=51009&#038;isEmbed=true"  quality="high" bgcolor="#333333" width="480" height="390" align="middle"  name="uploader" allowFullScreen="true" allowScriptAccess="always" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" ></embed></object></p>
<p>Trata-se, como o próprio Gerald comenta ao final do vídeo, de uma doideira - ele partiu de textos e comentários de <a href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/" target="_blank">seu blog</a> para construir o que ele batizou como blognovela. É o primeiro de outros capítulos que devem aparecer por aí.</p>
<p>Muitas das características do que se vê na tela são facilmente relacionáveis ao nome e à obra de Thomas - uma montagem textocêntrica e sem linearidade, entrecortada por milhares de assuntos, embalada por imagens construídas com rigor, muita fumaça, jogos de luzes e narração em off dublando personagens em cena. Nada disso é novidade, mas aqui há muito mais do que a tradicional relação forma/conteúdo: ganha força também o fator <em>meio</em> (nã-não, não o centro, tô falando do <em>medium</em> por onde o espetáculo é <em>transmitido</em>) - e as influências que esse <em>meio</em> impõe à forma do que é produzido.</p>
<p>Não pude ver a única apresentação ao vivo da obra, no SESC Avenida Paulista, mas tive a paciência de assistir à uma hora da encenação na telinha minúscula de meu computador (Jesus, como assistir vídeos longos na web - ainda mais em baixa resolução - é chato!) - e creio ser muito mais interessante pensar no que significa uma obra teatral ser concebida para a rede, produzida a partir de postagens e comentários no blog do dramaturgo e diretor.</p>
<p>Quem acompanha o blog do Gerald já viu sua empolgação com a pluralidade dos comentários acerca de suas postagens sobre os assuntos mais diversos (empolgação esta que ficou ainda maior depois que seu sítio mudou para um portal que lhe dá mais visibilidade). Esta multiplicidade que ele veio descobrindo ao longo do tempo é, na verdade, a base das quase duas décadas da internet comercial: a premissa de conhecimento e opinião compartilhados - o que apenas se multiplicou com as ferramentas participativas que hoje facilitam a vida de todos, caso dos blogs.</p>
<p>Assim como a colaboração na web não é novidade, também não o é a apropriação artística deste material na produção de obras autorais. Acontece que, independentemente de possuir ou não algum caráter de ineditismo, a experimentação de Gerald e seus atores (e, claro, seus colaboradores virtuais) faz pensar numa produção artística realizada em tempos de tamanha instrumentalização tecnológica. Mais que isso, levanta questionamentos sobre o quanto (e como) o teatro pode se apropriar da tecnologia em suas produções - isso quando a própria forma do espetáculo não sofre mutação, caso do espetáculo em questão.</p>
<p>Mas diferente dos <a href="http://www.youtube.com/watch?v=wI-GwUBtnlg" target="_blank">roteiros escritos por Samuel Beckett para a TV</a>, por exemplo, <em>Kepler, The Dog</em> visto pela mediação da tela do monitor não passa de um espetáculo concebido para o palco - ainda que sua realização visasse a transmissão pela rede. Por mais que tenha surgido a partir da internet e só faça sentido considerando este fato, o primeiro capítulo da blognovela de Gerald Thomas ainda é teatro filmado, com toda a importância que o registro da efemeridade do palco pode ter, mas também com toda a precariedade e ingenuidade de câmeras que tentam dar conta de captar o todo de forma documental e com pouco diálogo com o meio a que a obra se destina (vale ressaltar que a busca por atores via internet, por meio do envio de vídeos, dialoga muito mais com o <em>meio</em> do que o próprio resultado final).</p>
<p>Para os próximos episódios desta blognovela, fica a expectativa de que além da inspiração na atividade colaborativa, haja maiores apropriações (e por que não questionamentos e subversões?) da tecnologia como forma de transformação (e não apenas reprodução/propagação) da produção teatral - além da torcida para que o produto final transmitido pelos <a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080913/not_imp240978,0.php">precários serviços de banda larga brasileiros</a> seja minimamente estimulante a quem não está num teatro escuro cheio de fumaça (e cujos focos de atenção não estão condicionados a seguir os movimentos de luz e som que ocorrem em cena).</p>
<p style="text-align: right;"><em>59 minutos de teatro filmado</em></p>
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		<title>Borboletas de Sol de Asas Magoadas</title>
		<link>http://www.bacante.com.br/revista/critica/borboletas-de-sol-de-asas-magoadas</link>
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		<pubDate>Tue, 18 Nov 2008 05:04:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leca Perrechil</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>

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		<description><![CDATA[Na Casa de Bety
Noite de quarta-feira pós-chuva. Chego ao espaço dos Satyros I em cima da hora pra ver a peça Borboletas de Sol de Asas Magoadas. Depois de pegar meu ingresso, começo a conversar com dois amigos que só estavam lá bebendo e comendo mini-pizza em forma de aperitivo. O espaço está semi-vazio, apenas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>Na Casa de Bety</h3>
<p>Noite de quarta-feira pós-chuva. Chego ao espaço dos Satyros I em cima da hora pra ver a peça <strong>Borboletas de Sol de Asas Magoadas</strong>. Depois de pegar meu ingresso, começo a conversar com dois amigos que só estavam lá bebendo e comendo mini-pizza em forma de aperitivo. O espaço está semi-vazio, apenas um grupo de nove pessoas (sim, eu contei) aguardam para ver a peça e outros estão bebendo e curtindo a música ambiente. Um dos meus amigos me fala que já viu a peça, gostou, mas que a falta de público atrapalha um pouco, já que o espetáculo pede interação - fato que será constatado logo mais.</p>
<p>O clima continua o habitual, mesmo quando entra uma pessoa com saltão alto, peruca loira, micro vestido, maquiagem e gestos espalhafatosos, falando alto e conversando normalmente com o pessoal do teatro. Sim, isso poderia acontecer em qualquer dia normal na Praça Roosevelt, mas logo a figura convida o pessoal a entrar em sua casa, lá dentro da sala de teatro, e ficar à vontade. Trata-se da travesti Bety, interpretada pela atriz Evelyn Ligocki, que também assina o texto e compartilha a direção com Celina Alcântara (qualquer relação com <a href="http://www.bacante.com.br/revista/author/mauricio">Maurício Alcântara</a>, é mera coincidência).</p>
<p>Para fazer o papel, Evelyn fez sua lição de casa acompanhando o dia-a-dia das travestis de Porto Alegre e também por meio da ONG Igualdade - Associação de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul. E deu certo - a Bety de Evelyn é tão realista que parece mesmo uma travesti contando sobre sua vida, sobre as companheiras, manias, truques para parecer mais feminina etc. Voz mais grave, postura e gestos trazidos durante a pesquisa ajudam a criar Bety e o ponto forte do espetáculo: uma personagem complexa, que conta com despojamento sobre os prazeres de ser travesti e ao mesmo tempo a tristeza e solidão pelas violências sofridas e pelo preconceito.</p>
<p>A temática da peça não foca apenas nos sofrimentos e exclusão social dos travestis, mas também em um mundo alegre, em que os exageros (pra falar, se vestir, viver) são apreciados e bem vindos. Além da construção da personagem, a estrutura do monólogo se baseia ainda na interação que esta cria com a platéia.</p>
<p>Nesse ponto voltamos ao início - a peça precisa de público e perde quando o número de espectadores é reduzido. Dentro da casa de Bety, o público é convidado e confidente. Bety oferece salgadinho (sabe aquele Fofura, que não tem gosto, é barato, mas dá vontade de mastigar?), faz perguntas, pede para chamarem o nome dela. O público não está lá apenas pra assistir, faz parte da composição da peça. No final, a personagem já conquistou o público e já foi passível de pena, provocou risadas, além das reflexões sobre preconceito e estrutura social.</p>
<p>PS: Em dado momento do espetáculo, Bety realiza seu show de travesti, daqueles de dublagem que a gente vê em filmes ou em casa de boate mesmo. Mas Bety traz um show tão melancólico, depois de momentos tensos da encenação, que deixa sua apresentação musical bastante poética. Se Stanislavski visse, poderia até falar de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%A9_c%C3%AAnica">fé cênica</a>&#8230; se quisesse.</p>
<p style="text-align: right;"><em>3 salgadinhos Fotura sabor churrasco jogados no chão</em></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>O Quarto</title>
		<link>http://www.bacante.com.br/revista/critica/o-quarto</link>
		<comments>http://www.bacante.com.br/revista/critica/o-quarto#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 18 Nov 2008 03:06:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliene Codognotto</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>

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		<description><![CDATA[Pechincha&#8230;
&#8230; porque pra compensar a grana que devem ter custado os direitos autorais do texto de Harold Pinter; o investimento que é construir um teatro &#8220;muderno&#8221; na badalada Rua Agusta; e, ainda assim, cobrar só 10 reais na entrada, é preciso economizar&#8230;
- 1 galão de água de 10 litros para esparramar pelo chão compondo todo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>Pechincha&#8230;</h3>
<p>&#8230; porque pra compensar a grana que devem ter custado os direitos autorais do texto de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Harold_Pinter">Harold Pinter</a>; o investimento que é construir um teatro &#8220;muderno&#8221; na <a href="http://mais.uol.com.br/view/1xu2xa5tnz3h/metropolis--baladas-na-rua-augusta-040270E08983E6?types=A&amp;">badalada Rua Agusta</a>; e, ainda assim, cobrar só 10 reais na entrada, é preciso economizar&#8230;</p>
<p>- 1 galão de água de 10 litros para esparramar pelo chão compondo todo o cenário = economiza madeira.</p>
<p>- 1 atriz interpretando dois personagens = economiza o cachê de um ator e ainda dá um charme.</p>
<p>- 1 projetor dando as falas de um ator = economiza o cachê de mais um ator e ainda dá um toque tecnológico.</p>
<p>- 3 atores = caro, mas tudo bem, já economizaram o cachê de 2 atores nos procedimentos descritos nos itens acima.</p>
<p>- 2 lâmpadas fluorescentes = economiza uma estrutura de iluminação com canhões de luz e ainda dá um tom de mistério, além do <a href="http://www.drashirleydecampos.com.br/noticias/22454">apelo ambientalmente correto</a>.</p>
<p>- 4 figurinos &#8220;pretinho-básico&#8221; = economiza gastos diversos no brechó e nem dá pra ver mesmo à meia luz.</p>
<p>- 1 radinho tocando músicas antigas tipo &#8220;I&#8217;ll never smile again&#8221; = economiza cachê dos músicos para executar a música ao vivo, além do cachê do diretor musical.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/IhIVF-uw9V0&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/IhIVF-uw9V0&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: right;"><em>4 integrantes do grupo <a href="http://www.bacante.com.br/revista/critica/meire-love">Bagaceira</a> gostaram, aparentemente.<br />
</em></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Rainha[(s)] - duas atrizes em busca de um coração</title>
		<link>http://www.bacante.com.br/revista/critica/rainhas-duas-atrizes-em-busca-de-um-coracao</link>
		<comments>http://www.bacante.com.br/revista/critica/rainhas-duas-atrizes-em-busca-de-um-coracao#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 18 Nov 2008 02:57:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabrício Muriana</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>

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		<description><![CDATA[Do meu atraso
Fotos: Roberto Setton




Desculpa, gente. Essa crítica era pra ter entrado na semana passada. Na real, o combinado era eu escrever sobre a estréia da peça Rainha[(s)] - duas atrizes em busca de um coração, mas - sabe como é -  São Paulo, dia de chuva, peça às 20h30: não deu tempo. Não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>Do meu atraso</h3>
<p><span class="legenda">Fotos: Roberto Setton</span></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.bacante.com.br/revista/wp-content/uploads/2008/11/rainhas204.jpg"><img class="size-full wp-image-1336 aligncenter" title="Rainha [(s)]" src="http://www.bacante.com.br/revista/wp-content/uploads/2008/11/rainhas204.jpg" alt="" width="453" height="680" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.bacante.com.br/revista/wp-content/uploads/2008/11/rainhas194.jpg"><img class="size-full wp-image-1337 aligncenter" title="Rainha [(s)]" src="http://www.bacante.com.br/revista/wp-content/uploads/2008/11/rainhas194.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.bacante.com.br/revista/wp-content/uploads/2008/11/rainhas267.jpg"><img class="size-full wp-image-1338 aligncenter" title="Rainha [(s)]" src="http://www.bacante.com.br/revista/wp-content/uploads/2008/11/rainhas267.jpg" alt="" width="453" height="680" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.bacante.com.br/revista/wp-content/uploads/2008/11/rainhas282.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1344" title="Rainha [(s)]" src="http://www.bacante.com.br/revista/wp-content/uploads/2008/11/rainhas282.jpg" alt="" width="453" height="680" /></a></p>
<p>Desculpa, gente. Essa crítica era pra ter entrado na semana passada. Na real, o combinado era eu escrever sobre a estréia da peça <strong>Rainha[(s)] - duas atrizes em busca de um coração</strong>, mas - sabe como é -  São Paulo, dia de chuva, peça às 20h30: não deu tempo. Não que você tenha alguma coisa a ver com isso. Mas sexta-feira, chuva de verão, sem chance. Vi no domingo, depois do ensaio de um dia cansativo. Queria que fosse pós-macarronada, mas só se tivesse visto nesse domingo agora&#8230; Enfim, o que interessa? A crítica, pois bem.</p>
<p><em>Rainha[(s)]</em> está na Unidade Provisória do Sesc Avenida Paulista. Tem a Georgette Fadel (aquela do <a href="http://www.bacante.com.br/revista/critica/gota-dagua-"><em>Gota D&#8217;Água</em></a>, da <a href="http://www.bacante.com.br/revista/entrevista/cristiano-tomiossi-georgette-fadel-e-iraci-tomiatto" target="_blank">entrevista</a> e do <a href="http://www.bacante.com.br/revista/critica/love-and-blembers"><em>Love N&#8217;Blembers</em></a>), a Isabel Teixeira (do <a href="http://www.bacante.com.br/revista/critica/gaivota-tema-para-um-conto-curto" target="_blank"><em>Gaivota - Tema para um conto curto</em></a>) e é dirigido pela Cibele Forjaz (a do <a href="http://www.bacante.com.br/revista/critica/vemvai-o-caminho-dos-mortos" target="_blank"><em>VemVai</em></a>). E o que é? Não sei. Bem, não que eu não saiba, exatamente. Dá pra classificar de várias maneiras, todas insuficientes. Teatro pós-dramático? Talvez, pela ausência de trajetória clara dos personagens. Teatro interativo? Não dá pra dizer que uma votação seja lá uma interação, mas é uma tentativa. Investigação de novas formas? Hum, essa é difícil dizer, mas acho que não tem nada de realmente novo ali no palco.</p>
<p>Sinto (bonita palavra pra não dizer com veemência) que as escolhas tendem a psicologizar as duas personagens, ao invés de - o que me pareceria mais óbvio - tensionar semelhanças/diferenças históricas do tempo de Schiller (final do século XVIII e início do XIX) e do nosso tempo. No entanto, não vejo uma razão clara pra essa escolha e o resultado é uma coisa, assim, nem lá nem cá. Os fragmentos que foram apresentados não me permitem organizar um todo mínimo de onde partir pra múltiplas interpretações. O trio parece que conta demais com a compreensão do público, ou - como acontece na <em>Gaivota</em> da Cia dos Atores - com um pré-conhecimento do texto.</p>
<p>A sensação que levo é de que as coisas vão se alinhavar um pouco mais com o tempo. Acho que é a terceira vez que aceno com a necessidade de rever peças de que Georgette Fadel participa. Sinal de que encontro ali um motivo pra continuar apostando e conferindo os riscos do teatro ou o teatro de risco.</p>
<p style="text-align: right;"><em>1 votação, 2 atrizes, 3 dramaturgas e muitas crises</em></p>
<p style="text-align: left;">Ps: Sentiu outra coisa totalmente diferente do que acabou de ler? Bota nos comentários, meu filho. Você não tem idéia de como será bem-vindo.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Não sou feliz, mas tenho marido</title>
		<link>http://www.bacante.com.br/revista/critica/nao-sou-feliz-mas-tenho-marido</link>
		<comments>http://www.bacante.com.br/revista/critica/nao-sou-feliz-mas-tenho-marido#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 18 Nov 2008 02:46:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Astier Basílio</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.bacante.com.br/revista/?p=1330</guid>
		<description><![CDATA[Não fiz a crítica, mas foi divertido
Fico imaginando se o Paulo Pontes estivesse vivo e fosse assistir a alguma das peças que costumeiramente são apresentadas no teatro a que ele dá nome. Isto é. Se ele estivesse vivo e continuasse comunista. Sim, porque o Churchill disse que quem não é comunista aos 20 anos é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>Não fiz a crítica, mas foi divertido</h3>
<p>Fico imaginando se o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Pontes">Paulo Pontes</a> estivesse vivo e fosse assistir a alguma das peças que <a href="http://www.bacante.com.br/revista/critica/dona-flor-e-seus-dois-maridos">costumeiramente</a> são apresentadas no teatro a que ele dá nome. Isto é. Se ele estivesse vivo e continuasse comunista. Sim, porque o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=FzTW1GErkTc">Churchill disse que</a> quem não é comunista aos 20 anos é porque não tem coração; e quem continua sendo depois dos 30 é porque não tem cérebro.</p>
<p>Houve um natal em que a Bibi Ferreira, viúva do Paulo Pontes, recebeu de presente dele, num amigo secreto, uma edição novinha  de&#8230; <em>O Capital</em>, do <a href="http://desciclo.pedia.ws/wiki/Karl_Marx">Karl Marx</a>. Não se pode dizer que ele não era romântico.</p>
<p>Paulo morreu aos 36 (seis de usura segundo a teoria do lorde inglês) e filiado ao partidão, mesmo tendo trabalhado no <a href="http://anteriores.gazetaweb.com/1999/Mar/03/col/cadernob/cadernob.htm">setor de imprensa do Ministério do Planejamento</a> à época chefiado por um ícone da direita, doutor Roberto Campos. Até porque alguém precisa fazer a feira e grito em passeata não enche o bucho de ninguém, né?</p>
<p>O Teatro Paulo Pontes fica localizado  Bairro dos Estados em João Pessoa que está longe de ser periferia, mas não é bairro da granfinagem tabajara, a mesma que dá suas caras na coluna de <a href="http://www.gerardo.com.br/site/">Gerardo</a> e <a href="http://www.abelardo.com.br/site/">Abelardinho</a> e cujos endereços preferenciais se situam na faixa litorânea – exceto o miolo do Bessa que ainda não tem saneamento básico em todas as ruas.</p>
<p>Ir ao Paulo Pontes é sempre divertido. Se não pelo  que se vê no palco, pelo que se vê na platéia. Se pela <a href="http://mitologia.tripod.com/Teatro.htm">definição grega</a> teatro é &#8220;lugar onde se vai para ver&#8221;, no Paulo Pontes é também o lugar de onde se é visto. A primeira vez que a minha mãe foi ao teatro, ela tinha mais de 50 anos, foi lá, no Paulo Pontes. <a href="http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&amp;id=749756&amp;tit=">Peça com o Paulo Goulart e a Nicette Bruno</a>. Mamãe é costureira e leitora da <a href="http://manequim.abril.com.br/">Manequim</a>. Ela adora na revista o teste do &#8220;certo ou errado&#8221;. Mamãe é expert nisso. Quando a gente estava na fila, meu braço ficou roxo de tanto ela bater: &#8220;esse cinto brilhoso não combina com a bolsa&#8221;, &#8220;essa bota por cima da meia não dá certo, tá errado&#8221;.</p>
<p>Mamãe e a revista Manequim iriam se refestelar se fossem ao Paulo Pontes assistir a  <strong>Não Sou Feliz, Mas Tenho Marido</strong>, adaptação do livro homônimo de Viviana Gómez Thorpe. O monólogo trazia ao palco Zezé Polessa, com direção do Victor Garcia Peralta, o hermano &#8220;<a href="http://veja.abril.com.br/vejarj/150306/perfil.html">blockbuster do teatro carioca</a>&#8220;.</p>
<p>Quando eu fui subindo a rampinha que dava acesso ao teatro - que fica dentro de uma fundação cultural imensa - a <a href="http://www.bacante.com.br/revista/critica/hamlet-2">atmosfera de perfume tomava conta do ar</a>. Além do mais, tava rolando um verdadeiro desfile das tendências da moda, categoria bolsas. Pequena, grande, prateada, preta, combinando com os sapatos.</p>
<p>Por não ter recebido o ingresso – a história é longa e eu não vou fazer mais digressões  – eu fiquei de pé esperando a luz apagar pra me sentar. Pensaram até que eu era funcionário do teatro ou coisa assim. Duas amigas, na faixa etária dos &#8216;trinta e poucos&#8217; aos &#8216;quarenta e uns&#8217;; uma delas, a mais falante, ria muito. &#8220;Moço, o nosso é 26, 27 (risos). Mas eu estou vendo, que o 26 e o 27 (risos de novo) estão em todo canto, onde a gente senta?&#8221;. Pedi pra ver o bilhete. Elas não pagaram meia. Custou R$ 60 cada ingresso. Expliquei: &#8220;olha, ao lado do número tem uma letra que demarca a fileira. Então, a de vocês é a &#8216;H&#8217;&#8221; e apontei, como bom pseudo-funcionário do teatro.</p>
<p>Enquanto não começava – a peça atrasou uns 25 minutos - as amigas entabularam um papo comigo. Eu disse a mais risonha que era jornalista, não pagava. &#8220;Tu sabe quando é que vai vir peça boa pra cá?&#8221;. Eu devolvi com outra pergunta. &#8220;O que é peça boa pra você?&#8221;. A moça refletiu. E mandou: &#8220;Quando tem ator global, né? Eu acho que eles fazem um trabalho muito bem feito&#8221;. Perguntei qual tinha sido a última vez que ela tinha ido ao teatro. &#8220;Ah, meu filho, faz tanto tempo (risos) que eu nem lembro o nome&#8221;. Poucas perguntas depois, acabamos descobrindo que tinha sido <a href="http://www.youtube.com/watch?v=wOYz1BYdrls"><em>Pastoril Profano</em></a>, uma produção made in PB sucesso de bilheteria.</p>
<p>&#8220;Teve uma boa que eu perdi&#8221;.</p>
<p>O papo continuou. &#8220;Quando foi que veio global da última vez?&#8221;, ela perguntou. &#8220;Mês passado&#8221;, respondi. &#8220;Qual?&#8221; Ela quis saber. Eu disse: &#8220;<a href="http://www.bacante.com.br/revista/critica/dona-flor-e-seus-dois-maridos">Dona Flor e Seus Dois Maridos</a> &#8220;. Ela quis mais explicações: &#8220;Não; o nome da peça não, o nome do global. Quem eram os atores?&#8221;, ela quis muito saber. &#8220;Marcelo Faria, Carol Castro&#8230;&#8221;. Ela vira-se pra amiga e diz: &#8220;Não disse, mulher? A gente perdeu!&#8221;.</p>
<p>Em quase todo espetáculo no Paulo Pontes aparecem pessoas distribuindo panfletos. É estranho que eles nunca estão no <a href="http://www.bacante.com.br/revista/critica/larvarias">Santa Roza</a>, na <a href="http://www.bacante.com.br/revista/critica/quebra-quilos">Piollin</a>, no <a href="http://www.bacante.com.br/revista/critica/insonia-2">Ednaldo do Egyto</a>, no Lima Penante. Os dois moços entregando um panfleto em papel cartão, policromia, de fino acabamento, sobre os pratos e a cozinha de um novo restaurante de João Pessoa: o Divina Itália, cujos slogans são: &#8220;15 anos em São Paulo, agora em João Pessoa&#8221; e &#8220;Vá mais longe na cozinha italiana&#8221;. Definitivamente, o pessoal aí sabe o que é &#8220;público alvo&#8221;.<em></em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Três estrelas: uma atriz com excelente tempo de comédia + um texto defasado + uma platéia super interessante.</em></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Como Nasce um Cabra da Peste</title>
		<link>http://www.bacante.com.br/revista/critica/como-nasce-um-cabra-da-peste</link>
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		<pubDate>Tue, 11 Nov 2008 05:50:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leca Perrechil</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>

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		<description><![CDATA[Nordeste traz suas crenças pra São Paulo
Fotos: Altair Castro


Antes de escrever sobre Como Nasce um Cabra da Peste, do grupo Agitada Gang, da Paraíba, fechei a porta do meu armário pra não dar azar, desvirei meus sapatos pra ninguém da minha família morrer, tirei o pé de coelho da gaveta pra dar sorte (não para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: left;">Nordeste traz suas crenças pra São Paulo</h3>
<p style="text-align: left;">Fotos: Altair Castro</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1307" title="cabrada-peste-foto-altair-castro-222" src="http://www.bacante.com.br/revista/wp-content/uploads/2008/11/cabrada-peste-foto-altair-castro-222.jpg" alt="" width="500" height="333" /></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.bacante.com.br/revista/wp-content/uploads/2008/11/cabrada-peste-foto-altair-castro22.jpg"><img class="size-full wp-image-1309 aligncenter" title="cabrada-peste-foto-altair-castro22" src="http://www.bacante.com.br/revista/wp-content/uploads/2008/11/cabrada-peste-foto-altair-castro22.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>Antes de escrever sobre <strong>Como Nasce um Cabra da Peste</strong>, do grupo Agitada Gang, da Paraíba, fechei a porta do meu armário pra não dar azar, desvirei meus sapatos pra ninguém da minha família morrer, tirei o pé de coelho da gaveta pra dar sorte (não para o coelho) e bati um papo virtual com o <a href="http://www.bacante.com.br/revista/author/astier">Astier</a> - colaborador da Bacante e jornalista de João Pessoa - para ter informações mais regionais.</p>
<p>E não é que essa última simpatia funcionou mesmo!? Astier me interou que o autor (recém-falecido) do texto, Altimar Pimentel, era um velhinho legal muito ligado ao folclore e se baseou numa pesquisa etnográfica de Mário Souto Maior - sobre simpatias para gestantes, crendices populares nordestinas - para criar a peça.</p>
<p>Agora, com mais de 10 anos de peça, os paulistanos puderam conferir a montagem na <a href="http://www.centrocultural.sp.gov.br/dramaturgianordestina/">Mostra Paulista de Dramaturgia Nordestina</a> no CCSP e no CCBB, &#8220;digrátis&#8221;, para a alegria e satisfação daqueles que carregam sementes de romã embrulhadas em notas de 1 real na carteira, pra dar dinheiro. Assim, cruzei os dedos, bati na madeira e fui assistir sozinha [já que alguns amigos(as) tiveram resultado colocando Santo Antônio de ponta cabeça] a primeira peça da Mostra.</p>
<p>O espetáculo não fez ninguém atirar pedra na cruz e nem decepcionou quem esperava ver um registro mais regional - tanto na história embasada nas crendices populares quanto nas partituras físicas dos atores, tão bem desenvolvidas que não deixaram o espetáculo cair nem durante as piadas mais banais. Como disse o Astier no bate papo informal, &#8220;Nordeste não é isso, mas é isso também&#8221;. As aspas tiradas do contexto servem para dizer que esse retrato nordestino, que seria um pouco do que o resto do país espera do nordeste - seca, pobreza, diferentes crenças - existe, mas não está sozinho.</p>
<p>Também as peças de temáticas urbanas, que abordam outras questões, como<a href="http://www.bacante.com.br/revista/critica/lesados"> <em>Lesados</em> </a>(presente na Mostra) - sobre tédio e a mesmice cotidiana - têm produções realizadas na região. Mas fica a dúvida: será que a organização e curadoria da Mostra preferiram começá-la com uma dramaturgia que os paulistanos mais estão acostumados a ouvir sobre a região e, por isso, esperavam ver?</p>
<p>Nem precisei cruzar os dedos e apelar para ferraduras pro Astier (novamente ele) me contar uma de suas histórias, que tem tudo a ver com o estereótipo que o nordeste de vez em quando é vítima:</p>
<p>&#8220;Era uma peça que todo mundo falava. Aí entrou em cartaz e eu fui ver. Na minha frente, vinham duas senhoras, que eram turistas. Chegaram cedo, tiraram foto do teatro. Quando o Dadá (Venceslau), que tem uma cabeçona imensa, entra em cena, com uma baladeira caçando alguma coisa, a velhinha cutuca a outra e diz: &#8220;olha fulana, esse aí, agora, é um ator tipicamente nordestino&#8221;.</p>
<p style="text-align: right;"><em>5 superstições que minha avó não me deixa esquecer até hoje</em></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>O Assalto</title>
		<link>http://www.bacante.com.br/revista/critica/o-assalto</link>
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		<pubDate>Tue, 11 Nov 2008 05:12:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maurício Alcântara</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>

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		<description><![CDATA[Crítica Barroca ou Oração a Mefistófeles

Foto: Divulgação.
Senhor, perdoa-me pois pequei. Depois de anos, assisti mais uma vez a uma pecaminosa apresentação deste espetáculo num teatro apertado e escuro, num beco estranho do centro de São Paulo. Pois é, sexta-feira à noite, mais uma vez deixei de lado os pomposos centros de entretenimento multiplex abençoados e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>Crítica Barroca ou Oração a Mefistófeles</h3>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-1303" title="009" src="http://www.bacante.com.br/revista/wp-content/uploads/2008/11/009.jpg" alt="" width="333" height="300" /></p>
<p><em>Foto: Divulgação.</em></p>
<p>Senhor, perdoa-me pois pequei. Depois de anos, assisti mais uma vez a uma pecaminosa apresentação deste espetáculo num teatro apertado e escuro, num beco estranho do centro de São Paulo. Pois é, sexta-feira à noite, mais uma vez deixei de lado os pomposos centros de entretenimento multiplex abençoados e protegidos contra o diabo, assim como também não fui beber com os colegas de trabalho na louvação do happy-hour. Fui fraco e caí em tentação.</p>
<p>Confesso que senti minha fé no senhor abalada ao longo de quase duas horas - na verdade, eu já não acreditava em ti há algum tempo, e esse pecado apenas me desestabilizou ainda mais. Há quarenta anos aquele ritual foi escrito e é a segunda vez que o vejo - e desta vez me fez muito mais sentido. Perdoa-me por ter me identificado e por ter cedido às provocações, ironias, incoerências e fraquezas daquele encontro de personagens tão distintos - um faxineiro e um bancário de classe média desiludido com a vida. E com o senhor.</p>
<p>Ó senhor, como consigo voltar a acreditar na tua imaterialidade e na abençoada produção de valores abstratos, da mesma maneira que fui criado e da forma como minha vida era divinamente conduzida até pouco tempo atrás, ó meu deus? Como voltar a anular os pecaminosos e animalescos instintos que me conduzem a questionamentos profanos de liberdade e expressão? Como, afinal, consigo ter a sensação de gostar de fazer aquilo que me remunera, ó senhor?</p>
<p>Dóem-me as vontades pessoais, a busca por ritmos mais calmos. Falta-me a busca enlouquecida e objetiva pela realização profissional, pela estabilidade financeira, pela ascensão e realização profissional, pela casa própria, pelo corpo sarado, pela capacidade de sinergia e pela plena pró-atividade. É um caminho tortuoso que não consigo mais voltar a seguir cegamente e sem pretensão crítica, ó senhor. Mas para isso é preciso restaurar minha fé. Será que um dia voltarei a tê-la?</p>
<p>Senhor, sinto por não tê-lo em todos os momentos de minha vida, pois outrora eu a sentia completa e cheia de significados. Era na fé que eu respondia às pessoas quem eu era, o que eu fazia. E eu me sentia feliz e realizado - e me sentia um só. Hoje sinto-me esquizofrênico e perdido. Frustra-me essa busca por algo que não é necessariamente construída na fé no senhor. Perturba-me sentir essa esquizofrenia em vez de apenas vivê-la. Ah, como seria mais fácil viver sem esses pensamentos pecaminosos, sem enxergar tuas monstruosas e divinas diferenças, segregações, violências e humilhações. Ah, se eu voltasse cegamente a ser apenas mais um servo teu, como a vida seria mais leve&#8230;</p>
<p>Não, esses questionamentos não são decorrentes da fraqueza de sexta-feira, são dúvidas que vêm contaminando minhas crenças há muito tempo. Mas são momentos intensos e incisivos como esses da semana passada que percebo o quanto questiono se quero continuar em teu caminho. Mas tenho certeza de que não é por isso que me abandonarás, porque eu também não consigo te abandonar. Ó senhor, sabes que, apesar de tudo, por mais esburacada que esteja minha fé, por mais que minha consciência me afaste lentamente de vossos ensinamentos e por mais herege que eu me sinta, ainda estou preso a ti.</p>
<p>Trabalho nosso que estás no céu,<br />
valorizada seja vossa imaterialidade.<br />
Venha a nós o vosso ritmo,<br />
Seja feita vossa fetichização<br />
Assim no horário comercial como na vida particular</p>
<p>O salário nosso de cada mês nos dai hoje,<br />
perdoai as nossas individualidades<br />
assim como nós perdoamos<br />
a quem só temos obedecido<br />
Não nos deixeis cair em distração<br />
Mas livra-nos da consciência crítica.</p>
<p style="text-align: right;"><em>Amém.</em></p>
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		<item>
		<title>Primeiro Festival de Teatro Grotesco de São Paulo</title>
		<link>http://www.bacante.com.br/revista/critica/primeiro-festival-de-teatro-grotesco-de-sao-paulo</link>
		<comments>http://www.bacante.com.br/revista/critica/primeiro-festival-de-teatro-grotesco-de-sao-paulo#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 11 Nov 2008 04:33:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marco Albuquerque</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>

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		<description><![CDATA[A Praça Roosevelt vai dominar o mundo

Foto: Antônio Rocco
Esta é uma crítica parcial. Parcial porque trata de apenas um dos três espetáculos do Primeiro Festival do Teatro Grotesco de São Paulo. Cada espetáculo, por sua vez, é composto de três peças curtas, todas inéditas. Portanto esta crítica tem por matéria apenas 3 das 9 peças [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>A Praça Roosevelt vai dominar o mundo</h3>
<p><a href="http://www.bacante.com.br/revista/wp-content/uploads/2008/11/foto-grotesco.bmp"><img class="aligncenter size-full wp-image-1299" title="foto-grotesco" src="http://www.bacante.com.br/revista/wp-content/uploads/2008/11/foto-grotesco.bmp" alt="" /></a></p>
<p>Foto: Antônio Rocco</p>
<p>Esta é uma crítica parcial. Parcial porque trata de apenas um dos três espetáculos do <strong>Primeiro Festival do Teatro Grotesco de São Paulo</strong>. Cada espetáculo, por sua vez, é composto de três peças curtas, todas inéditas. Portanto esta crítica tem por matéria apenas 3 das 9 peças componentes do Festival.</p>
<p>Às sextas feiras estiveram em cartaz três espetáculos baseados em textos de Dionísio Neto, Sérgio Roveri e Fernando Bonassi, aos sábados foi a vez dos textos de Mário Viana, Antonio Rocco e Otávio Frias Filho. Compareci ao Next em um domingo, dia da semana em que eram apresentadas as peças <em>Antropofagia e Fagocitose</em>, <em>Helena Comprimida</em> e <em>Urubu Quando Está com Azar</em> que são, respectivamente, de Newton Cannito, Pedro Vicente e Hugo Possolo. O elenco do Festival é composto por Eloy Nunes, Erika Puga, Fabiano Augusto, Fernanda Chiminazo, Ivan Capúa, Laerte Késsimos, Luciana Caruso, Lulu Pavarin e Nora Toledo, e se divide entre os espetáculos, sendo que alguns deles trazem a participação de todos, como é o caso de “Urubu Quando Está com Azar”, e outros como “Helena Comprimida”, trazem apenas Érika Puga em um monólogo.</p>
<p>Antes das peças propriamente ditas, é importante entender o escopo do Festival: Grotesco, de acordo com o Houaiss, é, entre outras coisas, aquilo “cuja temática ou cujas imagens privilegiam, em seu retrato, análise, crítica ou reflexão, o disforme, o ridículo, o extravagante e, por vezes, o kitsch” e aquilo que “se presta ao riso ou à repulsa por seu aspecto inverossímil, bizarro, estapafúrdio ou caricato”.</p>
<p>A essência do grotesco é portanto atingida nas três peças do terceiro dia do Festival, pois todas são montadas por um viés inverossímil e bizarro, e procuram obter da platéia o riso e, em segundo plano, a repulsa.</p>
<p>Esta mesma essência aparece no prólogo, que é comum aos três dias do festival, e no qual um soldado romano e um orador travam um duelo de palavras que tem por objetivo maior avisar ao público (menção especial é dada a cardíacos e asmáticos, entre outros) que ainda é tempo de se retirar antes de presenciar o horrendo, o grotesco e o vil. Como o prólogo se estende, Laerte Késsimos interrompe a cena, trajado com um bizarríssimo figurino em que se destaca um pênis gigante (desde já forte candidato à nova categoria Yves Saint Laurent de Melhor Figurino no II Prêmio da Bacante), e informa que o público está cansado do prólogo e quer que a peça propriamente dita comece logo.</p>
<p>Mesmo assim, o prólogo ainda se estende mais um pouco até que finalmente é iniciada <em>Antropofagia e Fagocitose</em>, em que um famoso ator de televisão é entrevistado num programa de auditório e tem uma experiência inusitada ao se descolar de seu corpo, passando a assistir sua performance no programa como um mero espectador. A peça seguinte, <em>Helena Comprimida</em>, mostra uma mulher que, após fuçar no orkut do ex-namorado, descobre que ele está se casando com uma perua loira, e entra numa piração auto-destrutiva regada a remédios e bebida.</p>
<p>A última peça da noite, <em>Urubu Quando Está com Azar</em>, conta a história de várias pessoas que comem amendoins envenenados e morrem após violenta diarréia. Esta é, com certeza, a peça mais escatológica da noite (com direito até a coprofagia), mas é a que proporciona algumas das cenas mais divertidas e que é beneficiada pelo fato de contar com todo o elenco. É também a peça que traz um dos bordões mais filosóficos (especialmente depois de tanta diarréia): “nóis caga e anda, nóis caga e anda e, como o mundo é redondo, a gente termina pisando na nossa própria bosta”.</p>
<p>Nenhuma das três peças é uma revolução da dramaturgia. Algumas soluções são fáceis demais, chegando a abusar do clichê em troca do riso garantido. São, entretanto, textos divertidos e descompromissados, que fazem com que o elenco e o público riam juntos. As interpretações são necessariamente exageradas e a platéia se diverte com os excessos. De maneira geral, a iniciativa do Festival é bacana e é bom ver que existe espaço (além das Satyrianas) para peças curtas de mesma temática serem mostradas ao público. Que venha o II Festival. E que, quem sabe, as peças do I Festival reapareçam por aí para que, quem não viu, possa conferir.</p>
<p style="text-align: right;"><em>27 rolos de papel higiênico</em></p>
<p style="text-align: right;">
<p>P.S. Alguém aí conferiu os outros dois dias do Festival e quer fazer algum comentário?</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.bacante.com.br/revista/critica/primeiro-festival-de-teatro-grotesco-de-sao-paulo/feed</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Próximo Ato 2008</title>
		<link>http://www.bacante.com.br/revista/especial/proximo-ato-2008</link>
		<comments>http://www.bacante.com.br/revista/especial/proximo-ato-2008#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 11 Nov 2008 04:02:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Revista Bacante</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Especial]]></category>

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		<description><![CDATA[O texto que segue é um mosaico de leituras do que foi Próximo Ato, encontro com representantes de todo o Brasil para discutir o teatro de grupo, que aconteceu no Itaú Cultural entre os dias 04 e 09 de novembro de 2008. Se você também acompanhou o evento, mande o seu depoimento ou pitaco. As [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texto que segue é um mosaico de leituras do que foi Próximo Ato, encontro com representantes de todo o Brasil para discutir o teatro de grupo, que aconteceu no Itaú Cultural entre os dias 04 e 09 de novembro de 2008. Se você também acompanhou o evento, mande o seu depoimento ou pitaco. As cores representam edições feitas pelos autores nos textos alheios. E não estranhe se você acessar duas vezes e o texto tiver sido alterado. A idéia é que a coisa vá se modificando mesmo, na medida em que haja interferência do público.</p>
<p><span style="color: #339966;"><strong>Fabrício Muriana</strong></span></p>
<p>Meu único dia de Próximo Ato foi o da apresentação, o primeiro. Jesus! Que coisa mais estranha. Um evento nacional pra trocar experiências e investigar de forma compartilhada o teatro de grupo no Brasil - expressão que eu quase me vejo forçado a colocar em letras maiúsculas, de tão institucionalizada - que tem sua abertura numa sala pra 75 pessoas. É óbvio que não coube todo mundo. A surpresa legal foi a publicação que dá conta da experiência dos 5 primeiros anos do Próximo Ato e de graça! (Para ter direito ao meu exemplar só tive que ir até aquela instituição bancár&#8230; ops, aquele centro cultural feito pra você, da avenida Paulista).</p>
<p>Ok, vamos desarmar. Os temas apresentados eram, pra dizer pouco, muito entusiasmantes. A precariedade como constância no trabalho de grupo do Brasil, a dimensão utópica desse teatro e, sobretudo, a timidez formal, dariam pano pra mangas diversas. Dava, sem dúvida, pra sair uma montagem para cada um desses temas. Ok, só seria visto pelo povo do teatro, mas o que não é visto só pelo povo do teatro não é mesmo minha gente?</p>
<p>A vontade de participar era muuuito grande, naquele momento pós apresentação. Eu era infiltrado, estava lá representando o meu grupo e, é claro, pensando no que relataria pra Bacante. Mas pelo horário, não participei dos Open Spaces (o que, pelos relatos, pareceu ser o que de mais interessante aconteceu no Próximo Ato). Mas isso tudo não me impede de concluir que houve diversos mecanismos que fecharam o encontro pra poucos, ao invés de abrir para muitos. Primeiro que era necessário fazer parte de um grupo e, se você veio de outros estados, tinha de ser curado. Nem todos que aqui estão escrevendo fazem parte de um grupo, o que não quer dizer que estejamos impossibilitados de pensar e propor idéias. Fora isso, palestras da noite foram feitas numa sala que definitivamente não dava conta do público. Tentei ir mais dois dias e não pude, pois não tinha chegado uma hora antes. Catzo! Faz numa sala que receba todo mundo.</p>
<p>O champagne e os quitutes do primeiro dia est{ao aprovados, por mais que eu esperasse mais do maior banco do hemisfério sul. Mas vamos tratar só do teatro, que os grupos já têm problemas suficientes a discutir. Próximo texto.</p>
<p><strong>Paulo Bio Toledo</strong></p>
<p>Pouco posso falar sobre o evento, pois participei de apenas uma manhã de discussão. E pouco posso dizer sobre a proposta do Próximo Ato, da qual conheço muito pouco.</p>
<p>Mas levanto alguns pontos; como um estrangeiro de olhar distante, tentando se abster de suas convicções particulares.</p>
<p>Nas manhãs da semana em questão, utilizou-se do formato Open Espace <span style="color: #339966;">(Space)</span> (algo assim), o que possibilitou níveis de discussão bastante diversificados e diferentes dos lugares-comuns de sempre. Entretanto, na manhã de quinta-feira em que estive presente, na sala onde o tema proposto foi &#8220;as relações entre o teatro e a sociedade&#8221;, muitas coisas chamaram a atenção. Uma delas foi uma percepção da complexidade em que se encontra o que chamamos teatro: por sua própria apreensão, enquanto conceito, ser absolutamente subjetiva e pelo nível de disparidade entre as idéias apresentadas no debate – o que tenderia ao positivo, mas que, em verdade, evidenciou um abismo imenso de comunicação comum entre essa nossa &#8220;categoria teatral&#8221;. Concretamente, a mesa esbarrou em dois impasses centrais: o primeiro a respeito da relação entre teatro e sociedade ter de ser uma preocupação &#8220;nossa&#8221; (enquanto artistas) ou da sociedade (caímos aqui, como já devem imaginar, nas discussões sobre formação de público); e o segundo acerca da própria conceituação de essência nem do teatro, mas da arte: de um lado a defesa da arte por seu contato humano, universal, etc. e, de outro, o olhar sobre a arte como manifestação de seu tempo, de sua história e, portanto, fruto de suas contradições.</p>
<p>O que concluo sobre isso, é a constatação de algo que já é cotidianamente visível: a ausência de um entendimento do teatro enquanto meio artístico (ou linguagem) de parâmetros claros ou inteligíveis; o que, por sua vez, leva a uma &#8220;quase&#8221; impossibilidade de diálogo profícuo. Por mais viva que tenha sido a discussão e a forma da mesma, a impressão que me suscitou foi a do pneu girando desesperadamente sobre si mesmo, enquanto um mar de lama não o deixa realizar efetivamente sua potência rotatória. <span style="color: #339966;">(Legal, Paulo, trouxe uma metáfora em nem usou nada relacionado com bolos - o clichê mais repetido na Bacante)</span></p>
<p>Atolados em nós mesmos. Quase como se o que nós fazemos, embora todos demos o nome de teatro, esteja longe de ser a mesma coisa.</p>
<p>Talvez&#8230;</p>
<p>(lá fora chovia&#8230;)</p>
<p><strong>Luzimara Azevedo</strong></p>
<p>Sim.Também estive na mesma manhã cinzenta do segundo dia Espaço Aberto do Próximo Ato, na discussão: Troca de processos entre os grupos e crítica entre os mesmos. Estavam na roda uns vinte grupos, de vários estados, todos com um interesse comum: compartilhar seus processos de criação – um grupo no espaço do outro, ensaiando junto, trocando procedimentos, formas, reflexões&#8230; conhecendo de fato o trabalho do outro, e não apenas o resultado final (as peças). Isso resultaria, além da troca, em: 1. uma maior articulação política – posto que essa abertura de processos criaria naturalmente (digamos) uma rede política entre os grupos; 2. a crítica, que poderia ser feita pelos próprios grupos, a partir desse compartilhamento, uma crítica que abarque o todo – o processo e o resultado, feita por alguém que acompanhou esse todo. Pensou-se em um ponto de partida para a concretização desse compartilhamento: um blog, em que os grupos colocariam o que estão pesquisando e que estão abertos para dialogarem com outros. (vão usar o próprio blog do Próximo Ato, se não resolveram criar um outro). <span style="color: #339966;">E que autonomia terá esse blog se for institucionalizado dessa forma?</span></p>
<p>Isto, foi dito. Entre tudo isso ficam soando uns ruídos, inquietações. Até que ponto esse desejo de compartilhamento de processos é verdadeiro, já que esses grupos são, de certo modo, concorrentes – cada um com seu modo de criação, de produção, alguns até fetichizados. – Não sei. Estou olhando sob o ponto de vista da mercadoria. Há outros. Todos os grupos alí <span style="color: #339966;">(ali)</span> eram de pesquisa (?) e contavam seus processos – seu ponto de vista sob o que você mesmo faz.</p>
<p>No dia seguinte, retomou-se a discussão, fez-se uma avaliação sobre o Próximo Ato, a curadoria, os encontros, os debates, os mini-cursos, aliás, participei de um: com a Erika Fischer-Lichte – &#8220;O que acontece no entremeio - Teatro como liminar: Co-presença corporal de atores e espectadores – a encenação como interação&#8221; (tinha esse nome grande mesmo, me arrisquei e fui). Em poucas palavras/símbolos, o que posso dizer é:      ?!&#8230;?!      (já que qualquer reação/relação do público é válida).</p>
<p>Longe de concluir algo, ainda restam muitos ruídos sobre o que foi dito.</p>
<p><strong>Ana Luiza Fortes</strong></p>
<p>(&#8230;) Prazer, Ana Luiza, representante do teatro de grupo catarinense.</p>
<p>Tá, sinceramente, não sou representante de nada, sou só uma pessoa que faz teatro em Santa Catarina e está começando a fazer parte de um grupo de teatro ou algo próximo disso. A verdade, é que esse &#8220;título&#8221; me sobrou. Ninguém mais do Estado, que estava no Próximo Ato de Porto Alegre podia ir e bom, eu acabei indo. Meu diretor falou: Ana, não se preocupa, não é uma coisa tanto de representação, é mais para estar lá presente. Mas tinha algo de representação, sim. Um peso de ter que participar de tudo, afinal eu estava sendo bancada etc.</p>
<p>Agora, supostamente tenho que escrever um relatório para o meu Estado. É difícil escrever um relatório que seja representativo para um Estado, a minha experiência foi muito pessoal e não sei até que ponto consigo universalizar (ou regionalizar) isso.</p>
<p>De qualquer forma, o que posso comentar genericamente é o seguinte: o Próximo Ato é uma iniciativa bem interessante. Com algumas contradições evidentes que todo mundo fazia questão de ressaltar o tempo inteiro: o fato de ser patrocinado por um banco privado e querer discutir um &#8220;modo de produção&#8221; teatral alternativo e o fato de pretender discutir estética contemporânea quando, na prática, os grupos queriam discutir, sei lá, políticas públicas, acho. Até certo ponto, é compreensível que um grupo de pessoas que fazem teatro em lugares onde não existe quase a noção de políticas culturais, sinta essa necessidade (incluo Santa Catarina como um desses lugares). Mas senti falta de saber mais sobre o teatro que os grupos fazem, o que os move e quais são os processos que utilizam. Quando se falava algo nessa direção, era de forma meio vaga: [exemplo fictício] A gente faz um teatro performático, com referências a Glauber Rocha. Ponto. O espaço aberto que participei no segundo dia colocou essa questão, foi bom para tentar abrir um espaço mais concreto para a troca de processos no próximo Próximo Ato. Ainda assim, acho que dava para discutir algo nesse sentido simplesmente pelo fato de estarmos lá, mas as pessoas parecem ter pudor em discutir estéticas e poéticas. Talvez esteja aí o cerne da questão sobre a timidez formal, levantada pelos curadores como ponto de partida para o encontro desse ano.</p>
<p>A parte disso, algumas palestras foram muito boas, especialmente as da professora mexicana Ileana Diéguez e do Ismail Xavier, professor de cinema da USP.</p>
<p>Ileana comentou sobre a teatralidade no cotidiano, a partir de experiências na América latina e o Ismail Xavier sobre o que há de teatro no cinema de Glauber Rocha, pensando principalmente nas relações entre espaço aberto (natural) e espaço construído (cena).</p>
<p>Prometo tentar comentar de forma menos vaga ao longo da semana, já que o texto não tem fim. (&#8230;)</p>
<p><strong>Juliene Codognotto</strong></p>
<p>Meu depoimento. Beijos, Juli =)</p>
<p>Estive no primeiro dia do Espaço Aberto de discussões. Cheguei no meio da apresentação das regras. Maria nos explicava que temos dois pés e que, com eles, poderíamos nos dirigir ao que realmente nos interessasse, sem ficar - por obrigação - em discussões improdutivas. Essa eu considero a vantagem número 1 do formato escolhido. Perdi as contas das muitas mesas redondas / palestras / debates no Sesc, no Itaú Cultural etc, em que eu fiquei pensando na lista de compras do supermercado ou em quantas críticas a Bacante teria naquela semana&#8230;</p>
<p>Muito bem, estávamos, então, livres para abandonar espaços e pessoas chatas - se houvesse - e mudar de idéia.</p>
<p>Nos dividimos em grupos para discutir temas que vieram das nossas inquietações, em vez de voltarmos aos assuntos de sempre - muito embora, não raro, nossas inquietações correspondessem justamente aos assuntos de sempre. De todo modo, essa proposição espontânea de temas é a vantagem número 2.</p>
<p>Outras regras vieram e, finalmente, um momento lúdico. No evento era permitido ver-se como dois bichinhos:</p>
<p>1. Abelha polinizadora: aquela criatura que vai de um cantinho de debate ao outro e leva consigo pólen do primeiro para o segundo. E segue, fertilizando as discussões com assuntos das outras discussões. Achei lindo, só não vi acontecer. Muitas pessoas mudaram de debate, mas era difícil misturar os assuntos discutidos anteriormente com o assunto em que estavam entrando, até porque o debate já estava, geralmente, percorrendo outro caminho.</p>
<p>2. Borboleta: ela vai passando&#8230;. não que ela leve pólen, mas só a presença dela já embeleza o ambiente. Esse era exclusivo para atores e diretores muito bonitos. Mentira.</p>
<p>Só não valia ser girafa, ou seja, ficar espichando o pescoço porque a discussão do lado está mais interessante.</p>
<p>Propostos os temas, me programei para participar de dois debates: um sobre teatro e comunidade, outro sobre como as curadorias legitimam ou não as experimentações estéticas. Continuo curiosa pelo segundo, pois acabamos estendendo o papo sobre teatro e comunidade nos dois horários possíveis e fiquei por ali mesmo todo o tempo.</p>
<p>É bacana notar que, e geral, há sim uma preocupação com o que interessa, de fato, à comunidade, como uma troca, sem necessariamente gerar um trabalho assistencialista. Claro que isso não ocorre em todos os casos e, mesmo que esteja no discurso, nem sempre se efetiva. Muitos ainda disfarçam, mas pensam que estão indo a uma comunidade pobre para mudar a vida de quem vive lá. Não, não sou contra mudar vidas, salvar vidas, rezar, construir igrejas e albergues&#8230; mas ainda estamos falando de arte, de um processo artístico que está necessariamente presente no seu contexto histórico e social, o reflete, sem dúvida, mas que não pode tomar para si a responsabilidade ou função de modificá-lo, corrigi-lo, ou qualquer que seja o termo.</p>
<p>E, se a base das discussões era a questão da &#8220;timidez estética&#8221; dos grupos, pouco se falou sobre isso. Naturalmente, nosso debate se encaminhou para um compartilhamento de experiências dos grupos em que cada um contou um pouco do trabalho que desenvolve, das dificuldades, dos méritos (quase sempre mais dos méritos), enfim, descreveu como se relaciona com a comunidade politicamente, quais os obstáculos e soluções encontrados. No entanto, poucos falamos de como a forma do espetáculo pode fazer parte deste relacionamento com a comunidade e mesmo com o público de maneira geral.</p>
<p>No que foi o momento mais enriquecedor pra mim, com relação a gerar reflexões posteriores, a Tânia, do Ói Nóis Aqui Traveiz, de Porto Alegre, disse que as oficinas ministradas nas periferias da cidade são também uma parte do trabalho artístico como outra qualquer e que chegam muito mais ao público e estabelecem troca e vínculo muito maiores do que as próprias apresentações de peças. Eis algo a se pensar a respeito. Ingenuamente sugeri: &#8220;será que não devemos, então, pensar em maneiras de os próprios espetáculos chegarem mais às pessoas, tomando a forma e a inovação estética como aliadas?&#8221;. Digo que fiz a sugestão &#8220;ingenuamente&#8221;, porque não tenho idéia de qual seja essa forma. Apesar disso, acho que não há outro lugar para pesquisá-la senão nos grupos presentes neste encontro - e em outros semelhantes. Por que as oficinas envolvem mais que as peças? Proximidade? Público ativo? Apropriação? Nossas peças podem ser/ ter isso também?</p>
<p>Claro, foi uma oportunidade bastante rara de encontro tranqüilo e livre. Foi ótimo conhecer outros processos tão diversos e cheios de dificuldades e utopias quanto o do meu grupo, mas, por outro lado, senti falta de projetar, de me basear no presente para pensar outros processos, outras formas, outras relações. O novo.</p>
<p>PS: Não pretendia falar aqui de casos muito específicos até porque é um tanto quanto injusto expor o que as pessoas dividiram naquele ambiente íntimo. No entanto, dois casos são emblemáticos pra mim com relação a entender o público - seja uma comunidade ou não - como parte ativa do espetáculo e, mesmo, do processo criativo. São os casos da Cia Estável - que eu não conhecia e, infelizmente, ainda sei pouco - e do Tablado de Arruar. A Estável trabalhou numa instituição com mais de 100 homens (talvez não seja exatamente esse o número) e estes homens participavam das cenas, atuando mesmo ou dando palpites, criticando certas passagens etc. O Tablado - que atualmente trabalha para criar o seu Hamlet - abriu o processo criativo da peça Movimentos para Atravessar a Rua em plena Praça da Sé, o que significa improvisar e criar em um espaço público, aberto a influências e participações efetivas de quem, mais tarde, seria a platéia do espetáculo. Naturalmente, as dificuldades foram muitas - tanto que o processo atual acontece em um espaço fechado e será apresentado em um teatro convencional. No entanto o grupo aproximou-se daquela relação estabelecida pela Tânia com os oficineiros - sem que fosse preciso utilizar a pedagogia como único caminho.</p>
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		<title>Senhora dos Afogados</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Nov 2008 03:08:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emilliano Freitas</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>

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		<description><![CDATA[Minha primeira noite com Antunes&#8230;

Foto: Divulgação
Alguns nascem, crescem, entram no mundo do teatro, encenam O Rapto das Cebolinhas, lêem uns livros importantes (e outros nem tanto assim), assistem cinema argentino, plantam uma árvore, montam Nelson Rodrigues na escola, fazem longos discursos sobre o pós-dramático, criam mitos (desmitificam outros), e rejeitam, por tudo que há de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>Minha primeira noite com Antunes&#8230;</h3>
<p><a href="http://www.bacante.com.br/revista/wp-content/uploads/2008/11/senhora-dos-afogados-2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1284" title="senhora-dos-afogados-2" src="http://www.bacante.com.br/revista/wp-content/uploads/2008/11/senhora-dos-afogados-2.jpg" alt="" width="500" height="316" /></a></p>
<p>Foto: Divulgação</p>
<p>Alguns nascem, crescem, entram no mundo do teatro, encenam <em>O Rapto das Cebolinhas</em>, lêem uns livros importantes (e outros nem tanto assim), assistem cinema argentino, plantam uma árvore, montam Nelson Rodrigues na escola, fazem longos discursos sobre o pós-dramático, criam mitos (desmitificam outros), e rejeitam, por tudo que há de mais sagrado no mundo, o teatrão. Nem precisa me acusar de ter feito tudo isso, esperando uma resposta grossa e irônica, visto que não vou negar o passado, apesar que meu figurino de Camaleão Alface era horrível e quente. Parece mais cult (mesmo sendo menos rentável) falar na explosão do palco italiano, pesquisa visceral dos corpos, as novas mídias no teatro contemporâneo, deixar o público sem entender os princípios de descontinuidade, e as montagens &#8220;tradicionais&#8221;, aos moldes do século XX, ganham um rótulo bem grande de &#8220;ultrapassadas&#8221; e, por que não, &#8220;burguesas&#8221;.</p>
<p>Em minha última passagem por São Paulo, contrariando todas as indicações possíveis, fui assistir pela primeira vez o bom velhinho Antunes Filho e o seu CPT em <strong>Senhora dos Afogados</strong>. Lá ia o crítico dentro do metrô pensando em como seria o tal teatrão do cara, classificado por alguns como sem inovação, preso ao texto e às técnicas de  interpretação &#8220;ultrapassadas&#8221; (com direito a laboratórios e ressonância vocal). Todas as expectativas pendiam para um lado obscuro. Será que iria ver de novo aquelas peças onde as velhinhas da platéia e família dos atores aplaudem de pé e os devoradores de Lehmann são obrigados a dividir uma pizza com as namoradas que saem do teatro comentando como era bonito o vestido da mocinha? Os três sinais antes da peça são acompanhados por um sinal da cruz pedindo a Deus para não deixar ver mais uma peça utilizando cadeiras (que já estavam no palco) iguais a milhares já vistas.</p>
<p>A música tocada no piano, atrizes correndo no palco, uma luz obscura e um coro acompanhando um velório nos primeiros cinco minutos dão um nó na minha cabeça: é tudo tão comum e ao mesmo tempo instável.</p>
<p>Como tantos outros, também acho esse texto de Nelson um dos mais líricos, com as rubricas mais subjetivas e poéticas usadas em uma tragédia brasileira. Porém, o ambiente que se cria, com vozes distorcidas, vestidas em roupas pretas e pesadas, em movimentações artificiais, num entra e sai de atores, não me lembra em nada o mar e o calor responsável por tantos pecados ao sul do Equador. Parece muito mais uma Rússia gelada e extremista, onde as paixões avassaladoras não terminam ao som de Cartola.</p>
<p>E dá-lhe atores andando em círculos, mexendo as mãos pra lá e pra cá. Mão de ator me incomoda muito. Já fiz terríveis planos de amarrar os braços dos atores impedindo-os de fazer qualquer movimento com as mãos, ou até mesmo cortar fora o quirodáctilo pra não ter problemas com os excessos. Antunes consegue que seus atores tenham quase a medida das mãos de Grace Passo, que assumindo todos os movimentos, permite marcas que estabelecem o distanciamento do naturalismo, jogando as energias mais densas das cenas nesses vetores, sem cair em uma muleta do ator que se mexe sem parar porque não sabe onde enfiar as mãos (tipo primeiro almoço na casa dos sogros). Parece uma forma de reforçar o texto de Nelson, que se refere às mãos como o germe do pecado. Pelos movimentos das mãos percebe-se quanto a preparação de alguns atores permite realizar com destreza as partituras revelando um expressionismo que sai das mãos e se espalha por todo o corpo, e o quanto em outros (principalmente os intérpretes dos filhos da família) o esforço em realizar as marcações leva às vezes a uma leitura vazia [seria falta de concentração, "fé cênica" ou maturidade profissional?].</p>
<p>Pra minha surpresa as cadeiras estão ali apenas para serem cadeiras. A falta de inovações cenográficas (ou de qualquer outro elemento cênico, como iluminação e sonoplastia, tudo muito mínimo, sóbrio e certinho) mostra que o trabalho de carpintaria de ator é o mais importante na encenação. Ao imaginar como são os ensaios da companhia sinto uma pena profunda dos atores, sofrendo para criar e executar exaustivamente as cenas milimetricamente perfeitas, até que as mesmas sejam feitas como se fossem a coisa mais natural do universo (uma naturalidade falsa que a todo momento nos lembra que tudo visto é representação). Até mesmo o cheiro de organicidade-dionísica-evoé das três prostitutas em suas ladainhas vingativas, tem um rigor técnico distanciado de qualquer resquício festivo-descompromissado.</p>
<p>E ver um trabalho desses é ruim? Se fosse apenas um monte de atores parecendo robozinhos cuspindo textos seria horrível. Mas pra minha sorte não é. Os recursos utilizados para a encenação aproximam a poética rodrigueana do público sem artifícios e clichês, conseguindo ao mesmo tempo chocar e emocionar, não poupando suspiros e risos. É quase o que o <a href="http://www.bacante.com.br/revista/critica/mae-coragem-e-seus-filhos">Maurício disse</a> sobre o que o atraiu à montagem da <em>Mãe Coragem e seus filhos</em> do Armazém conseguindo &#8220;dar sua própria cara para um texto sem necessariamente descaracterizá-lo, fazendo aquilo que muita gente não consegue por achar que o texto sempre será maior do que sua encenação, quando, na prática, isso só deixa qualquer texto datado e velho.&#8221;</p>
<p>No fim, não tive o prazer de participar de uma tradicional palavrinha do Antunes com a platéia pra responder se tinha sido bom pra mim o desvirginamento. Que azar! Os mitos são assim mesmo, nem ligam no outro dia.</p>
<p style="text-align: right;"><em>40 mãos doidas para me levar pro mundo do pecado</em></p>
<p style="text-align: left;">Confira também a <a href="http://www.bacante.com.br/revista/critica/senhora-dos-afogados-2" target="_blank">crítica de Valmir Jr.</a> para essa montagem.</p>
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